Fate
12 Cap 12- Recompensa
/Reich/
Nunca realmente me importei com companhia ou a falta dela, exceto de Bia. Mas nos últimos dias, realmente estive apreciando estar o professor Stwart.
Apesar do rosto sério, e dos modos peculiares diante de uma classe, eu e ele partilhávamos de muitos ideais.
Era manhã de sábado, me vesti, e fui para a empresa para tentar ser útil para meu pai.
Estacionei no local habitual, e fui a presidência.
_Sr. Wilkerson?
_Filho, que bom que já veio. Preciso de você. Mas veja que maravilha, hoje irei delegar á você uma tarefa importante meu filho.
_O que senhor?
_Veja, lembra-se que esta empresa recebeu três diferentes propostas de coligação?
_Evidente.
_Pois bem, caberá a meu filho analisar estas propostas e decidir o melhor para o futuro da empresa.
_ O que? Não pai... Digo, senhor. É muita responsabilidade, eu mal posso analisar contratos de compra e venda quanto mais algo de tamanha importância. Não posso.
_Não se preocupe garoto, não vai estar completamente só nesta.
A voz que se fez ouvir agora, apesar de conhecida, não era de meu pai.
_Sr. Stwart?!
_ Meu filho, para lhe prestar, assistência chamei o conselheiro mais capaz que se pode querer. Ele irá te guiar nesta tarefa. Então sei que tudo estará bem. Peço licença cavalheiros, mas tenho uma reunião – meu pai saí me deixando na presidência, eu escorreguei em uma cadeira que estava próxima, meu pai atirou uma tonelada em minhas costas, apesar da presença do senhor Stwart dividir o peso em dez, ainda era muito para minha pobre cabeça.
_Garoto, tenho tanta fé em você quanto seu pai, acho até que minha presença aqui é irrelevante.
_ Irrelevante? Sr. Stwart, o senhor não sabe o que está dizendo.
_ Acalme- se! Os contratos não são pra já, que sei. Vamos conversar um pouco e depois lidamos com isso ok?
_ O Senhor Já estava a par de tudo, claro.
_Evidente.
_Me atirou aos tubarões sem nem pestanejar? Belo professor.
_Nunca teria o feito se não confiasse na sua capacidade. E confio.
Acho que o Sr. Stwart ficou com pena da minha expressão desolada. Minha autoconfiança era baixíssima. Resolvemos ir tomar café antes de tomar grandes decisões.
_ Ontem fui ver sua amiga no seu emprego.
_Bia? Por quê?
_Fiquei curioso. Conheço a fama daquele lugar.
_Bia não se envolveria com nada ruim.
_Sei que não, mas quis atestar. Mas receio que a tenha assustado.
_Como?
_Encostei num beco ao lado da lanchonete para acender um cigarro, ela foi colocar o lixo ou algo assim e não me reconheceu, penso. Parecia realmente incomodada, sequer falou comigo direito.
_Oh, mas vejo por que.
_por?
_Ao lado da lanchonete? Há alguns meses atrás ela estava fazendo algo como o senhor disse e acabou por presenciar uma cena grotesca.
_O que?
_Um assassinato, uma garota de programa. Pelas fotos que vi nos jornais, o assassino não a matou por dinheiro, queria se divertir. Um insano.
_Meu Deus, pobre menina.
_Pois sim, ficou boas semanas sem poder andar sozinha. Nem sequer teve coragem de testemunha na policia. Quem chamou a policia e tomou frente foi a dona do bar.
_Ela não testemunhou. Mas ela obviamente viu quem foi não é? Devia levar o caso a diante.
_Ela não quis se envolver. Estava realmente assustada. Mal desgrudava de mim.
_Bom. Garoto, que tal irmos resolver o que temos que resolver?
_ Meu pai é um louco, um sádico na verdade, como ele pode... sei lá.
_ Se você parar pra pensar, não a razão para estar tão irritado com seu pai. Ele sempre me falou maravilhas de você. Mesmo.
Neste momento eu fiz uma cara que era uma mistura de alegria, arrependimento e insegurança, acho que ele ficou com pena de mim pois começou a bagunçar meus cabelos num gesto “pai e filho”, algo que me lembrou um pouco minha infância. Ele então escorregou um pouco a mão, pela minha têmpora e até pelas maçãs do meu rosto, um carinho que não me incomodou nem um pouco, mas subitamente ele retraiu a mão como se tivesse dado conta do que estava fazendo.
