Fate
2 Terra sobre minhas sardas
Notas iniciais
Todas as memórias haviam vindo a tona de repente e estava zonza, perdida em relação ao lugar onde estava. Tentei me libertar da escuridão que me envolvia, pulava com força no chão e batia nas paredes mofadas e geladas daquele lugar, que assemelhava-se a um quarto. Não como o que eu dormia em DunBroch, mas era um quarto.
Eu percebi que era dia, pois havia uma fresta de luz, saindo do teto, estampada no soalho. Deito-me sobre o piso para sentir um pouco de energia em mim mesma, um pouco dos raios de sol que me roubaram quando me colocaram aqui. Podia sentir-me em casa novamente: o sol é universal. Assim como em DunBroch os camponeses devem estar trabalhando sob a luz do sol (provavelmente a ordens de minha mãe, que deve estar governando sabiamente nosso povo), eu estou aqui, sentindo os mesmos raios de sol.
Precisava voltar. Não importava o quão difícil isso seria para mim, fui egoísta e não consegui me controlar. Meu pai não levou apenas minha felicidade, também trouxe a velha Merida, irresponsável e sonhadora.
"O que meu deu na cabeça para seguir aquelas luzes?", eu pensava e refletia a cada segundo. Estava me sentindo culpada, mesmo não lembrando-me de nada que havia acontecido.
Abraçada pela escuridão, fecho meus olhos e imagino Fork correndo pelos campos verdes, enquanto eu tento alcançar um ponto da montanha onde consigo uma água pura e fresca. Isso me ajuda a esquecer todo e qualquer problema. Era, finalmente, uma válvula de escape para tudo o que estou vivendo. Consigo imaginar também meus pais juntos, no dia do meu aniversário de menos de cinco anos, quando meu pai me deu meu primeiro arco. Fiquei tão feliz de ter certo poder em minhas mãos, me sentia mais importante, parte daquela família. Logo vêm as péssimas memórias daquele dia do qual nunca posso me esquecer, quando o "urso" tão temido nos atacou, e conseguiu a perna de meu pai como recompensa. Ele chegou ao campo onde estávamos e era grande, fazendo sombra para mim e minha mãe, que conseguiu fugir comigo antes que ele nos tocasse. Suas patas enormes sobre o solo verde vibrante misturavam-se com a cor da terra que havia trazido da mata. Aquela terra havia sido chutada em direção ao meu rosto, com uma pisada sem esforço do urso. Sinto em meu rosto aquela terra, oriunda de algum lugar onde ele podia ter matado alguém.
Quanto mais pensava, mais terra caia sobre meu nariz cheio de sardas e esparramava-se pelo chão. Aquilo não estava certo, era realmente real. Alguém estava sobre o quarto, jogando terra ou pisando com um sapato sujo em algum tipo de porta que me escondia.
Merida: AQUI, SOCORRO! EI!
Batia com todas as forças que me restavam no teto do quarto, que deveria ser o chão de alguma casa.
Uma pessoa respondeu-me após alguns minutos de desespero da minha parte: "Nós tentaremos te tirar dai! Apenas se afaste da porta".
Assim que ouço essa voz feminina, tão desesperada quanto a minha, corro para a direita e apoio-me na parede, torcendo em silêncio por minha salvação. Ela disse "nós", não está sozinha. Será que minha família me encontrou? Pode ser alguma amiga, alguma camponesa.
Começo a enxergar com mais clareza o quarto após alguém ter achado algo que possa quebrar a porta com maior facilidade. Já estava acostumada ao escuro e meus olhos ardem com a luz. Logo me recupero, pensando apenas nas respostas que quero ter depois de sair dali.
A porta treme com as batidas de algo tipo um martelo, e finalmente se rompe. Um buraco é aberto e minhas expectativas são grandes, apesar de não conseguir entender tudo aquilo.
A voz feminina fala alguma coisa, tentando me acalmar, mesmo sem me ver. Começo a andar em direção a forte luz, ao escape daquele poço de escuridão.
Vislumbro uma mulher loira, com feições delicadas, que me pergunta quem sou eu.
Merida: Sou Merida, princesa de DunBroch, ou rainha, não sei.
Tento falar o mais alto que posso, e acho que ela não entendeu o que estava acontecendo. Apenas me deu a mão e conseguiu me tirar do quarto. Eu estava toda suja e minha roupa estava um pouco rasgada. Não conseguia imaginar como estava ali.
A mulher estava acompanhada de um casal muito simpático, que nunca vira na minha vida. Contei aos três como era minha vida e o que estava acontecendo (pelo menos o que sabia). A conversa foi muito objetiva, pois tudo ainda estava muito claro para mim e a conclusão a que chegaram foi que a luz azul que segui me trouxe até aqui, como já imaginava. Perguntei onde estava, e se eles sabiam de algo, pedi para que me contasse como me acharam.
"Você está em Storybrooke. Não sabemos por quê você está aqui, mas algo estranho aconteceu e vamos te contar tudo. Tudo que precisamos é que você venha conosco, aqui não é seguro", o homem me falou, com um tom de certeza e intimidação.
Merida: Quem são vocês?
Não podia me arriscar com antigos inimigos do meu pai, e estava curiosa para saber quem havia me ajudado em busca de maiores informações sobre mim.
A loira, que estava acostada a parede, endireitou-se e apresentou-se, assim como o casal. Emma, David e Snow White (ou Mary Margaret, foi meio confuso).
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