Fate
5 Cap 5 - Pobre Bia
Notas iniciais
/Reich/
Pobre Bia. Sei que se ela soubesse que eu sentia pena dela, me bateria até eu cair morto. Mas o que eu podia fazer? Sentia.
Dirigi até a empresa de meu pai, sempre pensando em Bia, às vezes a culpa me batia tão fundo que era difícil raciocinar. As lembranças eram dolorosas demais para serem remexidas, mas elas viam por si próprias em uma tentativa de me derrubar, nunca houve um ano tão infeliz em minha vida. Estacionei na vaga de costume e encostei a cabeça no volante, como poderia não me sentir culpado? Pare de lamuriados Reich! Eu estou aqui de pé, e você está neste estado deprimente! Coisas acontecem o tempo todo. Não foi sua culpa droga, entenda isso! Uma criança de 11 anos não devia falar assim, mas Bia se tornou forte e sensata. Uma garota admirável. E eu um rapaz deprimente como ela mesma disse.
Subi o elevador da Wilkerson, a empresa de meu pai e me dirigi á seu escritório. Nunca fui um gênio, mas gostava do mundo dos negócios, das ideias, inovações. Sempre admirei meu pai, e tentava seguir seus passos, mesmo que no meu lento ritmo.
_Boa Tarde Sr. Wilkerson. – sempre me referia formalmente ao meu pai dentro da empresa, ele nunca ligou pra isso, mas sabia que gostava mais assim.
_Filho, já tão cedo? Que bom que está empenhado! Realmente preciso da sua ajuda! Veja: a uma porção de documentos a serem avaliados, mas eu tenho que me reunir com os sócios agora. Sei que você quer ir á reunião, mas seria melhor que analisasse os documentos agora!
_Claro Sr. Wilkerson, como preferir. – Droga, queria ir á reunião desta vez, merda de papelada!
_E minha pequena Bia como vai?
_ A deixei no trabalho antes de seguir para cá.
_ Grande garota. Apesar de tudo, é uma guerreira. Dará maravilhosos netos quando se casarem. – apesar de toda formalidade que eu tentava impor na empresa, meu pai ainda agia como um velho antiquado às vezes. Apenas o ignorei fingindo estar analisando profundamente os documentos, propostas indecorosas de empresas rivais, documentos de compra de materiais, contratos a serem fechado, nada de novo nem desafiador. Não ia ser ali naquela mesa que eu teria minha grande chance.
No fim do meu horário, quando me preparava pra sair me lembrei de algo que tinha me atormentado durante a manhã:
_Sr. Wilkerson, o senhor trabalha com um conselheiro chamado Stwart Mirst?
_Misrt?! Sim! – exclamou como se eu devesse saber daquilo – ele é o melhor entre os melhores. Empresas disputam seu tempo a rios de dinheiro, eu incluído. – rio baixo da própria estupidez – Porque garoto?
_ Ele está lecionando Matemática no St. Helena!
_É, ouvi-o dizer algo a respeito, “voltar ao antigo hobbie” ele disse. Deve ser um professor brilhante!
_ Brilhante! – citei ironicamente. O talento e a aparência combinavam, mas o comportamento na sala não emendava. Talvez o hobbie seja justamente torturar jovens “indefesos”. Ri da minha piada mal elaborada.
Voltei para minha casa no bairro da classe alta. Ia aproveitar o fim de noite para terminar algumas tarefas escolares.
_Mãe? Oh! Oi mãe. Tudo bem? – cumprimentei-a quando a encontrei na sala de pé.
_Tudo bom meu filho. Seu pai não está com você?
_ Não. Chegará tarde, sin... Vou subir para estudar. – ia dizer-lhe “sinto muito mãe” mas não é algo que vá compensar a falta que minha mãe sentia dele, ela seria uma mulher completamente feliz, se tivesse meu pai para ela. Não sei se durariam muito como casal, nem sei se queria isso, pois preferia pais divorciados com ambas às partes felizes do que pais casados e minha mãe entrando em depressão. De novo, era um inútil.
Meu quarto estava impecável como sempre. Me sentei no computador para começar a escrever mas pousei os olhos em uma foto em cima do computador. Era Bia, sorridente, a praia trás de si, linda como só ela podia ser, pele clara, feições pequenas e delicadas, cabelos de um negro perolado, lábios cheios curvados em um semblante iluminador, um sorriso fácil e gostoso, como só ela podia fazer, um sorriso que nunca falhava em me deixar feliz. Os olhos estavam semicerrados por causa da brisa, mas não ocultavam as duas grandes íris verdes esmeralda. Podia olhar para aquela foto por horas. Momentos de felicidade como aqueles não seriam fáceis de construir. Minha pequena Bia.
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