Fate

14 Cap14 - O amor dela desperta


/Beatrice/

Por alguma razão eu estava nervosa, queria ver Reich, uma urgência que provavelmente passava os limites da amizade.

Sua imagem estava nublando minha mente, nem mesmo percebi que estava derramando todo alvejante na pia antes que Pierre me avisasse.

_ Bia volte para terra, garota. Tá tão estranha esses dias. Está cansada? Mal são dez horas, mas pode sair mais cedo.

_ Não, não estou cansada. Nem sei oque eu tenho na verdade. Droga, deixa eu enxaguar isto aqui.

Comecei a pensar no que Reich estaria fazendo, que estranho, eu normalmente não me importava com isso. Algo em meu coração não deixava me acalmar.

Não estava conseguindo me concentrar. Decidi sair para tomar um ar. Tinha me esquecido completamente das horas, e fui diretamente pela porta da frente. Completamente alheia ao fato de que o bar tinha começado suas “atividades”.

Assim que cruzei as portas, fui surpreendida por um pesado homem, que falava algo para mim, pude senti seu hálito alcoólico, não pude ler seus lábios moles, mas senti que era melhor assim. Tentei voltar para dentro, mas fui agarrada pelo homem. Ele me arrastou para o beco lateral, estava desesperada, gritei em plenos pulmões antes de ser bloqueada pela asquerosa mão do bêbado. Meu Deus me ajude.

O homem era forte demais para mim, eu não pude fazer nada além de chorar, as lágrimas nublaram minha visão, e eu desejei que o demônio dos meus pesadelos aparecesse e matasse aquele homem.

Milagres acontecem, pois de repente o pesado bêbado já não estava em cima de mim. Pierre havia aparecido para ser meu salvador. Ele arrancou o homem de cima de mim e o empurrou em cima dos latões de lixo, o homem deve ter desmaiado, pois não se levantou, Graças á Deus.

_Você está bem Bia? Ele te machucou? Onde você estava com a cabeça para sair a essa hora sozinha?

Eu estava em choque, mal conseguia acompanhar as palavras dele.

_ Obrigada, obrigada, obrigada... – Disse entre deprimentes soluços.

_Vamos entrar Bia.

Eu mal pude ficar de pé, ele resolveu então me colocar em seu colo e me levar para dentro, pude ver a Sr. Michaely correr em nossa direção, olhos arregalados, mas não fui capaz de decifrar seus lábios.

Ele me sentou protetoramente em seu colo tentando me acalmar.

_Deus, Bia. Imagine se eu não tivesse ido atrás de você, o que teria sido?

_ O que aconteceu Bia?

_ Me desculpa. Eu esqueci onde estava, as horas, eu esqueci. – Foi tudo que pude balbuciar.

A Sra. Michaely começou a andar pela cozinha procurando algo, desviei os olhos, apenas me afundei no colo de Pierre, tentando me acalmar. Já passou, nada de pior aconteceu, calma. Eu tentava me acalmar. Ao menos pude fazer pararem as lágrimas, mas ainda tremia muito.

_ Oh criaturinha, não faça mais isso.

_ Me desculpe Pierre... Eu devia ter pensado antes.

_ Eu sabia que você estava aérea hoje. O que foi?

Antes que eu pudesse responder Sra Michaely veio me trazendo um copo com água.

_Acalme-se querida. Oh meu Deus, às vezes eu acho que seria melhor pra você não trabalhar aqui.

Rapidamente eu me endireitei, me sentei no banco ao lado de Pierre saindo de seu colo. Tentei respirar compassadamente, para garantir uma voz firme, ou tanto quanto possível.

_ está tudo bem Sra. Michaely. Poderia ter acontecido em qualquer outro lugar. Serei duplamente cuidadosa de agora em diante. Não foi sua culpa. Por favor pode voltar a fazer o que estava fazendo, eu também voltarei a fazer o que tenho que fazer.

_Eu vou voltar. Mas você de jeito nenhum. Você vai pra casa. Pierre leve-a em casa. Mariane e os outros vão dar conta do serviço. Vão.

Eu apenas assenti e ela saiu pela porta. Fiquei com medo de que ela me dispensasse, este emprego é algo que não posso perder.

_Vamos?

Pierre me ajudou com minhas coisas. Esperou que eu trocasse meu uniforme, e seguimos para minha casa, nada mais do 15 minutos de metrô e uma caminhada de mais 15 até minha casa.

Ele muito deliberadamente segurou minha mão por todo o caminho. Não me incomodou, mas eu não queria que fosse ele ali, me dando apoio. Me senti estranha o caminho de volta todo.

_ Chegamos princesa.

_ Muito obrigada Pierre, nem sei como agradecer. Você salvou minha vida. Sei lá, quer entrar um pouco? Não é tão tarde ainda.

_ Não, mas eu queria te pedir algo. Meio que como recompensa.

De repente senti sua mão escorregar para minhas costas, e seus lábios tocaram os meus. Ele me beijou, eu mais me assustei do que qualquer outra coisa, nem pude fechar os olhos como nos filmes. Apenas esperei que ele terminasse. Na minha cabeça eu devia isso á ele.

_ Me desculpe. Eu não resisti. – Ele sorria, sem graça e vitorioso.

E eu estava confusa. Estranha. Pobre garoto. Agora como eu iria dizer-lhe que isso era uma recompensa pelo seu ato de bravura. E só?

_ Te vejo amanhã Pierre. Mas por favor. Não vamos deixar as coisas estranhas ok? Me beije sempre que quiser, se quiser. Mas seja meu AMIGO.

As suas expressões foram uma seguida de confusão, arrependimento, entendimento, tortura e então algo como um sinal de “tudo bem, eu vou superar”. Ele riu sem graça e seguiu para o ponto de ônibus.

O que eu disse era verdade. Que ele me beijasse se quisesse, beijos nunca significaram muito. Ao contrário do que Reich pensava, eu beijava muitos garotos. Geralmente garotos que conhecia em viagem de metrô. Nem virgem eu era, e Reich não me ouvisse, pois posso jurar que ele não sabia.

Eu entrei em, casa e pensei um poucos sobre os beijo de Pierre. Estava errado. Muito errado, eu queria sentir uma boca diferente daquela. Meu coração disparou quando eu descobri o que eu queria. Reich. Seus olhos cor de mel invadiram minha mente. É claro, que clichê, eu me apaixonei pelo meu amigo de infância. Droga.

A urgência de falar com Reich invadiu meu peito.