Fateful Chronicles
3 Ato 3 - First Time
Capítulo 3 – -Cuide-se, Drake! -Vocês que tem que se cuidar! Drake estava na frente de casa, segurando as duas malas. Suas 4 irmãs em sua frente, esperando para darem o seu adeus ao irmão, que de lá se mudaria. A mais velha, Alexis, 16 anos, usava um vestido coberto por um avental todo esfarrapado. Segurou a mão de seu irmão bem forte e lhe deu um beijo no rosto. -Não. Quem tem que se cuidar é você. A mais nova, Britanny, 8 anos, usava um macacão jeans e uma camisa amarela e um par de Maria chiquinhas no cabelo, agarrou as pernas de Drake, que a levantou no colo e lhe deu um forte abraço. -Não vai, Deiki! Quem vai cantar pa mim a noite? -Rachel pode fazer isso enquanto estou fora. E, sempre que der eu venho brincar com você! A do meio, Mari, de 12 anos, era muito alta para a idade. Usava uma calça jeans e uma jaqueta do exercito que o irmão deu a ela mais cedo. Seus óculos, com uma das lentes trincadas, escorregavam demais, forçando ela a ficar erguendo-os a todo o momento. Ela apertou a mão do irmão com força e sorriu para ele, o rosto sujo de graxa. -Vai poder me comprar um carro agora! -Você mal tem idade para andar de patinete, menina! E por fim, Rachel, de 10 anos, usava um vestido vermelho com um capuz. Ela entregou a Drake um livro que guardava debaixo do braço. -Para você lembrar da gente enquanto estiver longe... -Hey hey, eu nunca vou esquecer de vocês! Nem por um segundo! Britanny abraçou Drake mais forte no seu colo. Todos ali riram. No carro estava Kirk, que fora impedido por Drake de ir a casa dele com medo de Kirk fazer algo com suas irmãs. Olhando todos os irmãos ali juntos, com a mesma cor de cabelo castanho, todos muito altos, com roupas muito humildes, numa casa muito mal acabada, mas simplesmente felizes, fez Kirk quase sentir falta de sua família. Quase. Drake deixou Britanny no chão, pegou as malas e levou-as ao carro. De lá, ele deu um adeus a todas, com a promessa que assim que puder tirar folga ele irá visitá-las. Rachel percebeu Kirk no carro, que deu uma piscadela para ela, deixando-a vermelha. Drake percebeu e deu um soco na sua cabeça. Enquanto o carro ia indo devagar, Drake olhava para trás com os olhos desfocados. -É tão estranho... Eu nunca pensei que iria me mudar dali. Será que elas vão ficar bem? -Fica frio, elas pareciam ser boa garotas, tenho certeza de que vão ficar numa boa. Drake então puxou o livro que sua irmã tinha lhe dado mais cedo. Tinha algo dentro dele, e quando Drake puxou a corrente de ouro tinha um pingente no meio, daqueles que se abre e tem uma foto dentro. Quando ele o abriu, tinha uma foto um tanto antiga de sua família. Britanny nem tinha nascido ainda, Rachel era só um bebê e Mari uma criancinha. Drake e Rachel estavam um do lado do outro, de mãos dadas, sorrindo. Atrás deles, estavam o pai e a mãe de Drake. O pai, alto e forte, tinha uma cara de cansaço e desgaste, apesar da aparência jovem, mas tinha um corajoso sorriso. A mãe era um tanto baixa, tinha longos cabelos negros e um sorriso acalentador. Na outra foto, estavam todos os quatro irmãos, a foto devia ter sido tirada a pouco tempo porque nenhum deles mudara muito. Estavam todos felizes também, mas agora estavam muito mais acabados, com as mesmas roupas esfarrapadas. Não tinha nem pia nem mãe naquela foto. Mas ainda assim todos estavam sorrindo. Pareciam tão felizes. Kirk se perguntou o que teria acontecido para deixar a família em tal estado. Drake suspirou, fechou o pingente e passou o colar pelo pescoço, deixando o pingente dentro da camisa. -Ta feliz agora? Encheu o saco da senhora General para vir e conhecer