Fate Aporia

2 Capítulo Zero


Capítulo 0 – Parte I — Archer


Era noite, o âmbito era pouco iluminado, a única fonte de luz emanava de algumas velas jogadas sobre as mesas. Um jovem homem estava erguido frente a um círculo desenhado em seu chão. Os detalhes deste não eram visíveis, em seu centro estava um velho documento de papel, jogado, suas letras não eram mais legíveis.


- Ecce Deus fortior me, qui veniens dominabitur mihi! Apparuit iam beatitudo vestra! Ego dominus tuus! Sagittarius dei Deus! – Proferiu o jovem. Era notável a sua falta de domínio do idioma que falaste pelo sotaque.


O plano desenhado em seu chão resplandece com um fortíssimo brilho vermelho.


- Archer! – Exclamou.


Uma figura humana era invocada daquele diagrama, o documento já em estado de decomposição se desfazia com facilidade. De cútis branca, olhos cerrados, trajava um leve vestido branco, sem sapados, longos cabelos louros. Era um anjo, com enormes asas de plumas alvas que se espalhavam pelo chão.


- Servant da classe Archer, a tuas ordens. – A garota que fora invocada toca o chão com seus pés descalços, as asas desaparecem de sua espalda, se ajoelha em frente ao rapaz.


O jovem possuía uma aparência comum, traços orientais, cabelos e também olhos castanhos, aparentava vinte anos. Sua face estava impressionada pela presença de um anjo.


- Master? – Questionou a anjo. Ele não havia respondido nada por alguns segundos.


- S-Sim... – Respondeu. – Meu nome é Ameshima Ren, seu Master. – Ergueu sua mão direita, em seu punho estava um estigma vermelho, o símbolo lembrava uma flecha em meio a duas asas.


- Estas magias de comando provam nosso contrato. – A anjo levantou-se. – Nós agora fazemos parte da Guerra do Santo Graal.


O jovem, Ren, continuava a olhar fixamente para aquele meigo rosto.


- Algum problema, Master? – Interrogou.


- N-Não é nada, Archer. – Retrucou Ren.


Não era exatamente um problema, entretanto não era aquela garota que Ren esperava como um Servant. Uma jovem garota de delicado corpo não era a ideia que possuía de um espírito heroico.


- Não duvides tu de minha força, Master. – Ordenou Archer.


- Em nenhum momen... – Foi interrompido pela Servant.


- Não mintas. – Respondeu.


Ren observou os olhos daquela garota, eram penetrantes, era como se conseguissem ler a sua alma. Era uma sensação que jamais sentira.


- Você consegue ler mentes...? – Perguntou.


- Não. Todavia sou possuidora de uma similar habilidade. – Informou.


- Então realmente foi um erro meu duvidar de suas habilidades, Archer. Perdoe-me. – Ren se desculpou abaixando o seu corpo, como é comum no oriente.


- Eu acolho a sua apologia, Master. Acredito que não darei pretextos para duvidar novamente de minha capacidade como Servant.


E assim o sexto Servant de sete foi invocado. A Guerra do Santo Graal está há apenas mais um passo de começar efetivamente.


Capítulo 0 – Parte II – Saber

A noite também caia no campo. O cenário era uma pequena cabana de madeira de arquitetura tradicional nipônica, como portas de correr com telas. O céu não era poluído pela cidade, apenas a luz das estrelas iluminava o firmamento noturno. Vagalumes voavam sobre a grama e a melodia dos grilos e gafanhotos se espalhava.


Um homem de cabelos grisalhos e barba malfeita, porém de rosto jovial, estava sentado do lado externo da cabana, apoiado em uma das paredes do pequeno alojamento. Trajava um quimono de qualidade, composto dos melhores materiais, obviamente deveria ser um nobre. Seus olhos vermelhos não demonstravam emoções, seu rosto corado implicava embriaguez. Ao seu lado estava um pequeno masu, vazio.


- Mulher! – Gritou o homem com sua voz embriagada. – Traga mais saquê!


Uma jovem mulher, de aproximadamente vinte e cinco anos, deixava o interior da cabana, vestia-se como uma miko, um quimono branco sobreposto de um hakama vermelho. Seus longos cabelos e seus olhos profundos eram negros. Trouxe em suas mãos uma garrafa contendo saquê, a usou para encher o masu.


- É ótimo ter sido invocado logo por uma Master que me serve. – O homem bebeu o conteúdo do pequeno recipiente. Suspirou.


- Considerando sua real identidade, não é mais do que minha obrigação. – A mulher como sinal de respeito abaixou a cabeça e os ombros em reverência ao seu Servant.


- Tudo o que faz agora será recompensando. – Bebia mais do saquê. – É impossível que eu não consiga ganhar o Graal.


- De forma alguma espero algo diferente, Saber. – Informou a jovem. – Amanhã iremos nos mover para a cidade. – Novamente entrava na cabana.


- Como desejar, Master. – O Servant realizava o seu último gole de saque daquele copo.


Capítulo 0 – Parte III – Lancer

Uma casa no subúrbio de Tóquio. É uma moradia bastante simples, poucos móveis, todos de madeira, parecem antigos. A casa em si está bastante empoeirada, não há inquilinos há um bom tempo. Sua porta é aberta devagar, a luz pisca duas vezes e então se acende.


