Fate Aporia
3 Capítulo Um - Espada
Oito horas da manhã. Primeira manhã de Ren desde que se tornara um Master na noite passada a invocar a Archer. Seu quarto estava desorganizado, livros e roupas desordenados no chão. Havia um grande espaço para os poucos móveis que ali tinham, apenas uma cama, onde estava a dormir, uma mesa redonda de madeira com três cadeiras do mesmo material, e um guarda roupas bem antigo.
Ren ergueu seu corpo, esfregou os olhos com suas mãos e olhou para o seu quarto. A luz do sol entrava pela enorme janela do quarto, iluminava a bela garota que estava sentada em sua mesa.
– Archer... – Disse Ren sonolento. – Você não dormiu?
– Servants não possuem necessidades fisiológicas como sono. – Retrucou Archer. – Meu encargo é te proteger, Master.
– Servants não precisam dormir, mas não quer dizer que não podem. – Levantou-se da cama e espreguiçou. – É sempre bom você estar desperta em alguma batalha.
– Não há porquê de te preocupar, Master. – Archer também se levantou, mostrando ser aproximadamente vinte centímetros mais baixa do que seu mestre. – Durante o meu combate eu estarei preparada.
– Confiarei em sua decisão, Archer. – Ren passou pela garota, tocando seu ombro. Em seguida saiu do quarto pela porta e desceu as escadas.
O andar inferior daquela enorme moradia também estava extremamente desorganizado. Livros e papéis espalhados por todos os móveis. Aparentemente aquilo não incomodava seu único morador, que passou por ali indiferente à bagunça.
A campainha tocou. Ren se dirigiu a porta, e com uma chave que já estava na fechadura, ele destranca e abre uma das portas que compunham aquele portão, em pé ali estava uma garota, um pouco mais nova que ele, cabelos e olhos castanhos, aparência simples, vestia um uniforme de colegial japonês. Com uma camisa branca com saia azul, por cima um casaco de mesma cor. Em suas mãos segurava um pacote.
– Bom dia, Amashima-senpai! – Cumprimentou a garota.
– Bom dia, Tachibana-san. – Respondeu Ren.
– Aqui está as roupas que você pediu. – A garota um pouco tímida entregou o pacote que segurava. – É uma pequena que as malas de sua prima tenham sido extraviadas.
Ren ergueu a mão e tomou o embrulho.
– Muito obrigado, Tachibana-san, sabia que poderia contar com você. – Agradeceu.
– Faz um bom tempo que não te vejo, desde o seu segundo ano. – Informou a garota. – Também não vejo o Kurosawa-san...
A jovem parou de falar quando visualizou a figura quase divina de Archer parada rente a porta, logo atrás de Ren. Sempre com o seu rosto imparcial.
– Quem está aí? – Questionou Archer.
– Archer...? – Ren ficava surpreso, para ele sua Servant estava no andar de cima, não havia notado que a mesma tinha descido.
– Então você é a prima do Senpai? – Perguntou Tachibana para Archer. – Você não parece ser daqui... – Intrigada.
– Prima... – Archer não compreendeu.
– Sim...! – Respondeu Ren. – É ela sim. – Mentiu. – É que ela não fala muito bem japonês...
– O que pretende com isso...? – Archer interrogou seu mestre.
– Parece que ela fala muito bem... – Notificou a garota.
– É que... é que... – O jovem não conseguia pensar em uma resposta. – Bem, precisamos ir...
Ren fechou a porta sem ao menos se despedir da estudante.
– Então tá... até mais, Amashima-Senpai! – A voz da garota foi ouvida por detrás da porta.
Ren ouviu os passos da garota se afastando de sua casa. Suspirou.
– Toma, Archer. – Entregou o pacote em mãos para Archer.
– O que é isso...? – Indagou Archer.
– Roupas atuais. – Replicou. – É bom você vesti-las para quando estivermos do lado de fora desta casa.
– Entendido...
– Troque-se no meu quarto, logo após desça, vamos sair hoje. – Informou.
– Como desejar, Master. – Archer subia novamente as escadas, em direção ao quarto de seu mestre.
Alguns minutos depois, Archer descia as escadas. A roupa era a mesma da jovem que emprestara as roupas. Um uniforme de colegial, uma blusa branca, abotoada, com detalhes em azul, uma saia e uma jaqueta de mesmas cores. Ela também prendera seu cabelo com uma fita vermelha. Ren se impressionava novamente com a beleza da figura angelical. A Servant se aproximou de seu mestre.
– Partamos. – Pediu Archer.
– Sim... – Respondeu.
Os dois saíram pelo enorme portal que ornamentava a frente do palacete. O mestre trancava sua fechadura, e ambos se moviam pelos belos jardins até a saída para aquela rua.
Entretanto, nenhum dos dois notara. Uma figura curiosa, um humanoide trajado com uma armadura medieval de cor negra estava ali o tempo todo, observando por detrás de uma árvore. Quando o casal sumia de vista, ele também desparecia em uma nuvem de fumaça negra.
– Encontrei... – Cochichou.
A voz em questão era do Assassin.
– Encontrei, Ariel. – Repetiu.