minhas irmãs. Vai querer estuprar alguma delas? -Sou um andarilho, não um psicopata. Se bem que aquela mais velha me tentou bastante a fazer isso... Drake lhe aplicou outro soco na cabeça, mas Kirk começou a rir e Drake também. Não saibam exatamente porque estavam rindo, mas era melhor do que ficar naquele sentimento melancólico de antes. Quando levaram as malas para a mansão, Alice os levou até o novo quarto dos dois. O quarto não era muito grande, mas o suficiente para os dois conviverem muito bem. Pelo menos era o que Drake esperava. Num dos lados do quarto ficavam as camas e do outro os armários. Nas paredes de uma das camas estavam colados vários pôsteres de bandas de rock e garotas de biquíni molhadas. Kirk já tinha estado ali mais cedo, então devia ser coisa dele. -Legal né? O marechal tinha esses pôsteres guardados numa caixa e deu para mim, já que eu não tenho muita bagagem. -Não se preocupem com a arrumação do quarto. – Disse Alice. – Todo dia pela manhã eu dou uma geral na mansão, e um quarto a mais ou a menos não fará diferença. -Legal, serviço de quarto! Drake deu outro soco em Kirk. -Mano, para com isso, daqui a pouco vai ficar cheio de galos! -Se você fosse menos retardado apanharia menos. -Bom, vocês querem ajuda para organizar a bagagem? -Não, obrigado, eu tenho só algumas roupas aqui e Kirk não tem nada para guardar. -Certo. Caso precisem de qualquer coisa, eu estarei na sala da senhora Piper. Alice saiu e fechou a porta levemente. Kirk se jogou na cama, pegou sua guitarra e começou a soltar alguns acordes. -Safadinho! -Quê? -Eu vi o jeito que você olha para a empreguete. Ela até que é bonitinha, mas como você se apaixonou tão rápido? -Hey, eu não... Eu não me apaixonei, eu só achei ela bonitinha... Kirk riu, e de repente começou a tocar umas notas agressivas e bater a cabeça para frente e para trás rapidamente, fazendo seu cabelo girar. Drake deitou na cama, pôs os braços sobre a testa e ficou encarando o teto enquanto pensava. -Onde será que é o banheiro? No outro dia, Drake estava no hall com Falcon, esperando Kirk se arrumar para saírem no treinamento. Drake estava receoso de puxar assunto, já que Falcon colocou as mãos entre as pernas e se encolheu, parecendo meio incomodado. Na verdade, ele estava se balançando no sofá, estava vermelho, e engolia em seco toda hora. -Não se preocupe, ele é envergonhado assim desde sempre. Drake olhou para trás e entrando na mansão estava o Marechal Ace. Ele estava com as calças do exército e um par de coturnos, mas sem camisa ou chapéu, e seu típico óculos e rabo de cavalo. Estava com uma caneca de café fumegante na mão que tinha uma estampa escrita “Para o nosso cliente favorito”, e o logo de um... Bar executivo do lado. Ele deu um grande gole de café e limpou a boca com as costas das mãos. Sentou-se no sofá, abriu os braços e os apoiou nas costas do sofá. -Preparado para a sua primeira missão, rapazinho? -Um pouco nervoso. Eu não sei nada sobre essa coisa de poderes e lutas, então vai ser meio difícil eu pegar tudo logo de cara. -Fique tranqüilo, tenho certeza que você vai ficar bem fortão. É só treinar bastante e quem sabe você não chega no meu nível? Ah, e cadê o guri da guitarra? -Deve estar se aprontando, nunca vi homem demorar tanto assim pra se arrumar. -Vai lá dar uma olhada, as vezes aconteceu alguma coisa. Drake se levantou e se dirigiu ao quarto dos dois, que era o segundo do corredor à esquerda no segundo andar. Chegando lá, Kirk estava rasgando umas roupas. Ele estava usando a calça do exercito igual a do marechal, mas os coturnos eram os que ele usou no dia do teste, daqueles com canos até os