Notas iniciais
Desculpem a demora, mas tive alguns desvios, que em impediram de escrever. Mas agora não terá cliffhangers desesperados com demora para próximos capítulos a sair.

Após nos afastarmos, com o carro parado, eu o olho assustado. Assustado por quase morrer atropelado. Por quase destruir minha bebê. Por descobrir que Cas tem lábios macios, apesar de tanta falta de emoções ao falar. Eu congelei e fiquei olhando para ele, sem saber o que dizer. Cas me encarava, como se esperasse algo.

“Tudo bem, Dean?”

“Ca-Cas!”

Castiel arregalou os olhos, e me encarou profundamente. Mais do que ele já estava, e foi difícil manter a respiração.

“Nunca mais faça isso!” eu gritei, e ele abaixou a cabeça. “Não digo o beijo, mas me pegar desprevenido no volante.”

Ele levantou a cabeça, menos constrangido. Eu toco no queixo dele com meu polegar, e ele olha minha mão em duvida do que eu iria fazer. Eu aproximo minha cabeça da dele lentamente, e nos beijamos outra vez. Desta vez sem acidentes aparentes. Ficamos assim por um tempo, e quando nós nos afastamos de novo, eu penso que não há muita diferença entre beijar um homem ou uma mulher, apenas que a quem amamos temos mais prazer.

“Não beije de repente... Viu a diferença?”

Ele sorri, o que eu estranho, e afirma levemente com a cabeça. Nos encaramos e ele começa a levar a mão à minha cara. Então ele se aproxima, aos poucos, sua mão em minha bochecha, e é tão bom, quase tão bom quanto o beijo que se segue, que eu esqueço tantas coisas. Esqueço Sam. Esqueço Miguel. Esqueço tantas mortes. Minhas, de meus amigos e parentes. E no momento, só existe Cas e eu. Após um tempo, nós nos separamos mais uma vez.

Eu começo a puxar o sobretudo dele, mas ele me impede e fala: “Temos que pegar o óleo na casa, e... Lá será melhor.”

“Você tem razão.” Eu ligo o carro de novo, e voltamos para a casa abandonada, algumas ruas de distância.

Dean acordou aos poucos, se lembrando da noite anterior, para reparar que estava de conchinhas com Cas, e seu braço passava pelo lado do corpo dele. Um sorriso veio à boca de Dean, com vontade de voltar para aquela noite, mas não sabia como Cas reagiria agora que tinha sentimentos humano.

Após alguns minutos olhando para a nuca do ex-anjo, este acordou fazendo Dean mudar de posição. Cas se virou e olhou para Dean com um sorriso.

“Bom dia, Dean.”

“Bom dia.”

Eles se encararam por um tempo, até o celular de Dean tocar.

“Acho bom você atender.” Cas fala pegando o celular e passando ele para Dean.

“Alô?” Dean fala.

“Dean? Onde você está?” Sam fala do outro lado da linha.

“Hum... Ah... Por que o desespero?”

“Eu liguei para Garth ontem à noite.”

Dean pensou consigo mesmo “Droga!”, e se sentou na cama, ficando sério. Sam não poderia saber que ele está perto de Cas. Na verdade, Zeke não pode saber, o que torna tudo mais complicado, deixando Dean sem saber o que fazer.

“Estou em um caso, ok?”

“Um caso onde? Você sai, não liga, e quando eu ligo para Garth, ele diz que nem te ligou!”

