Fateful Chronicles
4 Ato 4 - Ride The Lighting
Havia dois helicópteros, um tanque de guerra, uns 30 soldados, Drake, Kirk e Falcon ali, todos em frente ao buraco estranho que havia se aberto no chão. A área estava isolada com placas e barreiras. Falcon estava falando no comunicador com a general.
-Sim senhora. Bom, pelas ordens dela, nós três temos que descer lá em baixo e investigar essa onda forte de Dio. Vocês do esquadrão, fiquem aqui e protejam o perímetro.
Falcon encaixou um aparato de ferro que tinha no cinto na borda do buraco e encaixou o gancho do aparato no cinto.
-Vamos ter que descer de rapel, porque o buraco parece ser fundo. Então...- Falcon corou. – Segurem em minhas mãos e vamos descer pela corda...
Kirk e Drake seguraram as mãos de Falcon e juntos desceram pelo buraco. Era realmente escuro e fundo. Alguns minutos de descida e o enorme buraco aberto já era um pontinho de luz. Tudo o que eles podiam ver eram os estranhos cristais azuis que apareciam em vários pontos do buraco.
-Caramba! – gritou Kirk. – Essa budega é realmente funda! Hey, esperem um pouco.
Falcon parou de descer. Kirk agarrou um dos cristais na parede e arrancou um pedaço.
-Fiquem bem quietinhos agora.
Então, jogou o cristal com bastante força em direção ao fundo do buraco. Todos escutaram apreensivos. Ouviram o som do cristal batendo no chão, mas foi muito baixo.
-Em torno de uns 100 metros, contando que aqui é bem quieto e daria pra ouvir até um ninja peidando.
-Droga, a corda já está acabando. Tenho só mais uns 2 metros.
-Ok, vamos descer o máximo que pudermos com a corda, e então eu usarei alguma magia pra descer a gente alguns metros. Daí pra frente vai ser queda livre, ok?
Falcon e Drake assentiram. Desceram pela corda até ela ficar completamente esticada, e então Kirk tocou alguns acordes na guitarra, criando estranhas esferas brancas que flutuaram próximas as suas costas, e delas saíram belas asas brancas, como as de um anjo. Drake e um corado Falcon se seguraram nas mãos de Kirk, que teve que se esforçar muito para não derrubá-los. Foram descendo razoavelmente rápido quando Kirk engoliu em seco.
-Tô... Ficando... Sem... Dio... E... Não... Aguento mais... Segurar vocês...
-Ainda faltam alguns metros. Poderíamos ter alguma fratura se caíssemos dessa altura.
-Ei gente, eu tenho uma idéia. Pulem atrás de mim!
Drake chamou de volta a sua espada, ou escudo, e soltou a mão de Kirk. Enquanto caía em direção ao fundo escuro, ele cravou a sua espada com força contra a parede, deslizando para baixo e perdendo a velocidade rapidamente. Kirk e Falcon caíram em suas costas, com Kirk gritando que Drake era louco. Quando finalmente pararam, estavam tão próximos do chão que era possível vê-lo mesmo naquele breu completo. Quando finalmente aterrissaram, o que avistaram foi uma enorme gruta, lotada daqueles cristais. Alguns minutos de caminhada por ela levaram eles ao fim da gruta. Lá tinham muitos cristais, ainda maiores do que todos que tinham visto antes. No maior cristal, que estava no meio da gruta, tinha uma mancha cinza. E, parado em frente ao cristal, estava um homem. Falcon apontou a arma.
-Parado aonde está! Coloque as mãos para cima lentamente e dirija-se para cá, agora!
-Nossa, como a polícia de hoje é mal educada com um senhor de idade como eu.
O homem se virou para eles. Tinha uma estatura normal, usava um terno risca de giz preto, com a camisa por baixo branca de gola desabotoada e sem gravata. Tinha cabelos loiros muito claros, uma máscara estranha em forma de borboleta roxa cobrindo do nariz para cima, e um enorme escárnio no rosto. Ele colocou as mãos no bolso e começou a andar pela caverna, ainda olhando para o cristal gigante.
-Eu disse para colocar as mãos para cima e vir até aqui! Esta área foi interditada para civis e militares comuns entrarem! O que faz aqui?
-Só admirando a beleza da destruição. E esperando este cristal rachar de uma vez.
-Por quê? O que vai acontecer se o cristal rachar?
-Bom, terei um monte de problemas, mas nada que necessite muita atenção. Só não podia perder esse momento.
-Te darei 3 segundos para levantar as mãos e vir até aqui, ou se não terei que lhe executar.
-Ui, machão!
Falcon não contou, mas disparou mesmo assim. A bala foi numa velocidade incrível, exatamente em direção á testa do estranho homem de terno.
Mas, mesmo vendo, estava difícil de acreditar naquilo. A bala pairou no ar, alguns poucos milímetros da testa do homem, e então virou poeira.
-Vamos ter mesmo que apelar para a violência, meus senhores?