joelhos. Estava sem camisa, mas ao invés de ter um corpo sarado e bronzeado como o marechal, ele era todo tatuado, dos ombros aos pulsos, das costas á barriga. No meio de tantas tatuagens, uma bastante grande chama a atenção. Ela ocupava quase toda as costas de Kirk. Era um túmulo, com alguns enfeites cravados nele, algumas rosas brotando da sua base, uma palavra em uma língua que Drake desconhecia e em baixo uma espécie de poema, que Drake leu rapidamente. “Quando um homem mente, ele mata. Alguma parte do mundo, Estas são as pálidas mortes com que Homens desperdiçam suas vidas. Isso tudo eu não posso suportar, Presenciar mais isso. Não poderia o reino da salvação Levar-me para casa?” Quando Drake terminou de ler, Kirk notou sua presença se virou rapidamente e vestiu uma camisa preta. -Oh, desculpa. É que a farda que me deram não servia em mim, e não eram muito legais, daí eu fiquei aqui dando uns retoques nelas. -Não acharam uma farda para bonequinhos? -CALE SUA BOCA! Alguns minutos depois os dois iam descendo as escadas para o hall. O marechal não estava mais lá, mas Falcon estava na mesma posição que antes. -Desculpe a demora, senhor Justice. -Não tem problema. Já prepararam o seu equipamento? Kirk deu um tapinha na sua guitarra, mas Drake ficou encarando Falcon. -Eu ainda não consigo convocar a minha espada... -Não tem problema. Você vai conseguir uma hora ou outra. Ele se levantou e foi caminhando até a porta. Ao abrir, ele estendeu o braço indicando aos dois para irem na frente. -Aonde estamos indo? Alguma sala de treinamento, um setor cheio de bandidos pra gente arrombar o rego deles?- Disse Kirk, dando socos no ar. -Não. Estamos indo para o grande deserto. Drake parou de andar. -Você ta louco? É proibido qualquer civil ultrapassar os limites do reino que não sejam as estradas! -E você não é mais um civil, é? E Falcon continuou andando. Quando chegaram ao portão leste do reino, uns caras do exército pararam o carro, mas Falcon mostrou o brasão da FET e eles os deixaram passar. O carro os levou até alguns metros depois do portão, então parou e os três desceram. Drake nunca tinha visto o deserto na vida real. Era imenso. O chão era tão seco e quente que dava para fritar um ovo ali. Carcaça de animais e pessoas rodeavam as enormes pedras que enfeitavam o cenário. Mais a frente tinham alguns seres que corriam e andavam pelo deserto, cheirando os esqueletos jazidos no chão. -Estão vendo aquelas coisas pretas? Eles são os Ghouls do deserto. São a única espécie de ghoul que se alimenta de carne, e não de almas. Eles sentem o cheiro de coisas vivas a centenas de metros de distância, então nada povoa o deserto a não ser eles, e alguns reinos pequenos que tem seus meios de se proteger deles. Para os viajantes é quase impossível passar, então o exercito levanta guarda em vários quilômetros das estradas para garantir que coisas assim não aconteçam. Ele chutou um crânio que estava semi enterrado na terra seca. -Porém, no verão, é quando eles mais se proliferam. Por isso a FET manda alguns soldados aqui de tempo em tempo para limpar os arredores. E é o que vamos fazer hoje. Não se preocupem, com o nível de vocês vai ser fichinha. O nosso único empecilho é... Ele se virou para Drake, segurou sua mão e colocou uma pistola nela. -Se a espada sumir enquanto luta, ou você não conseguir nem convocá-la, não hesite em usar. Não se preocupe com o bem-estar deles, são só criaturas que vagam por aí com um apetite insaciável. Drake fez que sim com a cabeça. -Muito bem, tente fazer daquele jeito que eu te falei. Concentre seu poder, imagine a espada e tente convocá-la. Drake fingiu