Fate

17 Cap 17 - Flagra


/Reich/

Droga. Eu estava fazendo o papel da garota naquele momento. Eu me senti a Lolita. Que deprimente. O Sr. Stwart mau me olhou, apenas me dava atenção quando eu levantava a mão pra responder alguma pergunta. Agia normalmente ao contrário de mim. Eu estive me perguntando se não estaria escrito na minha testa algo como “Eu transei com o Professor de matemática”.

Até Bia parecia estranha. Normalmente não conversávamos muito durante a aula, e ela realmente estava tentando iniciar uma conversa. Eu cruelmente a ignorava. Queria olhar pra ele. Daria tudo para ler seus pensamentos por um instante, duvido que esteja pensando em mim, mas a esperança é a ultima que morre.

O sinal tocou e eu teria que seguir para o próximo período. Tentei me controlar ao me levantar, não olhei para ele. Apenas segui para a sala de química, comecei a conversar com Bia.

_ Então Bia, porque você me ligou no sábado a noite. – a reação de Bia foi um tanto estranha. Ela engoliu ruidosamente e desviou o olhar antes de responder.

_Nada na verdade. Aconteceram umas coisas lá no bar e eu queria conversar com você, nada de mais.

Não parecia não ser nada de mais.

_ O que aconteceu?

_ NADA de MAIS.

_ Você não ia me ligar por “NADA de MAIS”. Vamos, diga.

_ Mas que droga Reich, nada é nada! Parece que não acredita em mim.

_ Eu confio. Só acho que você está omitindo alguma coisa

Bia ficou estranha. Brava, teve um ataque feminino que eu nunca pensei que viveria para ver. Ela nem parecia a Bia madura de sempre.

_ Por que você acha que estou “omitindo algo”? Que saco Reich, meu mundo não gira ao seu redor, não senhor.

Ela saiu pegando a mochila e indo para sei lá aonde. Tentei correr atrás dela e trazer-lhe de volta, visto que isso seria considerado “matar aula”.

_ Que bicho mordeu ela?

O segundo período e o terceiro passaram um tanto descompassados. Mas o sinal soou e eu pude ir comer alguma coisa. Comprei uma besteira qualquer e andei pela escola atrás da Bia. Precisava pedir desculpas. Sei lá por que, mas pelo que entendo de mulheres, os homens sempre acabam por pedir perdão.

Fui para biblioteca para procura-la, talvez tivesse feito uma cabaninha de livros e se escondido nela.

Estrei na primeira sessão e quase derrubei minha coca ao ver que estava sentado em uma mesa lendo um panfleto.

_ Hey, Sr. Stwart. O Senhor viu a Bia?

Tentei agir normalmente. Tinha que agir. Não era hora para pensar no meu ...

_ Na verdade não garoto, mas ela não estava com você na minha aula.

_ Pois é, ela se aborreceu comigo por um motivo sem noção, e agora estou atrás dela para dar uma de cão arrependido. – ri nervosamente, mas parei assim que percebi que parecia ridículo.

_ Garotas. Até mesmo a pequena grande Bia tem seus ataques no fim das contas. Mas como passou o resto do domingo?

Minha cara deve ter ficado vermelho vivo, ele não parecia falar em nada em especial, mas seu sorriso era um tanto ‘sacana’ então pude saber que ele queria me trazer algumas lembranças.

_ Normalmente. Não fui para empresa, apenas fiquei em casa sem fazer nada de útil.

_ Que desperdício. – ele deliberadamente riu e voltou a ler o panfleto. Algum informativo sobre doenças sexualmente transmissíveis. Hahaha que engraçado.

_ E porque o Senhor diz isso?

Tentei não parecer ansioso.

_ Nada na verdade. Mas acho que teria sido mais proveitoso passar o domingo com alguém não acha. – neste minuto ele se levantou da mesa e veio até mim, pegou meu refrigerante, deu um gole e colocou em uma mesa. Colocou uma de suas mãos em meu flanco e começou a beijar meu pescoço.

_Você está se comportando muito bem, parecia nervoso na primeira aula, mas não falou de nada desnecessário. Bom. Que tal eu compensar você um pouco.

Reuni todo meu fiapo de dignidade e usei meu tom mais autoritário.

_Eu preciso ir Sr. Stwart. Achar Bia. – meu tom autoritário falhou miseravelmente. Minha voz parecia a de um gato que estava tomando banho com agua fria. Esganiçada.

