Fault of Boys- Bray

2 As inevitabilidades em ser Jessica Hill


Notas iniciais
Playlist: ♥ Find me- Boyce Avenue Find me, here in your arms Now I'm wondering where you've always been Blindly, I came to you Knowing you'd breathe new life from within Can't get enough of you

Depois de eu ter passado a manhã inteira confinado na fazenda, ouvindo Cage rosnar e chutar qualquer coisa para fora do caminho, e vendo o ponteiro do relógio rodar mais devagar que uma lesma com preguiça, ele finalmente parou em 13h. Eu finalmente poderia fazer a única coisa que ficou na minha mente todo maldito tempo: Ver Jess.

Jess era uma das coisas que não esperava que pudesse acontecer na minha vida, e, baseado nos últimos dias, seria uma das coisas que eu não poderia esquecer facilmente também. A garota tinha ficado sob minha pele.

Faltava um pouco mais de cinco minutos para as duas da tarde na hora em que eu entrei no Fantastic Granny Restaurant. Jess estava terminando de servir uma das mesas onde um casal de idosos tentava muito duramente controlar uma garotinha de cabelos dourados e seu irmão que estavam discutindo por qualquer que seja o motivo. Eu sentei em uma mesa mais atrás em sua seção apenas esperando o momento em que ela me notaria, afinal de contas, eu não entrei no restaurante por causa da maravilhosa comida caseira.. ok, bem, talvez por isso também.

Eu observei com cuidado o desenrolar da confusão quando Jess resolveu intervir na discussão das crianças oferecendo um “pedaço bem grande da torta de chocolate com framboesas da Granny” se elas deixassem de discutir. Os olhos dos pequenos se arregalaram e de longe eu pude ver o brilho de interesse.

Os dois olharam para a avó com um misto esquisito de desconfiança e esperança. A mulher mais velha apenas balançou a cabeça, confirmando o que Jess disse, com um sorriso agradecido no rosto, que Jess retribuiu. Em seguida, a garotinha gritou ‘Fantástico!’, com tanta empolgação que eu percebi que aquele era o maior elogio que ela daria a qualquer coisa.

Eu amei poder vê-la sem que ela soubesse que eu a estava assistindo, Jess apenas superava minhas expectativas mais e mais a cada dia. Eu tinha um sorriso tão grande quanto o de Charlotte, a menininha loira, quando Jess se virou para mim. Seu sorriso permaneceu no lugar, mas eu pude ver a surpresa em seus olhos quando ela me viu.

Jess veio bamboleando seus quadris na minha direção. Ela usava apenas uma calça jeans, que era apertada o suficiente, mas era simples, assim como a camiseta branca que completou com um par de botas. O avental vermelho era um pouco mais curto que o das outras garotas, e parecia bem melhor em Jess do que em qualquer outra. Ou talvez fosse só o meu fascínio por ela que fazia tudo que ela vestia ficar bom o suficiente para comer.

Mas eu descartei rapidamente essa teoria quando ela parou para checar um cliente em seu caminho para mim. O bastardo que ela estava atendendo tinha ao seu lado uma garota muito bonita e sorridente, com uma evidente barriga redonda e a porra de um anel no dedo, o que não o impediu nem um pouco de conferir a bunda de Jess, mais de uma vez, quando ela continuou a andar para mim.

Eu lancei ao cara uma carranca muito dura para deixa-lo saber o quanto eu estava apreciando que ele olhasse para a bunda da minha garota. Ele desviou o olhar envergonhado, mas eu ainda tinha uma carranca no rosto quando Jess, enfim, chegou em mim.

— Bom dia, Senhor, e bem-vindo ao Granny’s! — Jess piscou e sorriu ao me cumprimentar. — O que você está fazendo aqui? — Deixa escapar. Essa pergunta esteve girando no seu cérebro desde que ela registrou minha presença.

— Você sempre faz esse tipo de pergunta aos clientes? — Provoco.

— Não. — Ela sorri. — Apenas para aqueles que eu sei que não vieram pela comida.

Realmente. Neste exato momento a única coisa que eu quero comer é ela.

Eu sorri para ela. — Nem mesmo eu sou louco de vir aqui e não comer.. Na verdade, eu quero a lasanha e sua ajuda para comê-la.

Jess suspira. — Eu gostaria, mas estou trabalhando. Além disso, Granny me fez comer meia hora atrás.

Neste momento, Granny para ao lado de Jess e a minha frente. Ela é uma senhora bastante inteira para os seus 65 anos, seu nome verdadeiro é Maryan, mas ela adotou este apelido após sua primeira netinha ter nascido vinte e cinco anos atrás. Granny é o tipo de avó babona que todo mundo gostaria de ter.