“Sam, você está soando muito gay. Eu tenho que desligar. Quando eu voltar eu falo onde eu estou.” E Dean desligou antes que Sam pudesse fazer mais pergunta, e Cas ficou encarando Dean. “Então... Vamos para o ninho de vampiros?”

~~~*~~~

“Ele desligou na minha cara!” Sam fala para Kevin.

“O que está acontecendo com ele?” Kevin quer saber.

“Espero que ele não esteja com vampiros.”

O celular de Sam tocou, e quando ele atendeu no outro lado da linha, ele ouviu a voz de Garth.

“Hey, Sammy!”

“Garth.” Sam disse incomodado por ele ter usado o apelido que só Dean o chamava.

“Fontes me dizem que Dean foi visto em Ohio. Athens, para ser mais exato.”

“Obrigado, Garth.”

“Ele estava com algum outro homem, perseguindo um vampiro.”

“Sabe dizer quem?”

“Não.”

“Muito obrigado, Garth.”

“Sempre que precisar! Um abraço.” e ele desligou o telefone.

“E então?” Kevin olhou para Sam.

“Athens, Ohio. Ele foi visto caçando um vampiro, com alguém.”

“Onde vamos achar um carro?”

“Não. Você tem que cuidar de Crowley.”

O profeta encarou Sam.

“Eu sei. Eu sei. Mas você sabe que ele mente muito bem.” Kevin continua a encarar Sam. “Isso não vai levar nem cinco dias. Eu prometo.”

“Ok! Vá! Qualquer coisa eu te ligo.”

~~~*~~~

Após Dean fazer sua limpeza matinal, ele saiu do quarto dele e de Cas e pode ver a poeira cobrindo todo o edifício. Do quarto ele foi para o andar de baixo. Lá, no que deveria ser a sala de jantar, Dean encontra um Cas falando com algumas pessoas, de costas para a entrada. Quando ele repara que os outros olhavam para além dele ele olhou para trás e viu Dean.

“Olá, Dean!” Cas fala. “Por favor, conheça meus amigos.” Ele chama por Dean. “Aqui, esta é Carla. Vocês se darão bem.” Ele mostra uma mulher negra, cabelos encaracolados, vestida de preto, que olha Dean de cima a baixo.

Algo no modo que Cas falou q eles se dariam bem, deixou Dean desconfortável por dentro, pois ele queria se dar bem com Cas, mas ele engoliu esse sentimento e tentou manter a mesma cara sempre que conhecia alguma mulher jovem e bonita.

“Este é Jack.” E Cas mostra um homem magro, pele clara, usava um sobretudo parecido com o de Cas, apenas mais escuro e todo fechado. Ele tinha barba rala no rosto deixando-o com aparência de sujo. “Ele não morde.”

Ele sorriu e dentes amarelados ficaram expostos, o que fez Dean recuar um pouco.

“Aquele é Anton.” O homem que estava no fundo. Ele tinha olhos azuis, e um cabelo loiro num rabo de cavalo. Ele comia um pedaço de torta de maçã, e Dean tentaria pegar o pedaço se não estivesse acabando.

Anton levantou os olhos para Dean e ambos trocaram olhares, enquanto Anton comia a última garfada. Saliva enchia a boca de Dean, e ele quase se engasgou com a própria saliva, por ser tanta.

“E aqui está Cindy, com o Sr. Fofo.” Uma jovem loira segurava um gato de pelo ruivo no colo. O gato manteve Dean a certa distância, para não começar a espirrar.

“Bem,” Cas continuou. “ainda falta os donos, mas nunca sabemos quando eles aparecem.”

“Como assim ‘aparecem’?” Dean quer saber.

“Bem...” Nesse instante, dois fantasmas apareceram atrás de todos, e Dean foi o único a vê-los, puxando da jaqueta uma pistola com balas de sal.

“Abaixem-se!” ele grita, mas Cas corre para impedir Dean de atirar. Os outros inquilinos da pensão correm para os lados, apenas Anton fica no lugar que estava.

“Dean, eles são os donos.” Cas fala para Dean.

“O que? Você tá morando com fantasmas?”

“Sim. E com duas bruxas, um familiar, um brincalhão e um transmorfo.”

Dean olha para os inquilinos assustados, e ele repara os sinais. Sr. Fofo tinha olhos humanos demais para um gato. Anton logo abria um pirulito para chupar. Jack fazia um ganido de cachorro. E provavelmente as duas mulheres eram praticantes de magia negra.

“Cas!” Dean repreende o ex-anjo.

“Este caçador não vai morar aqui, vai Castiel?” pergunta a mulher fantasma.

“Eu tentei evitar que ele viesse, por isso, mas...”

“Cas... Eles são MONSTROS!”

“Não, Dean. São meus amigos. Assim como você é amigo de Bobby, mesmo após ele ter virado fantasma. Confiava, mesmo que um pouco em Meg. E Benny? Um vampiro que você considera mais irmão que seu próprio irmão.”