segurar a espada e fechou os olhos. Estava fazendo o máximo de força possível, mas ele não conseguia mais do que sentir ela na suas mãos. -Ai, eu não agüento mais ver você fazer essa cara de quem ta sendo bulinado por um negão. Pera, toma isso. Kirk tirou do bolso uma bala azul. Drake hesitou em comer, mas Kirk insistiu. -Isso vai fazer você relaxar. Não se preocupe, não é nenhuma droga, só vai fazer o seu fluxo de dio ficar mais... Fluído... Drake comeu. Assim que pôs a bala na boca, sentiu seu corpo ter emagrecido uns 20 quilos, mas ao olhar para si mesmo estava exatamente como antes. -Agora tente materializar a espada. E sem fazer cara de dor de barriga dessa vez. Assim que ele fez a posição e se concentrou, a espada apareceu nas mãos dele num estalo: gigante e misteriosa. O aço negro refletia a luz fraca do sol que estava escondido pelas típicas nuvens carregadas de Tenebiris. -Wow. Simplesmente... Wow. -Cumé que tu consegue carregar uma parada pesada dessas? -Huh? Nem é tão pesada assim. -Provavelmente uma das características dela. – Disse Falcon. – Bom, vamos botar o lixo para fora então? -Sim senhor! Drake estava até gostando daquilo. Ele corria livre pelo deserto, os monstros iam atrás dele e ele simplesmente girava sua enorme espada pra lá e pra cá e cortava-os no meio. Ali perto, Falcon cortava os ghouls com a lâmina de sua arma, e atirava em alguns a longa distância. Para pequenas pistolas, elas pareciam ter a força de um canhão. Ou isso, ou os Ghouls eram muito leves. Um pouco mais longe, Kirk simplesmente ia desviando de monstros e fazendo acordes com a guitarra. As magias eram variadas: as vezes ele soltava fogo, raios, água, explodia eles, mas sempre se esquivando como um dançarino de balé. Drake já havia perdido as contas de quantos ghouls já tinha derrubado. Ele pulava, girava, batia com a espada no chão, defendia, cortava... Mas depois de um tempo começou a cansar. A espada, apesar de não ser tão pesada era grande, e exigia uma força muito grande para ser corretamente manuseada. E não parava de vir ghouls, de todos os cantos, lugares e formas possíveis. Porém, uma hora Kirk se empolgou em um de seus solos e acabou explodindo o chão, revelando uma enorme caverna subterrânea. Drake sentiu uma onda estranha passar rapidamente pelo corpo dele. Algo muito forte estava na caverna. Os ghouls fugiram. Só sobraram Kirk, Drake e Falcon, suando e arfando, enquanto olhavam para o buraco. Quando chegaram mais perto para ver, Viram vários cristais, que transcendiam do branco para o azul. Drake não sabia descrever a sensação que sentia ao chegar perto da caverna, mas era uma sensação estranha, como se tivesse algo imenso ali, apesar de não poder ver o fundo da caverna. -Não cheguem perto. Essa onda de dio, é completamente diferente de tudo o que eu já vi. Vocês, voltem para o quartel agora, e tragam tropas de isolamento para cá urgente. Vou enviar um relatório rápido para a General enquanto isso. Vão, vão, vão! Kirk e Drake correram para o carro, e foram rapidamente até os portões. Falcon continuou parado, roendo a unha do polegar enquanto olhava para o abismo coberto de cristais. -O que pode ter sido tão forte que espantou todos aqueles ghouls? Nunca senti um dio tão raivoso assim. Lá no fundo era cheio de cristais. Porém, um deles era enorme. Lá dentro tinha um corpo. -Como é lindo ver esse poder adormecido. Você já atrapalhou demais os meus planos. Mas parece que alguns macacos pelador irão interferir mais um pouco, então não faz diferença você estar dormindo ou não. Não é, senhor Caninos Sangrentos?Capítulo 3 –
-Cuide-se, Drake!
-Vocês que tem que se cuidar!