— Sinto muito ter estragado seu almoço, garoto, mas Jess aqui não comia desde ontem, visto que ela teve de pular o café da manhã para me ajudar, Daisy está doente. — Daisy é a neta mais velha dela, e uma recém-formada em gastronomia. O Granny’s estava em expansão para se tornar um grande restaurante, e Daisy era uma enorme parte disso. Gente de toda a região vinha apenas para experimentar sua comida, e ainda assim este era somente o Granny’s onde você poderia comer e passar um bom tempo, sem toda aquela besteira formal que se via por aí em restaurantes de qualidade. — Mas isso não significa que ela não pode te fazer companhia, eu vou buscar o seu prato e Jess pode...

Ela nunca chegou a concluir o raciocínio, pois algo atrás dela lhe chamou a atenção. Mas não parecia ser uma boa surpresa, pelo olhar no rosto de Granny. Jess parou e olhou para o que tinha chamado a atenção de Granny, então, como mágica, sua expressão se fechou em algo entre a raiva e a falta de paciência. A mulher mais velha parada ao seu lado lhe jogou um olhar de cumplicidade quando disse um sem graça: — Vai lá.

Jess sorriu tristemente para mim. — Eu volto em um minuto ou dois. — E então se foi.

Eu ainda não sabia que porra tinha acontecido, e tinha um pé atrás em saber. Do jeito como eu andava me sentindo por ela, era capaz de eu cometer alguma loucura. Olhei novamente no rosto de Granny, apenas para ver sua expressão consternada. Eu não aguentei, algo estava acontecendo, e, pela cara das duas, não era nada agradável para Jess. Eu gostaria de resolver então.

Olhei para trás, e meu queixo caiu.

Havia um homem muito bem vestido parado na frente de Jess. E eu o conhecia, a maldita cidade inteira o conhecia, na verdade. Eu estava um pouco atordoado.

— Aquele é...

— O pai dela. — Granny completou.

— Merda.

De fato, não era bom.

— Sim. — Granny afirmou meu arquejo. Ela parecia preocupada enquanto olhava a cena. — Ele tem vindo aqui todos os dias.

Eu me levantei. Jess não parecia feliz em vê-lo.

Me virei para ir em direção a ela, determinado a ajuda-la, mas quando eu me virei Granny chamou.

—Bray...

— Sim?

— Não brinque com ela, ok? Eu detestaria ter que mandar um dos meus filhos atrás de você. Você sabe, Jess é como minha neta também. Nós a adotamos aqui — ela fez um mostrando o local onde seu coração está— assim como você e seus irmãos adotaram a menina Emily.

Eu entendia sua preocupação. Emily se mudou para a fazenda ao lado da nossa quando tinha dois anos. Sua mãe não pode ter mais filhos, e nós não tínhamos uma irmãzinha, então ela se tornou uma de nós. Ela recebeu todo o nosso carinho e amor, a proteção exagerada e todo o ciúme fraternal.

— Eu sei. Não poderia brincar com ela, nem se eu quisesse Granny. — E dei a vovó de toda a cidade um beijo na bochecha como despedida.

— Leve ela embora com você. Ela vai precisar de um tempo.

Eu acenei afirmativamente com a cabeça andes de ir até Jess.

Eu me aproximei cautelosamente para saber o teor da conversa, mas a voz de Jess já tinha subido uma oitava atraindo a atenção de alguns clientes. Seu pai a puxou pelo braço até um canto mais afastado onde um homem loiro, tão bem vestido quanto ele, estava, e o gesto bruto apenas me fez andar mais rápido. Esse cara já teria um olho roxo se não estivéssemos em um local de família, com crianças pequenas, e se ele não fosse a porra do pai da garota que eu gosto.

O rosto de Jess estava avermelhado e sua respiração acelerada de raiva. Tinha algo apertado em sua mão, que segurava com nojo.

— Não estou interessada em sua campanha assim como não estou em seu dinheiro. Fique com ele, ou pague um de seus outros bastardos. — Jess disse empurrando um pacote branco, cheio com o que eu imaginei ser dinheiro, no peito do homem de terno cinza a sua frente. Os três estavam de lado para a porta, de modo que ela não me notou, e eu parei no lugar onde estava apenas ouvindo.

O homem a sua frente não transparecia sua idade, que apenas poderia ser observada no prata que começava a tomar conta do preto em sua cabeça, mas idade não era a única coisa que suas feições escondiam. Victor Jackson era um dos mais importantes membros dessa cidade. Sua família foi a fundadora de Jackson Falls, e ele é o atual candidato a reeleição para prefeito. Mas sua campanha e imagem perfeita estavam indo por água a baixo. Esse cara apenas tinha se metido em tantas falcatruas, que seu consultor de relações públicas se demitiu na semana passada, e agora ele achava que dinheiro iria concertar toda a merda que ele tinha feito durante anos.

O cara loiro ao seu lado reconheci como seu filho mais velho, Steven Jackson. Eu sempre o odiei, desde a escola. Ele se sentia como o umbigo do mundo, e andava por aí com seu nariz tão altivo que tinha certeza que tocava as nuvens. Idiota.

