Fate

7 Cap 7 - Conversas


/Reich/

Avistei Bia, estava acompanhada do estranho senhor Stwart, tive um sensação estranha e corri para encontra-la. Agarrei sua cintura como sempre fazia. Quem olhasse de fora poderia até pensar que éramos namorados. Nunca ligamos para isso, sempre gostei de me divertir, com qualquer uma que aparecesse, mas Bia era “sagrada” odiava vê-la sozinha com garotos, quem dirá um homem como ele.

_ Bia. Sr. Stwart- cumprimentei os dois amigavelmente. Não queria inimizades aqui. Apesar de sua postura horrível, ele não fez nada contra mim em particular. Bia não parecia tensa, então relaxei também.

_Oi Reich. – ela sorriu

_Sr. Wilkerson.

_Vamos Bia? Temos teste agora lembra?- ela apenas concordou.

_ Até depois Sr. Stwart.

_Como assim até depois? Não temos matemática hoje! – disse quando já estávamos dentro da sala.

_Quando estava na biblioteca ele veio falar comigo e acabou descobrindo meu segredinho e então acho que ficou curioso sobre alguma besteira do gênero. – Ela deu de ombros, nunca teve problemas para falar do passado, mas eu sim.

_ Que cara intrometido.

_ Mas ele me ensinou a matéria – Bia apontou para o teste – foi uma barganha.

_ Vou junto se não se importa.

_Não me importo, desde que você não se aborreça. – ela virou pra frente. Dando fim a conversa.

No fim das aulas Bia estava toda iluminada porque aparentemente tinha ido bem no exame.

_O Sr. Stwart disse que me encontraria na biblioteca, e me levaria ao meu trabalho. Vai ter que deixar seu carro aqui se quiser vir.

Ótimo, pensei comigo mesmo.

Ele estava na biblioteca quando chegamos.

_Devia saber que seu namorado viria junto.

_Não somos namorados, ele é mais meu irmão. – ela respondeu meio que imitando a resposta que eu dava aos outros quando esse comentário surgia.

Seguimos para o carro do professor, uma bela Mercedes azul escuro brilhante. Eu fui atrás, não queria incomodar apenas vigiar ela um pouquinho.

/Stwart/

O Garoto Wilkerson tinha uma postura incrivelmente protetora sobre a garota, se não eram namorados, por que disso? Iria descobrir tudo.

_Siga para o centro comercial e vire na Rua 2. Se não souber onde fica posso lhe explicar – Disse a garota depois de colocar o cinto. Não parecia particularmente tensa.

Apenas sorri malicioso e maneei positivamente a cabeça, mas queria dizer-lhe que conhecia aquele centro como a palma de minha mão. Ela se virou ficando de costas para a janela do carro, provavelmente para poder ver meu rosto, meus lábios.

_Posso começar? Você não nasceu surda nasceu? – a resposta era obvia, mas tinha que começar bobamente.

_Não senhor, caso contrário também seria muda.

_ O que aconteceu?

_Quando tinha 10 anos caí de um cavalo e traumatizei o crânio. Perdi minha audição total.

O garoto no banco de trás se encolheu.

Ela era ríspida nas respostas, mas não parecia mal educada, apenas aborrecida por ter que contar pela enésima vez a mesma historia.

_ como aprendeu a ler lábios?

_Na prática senhor. Fiquei boa nisso, posso saber o que pessoas falam por mais distante que estejam. – ela sorriu se gabando de suas habilidades.

_Exibida.

O garoto pareceu ficar mais calmo ao ver a amiga sorrir.

_ Se vocês não são namorados, porque vivem grudados?

_Responda essa, Reich. — Disse ela rindo um bocado.

_Sei lá. Nos conhecemos desde sempre, o pai dela trabalhava pro meu, nos tornamos irmãos de criação. Vou aproveitar o fato dela não estar olhando e dizer que ela é a coisa chata que mais prezo.

A relação entre os dois era algo admirável. O garoto tinha bons olhos para ela, sem malicia, e ela parecia atraída para ele. Nada saudável.

_ Agora que olho bem pro senhor, sinto que já o vi antes.

_Pode ter sido em algum jornal.

_Ou num pesadelo. – ela disse tão baixo que era mais para ela mesma.

_ Rua 2, e agora?

_ Siga até o fim, “midnight Rain”.

Ela citou o nome, e eu tive que controlar minhas reações ao local já conhecido. O ponto de garotas de programa.

_Senhorita, não está envolvida em nada ilegal. – descuidadamente eu virei meu rosto de modo que ela não podia ver minha boca.

-O que?

_Isto não me parece uma lanchonete.

_ Mas é... Até as dez! Não se preocupe Sr. Stwart, não estou me envolvendo em nada estranho. – disse como se tivesse escutado oque eu disse.

_Bom trabalho Bia. — Disse o garoto para ela quando ela virou para cumprimenta-lo.

_ Vai precisar de carona não é Sr. Wilkerson?

_Se puder, agradeço.

_ Venha para frente, vamos conversar- disse desafiador.

_Claro, se prometer não me morder. — disse ele infantilmente, sem a menina por perto parecia se aliviar da tensão que os cercava.

_Vou me controlar ao máximo.

O garoto veio para o banco da frente e pude observa-lo melhor por alguns instantes.

Realmente um belo garoto, tinha porte, físico e mente, seria brilhante tal como o pai.

_Para onde?

_ Vamos direto para empresa, que tal visitar meu velho?

_Claro, devo mesmo uma visita ao senhor Wilkerson.