Fateful Chronicles
1 Ato 1 - Welcome Home
Estavam todos enfileirados em um enorme retângulo. Devia ter umas 300 pessoas ali. A sala era perfeitamente quadrada, mas apesar de ser feita de ferro, era bem quente. Talvez fosse o ar condicionado. Alguns metros a frente do grupo, tinha uma enorme bancada, com algumas cadeiras e uns painéis cheios de telas e botões. Lá estavam sentados, a esquerda, um cara loiro meio encolhido na cadeira, sempre olhando para os pés. Á direita estava uma mulher de cabelos azuis e olhos vermelhos, usava óculos e tinha uma cara que não expressava emoção nenhuma. No meio, um grande conhecido de todos ali. Alto, cabelo loiro comprido, amarrado num rabo de cavalo, um sobretudo preto e uma espada katana vermelha e preta apoiada no cinto. Ele levantou a mão e todos se calaram. Ergueu-se da cadeira e abriu os braços, como se quisesse abraçar a todos ali.
– Muito bem, sejam bem vindos á 13ª divisão do Exercito de Tenebiris! Presumo que já me conheçam, mas eu irei me apresentar, só para manter as tradições.
Ele soltou uma forte risada, mas a mulher de cabelos azuis olhou para ele e levantou uma sobrancelha.
–Ei ei, Piper, estou só tentando quebrar o gelo. E é você que sempre diz para me apresentar, não é? Muito bem, a pedidos de nossa querida General de Divisão, eu sou Ace Kilmister. Marechal, membro honorário da Divisão de Forças Especiais e atual presidente do Reino Republicano de Tenebiris. Vocês todos já sabiam disso, mas se eu não o fizesse, ela me mataria. Muito bem, vejo que temos muito mais jovens alistados do que no ano passado para essa divisão! Isso é realmente ótimo, novos soldados são sempre bem vindos. Mas, somente se alistar não é o suficiente, como todos vocês sabem. Para adquirir sua poltrona quentinha aqui na nossa casa de biscoito, vocês todos tem que passar por vários testes. Escrito, psicológico, físico... Mas, eliminamos aqueles que não mereciam o cargo e só sobraram vocês. Agora, vem o teste final: sobreviver a uma simulação de batalha.
Todos ali ficaram agitados. Então era esse o teste surpresa que só quem passava por ali conhecia?
–Calma, calma, fiquem tranqüilos. Sempre tomamos todas as precauções para não acontecer nenhum acidente. Graves, pelo menos. Muito bem, o teste é bem simples: sobrevivam os 30 minutos no campo de batalha. Aqueles que ficarem incapazes de agir estarão eliminados. Nós os daremos os equipamentos necessários, e dentro de alguns minutos estaremos levando vocês ao nosso campo de simulação. Mais uma vez, eu agradeço todos a estarem aqui. Eu não posso ficar para ver o show, pois tenho afazeres de presidente e marechal a cumprir. Mas o teste ficará nas mãos da organizadora do mesmo, a General de Divisão Piper Redsun e do nosso Tenente Coronel Falcon Justice. Vejo vocês na festa de admissão! Piper, é com você.
Então, o Marechal saiu da sala. A General de Divisão se levantou. Sua voz expressava tampouco qualquer emoção.
–Os equipamentos serão entregues dentro de alguns segundos. Cada kit inclui o traje de batalha completo, pistola com 3 cartuchos de 16 balas cada, uma metralhadora 47 ou um rifle de longa distância com 5 recargas cada, 3 granadas e um botão de alarme para aqueles que estão fora de combate ou querem desistir. No campo, vocês enfrentarão outros soldados já graduados, equipados com tanques, jipes e helicópteros. No meio do campo terão jipes de batalha prontos para uso. Tentem atirar para baixo do pescoço dos inimigos, fica mais fácil de concertar depois. Alguma objeção?
No meio da multidão toda, uma mão se ergueu. O dono da mesma era um tanto baixo, então só era possível ver a mão no meio de tanta gente.
–Senhorita, e quem só está aqui pelo exame de admissão para as Forças Especiais?
O rosto da General se apertou um pouco. Ela murmurou algo no ouvido do Tenente Coronel e depois voltou-se ao grupo.
–Aqueles que estão interessados nas Forças Especiais terão que realizar o teste do mesmo jeito. Mais alguma objeção?
A mão abaixou e todos continuaram calados.
–É realmente assim que se fala com a sua General?
Todos de repente engoliram em seco e bateram continência.