Drake estava na frente de casa, segurando as duas malas. Suas 4 irmãs em sua frente, esperando para darem o seu adeus ao irmão, que de lá se mudaria. A mais velha, Alexis, 16 anos, usava um vestido coberto por um avental todo esfarrapado. Segurou a mão de seu irmão bem forte e lhe deu um beijo no rosto.
-Não. Quem tem que se cuidar é você.
A mais nova, Britanny, 8 anos, usava um macacão jeans e uma camisa amarela e um par de Maria chiquinhas no cabelo, agarrou as pernas de Drake, que a levantou no colo e lhe deu um forte abraço.
-Não vai, Deiki! Quem vai cantar pa mim a noite?
-Rachel pode fazer isso enquanto estou fora. E, sempre que der eu venho brincar com você!
A do meio, Mari, de 12 anos, era muito alta para a idade. Usava uma calça jeans e uma jaqueta do exercito que o irmão deu a ela mais cedo. Seus óculos, com uma das lentes trincadas, escorregavam demais, forçando ela a ficar erguendo-os a todo o momento. Ela apertou a mão do irmão com força e sorriu para ele, o rosto sujo de graxa.
-Vai poder me comprar um carro agora!
-Você mal tem idade para andar de patinete, menina!
E por fim, Rachel, de 10 anos, usava um vestido vermelho com um capuz. Ela entregou a Drake um livro que guardava debaixo do braço.
-Para você lembrar da gente enquanto estiver longe...
-Hey hey, eu nunca vou esquecer de vocês! Nem por um segundo!
Britanny abraçou Drake mais forte no seu colo. Todos ali riram.
No carro estava Kirk, que fora impedido por Drake de ir a casa dele com medo de Kirk fazer algo com suas irmãs. Olhando todos os irmãos ali juntos, com a mesma cor de cabelo castanho, todos muito altos, com roupas muito humildes, numa casa muito mal acabada, mas simplesmente felizes, fez Kirk quase sentir falta de sua família. Quase.
Drake deixou Britanny no chão, pegou as malas e levou-as ao carro. De lá, ele deu um adeus a todas, com a promessa que assim que puder tirar folga ele irá visitá-las. Rachel percebeu Kirk no carro, que deu uma piscadela para ela, deixando-a vermelha. Drake percebeu e deu um soco na sua cabeça.
Enquanto o carro ia indo devagar, Drake olhava para trás com os olhos desfocados.
-É tão estranho... Eu nunca pensei que iria me mudar dali. Será que elas vão ficar bem?
-Fica frio, elas pareciam ser boa garotas, tenho certeza de que vão ficar numa boa.
Drake então puxou o livro que sua irmã tinha lhe dado mais cedo. Tinha algo dentro dele, e quando Drake puxou a corrente de ouro tinha um pingente no meio, daqueles que se abre e tem uma foto dentro. Quando ele o abriu, tinha uma foto um tanto antiga de sua família. Britanny nem tinha nascido ainda, Rachel era só um bebê e Mari uma criancinha. Drake e Rachel estavam um do lado do outro, de mãos dadas, sorrindo. Atrás deles, estavam o pai e a mãe de Drake. O pai, alto e forte, tinha uma cara de cansaço e desgaste, apesar da aparência jovem, mas tinha um corajoso sorriso. A mãe era um tanto baixa, tinha longos cabelos negros e um sorriso acalentador. Na outra foto, estavam todos os quatro irmãos, a foto devia ter sido tirada a pouco tempo porque nenhum deles mudara muito. Estavam todos felizes também, mas agora estavam muito mais acabados, com as mesmas roupas esfarrapadas. Não tinha nem pia nem mãe naquela foto. Mas ainda assim todos estavam sorrindo. Pareciam tão felizes. Kirk se perguntou o que teria acontecido para deixar a família em tal estado. Drake suspirou, fechou o pingente e passou o colar pelo pescoço, deixando o pingente dentro da camisa.
