Fate

13 Cap 13 - Desejo


Notas iniciais
Agora sim (finalmente)

/Stwart/

Bati o telefone no gancho, agora estava tudo certo, o garoto estava vindo, eu estava incrivelmente ansioso. Enchi outra taça de vinho e fui para cozinha, estava preparando o que seria nossa refeição.

Não estava usando minhas roupas habituais então talvez Reich achasse estranho, mas eu não queria que ele entrasse em minha casa e encontrasse o professor, queria ver sua reação. Provavelmente ficaria sem graça como ficou no café.

Eu não sabia exatamente porque de todos aqueles sentimentos. Mas havia uma perigosa quantidade de desejo envolvida.

Ouvi um carro parar em frente meu portão e a campainha soou. Esperei alguns instantes e abri a porta. Lá estava ele, um animalzinho perdido. Meu sorriso de boas-vindas devia ser no mínimo malicioso.

/Reich/

Quando ele abriu a porta fiquei um pouco surpreso, esperava ver um homem de negócios, e o que encontrei foi um belo homem de olhos interessados e um sorriso significativo. Ao analisar sua roupa, dei graças a Deus por não ter me vestido formalmente.

Ele usava uma camisa de mangas curtas de cor branca. Uma calça preta jeans, e não usava os usuais óculos. Parecia uma pessoa diferente, por um minuto pensei em perguntar se não era um irmão do Sr. Stwart, mas não foi necessário.

_ Seja bem-vindo garoto. Entre por favor.

_ Obrigada, com licença. – Entrei em sua casa, o cômodo a minha frente era uma espécie de sala de visitas, muito bem decorada, clara, aberta, uma parede era na verdade um grande vidro que dava para vista de seu jardim lateral, muito bonito por sinal.

_ Bela casa Sr. Stwart. Quem poderia dizer?

_ Bem, jovem. Eu já lutei muito pela minha vida, precisava colher alguns louros, não acha? Venha, vamos nos sentar.

A Copa estava sendo invadida por um maravilhoso cheiro, como um restaurante renomado, tinha cheiro de ervas e molho branco.

_ Oh! Seria possível que o senhor também cozinha?

Ele deu de ombros.

_ Na verdade não. Meu acervo de receitas se limita a esta lasanha, algumas massas e uma torta de ganache.

_ Tão amplo quanto o meu, que se limita a um sanduíche de queijo.

Ele sorriu, se serviu de vinho e estendeu a garrafa em direção a minha taça, mas parou como se lembrasse de minha idade.

_ E agora? Não sei se seria certo dar vinho a um menino de 17 anos. – seu rosto era uma falsa máscara de dúvida, ele com certeza já sabia o que iria fazer.

_ Aprecie com moderação. – encheu a taça, um vinho que devia ser algo muito bom. Nunca entendi de vinhos, pouco me interessavam.

Ele se levantou e foi até a cozinha, voltou com uma travessa pequena e prateada com a lasanha.

_ Por favor – disse ele estirando um pedaço ao meu prato. – Espero que goste rapaz.

Ele se serviu também, após a primeira garfada, senti um maravilhoso gosto. Minha sensibilidade para vinhos se compensava quando se tratava de massas. Como eu imaginei, molho branco e ervas finas. Algo sem dúvida saboroso.

_ Que tal?

_ Incrível. Foi mesmo o senhor que fez? Não encomendou por telefone ao Le Savour?

Ele riu um pouco, e com a sua própria taça, me encorajou a beber meu vinho. Ele tinha os olhos fixos em mim de um modo que estava me deixando constrangido. Vez e outra ele fazia perguntas desconexas e uma rápida passagem pela minha experiência de hoje.

Mas aparentemente, ele queria evitar assuntos que o ligassem ao qualquer atividade profissional. Mal perguntou de Bia. E eu estava feliz com isso. Perigosamente feliz.

Quando terminei meu segundo pedaço de lasanha, ele recolheu os pratos recusando minha ajuda, e trouxe a torta que havia comentado de inicio.

_ Agora você conhece metade do meu acervo culinário. Na próxima vez só me restaram as massas.

Eu ri um tanto sem graça. Ele havia me feito um convite certo? Em aberto para que eu pudesse voltar ali uma próxima vez. Ao terminar a torta me senti estranho, afinal tinha acabado, o mais educado seria agradecer o convite e ir embora. E eu queria ficar.

