Fate

11 Cap11 - Coicidências e Deja vú


/Stwart/

Segui para a rua no subúrbio qual ando usualmente, quando desejo espairecer.

Passei então em frente ao “Midnight rain”, o bar entre dois becos no fim da rua. Lembrei que Bia trabalhava ali, resolvi checar se estava mesmo fora de qualquer negocio ruim.

_Mas vejamos quem temos aqui? – fui recebido por uma mulher, muito bonita sim, um rosto conhecido na verdade.

_Michaely, está a mesma não?

_ A que devo a ilustre visita de meu irmãozinho ao meu humilde estabelecimento?

_ Nada em especial, na verdade.

_ Sabe Stwart, não há necessidade de mentir para mim. O que você quer?

Minha irmã e eu somos parecidos em muitos aspectos, exceto em alguns princípios.

_ Eu vim ver uma garota que trabalha aqui, queria saber o que ela faz aqui.

_Que garota?

_ Beatrice Migler.

_O que você tem com ela? Não se envolva com esta garota Stwart, é uma boa menina. Não há nada de “ruim” nela.

_Eu sei, vim só checar, talvez por algumas influências, ela pudesse ceder.

_ Eu nunca a obrigaria a nada, assim como nunca obriguei a ninguém.

Pela porta da cozinha vejo surgir um corpinho miúdo qual eu pude reconhecer. Seus olhos estavam em Michaely, e pelo segundo que passaram para mim, ela se assustou um segundo.

_Sr. Stwart? Não que seja da minha conta, mas se o senhor me permite, o que está fazendo aqui?

_Nada em especial na verdade. – sorri um pouco dissimulado. – Pensei em te ver. Até que horas você fica?

_Habitualmente até às duas da manhã.

_Hum, é um bocado tarde não Sra. Michaely?

_Ela não tem nada que haver com isso Sr. Stwart, eu que procurei o emprego. Ciente dos horários, ela só tem me ajudado, no entanto.

_Bom, vejo que está ocupada, então, se me dão licença.

_Não quer beber alguma coisa Sr. Stwart?

_Não. Vim apenas ser inoportuno.

Gesticulei com a cabeça para minha irmã e Bia e saí. Pausei um momento no beco ao lado, o mesmo que já estive antes, em uma noite próxima a esta. Acendi um cigarro e pensei uns instantes no sangue que eu derramei naquele local.

De repente escuto passos em direção a mim, uma sombra pequena, e tive um pequeno “deja vú”.

_Sr. Stwart, me assustou.

_Você que me assustou criança.

_Eu vim apenas colocar o lixo, é uma das minhas funções. Mas duvido que o senhor tenha uma explicação plausível como a minha!

Por baixo do tom irônico, pude perceber um medo real. Seria possível então? Que minha testemunha de meses atrás tivesse sido esta garota?

_Não estou cometendo nenhum crime, asseguro-lhe.

Ela riu um tanto desconfortável, deixou o lixo em um latão e pediu licença.

Que mundo de encontros este não? E agora, o que devo fazer?

/Beatrice/

Cheguei em casa silenciosamente, não queria acordar minha família.

Fui ao meu quarto, que felizmente não tinha que dividir com nenhum irmão.

Tomei um banho, vesti roupas de dormir e deitei para tentar dormir, mas logo nos primeiros minutos de sono fui visitada por um antigo pesadelo. Um que achei ter me abandonado.

Uma poça vermelha-escarlate rodeava um corpo sem vida, um homem que poderia ser um demônio, estava curvado sobre o corpo, visivelmente satisfeito.

O corpo estava mutilado de uma forma cruel, veias expostas, e pelo mais longo dos segundo encontrei os olhos do demônio, um rosto que seria belo em qualquer outra ocasião.

Só fiz correr de volta para o bar, tremula e histérica.

Acordei assombrada, gotas de suor formadas na nuca e nas têmporas. Porque estava tendo aquele velho pesadelo?

Talvez o revival de hoje tenha despertado o pesadelo. O Sr. Stwart se encaixou perfeitamente no papel de demônio.

E quanto mais eu pensava na semelhança, mais vontade tinha de gritar. Os olhos, que foi o que melhor pude ver na neblina, eram tão parecidos.

Tinha que parar de pensar naquilo, ou ficaria louca.

Talvez estivesse já na perigosa linha da insanidade.