-Garotos, lhes concedo a permissão de matar civis momentaneamente. Atrás dele!
Kirk e Falcon foram correndo em direção ao homem de terno. Falcon, depois de alguns passos, começou a correr tão rápido quanto suas balas, chegando muito próximo do homem e Che dando um golpe com a grande lâmina acoplada a sua pistola. Este nem se mexeu, mas uma estranha onda, negra e roxa, saiu do chão e bloqueou o ataque. Ao mesmo tempo em que isso acontecia, Kirk tocava sua guitarra e do chão saíram várias estalagmites, que quando se aproximaram do homem, foram destruídas por uma onda de poder de um roxo-transparente. Falcon girou nos calcanhares e desferiu uma série de golpes com a lâmina em alta velocidade, todos bloqueados pela estranha onda sólida roxa, e ao mesmo tempo as ondas paravam todas as magias de Kirk. Tudo isso sem o homem mover um único dedo. Continuava com aquele sorriso maníaco e ao mesmo tempo sarcástico, olhando os dois soldados tentarem acertá-lo desesperadamente. Drake, porém, ainda estava parado no meio da gruta, olhando a luta injusta entre os três. Não entendia aquilo. Porque o homem simplesmente não saía dali? Porque eles tinham que matá-lo só por ele estar ali? Mas, uma bala disparada por Falcon acertou a mancha cinza no cristal, que rachou. Então, uma imensa onda de poder adentrou a gruta, fazendo os três soldados quase se ajoelharem tamanha a pressão que ela causava. O homem de terno riu, e riu, e riu ainda mais, riu alto e de um jeito macabro. O cristal explodiu.
Quase desmaiando por causa da pressão, que foi abaixando aos poucos, Drake conseguiu levantar a cabeça e olhar para a frente. Tinha uma enorme nuvem de fumaça, um monte de cacos de cristais pelo chão, Kirk ajoelhado e Falcon de pé, ambos ofegantes e com olhares assustados. O homem de terno parou de rir. Agora, encarava uma sombra no meio da nuvem de poeira. Parecia um homem. Era muito alto, tinha cabelo comprido e cinza, uma roupa de inverno pesada, e um inusitado par de orelhas de cachorro e um grande rabo de pelagem acinzentada. Ele tonteou um pouco, botou a mão em um dos grandes olhos amarelos, e disse com uma voz que mais parecia um rosnar de um lobo:
-Ai, minha cabeça, está tudo girando...
Então ele olhou para a frente. Olhou para Falcon, olhou para Kirk, olhou para o homem e então deu um salto para trás.
-Ei, que brincadeira é essa?! O que aconteceu aqui? Porque... Quem é você?
-Vamos com calma, Caninos Sangrentos. Depois de tanto tempo esperando você acordar e tenho uma recepção tão fria como essa?
Drake apertou os olhos para ver se não estava ficando zonzo. Após o homem de terno ter dito aquilo, quase no mesmo instante o homem-lobo havia dado um gancho de esquerda no homem de terno. Um gancho que soltava eletricidade. O homem de terno, mesmo sendo atacado com uma velocidade muito superior a de Falcon, conseguiu pular e defender com a onda roxa. Ao pousar suavemente no chão, deu uma risada baixa e sarcástica.
-Huuuu, que pena... Parece que tanto tempo dormindo deixou você fora de forma. Bom, assim não tem graça. Voltaremos ao nosso cordial encontro quando você estiver com força total novamente. Passar bem, Caninos Sangrentos.
E então, ao estalar os dedos, ele simplesmente desapareceu. O homem-lobo tentou dar um passo, mas caiu no chão, aparentemente ainda estava tonto.
-Kirk, paralise-o!
Kirk fez um riff rápido e o trancou num círculo dourado brilhante, que o apertou pelos braços, mas aparentemente o deixou completamente imobilizado.
-Ei, o que é isso? O que pensam que estão fazendo? A luta já acabou?
-Você... Não sabemos o que é você... Mas eu sinto um Dio que nunca vi antes vindo de você. Vamos levá-lo sobre custódia, será tratado como um prisioneiro de segurança máxima até sabermos o que você é de verdade. Drake, por favor, poderia levá-lo?
-Sim senhor!
Drake pegou o homem cachorro pela cintura e o colocou no ombro direito. Este, por sua vez, era estranhamente alto, pesado e quente. Mas, ainda assim, Drake conseguiu carregá-lo. O homem, apesar de estar pesado, estava fácil de ser carregado. Ele se perguntou se o doce de Kirk tinha algo a ver com isso.
Quando chegaram ao fundo do buraco de entrada, Falcon deu um tiro para cima, e um guindaste pequeno desceu pelo buraco. Falcon foi subindo escalando a corda de aço, enquanto Kirk e Drake se apoiaram no ganho e foram puxados para cima. Drake e Kirk foram ordenados a voltarem para a mansão, enquanto Falcon ficou encarregado de levar o prisioneiro a algum lugar que Drake não conseguiu escutar direito.