Dean ficou sem palavras e olhou pela janela por um tempo. Todas essas pessoas, tinham... Têm uma ligação com Dean. De alguma forma, e ele não os julgava por não serem humanos. E haviam anjos. Castiel e Ezekiel. Ele não só gostava neles, como confiava. Dean se arrependera de ter matado a kitsune ruiva Amy Pond. E após ter conhecido Benny, e o perdido, ele se arrepende profundamente pelo que ele fez Sam passar. E ele não se importava se Sam deixou Benny de propósito, ou se Benny realmente ficou na emboscada para permitir Sam e Bobby saírem do Purgatório.

Agora ele se perguntara. Por que ele repreendia Cas por ter ficado três semanas vivendo com algumas criaturas que não eram humanas, quando ele mesmo, Cas, não nasceu humano? Seria ele tentando proteger Cas, ou simples ciúmes por eles não terem podido ficar essas semanas juntos, no bunker?

“É melhor você abaixar essa arma, Senhor Caçador. A regra para se viver aqui é não matar qualquer criatura, se esta criatura não for te matar ou mais criaturas.” Falou o fantasma homem.

Dean se surpreendeu ainda mais com os costumes de viver ali. E resolveu dar uma chance para os novos amigos de Cas. Ele guardou a arma, e entrou na sala de jantar.

“Vocês não me matam, e eu não mato vocês... Justo bastante para mim.” Dean falou se sentando a mesa. “E vocês se chamam?” Dean pergunta para o casal fantasma.

“Sr. e Sra. Frinsburn.” Falou a fantasma.

As bruxas, o familiar de Cindy e o transmorfo ficaram encarando Dean desconfiados. O brincalhão olhou para Dean como se tentasse entrar na mente dele.

“Anton. Pare! Não é legal fazer isso com gente nova.” Cindy falou.

“Ele é um caçador.” Carla falou.

“É, tanto faz!” Anton completou, e Cas ficou encarando ele com expectativa, por traz de Dean.

“O que ele está fazendo comigo?” Dean pergunta.

O gato de Cindy pula do colo dela, e ao chegar ao chão, Sr. Fofo é um homem ruivo, sentado no chão com as pernas cruzadas. Suas roupas eram vermelhas e laranjas.

“Ele apenas tá entrando na sua mente.”

“Uou, uou, uou! Não vem com suas ilusões açucaradas e maléficas!”

“Não farei nenhuma ilusão... Por agora.”

Dean encarou sério, e sentiu cada pensamento que ele já teve sendo exposto para Anton.

“Vocês têm café da manhã aqui?” Dean pergunta olhando de rosto para rosto.

“Eu como ratos” Sr. Fofo falou.

Jack, o transmorfo, abriu a geladeira e tirou um pedaço de carne crua, pingando sangue.

“Serve?”

“Passo.” Dean disse olhando com nojo, enquanto ele virava um cachorro e comia.

Sr. Fofo voltou a ser um gato e ele e Jack correram pela pensão empoeirada.

“Eu posso criar o que você quiser.” Anton disse.

Dean olhou desconfiado.

“Passo.”

“Serão reais.”

“Ou podemos ir comprar algo na lanchonete, do outro lado da cidade.” Falou Carla, se levantando. “Vamos, querida?” ela chamou por Cindy.

“Ela disse ‘querida’?” Dean sussurra para Cas, que afirma.

Cindy se levanta e beija Carla na boca. Dean fica de boca aberta e logo pensa que Cas não o estava empurrando para Carla quando disse “Vocês vão se darão bem.” E ele ficou mais calmo, pensando que ainda poderia ter chances com Cas.

Anton o olhou mais uma vez e saiu da sala. Isso acalmou Dean, e seus segredos e sentimentos.

“Bem... Vamos comprar algo para comer?” Dean pergunta a Cas, Carla e Cindy.

“Nós já comemos.” Disse Cindy. “Vocês estão livres para fazer o que quiserem.” E ela piscou para Cas, o que deixou ele constrangido e Dean confuso.

Dean e Cas saíram da pensão para ir comprar algo para comer.

“Então?” Cas pergunta entrando no carro. “Aprova eles?”