_ Muito obrigada pelo maravilhoso jantar Sr. Stwart.

_ O que é isso? Já vai? Mas mal é nove da noite! Por favor, fique mais um pouco, eu insisto. Se sua família reclamar. Diga-lhes que falem comigo.

_ O problema não é o horário. Só ... – Nem pude pensar em uma desculpa, não queria ir.

_Fique!

/Stwart/

O garoto estava lutando consigo mesmo, uma luta aparentemente perdida, a vitória era minha, claro. Estava com as maçãs mais coradas. Resultado do vinho com a falta de jeito provavelmente. Eu estava me divertindo com certeza.

O levei silenciosamente para minha sala de estar que era além da sala de visitas. Era mais intima, mais informal que os primeiros cômodos. Haviam prateleiras com livros, uma televisão, algumas mesas de canto e luminárias. Um lugar ideal para uma conversa.

_ O Senhor Tem vários livros interessantes aqui não? – ele passava os dedos pelas lombadas de livros nas prateleiras. Deliberadamente ele escolheu um e começou a folhar.

_ Belas coleções.

_ Um homem que vive da matemática e do raciocínio lógico precisa ser amigo de Grandes pensadores. – Fiz referência a coleção que era composta de volumes de grandes filósofos, pensadores e homens que mudaram o pensamento humano, Tal como Max Weber, e Darwin que era o volume que ele segurava. Devolveu o volume a estante e veio sentar-se em um dos sofás. Ofereci-lhe a taça de vinho. Qual ele ficou sem graça de recusar, mesmo sabendo que alterar a mente naquele momento não era a coisa certa a ser feita.

_ Posso fazer uma pergunta um tanto delicada?

_ Acho que sim.

_ Bem, fique a vontade para me mandar cuidar de minha própria vida. Como os jovens costumam fazer não é mesmo?

Ele riu e deu um gole do vinho.

_ Me diga o que aconteceu com Bia que te incomoda tanto? Você se encolhe toda vez que ela tentava tocar no assunto.

E como se minhas palavras ligassem seu sistema de defesa ele se encolheu, deu um grande gole no vinho que quase esvaziou a taça, que estava propositalmente mais cheia do que os requintes de etiqueta exigiam.

_ Não precisa dizer se não quiser.

_ O problema não é querer ou não, e sim não conseguir. Mas vejamos. Para uma breve introdução. A culpa de Bia ser surda agora é basicamente minha.

_ Como assim?

_Bem, éramos apenas crianças mas...

O encorajei a continuar falar com olhos atentos, estava realmente curioso sobre a história.

_ Eu e ela costumávamos ir para a fazenda do meu pai e brincávamos por lá, o pai de Bia era um dos braços do meu pai. Eu e bia crescemos juntos. Estávamos na arena de cavalos, ela estava andando num pônei, e eu achava ridículo, uma garota já “grande” – ele riu, mas não achando graça _ “ Vamos, Bia, monte um cavalo de verdade”, eu praticamente a obriguei a subir no cavalo, mesmo sabendo que ela estava apavorada. Estava tudo indo bem até que o cavalo se assustou e empinou, nem me lembro com o que ele se assustou. Mas me lembro claramente do corpinho da Bia, menor do que é hoje, não que seja grande hoje, se chocando contra as pedras, sua cabeça acertou em cheio o cercado da arena, ela ficou imóvel, sem vida, e eu fincado no chão. O Homem que trabalhava no estabulo tratou de chamar socorro, pois eu não pude me mover, levaram-na ao hospital. Semanas em coma. Não me deixaram vê-la. — Ele respirou e terminou o pouco vinho de sua taça. Mas continuou encarando a taça como se contasse a história para o cristal reluzente – Eu podia ouvir minha mãe sussurrar para minha irmã mais velha “Pobre criança, não vai sair dessa, não sem sequelas.” Eu queria vê-la, mas o máximo que eu conseguia era ficar no corredor, em frente sua porta. Um dia, na véspera de natal, ela acordou, e por sorte ou por azar eu estava lá quando ela acordou. _ ele tremeu, como se a lembrança fosse real de mais para suportar, suspirou e continuou. – Ela acordou, viu sua família tentar falar com ela, mas nenhum som chegava a ela, eu não sei como conseguiram explicar o que tinha acontecido, só pude ouvir os gritos. Nunca chorei tanto na minha vida, os gritos de Bia eram um som assustador, talvez ela estivesse tentando desesperadamente se ouvir, não sei, sei que corri para fora do hospital, por que nos corredores sua dor era tocável. Ela ficou internada por meses, mas na ala de psiquiatria, tinha surtos melancólicos, e era apenas uma menininha, tinha completado 11 anos durante o coma. Não pude voltar ao hospital, nem queria saber dela. Caí na minha própria depressão. Em abril, quatro meses após acordar do coma, ela saiu do hospital, mas eu não soube de sua recuperação até vê-la na porta de meu quarto, seus olhos haviam se transformado no que são hoje. Duros e imponentes. Ela era tão pequena que podia ser até engraçado. Ela me fez levantar da cama, e me disse algo que nunca pude esquecer “Pare de lamuriados Reich! Eu estou aqui de pé, e você está neste estado deprimente! Coisas acontecem o tempo todo. Não foi sua culpa droga, entenda isso!” A voz dela dava estranhos tons altos e baixos, acho que não podia ter certeza do tom afinal não podia escutar a própria voz, mas isso não a fez menos segura no que disse, na ala psiquiátrica ela tinha visto uma menina que sabia ler lábios, acho que ela começou aí com seu incrível dom. E eu me recuperei, ou seria surrado por ela, mas continuei meio palerma, até hoje na verdade. _ ele suspirou e riu um pouco. Pude perceber que sua história tinha terminado.