-Ta feliz agora? Encheu o saco da senhora General para vir e conhecer minhas irmãs. Vai querer estuprar alguma delas?
-Sou um andarilho, não um psicopata. Se bem que aquela mais velha me tentou bastante a fazer isso...
Drake lhe aplicou outro soco na cabeça, mas Kirk começou a rir e Drake também. Não saibam exatamente porque estavam rindo, mas era melhor do que ficar naquele sentimento melancólico de antes.
Quando levaram as malas para a mansão, Alice os levou até o novo quarto dos dois. O quarto não era muito grande, mas o suficiente para os dois conviverem muito bem. Pelo menos era o que Drake esperava. Num dos lados do quarto ficavam as camas e do outro os armários. Nas paredes de uma das camas estavam colados vários pôsteres de bandas de rock e garotas de biquíni molhadas. Kirk já tinha estado ali mais cedo, então devia ser coisa dele.
-Legal né? O marechal tinha esses pôsteres guardados numa caixa e deu para mim, já que eu não tenho muita bagagem.
-Não se preocupem com a arrumação do quarto. – Disse Alice. – Todo dia pela manhã eu dou uma geral na mansão, e um quarto a mais ou a menos não fará diferença.
-Legal, serviço de quarto!
Drake deu outro soco em Kirk.
-Mano, para com isso, daqui a pouco vai ficar cheio de galos!
-Se você fosse menos retardado apanharia menos.
-Bom, vocês querem ajuda para organizar a bagagem?
-Não, obrigado, eu tenho só algumas roupas aqui e Kirk não tem nada para guardar.
-Certo. Caso precisem de qualquer coisa, eu estarei na sala da senhora Piper.
Alice saiu e fechou a porta levemente. Kirk se jogou na cama, pegou sua guitarra e começou a soltar alguns acordes.
-Safadinho!
-Quê?
-Eu vi o jeito que você olha para a empreguete. Ela até que é bonitinha, mas como você se apaixonou tão rápido?
-Hey, eu não... Eu não me apaixonei, eu só achei ela bonitinha...
Kirk riu, e de repente começou a tocar umas notas agressivas e bater a cabeça para frente e para trás rapidamente, fazendo seu cabelo girar.
Drake deitou na cama, pôs os braços sobre a testa e ficou encarando o teto enquanto pensava.
-Onde será que é o banheiro?
No outro dia, Drake estava no hall com Falcon, esperando Kirk se arrumar para saírem no treinamento. Drake estava receoso de puxar assunto, já que Falcon colocou as mãos entre as pernas e se encolheu, parecendo meio incomodado. Na verdade, ele estava se balançando no sofá, estava vermelho, e engolia em seco toda hora.
-Não se preocupe, ele é envergonhado assim desde sempre.
Drake olhou para trás e entrando na mansão estava o Marechal Ace. Ele estava com as calças do exército e um par de coturnos, mas sem camisa ou chapéu, e seu típico óculos e rabo de cavalo. Estava com uma caneca de café fumegante na mão que tinha uma estampa escrita “Para o nosso cliente favorito”, e o logo de um... Bar executivo do lado.
Ele deu um grande gole de café e limpou a boca com as costas das mãos. Sentou-se no sofá, abriu os braços e os apoiou nas costas do sofá.
-Preparado para a sua primeira missão, rapazinho?
-Um pouco nervoso. Eu não sei nada sobre essa coisa de poderes e lutas, então vai ser meio difícil eu pegar tudo logo de cara.
-Fique tranqüilo, tenho certeza que você vai ficar bem fortão. É só treinar bastante e quem sabe você não chega no meu nível? Ah, e cadê o guri da guitarra?
-Deve estar se aprontando, nunca vi homem demorar tanto assim pra se arrumar.
-Vai lá dar uma olhada, as vezes aconteceu alguma coisa.