Uma garota de roupas de luxo que contrastavam com o cenário. Uma blusa de cor negra coberta por um casaco vermelho. Uma saia e duas botas pretas completavam seu figurino. Seus cabelos eram longos e ruivos, seus olhos eram verdes. Em sua mão direita estava uma maleta relativamente grande, e em sua mão esquerda estava uma mochila, menor, porém cheia. Colocou os dois itens no chão.


- Então é aqui que vamos ficar? – Uma voz ecoou pelas paredes vazias.


Um conjunto de pequenas luzes se materializa em frente a garota, um jovem um pouco maior que ela surge ali. Trazia em seu corpo uma indumentária chinesa com detalhes dourados e negros. Porém a mesma não cobria seus pés, que ficavam descalços. Em seu rosto cabelos e barba castanhos, sua pele era morena. Em sua testa usava uma tiara dourada que se fechava em frente.


- Isso não parece um lugar agradável para uma garota como você. – Retrucou o homem.


- Não se preocupe Lancer, é apenas durante a Guerra. – Respondeu a garota, com voz doce.


- Mas por que exatamente aqui? – Pasou um de seus dedos em um dos móveis. – Parece bem antigo e empoeirado.


- Duvido que algum dos outros Masters pense que estaremos aqui. – Ela pegou a maleta e moveu até uma mesa de centro próxima, e sentou-se no chão em frente desta.


- O que tem aí? – Perguntou.


- Informação que coletei dos nossos rivais.


Ela a abriu, entre vidrarias e livros havia um conjunto de papeis anexados por um clipe de papel. Ela os separa.


- Até o momento só conheço dois Masters, é pouco, mas acredito que podemos atacá-los primeiro... – Noticiou.


- Mas conhece algum Servant? – Perguntou o homem.


- A herdeira dos Clowford, Ariel, deve ter em mãos o Saber. O sucessor dos Deaufourt, Hideki, não tenho ideia.


- Não me parece bastante informação. Ainda mais com tanta incerteza. – Observou o Servant.


- Não se preocupe Lancer, garanto-lhe que há Masters que não possui metade da informação que nós possuímos. – Respondeu a garota.


- Mas... – Retrucou.


- Sem mas, Lancer, o Graal já é nosso.


Capítulo 0 – Parte IV – Assassin

Hotel Hikoboshi, cinco estrelas, bem localizado no centro de Tóquio. Uma jovem garota, aproximadamente quinze anos, trajando um vestido pomposo, justaposto com um sobretudo escuro. Em suas mãos está um gato de pelagem negra, grandes olhos amarelos. Ao seu lado estavam dois funcionários do hotel, cada um levando em um carrinho várias malas empilhadas, de vários tamanhos, cores e formatos.


– Chegamos, Assassin. – Suspirou a garota.


Entrou calmamente no Hotel, e junto de suas malas subiu pelo elevador. Em um corredor enorme repleto de portas, um dos funcionários abre a porta para ela. O quarto era bastante luxuoso, maior que uma casa convencional, uma cama de casal com lençóis rosados, uma janela panorâmica que permite ver o céu noturno da metrópole. Os carregadores depositam as palas no interior do quarto, e se retiram. A porta é fechada e trancada.


- Assassin, pode se mostrar! – Exclamou a garota.


O gato que estava em suas mãos pulava sobre os lençóis. O seu corpo modificava, ele assumia uma forma humana. Um jovem magro de corpo esbelto. Apresentava uma blusa justa listrada de roxo e rosa, que deixava sua barriga a mostra, uma calça de mesma cor que se emendavam com os sapatos, em seus dedos estavam garras afiadas. Seus caninos eram maiores do que os de um humano, seus olhos permaneciam amarelo. Seu cabelo era espetado com a mesma tonalidade de suas roupas.


- Este veículo que vocês chamam de avião é deveras desconfortável, Ariel. – Disse o jovem, deitando naquela cama. – Assumir essa forma é cansativo.


- Por que não assumiu a forma espiritual? – Perguntou a garota, que se sentou em uma mesa localizada no centro do quarto onde estava já preparado um jogo de chá.


- Para que? – Questionou?


- Você não estava reclamando de como era cansativo? – Respondeu a garota com outra questão, servindo sua primeira xícara.


- O que era cansativo? – Interrogou.


- Ficar na forma de gato. – Respondeu. Colocou dois cubos de açúcar.


- Eu estava na forma de gato. – Informou.


- Sim... Eu sei, mas você não estava desconfortável? – Perguntou a garota.


- Sim, é muito desconfortável ficar por tantas horas. – Respondeu.


- Então, por que não assumia a forma espiritual? – Refez a pergunta, desta vez. Realizava o primeiro gole em seu chá.


- Para que? – Refez o questionamento.


A face da garota ficou séria neste momento. Retirou a xícara de sua boca.


- Desisto de conversar com você, Assassin.


- Não consigo compreender o porquê... – Intrigou. O Servant levantou-se da cama.


- Apenas fique quieto e consiga o Graal. – Realizava o segundo gole em sua xícara.


O Servant encarava as luzes da cidade pela janela. Observava atentamente cada ponto visível daquele conjunto de prédios.


- Como desejar, Master.