Fate

1 Como vim parar aqui?


Notas iniciais
Primeiro capítulo! Deixem a opinião de vocês :)

Estou imunda, esse lugar é escuro e gelado. Me dá uma sensação horrível estar aqui. Sinto saudades de casa, de meus irmãos correndo, sempre tramando algo, passar todos os dias conhecendo novos lugares do castelo. Eu tinha uma vida maravilhosa, cada detalhe era perfeito. Meus pais sempre me deixaram o mais satisfeita o possível. Bom, minha mãe pode ter sido muito dura comigo por um bom tempo. Felizmente, uma experiência que tivemos enquanto tinha meus dezesseis anos a acalmou e nos deixou felizes por muito tempo.

O reino de DunBroch, em sua curtaextensão pelos belos campos escoceses, vivera dias felizes, era como se estivéssemos em outra dimensão, outra era. Chegara o inverno e os tempos de colheita haviam acabado, era tudo muito intenso, já que vivíamos no extremo hemisfério norte. Nosso rei adoeceu, aquele que ficara conhecido por ter perdido a perna para o monstro que assombrava o Reino ameaçou a todos, expelindo sangue constantemente. Era uma doença severa, os recursos do Reino eram limitados e os dias de glória foram pelo ralo assim que o curandeiro fez seu prévio diagnóstico. "Ele morrerá, não posso fazer mais nada", foi o que ele disse assim que saiu dos aposentos reais.

O rei me chamou para ir ao seu quarto logo depois do curandeiro ter ido embora. Eu estava inundando por dentro, chorava sem parar. Ele dizia para eu me acalmar. O rei Fergus, sempre animado e valente, agora não continha as lágrimas. Meu pai estava morrendo, toda a pressão de ser rainha caia sobre mim agora.

Fergus: Filha! Não fique assim, sempre estarei no seu coração. Não esqueça das minhas histórias, de nossos momentos juntos. Conte comigo para qualquer coisa, olhe para as estrelas e eu estarei lá, na mais brilhante delas.

Eu ficava mais calma a cada palavra que saia de sua boca.

Merida: Pai, eu... Eu... Eu não sei o que fazer! Não nos deixe, recupere-se, por favor.

Fergus: As coisas não são assim, Merida. Seja valente, governe esse reino. Seja a minha, a nossa rainha.

Eu não conseguia falar mais nada, o abracei intensamente, disse que o amava e saí do quarto, depois que ele havia começado mais uma crise de tosses.

Foram três semanas de angústia, depressão por todo o Reino, o castelo parecia vazio. A neve que caia lá fora parecia ser cortante. Nenhuma criança se divertia. Meus irmão andavam melancólicos e nostálgicos, com um sentimento de tristeza estampado no rosto. O ar era pesado, eu não conseguia conversar com ninguém, eu estava presa dentro de mim mesma e não conseguia fugir. Não haviam válvulas de escape.

Numa manhã, mais gelada e triste que as outras, ouvi sons de trombetas ou algum instrumento que fizesse um som semelhante. Levantei-me, com os longos cabelos bagunçados, que já não tinham a mesma vibração e intensidade de antes, não eram mais quentes, cor de fogo. Me vesti e, ao sair do quarto, os serviçais do castelo estão correndo pelos corredores, com ar de tristeza, porém com algo a fazer.

"O antigo rei está morto. Vida longa á rainha!", ouço todos gritando como uma só voz quando passo da saída principal.

Eu me senti morta por dentro. Meu pai não havia se recuperado, minha mente adormecera por alguns segundos. Não conseguia pensar naquilo tudo, já não enxergava DunBroch como um lar novamente. Toda a pressão de ser rainha, proteger o reino dos tantos antigos e recentes inimigos que meus descendentes criaram. Eu nunca fui uma mulher indefesa, mas é muita responsabilidade ser rainha. Meus irmãos ainda são crianças, com menos de quinze anos, mas pareciam ter mais coragem que eu, com vinte e cinco anos de experiências. Era estranho eu não me sentir preparada.

As coisas estavam melhorando, então resolvi ter um daqueles dias que sempre tinha quando era mais nova, quando ia para a floresta, usava meu arco e flecha e aproveitava o máximo do dia, o máximo da vida. Talvez a minha felicidade eram naquelas coisas. Nove anos haviam se passado e eu não havia me casado, nem me apaixonado. Continuava da mesma forma há tempos, só que feliz. A morte de meu pai foi um peso para todos, arrastou minha felicidade e me prendeu á tristeza.

Eu cavalgavasilenciosamente com um cavalo parecido com Angus, que morrera há algum tempo de forma inesperada, seu nome era Fork, muito forte e bonito, porém também abatido com a morte do rei. Desci de suas costas e apenas caminhava com o cavalo, observando a floresta e os resquícios de minha juventude. Afinal, eu havia quase me tornado a princesa que minha mãe queria tanto que eu fosse, sempre muito educada e correta, mas o espírito aventureiro nunca foi embora. Montei novamente em Fork, peguei o arco que havia carregado comigo e fui apontando para os antigos alvos que havia deixado nas árvores. Não havia perdido a mira, e ficava mais contente, tentando esquecer a dor.

Saia com mais frequência para a floresta depois daquela vez. Parecia ser, finalmente, uma válvula de escape. Lembro-me como se fosse ontem daquele dia em especial, alguns meses depois da morte de meu pai, em que acordei nervosa e tensa, sem saber o que fazer, sempre em alerta, recebendo conselhos de minha mãe, congestionamento de pessoas em meu quarto, ordenando mil e uma coisas, achando que eu não seria boa o bastante, desejando meu fracasso.

Aquele dia em especial seria minha coroação, o dia em que me tornaria oficialmente a rainha de DunBroch, uma das primeiras, desde que os últimos governantes foram todos homens. Eu poderia me sentir deslocada, por não me adequar aos padrões de rainha: sempre perfeita, bem casada, super educada, muitos filhos, nada aventureira, sempre á espera de seu chá da tarde. Mas não, na verdade eu estava muito feliz, me sentindo especial por poder continuar o que meu pai estava também continuando.

Peguei meu arco e cavalguei com Forks por uma boa parte da manhã naquele dia, foi sensacional a sensação de liberdade que aquilo havia me dado. Esperava que, realmente, naquele dia tudo desse certo. No caminho de volta, perto do meio dia, eu estava apenas andando, deixando o cavalo com as costas livres. Foi quando vi uma suave luz azul, no fundo da floresta, não tão distante de mim, me lembrei de tudo que havia passado desde que vi aquela luz uma vez aos dezesseis anos. Aquela luz me trouxe um novo destino, o qual eu pude mudar.

Segui a luz, que se movia de um lado para o outro, até encontrar mais delas, e fui seguindo até chegar á uma clareira. Depois disso, eu não me lembro de nada. Naquele dia em especial, não houve coroação, eu não sei onde estou. Eu sei que aqui é frio e desconfortável, como DunBroch em seus tempos difíceis

Notas finais
E aí, o que acharam? Espero que tenham gostado! Abraços