–SENHORA, NÃO SENHORA!
–Muito bem, entrem pela porta a sua direita, ela levará vocês ao posto de entrega dos kits. Lá mesmo ainda terá um vestiário para sua preparação. Vocês tem 30 minutos exatos para se arrumarem. Depois, se dirijam a porta esquerda e se preparem para o início do teste. Os 30 minutos começam em 3... 2... 1... Agora.
Todos saíram em direção ao vestiário. Um deles estava praticamente andando, não se importando muito com o pouco tempo limite.
–É ele, senhora General?
–Sim, ele mesmo Justice. Fazia tempo que ninguém chegava pelo teste das Forças Especiais, mas pelo menos um já é lucro para nós.
–Ele não carrega nenhuma espada ou arma, só uma guitarra, é de baixa estatura, e parece bem fraco. Não consigo distinguir qual a sua capacidade. Será que ele é só um punk qualquer que tem alguma habilidade fraca?
–Bom vamos ver. Mas você, se prepare. Se ele realmente quer entrar para as Forças Especiais, ele vai precisar de muito mais do que um simples teste para soldados comuns.
–Sim senhora.
Era uma correria na sala e no vestiário. Pessoas recebiam os kits e corriam para o vestiário para se trocarem. Uma hora, alguém no vestiário atirou no próprio pé e teve que ser levado para fora dali. Em 30 minutos um alarme tocou, e varias pessoas foram correndo em direção ao campo de simulação. Ao entrarem lá, já eram recebidos com tiros explosões. Era uma enorme bagunça, assim como um campo de guerra real. Alguns helicópteros atiravam, uns jipes pulavam jogando granadas, alguns soldados atiravam de trás das barricadas, era difícil se localizar no meio de tanto barulho e confusão. Atrás de uma das barricadas, um jovem assustado atirava sem propósito ou alvo. Nunca foi bom com combates abertos. Mas ele precisava conseguir passar. Só haviam se passado 5 minutos e ele já pensava em desistir. “Suas irmãs, imbecil. Pense nelas!”, era a frase que ecoava em sua mente a cada bala disparada. Enquanto corria de uma barricada a outra, desviando de granadas e tiros, completamente sem rumo, ele não percebia que sua munição estava acabando. Perto dele, um grupo avançava em conjunto, cuidando de todas as direções. “Trabalho em equipe, excelente. Mas as chances de chamar a atenção assim são bem maiores”, pensou. Quando eles avançavam para a mesma barricada que ele, ele viu. Trás deles, um tanque de guerra enorme apontava seu canhão para eles. Ele ouviu o disparo. Tudo a sua volta ficou borrado. “SUAS IRMÃS! VOCÊ NÃO PODE DEIXÁ-LAS SOZINHAS!”. Em uma fração de segundo, ele agiu. Não soube bem como fez aquilo, mas ele parou a bala de canhão. De sua mão esquerda, surgiu um escudo gigante. Preto, com alguns detalhes em roxo escuro. Ele sentiu o ferro gelado de uma braçadeira cobrir o seu braço esquerdo. Das mesmas cores que o escudo gigante. Enquanto todos ali em volta olhavam para ele assustados, ele ergueu aquilo como se fosse papel. Era desconfortável correr com aquilo, mas ele corria de qualquer jeito. Ele não sabia como, nem o porque, mas tinha uma meta em mente. Correu até o tanque que disparou novamente e ele defendeu. Ele sentiu suas pernas tremerem, ele escutou o som do disparo ser destruído ao entrar em choque com o escudo. Depois voltou a correr. Quando alcançou o tanque, ele jogou o escudo pro lado e segurou em uma empunhadura que tinha no topo do escudo, como se fosse uma espada. Com um giro, ele cortou o tanque no meio. A explosão lhe feriu gravemente, mas ele continuou de pé. Estava tudo girando. Sua cabeça explodia de dor. Ele mal conseguia ver para onde estava indo, mas continuava correndo e se defendendo com o escudo, ou espada, ou o que quer que aquilo fosse.
–Isso foi inesperado. Pensamos que só tinha um candidato esse ano.
O jovem olhou para trás. Apontando uma pistola para a cabeça dele estava o Tenente Coronel. Ele parecia tranqüilo com a situação. Ele puxou o gatilho, e nessa hora tudo correu devagar mais uma vez. Mas antes mesmo que a bala saísse da pistola, uma labareda atingiu o Tenente Coronel, desviando o tiro do seu alvo.