O Servant estava em cima do terraço do hotel em que está hospedado. O acompanhando está sua mestra, uma bela e jovem garota, em uma cadeira localizada no centro daquela área. O servo está em sua borda, agachado com as duas mãos juntas aos pés, como um animal sentado.
– Encontrou quem, Assassin? – Perguntou sua mestra com um tom impaciente.
– Archer. – Respondeu.
– E eles perceberam a presença do ás? – Interrogou, em seguida levantou-se da cadeira e se aproximou de seu servo, encostando o seus braços no pequeno muro que funciona de margem.
– Aparentemente não. – Notificou.
– Então já temos a identidade de três Masters... – A garota voltava para onde estava inicialmente, naquela pequena cadeira de madeira no centro da área. – Rider, Archer e Saber... É um saldo positivo, Assassin.
– Saber e Archer estão, ambos, indo para a mesma direção. – Comunicou-lhe o Servant. – Aproximar-me-ei.
– Faça-o... – Ordenou a Master, entretanto ficou espantada ao ver que o seu servo desaparecia. Olhou em todas as direções e não o encontrou. – Assassin? Assassin?
O servo não respondia. Aparentemente não estava em sua forma espiritual, se retirou do local.
– Ah, morgh. – praguejou a garota. Com raiva, entrou pela pequena porta daquele local, retornou ao seu quarto.
Ren sentou-se em um banco de um metrô, o vagão estava vazio, as alças sacudiam-se pelo movimento do veículo. Um bom tempo já havia se passado desde que saíram de sua casa, da janela estava apenas o crepúsculo de um dia no início do inverno.
– Pode aparecer, Archer. – Convidou-lhe Ren.
Um conjunto de pequenas luzes assumia a forma de uma silhueta feminina, suave, de Archer, o corpo do Servant se materializou.
– Está tarde, Master, não é mais estratégico retornarmos a tua residência? – Archer questionou. – Vagamos o dia inteiro pelo município, se um servo nos localizou seria um problema.
– Não preocupa, Archer! – Exclamou. – Vamos aproveitar um pouco antes que esta guerra realmente comece.
– Master, eu não aprovo teu comportamento. – Respondeu. Archer se levantou.
– Qual comportamento?
– Ao instante que fui invocada por tuas palavras a guerra já se iniciou para tu. – Argumentou. – Esta política tua de aproveitar este dia apenas nos torna um alvo fácil.
Ren também se ergueu, posicionou seus braços nos ombros de Archer.
– Não foi você que pediu para não subestimar sua força? – Perguntou. – Se eu estivesse cem por cento preocupado com o inimigo estaria te subestimando.
– Não é assim que funciona, Master. – Respondeu Beatrice. – Eu sim, te pedi para que não subestimasse meu poder, mas não é por isso que deves se despreocupar com o inimigo.
– Não estou despreocupado com o inimigo, Archer, só acredito que se o inimigo nos atacar, nós conseguiremos enfrentá-lo.
– Se queres assim... – Archer se conformou, assumiu novamente a forma espiritual.
– Archer...! – Questionou Ren.
– Se então queres perambular, eu entendo, Master, mas peço para me manter nesta forma para a eventual economia de energia mágica. – A voz de Archer ecoou pelo vagão.
– Archer...
– Estação do Templo de Tenzan. – Informaram os autofalantes da condução, o movimento parou.
– É aqui que descemos Archer.
A porta automática se abriu, o jovem magus retirou-se, o veículo novamente tomava seu curso. O céu já estava entre tons de laranja e roxo, era quase noite. Estava um pouco nublado, também frio, aquela era a primeira noite do inverno. Em suas laterais estavam ruas, vazias, de um bairro pequeno, e alguns metros mais a frente, a entrada para as escadarias de um templo tradicional japonês, aberto por um torii.
– Por que aqui? – questionou a servo.
– Aqui é um dos pontos mais frios desta região. – Respondeu Ren. – É o primeiro lugar que se neva no inverno.
– Tu apenas querias me mostrar isso?
– Bem, logo os outros Masters começaram a atacar... – Ren disse-lhe – Então queria pelo menos aproveitar a primeira noite de inverno.
O mestre corre até o portal vermelho, se aproximando ele diminui a velocidade e começa a andar com passos calmos para dentro do recinto.
– Este lugar... – Archer sussurrou.
Ren adentra, e imediatamente para seus movimentos. Ele se sentiu estranho, como um calafrio. A atmosfera dentro daquele templo era obviamente diferente do resto daquele bairro. Possivelmente fruto de magia.
– Uma kekkai. – cochichou.
Ao seu lado, Archer novamente se materializava.
– Archer? – Ren questionou o ato, uma vez que a mesma se recusou anteriormente a permanecer naquela forma.
– Eu não consigo conservar a forma espiritual, Master. – Notificou.
– Não há duvidas que aqui é o ambiente de um magus. – Exclamou Ren, começou a subir os vários degraus correndo.
– Para Master. – Ordenou Archer.
Ren parou sua subida, estava posicionado uns oito a dez degraus em frente a sua servo. Ele olhou para trás com estranheza.
