Fate

16 Cap 16 - Dois bicudos


/Beatrice/

Maldito Reich, não respondeu minhas mensagens. Queria soca-lo.

Não pude dormir a noite inteira. Estava tentando por as coisas em uma ordem. Eu as tirando dela.

Talvez quisesse apenas me encher de Reich. Imaginei como seria seu beijo em comparação com o de Pierre. Reich nunca namorava sério. Mas era um safado. E como era bom em quase tudo que fazia, podia imaginar que devia ser bom beijando. Meus pensamentos começaram a ir além dos beijos, senti vergonha de mim mesma e resolvi ir tomar outro banho. Como um garoto excitado. Oh meu Deus, que deprimente que sou.

O sono veio me visitar já eram quase seis da manhã. Dei graças a Deus por ser domingo. Acordar tarde não seria problemático. Deixaria pra falar com Reich na segunda. Falar oque eu não sabia direito. Algo como “eu estou apaixonada por você” parecia muito ruim. Ele provavelmente riria da minha cara vermelha. Droga, lá se foi meu sono outra vez.

/Reich/

Eu levantei perto das duas da tarde, dormir de madrugada não era algo do meu feitio, eu acordei me sentindo muito pesado, dormir demais também é ruim, pude constatar. E para que toda a noite passada voltasse a minha mente eu sentia meu corpo dolorido em locais estranhos. Meu coração acelerou. Apenas lembrar o nome Stwart, me fazia pirar um pouco.

Desci a escadaria para dar de cara com minha mãe, estava com uma expressão cálida, mas não parecia triste ao menos.

_ Mas veja quem chegou tarde em casa. Posso saber onde esteve?

_ Me desculpe por não ter avisado mãe. Fui a uma festa com uns amigos e perdi a noção do tempo. – Perdi a noção da hora, do espaço, do meu nome, do meu gênero, nada muito grave, pensei bobamente.

_ Eu confio em meu filho, mas fico preocupada. Um telefonema teria me dado uma noite de sono melhor sabe?

_ Desculpa mãe, não vai se repetir.

_ok, perdoado. Não está com fome?

_ Muita fome.

Fui para cozinha e vi nossa governanta preparar um sanduiche monstro, como eu e Bia chamávamos quando éramos menores. Bia. Isso me lembrou de seu incomum telefonema. Visto que a conversa por telefone não era algo muito fácil de ser feiro por uma pessoa surda, Bia só me ligava quando queria me ver.

Peguei o ramal na cozinha e disquei. 3 toques, e ouço uma voz infantil familiar.

_Alô?

_ Mika? Bia está em casa?

_ A Bia ainda tá dumindo Rit.

_Oh. Ok, campeão ligo depois. Tchau.

Que estranho. Bia acordar tão tarde era tão estranho quanto eu. Mesmo trabalhando como uma condenada, ela acordava razoavelmente cedo para ajudar a mãe.

Que seja. Na hora que der, ela vai falar comigo.

/Beatrice/

Segunda de manhã havia chegado. E eu estava calma. O que havia para me deixar nervosa? Um garoto que eu conheço como a palma de minha mão não podia mexer assim comigo. Droga, que estou tentando enganar. Estou tremendo como um filhote de cachorro.

No pátio do colégio não vi Reich, o que era normal, ele tinha seus colegas por ai.

O sinal toca e é hora de ir para a sala. Minha primeira aula era de matemática. Ótimo, com o Sr. Stwart.

Sentei na primeira carteira como de costume e esperei. Então o vi. Me senti muito boba, mas estava estranhamente nervosa.

Que bizarro, eu via essa cena 5 vezes por semana, e nunca foi nada de mais. Mas desta vez meu coração estava batendo rápido, desesperado. Pude notar que ele estava tenso, um tanto preocupado que estranho.

_ Bom dia Reich. – cumprimentei-o o mais normalmente que pude.

_ Hey Bia. Tudo certo?

_Eu estou... – antes que pudesse terminar minha frase, o professor Stwart entrou pela sala e Reich se virou totalmente para olha-lo me ignorando por completo. Idiota.

_ Bom dia crianças. Abram os livros na página 238, vamos terminar os exercícios pendentes ok? Ótimo.

Tentei conversar com o energúmeno do Reich algumas vezes, mas ele sempre voltava a me ignorar. Estava estranhamente estudioso naquele dia. Tive um mal pressagio quanto aquilo.