_ Bia já é bem grandinha. Vai sobreviver sem o guarda-costas por um minuto.

_ Não sou o guarda costas dela. – disse me afastando dele e indo em direção à porta. Tentei ser imponente e seguro, mas na realidade eu queria subir em uma mesa e causar alguns danos a biblioteca. Nesta hora, ele veio e me beijou de verdade. Dei graças á Deus pela bibliotecária ser uma incompetente. Obviamente ser pego por alguém naquela situação traria algumas consequências. Ainda mais a mim.

/Beatrice/

Eu estava me sentindo uma criança de cinco anos. Birrenta e imatura. Porque demônios eu fui dar aquele showzinho para Reich? Fiquei com tanta vergonha que nem pude voltar para sala. Estava na biblioteca num canto pouco frequentado perto da janela. Ficaria ali até criar vergonha na cara. Pediria desculpas a Reich e voltaria a ser uma moça decente.

vi então alguém chegar à biblioteca e pude ver pelas frestas das estantes de livros que era o Sr. Stwart. Não estava a fim de falar com ele, então apenas fiquei ali esperando. Abaixei a cabeça na mesa.

Alguns minutos depois resolvi que entraria no 4º período. Levantei a cabeça e segui os olhos para as mesmas frestas de antes. Vi Reich. E desejei não ter visto. Ele estava sendo imprensado na parede pelo Sr. Stwart de um jeito que não era ameaçador, a não ser que Reich fosse uma donzela virgem. O professor estava de costas para mim então só pude pegar um lado da conversa.

_Eu preciso ir Sr. Stwart. Achar Bia. – Pelo menos o desgraçado estava pensando em mim.

_ Não sou o guarda costas dela. – Não entendi o que ele quis dizer com aquilo, mas fiquei feliz ao ver que ele se desvencilhou do professor e seguiu para a saída. Mas antes que pudesse chegar a metros da porta, o Sr. Stwart agiu de um modo muito sujo para um professor. Agarrou Reich e começou a beija-lo. NA BOCA.

Bicha desgraçada.

Poderia ter ido jogar uma enciclopédia na cabeça de Stwart se Reich não estivesse correspondendo tão bem ao beijo.

Como assim? Por quê? Como ele pôde! Ainda mais agora que eu estou apaixonada por ele. Ele não pode virar gay, não, ele tem que ser meu. Desgraçado. Será que já havia tempo que isso acontecia? Se sim porque aquele filho da mãe não me disse? Eu nunca poderia imaginar que ele fosse... Ou será que ele estava sendo obrigado?

Olhei pelas frestas mais uma vez e a resposta ecoou na minha cabeça. NÃO. Era obvio, os dois estavam muito contentes juntos. Minha vontade era ir até lá e gritar: Ahaaaá!

Mas seria muito vergonhoso para ambas as partes. Resolvi esperar. E rezei para que eles não resolvessem trepar em uma estante. Deus ouviu minhas preces, pois minutos depois Eles saíram dali. Sr. Stwart primeiro e Reich depois.

Eu daria uma chance para que Reich dissesse tudo, se não o fizesse, eu o mataria. Como o demônio dos meus pesadelos, eu iria expor suas veias.

/Stwart/

Eu estava vivendo momentos muito agradáveis naquela escola. Quem diria que voltar a dar aulas seria um bom negócio. Tudo bem que minha renda caiu em consideráveis 20%, mas estava valendo a pena. Sai da biblioteca mas fiquei calmamente encostado em um corredor próximo. Vi Reich sair desconcertado logo após eu sair. Eu gargalhei malicioso. Mal podia esperar pela noite, iria fazer-lhe uma visitinha surpresa na Wilkerson.

Eu estava prestes a seguir para minha próxima aula quando vi alguém sair da biblioteca. Bia. Estava vermelha. E com olhos zangados. Ela me viu ali encostado e sorriu. Por um breve segundo eu senti que ela sabia. Então tive certeza. Seu sorriso estava cheio de significados, era apático e dissimulado. Mas que interessante não? O que vai ser agora minha pequena? Pensei comigo mesmo. Estive tão envolvido com meus dois novos ‘Amigos’ que nem tive vontades de súbita de ver sangue.

Um novo passatempo quem sabe. Arrasar corações. Encaminhei-me para o 3º C em meio a gargalhadas.

Notas finais
Se você chegou até aqui, não pare agora ok?