– Há um Servant aqui. – Complementou.
– Um... Servant? – Ren não esperava que eles se encontrariam tão cedo com outro Master.
– Esta kekkai obviamente foi criada por um Master que aqui habita. – Archer deduziu. – Se tu seguir em frente agora, estás a aceitar o convite deste Master para uma batalha.
Ren virou sua cabeça novamente para frente.
– Por que não deveríamos aceitar? – Perguntou.
– Estamos no ambiente do inimigo. – Archer respondeu. – Tu não acreditas que seria arriscado?
– Eu acredito que podemos dar conta. – Retrucou. – Vamos, Archer.
Ren continuou a subir. Archer o olhou, esperou alguns segundos, finalmente, mas ainda descontente, o seguiu. A escadaria era longa, subi-la mesmo que correndo era relativamente demorado. Já era noite, era possível ouvir o barulho dos grilos cantando na vegetação que envolvia os degraus.
Os dois finalmente chegaram ao topo. Havia apenas uma capela construída em madeira, fechada, um homem trajando quimono, cabelos quase grisalhos, uma barba malfeita, sentado apoiado em uma das colunas do templo, bebia saquê em um pequeno copo, ao seu lado, uma garrafa contendo mais da bebida.
– Então nem foi preciso que eu vá procurar meus adversários. – Disse o homem, bebendo mais um gole de sua bebida. – Digno de um deus, meus inimigos vem a mim.
– Archer... ele é...? – Questionou Ren.
– Sim, ele é o Servant. – Afirmou.
Archer moveu-se dois passos para frente e cobriu seu Master.
– Serás tu meu adversário? – Archer convidou aquele Servant para a batalha.
– Se a senhorita desejar assim, lutemos. – Respondeu o homem, bebendo outro gole daquele saquê.
As roupas que Archer vestia desapareciam em fragmentos de luz. Em seu lugar, uma roupa negra cobriu seu corpo. A parte superior formava uma longa capa, aberta em sua cintura. Uma saia compunha a parte inferior até anterior aos joelhos, a partir dali, meias escuras começavam, e terminavam em dois sapatos de mesma cor. Estampado em seu peito uma cruz prateada, assim como duas pequenas cruzes metálicas ornamentavam as extremidades de seu manto. As bordas do tecido eram brancas. Em suas costas está uma aljava com um número incontável de flechas prateadas. Em suas mãos um arco completamente feito de metais nobres, com inscrições em latim.
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– Archer... – Ren admirou a figura grandiosa do espírito heroico que invocara.
– Lutemos, Servant! – Exclamou Archer, retirando uma flecha de suas costas e posicionando-a em seu arco, alvejando o homem.
– Lutemos! – O homem levanta seu copo, como quem brinda.
– Não brinques! Erga-se e lute! – Archer se irritou com a atitude do seu adversário.
– Eu já estou pronto para a batalha, garota, pode atacar se quiser. – O homem provocou.
– Como desejas. – A servo esticou a corda do arco, e em uma velocidade incrível dispara uma flecha de prata.
Uma forte ventania atinge o campo de batalha, as folhas espalhadas pelo chão diminuem a visibilidade no local, Ren coloca o braço sobre o rosto, não viu se a flecha atingiu o Servant ou não, aliás, mal viu ele o golpe de Archer.
– Archer! – Gritou Ren preocupado. Não via nada, estava confuso com tudo aquilo.
A ventania cessou-se. A flecha disparada atravessou uma das colunas de madeira, a destruindo completamente, da capela e adentrou no templo. Entretanto estava bem distante do corpo do alvo, que agora segurava uma espada de aproximadamente noventa centímetros, curvada, cravada no chão. Seu metal refletia a luz da lua daquela noite. Entretanto permanecia na mesma posição, sentado.
– Feliz agora, garota? – Questionou o homem.
– Isso seria... um fantasma nobre? – Archer se questionava.
– Uma espada... então ele é... Saber?! – Ren deduziu.
– Eu não preciso esconder minha identidade de mortais como vocês. – O homem se levantou. Seu quimono despareceu dando espaço a uma armadura de guerra, placas de metais cobriam seu corpo. A armadura por sua vez era coberta por um tecido branco com pinturas vermelhas.
O Servant embainha a espada que tinha em mãos, outra ventania tão forte quanto aquela é criada apenas por este movimento.
– Eu fui invocado nesta guerra como um servo da classe Saber. – Exclamou, ergueu sua mão aos céus. – Eu sou o deus do trovão, o senhor do mar e das tempestades...
Um relâmpago vindo diretamente do céu cai sobre eles, um enorme clarão cobre o cenário. Nada é visto por alguns segundos.
– Isso é... – Ren observou quando o guerreiro, apenas por brandir sua espada, deteve a luz.
Outra espada, desta vez de dois gumes aparecia na mão direita do homem. Era tão brilhante e sem falhas que não parecia ser criada por um humano. Aquela arma é possuidora de propriedades divinas, uma arma de tamanho poder, comparável talvez a Excalibur ou a Claíomh Solais.
– Eu sou Susanoo no Mikoto, Saber! – Exclamou o homem, erguendo sua espada aos céus.
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