Bom então a garota era mais incrível do que parecia. Mas meu interesse estava totalmente voltado para ele neste momento.

_ Obrigada por me confiar sua história. Mas Não vejo como pode ser sua culpa. Mas não aconteceu comigo então seria leviano da minha parte tentar entender não é?

_ Obrigado.

Eu não pude resistir mais. Queria olhar seus olhos de perto, olhos que no momento estavam incertos, queria deixa-los úmidos, de um jeito significativo. Levantei da poltrona na qual estava sentada em fui em sua direção. Peguei a taça de suas mãos e a coloquei na mesa de canto, me curvei em seu sentido quase encostando meu nariz em sua testa. Pude ouvi-lo engolir ruidosamente. Estava nervoso, e isso era muito prazeroso para mim. Senti seu cheiro, um cheiro doce para um garoto. Mas em aspectos físicos ele era um garoto com certeza, seu coração parecia me receber, alegremente, batendo, como uma de minhas vítimas ele estava sem reação apenas esperando o que vinha a seguir. Então, como o passar de uma faca, eu passei meus lábios por sua jugular, apoiei minha mão sobre seu ombro e pude sentir sua respiração rápida e pesada. Meus lábios tocaram então sua orelha. Nenhuma reação. Continuei a explorar sua face com meus lábios, esta estava fervendo por onde minha boca passava, queria rir daquilo. Mas apenas continuei.

_ Sr. Stwart... O que o senh...

Eu calei suas palavras com meus lábios.

_ Por que, você não para de me chamar de senhor? Não estou me sentindo nem um pouco respeitoso no momento.

Talvez minha cara fosse um tanto perversa agora. Mas eu queria a virtude daquele garoto, não que eu achasse que ele era virgem ou algo assim, mas ele tinha sua própria forma de permanecer inocente.

Por um longo momento eu atraí seus olhos para mim, estavam inseguros, mas tinham uma luz diferente, um desejo, quase cedendo a mim.

Minha mão escorregou por seu casaco, era grosso e não tinha graça continuar com aquilo. Coloquei os joelhos no sofá, me sentindo muito um adolescente, mas não pude me importar com isso.

Puxei seu zíper estava com uma camiseta azul por baixo, mas eu queria ver sua pele, queria ver seus pelos se arrepiando, queria ver a respiração fazendo seu tórax contrair.

_ Vamos, tire isso aqui, você não vai precisar.

_ Não é certo.

_ E o que é certo neste mundo? EU sei que está tão desejoso quanto eu.

Sorri ao ver que aquelas palavras o venceram. Ele tirou o casaco rapidamente, mas se demorou um pouco com a camisa. Assim que vi seu tronco desnudo, quis toca-lo com meus lábios. Ver sua reação. Comecei beijar-lhe próximo ao umbigo. Ouvi tímidos sons escaparem de sua boca entreaberta. Agora todas as barreiras tinham sido cruzadas, ele estava em minhas mãos.

Notas finais
E aí?