Horas depois, os três foram chamados ao laboratório 3 do quartel. Ao chegarem lá, se depararam com uma General Piper de jaleco e óculos, com uma prancheta digital na mão, e o tal homem lobo somente de calções, sentado algemado pelas mãos e pés numa mesa de cirurgia. Ele parecia estar com muito frio, porque tremia muito.
-Eeeeiiiii... Ttteeeemmm cccoommooo aaaumentarrr ooo ttterrrmossstatttooo, ppoorrr fffaaavvvooorrrrr?
E deu um sorriso meio desesperado. Kirk riu.
-Aumentar o termostato? Cara, tá tipo, uns 30 graus aqui.
-Eu sei... Fffrriiio, né?
Os três olharam para ele como se ele fosse louco.
-É normal sentir frio, mesmo numa temperatura dessas, quando se tem um corpo igual ao seu.
-E que corpo hein! Se eu fosse uma menina, já tinha gozado aqui.- riu Kirk.
Drake fitou melhor o homem lobo. Apesar do cabelo comprido, das orelhas e rabo de cachorro, e de ter garras e presas, ele parecia perfeitamente com um humano. Um humano físiculturista, mas ainda assim humano. Seus músuclos eram super definidos, seus braços eram grandes e cheios de cicatrizes, e sua barriga tinha aqueles músculos que o Kirk chamou de “six-pack”. Mas, o que mais chamava a atenção, era uma imensa cicatriz, que ia desde o seu ombro atá sua cintura, e devia ter o tamanho da cabeça de Drake de largura. Tinha o formato de uma garra gigante.
-O que quis dizer com “um corpo igual ao seu”, senhora General? – perguntou Falcon.
-Bom, temos aqui um exemplar extremamente diferente de qualquer coisa que já tenha visto. Já dissequei alguns Kemonomimis algumas vezes, restos de corpos do campo de batalha, mas nem mesmo o nosso bisturi mais afiado conseguiu furar esse aí. Apesar de ser um Kemonomimi normal de aparência, tem sangue vermelho-rubi, típico de demônios. E, sua temperatura corporal chega a 150° celsius, o que explica o fato dele estar sentindo frio. E, analisamos o seu Dio, e nunca vimos algo parecido com isso.
-Eu já dissssseee que sssou meiiiio demônio e meio Kemmmoonnnoommiiimi... Dá para vocês acreditttarem, porrr favvvvorr?
-Há, meio demônio e meio kemono? Os demônios foram selados de volta no Inferno já tem uns 1000 anos, quase. Quem você pensa que é, o Filho do Heroi?
Drake lembrou desse nome de algum lugar. O Homem-lobo olhou para ele como se Kirk fosse um grande pedaço de bife.
-EEEXXXAAATTTOOOO! AAAALLLGGUUUÉMMM QUE ME CONNNHECE! PPPPOR FAVVVOR, DIGA PARA ESSSESSS MALLUCOS QUEM SSSOU EU!
-Não somos tolos, garoto. – disse Piper – A lenda do Filho do Herói data de exatos 900 anos atrás. Não tem como você ser o Filho do Herói.
-NNNNNovvvesscentos anos? Issssso é alguma peggadinha? Não faz nnnem um dia que eu vvvenci Sssseppphirottt!
Quando Piper foi responder, um assistente do laboratório veio correndo, com alguns papeis na mão.
-SENHORA GENERAL! SENHORA GENERAL! VOCÊ TEM QUE VER ISSO!
-O que foi, Teru?
-Os resultados do teste da idade de carbono do prisioneiro! Olhe isso!
Piper pegou os papeis e começou a ler em uma velocidade incrível. Enquanto lia, seus olhos se arregalavam e a cor saia de seu rosto.
-Isso é... Isso é imposível...
Piper olhou o trêmulo homem-lobo com um olhar assustado. Falcon perguntou.
-Senhora General, o que tem de errado com a idade do homem?
-Aqui diz... Que ele é de 1900 anos atrás...
O trio ficou encarando Piper sem reação. O cientista não sabia o que fazer, mas tremia e gesticulava.
-Senhora, já tentamos verificar todo o tipo de erros nos computadores, mas eles estão em perfeito estado. Essa é a idade real do prisioneiro.
-Pera aí... SSSe fazem 900 anos que eu vvvenci Sssephirott... E eu tinha 1000 anos na época... Qquer dizer que eu fiquei 900 anos congelado naqueles ccristais?
Todos ali encaravam o homem lobo agora, enquanto ele tremia como se estivesse no “vibracall”.
-Você... É mesmo... O Filho do Herói?
-Ssssim! Sou Saruyama Kenshin, filho de Kenshiro e Kagamine, os Heróis da Lenda!
-VAGINAL CARA! – Gritou Kirk, erguendo os braços e fazendo horns com as mãos. Piper simplesmente não podia acreditar.
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