“Ainda não tenho certeza.” Dean responde, fechando a porta.

Eu fecho a porta do carro e corro para a casa abandonada, onde está o óleo. Cas abre a porta e eu fecho. A porta mal termina de reverberar o som da batida e eu pulo para cima de Cas, beijando-o vorazmente. Nem temos tempo para respirar e começamos outros beijos, um em seguida do outro, nossas línguas se encontrando uma na boca do outro. Eu o seguro pelas costas, e passo a segurar os cabelos dele.

Antes que eu mesmo pense, Cas tira minha jaqueta. Surpreendo-me, não por ele ser virgem ou por ser um anjo, mas por ser o próprio Castiel tirando minha jaqueta antes que eu tire seu sobretudo, demonstrando que ele quer ainda mais do que eu.

“Dean?” Cas chama, tirando Dean de seus devaneios. Logo eles entram na lanchonete, comem e vão para o hospital local, roubar sangue de mortos no necrotério. Eles enchem potes e mais potes com o sangue. Vão para o meio da floresta, onde tinham visto o vampiro pela última vez. De lá eles seguiram a trilha de galhos quebrados que indicavam o caminho até certo ponto.

Onde não tinha mais galhos quebrados eles pararam e olharam as árvores em volta em busca de algo. Mais a frente, havia um pequeno corte em uma árvore, como garras, largas no começo se estreitando no final, como uma seta. Elas apontavam para o lado esquerdo.

“Pode ser uma armadilha.” Cas avisou encarando Dean.

“Eu sei. Pelo menos temos o sol.”

Eles seguiram por esse caminho até encontrarem mais uma árvore marcada com as setas de garras, apontando para a direita. E foram assim até avistarem ao longe uma entrada de uma caverna, com um vampiro na entrada. Ele usava um chapéu cobrindo a cabeça toda, e óculos escuros. O casaco estava com a gola levantada, deixando-o ainda mais protegido do sol.

“Acho que não temos mais o sol ao nosso favor.” Cas avisa ao olhar no interior da caverna.

Eles estavam no lado direito da caverna, pegando facões e banhando-os em sangue de morto. O vampiro vigia olhava para a esquerda, quando sentiu o cheiro de sangue, e olhou para a direita, Dean e Cas protegidos por algumas árvores.

Mas então algo chamou a atenção do vampiro do lado esquerdo da clareira para entrada da caverna. Ele parecia farejar algo. Ele se aproximou mais e mais para a esquerda. E quanto mais e mais ele se afastava, mais e mais Dean e Cas se aproximavam da entrada.

Logo eles estavam quase entrando na clareira para a entrada da caverna. As respirações paradas. Quase nenhuma. Dean iria se aproximar do vigia o mais próximo e rápido que ele poderia, sem fazer barulho, enquanto o vigia estava distraído com algo do outro lado.

O vigia fareja como um cão, e se pergunta sobre os cheiros que se mudaram de novo. Um galho se quebra ao pisar de Dean. O vigia se vira e deixa as presas à mostra. Quando ele ia atacar Dean, algo pula em cima dele pelas costas.

Uma confusão de manchas encobria os dois que rolavam no chão, sem dar para saber quem era quem. Dean deu alguns passos para trás, e os dois vampiros se levantam, ainda um prendendo o outro, tentando manter vantagem. Até que o vampiro que chegou por último, lança o vigia numa árvore, e com um golpe final, gira a mão esquerda por sobre o pescoço do vigia, decapitando-o.

Quando ele se vira, Dean e Cas se preparam para atacar o vampiro, mas logo veem quem está por debaixo da boina e dos óculos escuros. Com uma barba loira, com alguns fios brancos.

“Benny” sussurram Dean e Cas estupefatos.

Notas finais
Um cliffhanger... sorry... mas não vai demorar para sair a continuação ;D E agora? Como será a reação de Dean e Cas com a misteriosa volta de Benny? Eles iram acabar com o Ninho Vampiro? E Sam-Zeke? Como reagirá(ram) ao chegar(em) em Athens, Ohio nessa situação? Mais perguntas e respostas no próximo capítulo de... Fate Can't Wait! PS: Mandem comentários :3 love you guys ♥