Drake se levantou e se dirigiu ao quarto dos dois, que era o segundo do corredor à esquerda no segundo andar. Chegando lá, Kirk estava rasgando umas roupas. Ele estava usando a calça do exercito igual a do marechal, mas os coturnos eram os que ele usou no dia do teste, daqueles com canos até os joelhos. Estava sem camisa, mas ao invés de ter um corpo sarado e bronzeado como o marechal, ele era todo tatuado, dos ombros aos pulsos, das costas á barriga. No meio de tantas tatuagens, uma bastante grande chama a atenção. Ela ocupava quase toda as costas de Kirk. Era um túmulo, com alguns enfeites cravados nele, algumas rosas brotando da sua base, uma palavra em uma língua que Drake desconhecia e em baixo uma espécie de poema, que Drake leu rapidamente.
“Quando um homem mente, ele mata. Alguma parte do mundo, Estas são as pálidas mortes com que Homens desperdiçam suas vidas. Isso tudo eu não posso suportar, Presenciar mais isso. Não poderia o reino da salvação Levar-me para casa?”
Quando Drake terminou de ler, Kirk notou sua presença se virou rapidamente e vestiu uma camisa preta.
-Oh, desculpa. É que a farda que me deram não servia em mim, e não eram muito legais, daí eu fiquei aqui dando uns retoques nelas.
-Não acharam uma farda para bonequinhos?
-CALE SUA BOCA!
Alguns minutos depois os dois iam descendo as escadas para o hall. O marechal não estava mais lá, mas Falcon estava na mesma posição que antes.
-Desculpe a demora, senhor Justice.
-Não tem problema. Já prepararam o seu equipamento?
Kirk deu um tapinha na sua guitarra, mas Drake ficou encarando Falcon.
-Eu ainda não consigo convocar a minha espada...
-Não tem problema. Você vai conseguir uma hora ou outra.
Ele se levantou e foi caminhando até a porta. Ao abrir, ele estendeu o braço indicando aos dois para irem na frente.
-Aonde estamos indo? Alguma sala de treinamento, um setor cheio de bandidos pra gente arrombar o rego deles?- Disse Kirk, dando socos no ar.
-Não. Estamos indo para o grande deserto.
Drake parou de andar.
-Você ta louco? É proibido qualquer civil ultrapassar os limites do reino que não sejam as estradas!
-E você não é mais um civil, é?
E Falcon continuou andando.
Quando chegaram ao portão leste do reino, uns caras do exército pararam o carro, mas Falcon mostrou o brasão da FET e eles os deixaram passar. O carro os levou até alguns metros depois do portão, então parou e os três desceram.
Drake nunca tinha visto o deserto na vida real. Era imenso. O chão era tão seco e quente que dava para fritar um ovo ali. Carcaça de animais e pessoas rodeavam as enormes pedras que enfeitavam o cenário. Mais a frente tinham alguns seres que corriam e andavam pelo deserto, cheirando os esqueletos jazidos no chão.
-Estão vendo aquelas coisas pretas? Eles são os Ghouls do deserto. São a única espécie de ghoul que se alimenta de carne, e não de almas. Eles sentem o cheiro de coisas vivas a centenas de metros de distância, então nada povoa o deserto a não ser eles, e alguns reinos pequenos que tem seus meios de se proteger deles. Para os viajantes é quase impossível passar, então o exercito levanta guarda em vários quilômetros das estradas para garantir que coisas assim não aconteçam.
Ele chutou um crânio que estava semi enterrado na terra seca.
-Porém, no verão, é quando eles mais se proliferam. Por isso a FET manda alguns soldados aqui de tempo em tempo para limpar os arredores. E é o que vamos fazer hoje. Não se preocupem, com o nível de vocês vai ser fichinha. O nosso único empecilho é...
Ele se virou para Drake, segurou sua mão e colocou uma pistola nela.
-Se a espada sumir enquanto luta, ou você não conseguir nem convocá-la, não hesite em usar. Não se preocupe com o bem-estar deles, são só criaturas que vagam por aí com um apetite insaciável.
Drake fez que sim com a cabeça.
-Muito bem, tente fazer daquele jeito que eu te falei. Concentre seu poder, imagine a espada e tente convocá-la.