Na frente dele entrou mais um jovem. Era o mesmo que estava andando. Ele não vestia nada do kit dado pelos supervisores. Pelo contrario. Usava coturnos de cano até o joelho, uma calça jeans rasgada mal suspensa pelo cinto com fivela de caveira. Usava um colete jeans preto sem mangas com uma camisa de mangas curtas preta por baixo. Tinha uma munhequeira de pano em um pulso e no outro uma munhequeira cheia de espinhos de ferro. Usava 3 anéis em cada mão e seus cabelos pretos compridos levavam a um chapéu Segurava uma guitarra e tocou um riff bem rápido, que fez mais labaredas de fogo saírem de sua frente. O Coronel desviou rapidamente das chamas e atirou contra ele, mas um escudo gigante rapidamente defendeu o tiro.
–Obrigado, mas eu podia desviar sozinho.
–Cale a boca e ataque!
Mais um riff, mas dessa vez foi o chão em volta deles que quebrou, fazendo o Tenente perder o equilíbrio. Nessa hora, o jovem do escudo pulou por cima do Tenente e lhe desferiu um golpe, mas este defendeu com... Uma pistola com uma enorme lâmina na ponta. Mesmo defendendo, ele apontava as duas pistolas para os dois jovens. Quando foi atirar, um enorme sinal tocou. Era o fim da simulação.
–Huh. Sorte. Eu estava prestes a atirar.
Ele abaixou as armas e foi caminhando até a porta.
–Vocês dois. Comigo.
Enquanto iam cansados até a sala anterior, vários paramédicos socorriam os feridos. Quando chegaram à porta, o Tenente os direcionou ao lugar cheio de painéis, e os deixou lá. Depois do discurso da General de Divisão, a sala se esvaziou e ficaram só os quatro ali.
–Bom, foi mais produtivo do que pensávamos.
–Senhora, porque estamos aqui?
–Pelo teste para as Forças Especiais, óbvio.
–Mas senhora, eu não sei como fiz aquilo. Eu só queria entrar como um soldado normal, não estava querendo nada disso, e eu ainda estou com tanta coisa na cabeça que nem sei o que fazer agora.
O cara da guitarra suspirou.
–Todos os seres vivos deste mundo têm um poder que chamamos de “Dio”. Ninguém sabe o que ele realmente é, mas o que se sabe é que ele é composto por 3 coisas: mente, coração e espírito. Os magos, que é o meu caso, usam esse poder para conjurar as suas magias, os elementaristas para controlar a natureza, entre varias outras utilidades. Acontece que algumas pessoas conseguem transformar o dio em matéria física. Esse seu... Sei lá o que raios é isso, mas é feito da sua vontade de sobreviver. Tente se acalmar por um minuto e isso logo desaparecerá, e só irá voltar quando você precisar novamente.
Agora que ele lembrou, quando pensou nas suas irmãs e na necessidade de protegê-las que o escudo apareceu. A General se ajeitou na cadeira.
–Exatamente. Apesar de todos nós termos o dio conosco, não são todos que o conhecem. Com o tempo você vai aprender a controlá-lo melhor, e isso influi em controlar o seu escudo.
–Mas senhora, eu não sei de nada disso. Nem sei o que são essas Forças Especiais.
–As forças especiais são um grupo seleto de Tenebiris que consegue controlar o dio para alguma finalidade de batalha. O nosso Tentente Coronel Justice por exemplo, usa o dio para melhorar extraordinariamente a sua mira com qualquer lançador de projétil. Ele pode acertar uma agulha a 100 metros de distância de olhos vendados. Fora os seus poderes adquirido após entrar na F.E.T. Então, eu preciso saber o nome dos meus novos subordinados. Sou Piper Redsun, General de Divisão do setor militar 13, e chefe das Forças Especiais de Tenebiris.
O jovem da guitarra riu.
–Redsun, huh? Nossos pais provavelmente devem ter saído no pau há uns tempos. Sou Kirk VonHammet, só um guitarrista sem rumo. E você, ô gigante anão?
O jovem do escudo se sentiu ofendido. Ele não tinha culpa de ser alto, mas o fato de Kirk ser baixinho o deixava mais alto ainda perto dele.
–Eu sou Drake, Drake Halen.
Drake e Kirk se encararam por um momento, quando a General pigarreou.
–Muito bem. Cumprimentem-se, vocês são parceiros de trabalho agora.
Drake estendeu a mão e Kirk a apertou de forma suave. Kirk secou a testa com o braço.
–Na próxima vez eu deixo você morrer. Então, quando começamos?
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