Sua expressão se tornou um tanto quanto fria. Negócios talvez.
_Vamos?
Subimos à presidência, meu pai tinha dito que eu poderia trabalhar ali mesmo.
Durante mais de uma hora o senhor Stwart apenas me contou a história de cada empresa que estava envolvida no negócio. Disse-me pacientemente, os prós e contras de cada contrato, mas não de um modo influenciador, apenas sutil. Neste momento parecia um professor, uma versão dele que me era estranha, porém, muito me agradou.
_ Bom, nada mais posso fazer, fica por sua conta de agora em diante.
_Certo, já tenho minha decisão quase formada... Muito obrigada Sr. Stwart, realmente, não poderia ter tomado uma decisão próxima de uma decisão decente sem sua ajuda.
_Disponha. – neste momento ele se encaminhou em direção à porta, pretendendo sair.
_Sr. Stwart, já vai?
_Sim. – fiz uma expressão desapontada, acho – O que foi?
_Nada na verdade.
_Diga.
Era mais uma ordem do que um pedido, não pude evitar a verdade.
_ Eu não pretendo ficar na empresa depois que terminar aqui, e estava, sei lá, querendo sair pra algum lugar. E o senhor bem merece uma recompensa por ter me ajudado – ri sem graça da minha desculpa esfarrapada – mas era só uma ideia boba.
Ele seguiu até a porta, já tinha tomado à decisão de sair, era obvio, mas então ele parou na porta entreaberta e disse:
_Bom, eu tenho uma ideia melhor. Fique aqui até seu pai analisar sua escolha, e se você mesmo decidir que fez uma boa escolha, vá jantar lá em casa... Que pensa disso?
Me pareceu um convite inofensivo, e por algum motivo a ideia de alguns momentos de companhia do senhor Stwart me apeteceram.
_ Penso que é uma boa ideia, desde que não interfira nos seus planos originais.
_ Não interfere, na verdade. Pegue meu telefone com a secretária, e me ligue avisando sua decisão.
Neste momento ele fechou a porta. Eu fiquei um tanto ansioso e nervoso a respeito do contrato agora. E se meu pai não aprovasse?
Uma hora e alguns quintos depois meu pai entrou na sala da presidência.
_ Boa tarde meu filho. Fez o que eu te pedi?
_ Sim senhor. Aqui.
Entreguei lhe o contrato escolhido com um relatório a assinar, e percebi que estava tremulo e tinha as mãos suadas.
Meu pai olhou para o papel por um tempo quase insignificante. Tinha uma expressão séria e profissional.
_ O que você pensaria de mim se eu disser que isso foi apenas um teste?
Eu sabia que tinha algo nisso tudo, velho maldito.
_Nada ruim senhor Wilkerson.
_ Bem, eu já havia escolhido um dos contratos, aquele que com certeza traria benefícios à empresa. Já está assinado, isto são apenas cópias. Bem, vejamos então.
Ele buscou uma pasta em uma gaveta na escrivaninha e jogou sobre a mesa.
Analisei o contrato rapidamente e senti meu sangue fugir do meu rosto.
_O que eu não disse é que era um teste para você mesmo, não pra mim, pois eu confio plenamente na capacidade do meu filho. Você que precisa de um pouco mais de confiança.
Neste momento as palavras me fugiram. Vi o sorriso de meu pai crescer, eu havia escolhido o mesmo contrato que meu pai. Uma decisão certeira.
_ Então o que me diz?
_ Muito obrigada por confiar em mim Sr. ... Pai
Pedi licença, sai da sala. Estava arriscado a começar a chorar. Por algum motivo senti uma necessidade enorme de ligar para o Sr. Stwart. Peguei seu número pessoal com a secretária e fui em direção ao estacionamento. Três toques.
_Pronto.
_O senhor sabia de tudo, não é mesmo?
_ Então está tudo terminado? – ouvi uma gargalhada do outro lado.
_Desgraçado. Quase tive um aneurisma.
_ Mas no final eu tinha razão não tinha? E tem uma maravilhosa refeição aqui a sua espera.
_Ainda está de pé?
_ Nunca me verá desonrar um convite. Escute o endereço com atenção ok?
Gravei o endereço, segui para minha casa para trocar de roupas, não queria encontra-lo com a mesma roupa, estava estranhamente nervoso. Meu nível de interesse no senhor Stwart estava ficando estranhamente perigoso.
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