Victor passou uma mão frustrada pelos cabelos.

— Porra de garota estupida. — Resmungou.

Eu me meteria na conversa por seu último comentário, que me deixou furioso, mas Jess não me deu tempo.

Ela levantou uma sobrancelha debochada. — Aqui para nós, senhor, o único estupido nesta sala é você, e talvez o engomadinho ao seu lado. Se queria dormir com uma striper pelas costas da sua esposa, ao menos deveria ter usado camisinha. Pouparia problemas para nós dois. Um pacote com seis é bem mais barato que uma criança. — Ela disse de forma descontraída, e chegou a piscar para ele ao final. Eu me controlei para não rir da raiva que irradiou nos olhos de Victor. Olhos que eram tão iguais ao de Jess que chegava a ser assustador. — Agora, dê o fora daqui, antes que eu perca a paciência. Mamãe não vai gostar de ouvir sobre isso, ela com certeza não vai ser tão pacífica. — Apontou.

Victor parecia em pânico por um momento. Steven apenas revirou os olhos e segurou no braço de Jess, que se virava para sair.

— Jessica, você não entende os benefícios. Ele não vai ser o único a ganhar com isso.

Ele ainda segurava o braço de Jess quando eu me aproximei deles. Ver a mão asquerosa dele na minha garota tinha me deixado com raiva o suficiente para intervir. A princípio a única coisa que eu fiz foi tirar a mão nojenta dela da pele de Jess. Então envolvi o meu braço na cintura dela e a puxei para mim.

— Temos um problema aqui, Senhores? — Questionei com uma sobrancelha levantada em desafio.

Victor abriu a boca, e Steven se armou numa postura altiva. Mas nenhum dos dois teve a oportunidade de falar nada. Jess falou antes que pudessem se pronunciar.

— Nada está acontecendo, mas vai. Vou fazer um escândalo se eles não tirarem seus traseiros engomadinhos daqui nos próximos 30 segundos.

— Você não ousaria... — Afirmou Steven.

Jess gargalhou, e em seguida olhou para seu pai. — Você nunca apresentou seu filhinho a minha mãe, não é? Deveria. Só assim ele não me desafiaria a fazer mais nada.

Victor tinha uma expressão de desgosto. — Guarde para depois, Jessica. Não será necessário, estou de saída. Mas a oferta ainda está de pé, caso mude de perspectiva. Sabe onde me encontrar.

Jess os observou sair ainda com o rosto avermelhado de raiva. — Caso mude de perspectiva... — Resmungou mal-humorada.

Ela parecia ter esquecido de que eu ainda estava aqui, até que eu a chamei.

— Princesa?

— Bray! Você não deveria ter vindo até aqui. — Ela disse em tom de bronca. —Eu posso muito bem lidar com eles.

— Eu vi. — Dei um beijo em sua cabeça, para apaziguá-la, e Jess se derreteu contra mim, ainda em meus braços. — Mas não queria que estivesse sozinha ao fazer isso.

— Obrigada. — Ela respondeu com a voz abafada, pois sua cabeça estava apertada contra meu peito.

— Disponha. — Ofereci sinceramente e dei outro beijo no seu cabelo ruivo macio. — Vem, vamos sair daqui. Ordens da Granny. — Disse antes que ela pudesse objetar.

E ela não fez, todo mundo sabe: quando Granny manda, a gente somente obedece.

A puxo pela mão e andamos em direção à rua.

— Seu irmão é um idiota. — Deixo escapar.

— Pelo amor de Deus, Bray, não me ofenda. Steven e eu não somos irmãos. — Ela responde com uma careta.

— Vocês têm o mesmo pai, e o mesmo sobrenome. — Aponto, apenas para provoca-la.

—Aquilo não é um pai. E não, não temos o mesmo nome. Minha mãe tem bom senso. Jessica Jackson seria um nome horrível. Eu me mataria se alguém me chamasse de JJ. — Ela disse tremendo os ombros em repulsa e dramaticamente. Eu ri, porque ela tinha razão, era um nome terrível. Ela me acompanhou rindo, esquecendo seu humor anterior.

Eu entrelacei nossos dedos, feliz por ter feito ela esquecer do episódio com seu pai, então caminhamos pela rua como qualquer casal normal. Andado de mãos dadas, falando besteiras, rindo, e parando para nos beijar ocasionalmente.

E eu adorei cada segundo disso, mesmo com o olhar estranhos das pessoas na rua. Não me importava com os curiosos, gostaria que eles falassem. Eu amei exibi-la como minha.

Notas finais
Hei pessoinhas! Obrigada pelos comentários no ultimo cap, amei cada um deles! Gostaria de ter postado antes, mas estava dodói! Espero que gostado! Não se esqueça de dizer o que achou! Beijinhos