Drake fingiu segurar a espada e fechou os olhos. Estava fazendo o máximo de força possível, mas ele não conseguia mais do que sentir ela na suas mãos.
-Ai, eu não agüento mais ver você fazer essa cara de quem ta sendo bulinado por um negão. Pera, toma isso.
Kirk tirou do bolso uma bala azul. Drake hesitou em comer, mas Kirk insistiu.
-Isso vai fazer você relaxar. Não se preocupe, não é nenhuma droga, só vai fazer o seu fluxo de dio ficar mais... Fluído...
Drake comeu. Assim que pôs a bala na boca, sentiu seu corpo ter emagrecido uns 20 quilos, mas ao olhar para si mesmo estava exatamente como antes.
-Agora tente materializar a espada. E sem fazer cara de dor de barriga dessa vez.
Assim que ele fez a posição e se concentrou, a espada apareceu nas mãos dele num estalo: gigante e misteriosa. O aço negro refletia a luz fraca do sol que estava escondido pelas típicas nuvens carregadas de Tenebiris.
-Wow. Simplesmente... Wow.
-Cumé que tu consegue carregar uma parada pesada dessas?
-Huh? Nem é tão pesada assim.
-Provavelmente uma das características dela. – Disse Falcon. – Bom, vamos botar o lixo para fora então?
-Sim senhor!
Drake estava até gostando daquilo. Ele corria livre pelo deserto, os monstros iam atrás dele e ele simplesmente girava sua enorme espada pra lá e pra cá e cortava-os no meio. Ali perto, Falcon cortava os ghouls com a lâmina de sua arma, e atirava em alguns a longa distância. Para pequenas pistolas, elas pareciam ter a força de um canhão. Ou isso, ou os Ghouls eram muito leves. Um pouco mais longe, Kirk simplesmente ia desviando de monstros e fazendo acordes com a guitarra. As magias eram variadas: as vezes ele soltava fogo, raios, água, explodia eles, mas sempre se esquivando como um dançarino de balé. Drake já havia perdido as contas de quantos ghouls já tinha derrubado. Ele pulava, girava, batia com a espada no chão, defendia, cortava... Mas depois de um tempo começou a cansar. A espada, apesar de não ser tão pesada era grande, e exigia uma força muito grande para ser corretamente manuseada. E não parava de vir ghouls, de todos os cantos, lugares e formas possíveis. Porém, uma hora Kirk se empolgou em um de seus solos e acabou explodindo o chão, revelando uma enorme caverna subterrânea. Drake sentiu uma onda estranha passar rapidamente pelo corpo dele. Algo muito forte estava na caverna.
Os ghouls fugiram. Só sobraram Kirk, Drake e Falcon, suando e arfando, enquanto olhavam para o buraco. Quando chegaram mais perto para ver, Viram vários cristais, que transcendiam do branco para o azul. Drake não sabia descrever a sensação que sentia ao chegar perto da caverna, mas era uma sensação estranha, como se tivesse algo imenso ali, apesar de não poder ver o fundo da caverna.
-Não cheguem perto. Essa onda de dio, é completamente diferente de tudo o que eu já vi. Vocês, voltem para o quartel agora, e tragam tropas de isolamento para cá urgente. Vou enviar um relatório rápido para a General enquanto isso. Vão, vão, vão!
Kirk e Drake correram para o carro, e foram rapidamente até os portões. Falcon continuou parado, roendo a unha do polegar enquanto olhava para o abismo coberto de cristais.
-O que pode ter sido tão forte que espantou todos aqueles ghouls? Nunca senti um dio tão raivoso assim.
Lá no fundo era cheio de cristais. Porém, um deles era enorme. Lá dentro tinha um corpo.
-Como é lindo ver esse poder adormecido. Você já atrapalhou demais os meus planos. Mas parece que alguns macacos pelador irão interferir mais um pouco, então não faz diferença você estar dormindo ou não. Não é, senhor Caninos Sangrentos?
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