Fatal Attraction

14 Reencounter and a nasty surprise.


Notas iniciais
Olá, leitoras. Vou fazer um breve comentário sobre o capítulo, aqui, e nas notas finais, só esclarecendo alguns pontos. Bem, eu pensei muito em como dividiria os próximos acontecimentos e acabei por não chegar a lugar nenhum, porque travei nesse momento. Portante, solucionei desta forma: dividi em duas partes, sendo esta a primeira. Outra coisa rapidinha: eu tenho uma vida pessoal exaustiva, - projetos, universidade, etc - e tem sido muito difícil encontrar tempo para atualizar, sei que muitas meninas entendem, é uma chatice, eu sei. Exatamente por isso, eu estive pensando em dar uma parada, não pensei muito ainda, mas estou considerando a ideia. No mais, é só isso mesmo. O restante digo lá embaixo. E para não perder a ética: façam uma boa leitura! *-*


Emma havia aprendido uma lição importante em seus primeiros dias de estadia em Chicago: não entrarás em portas desconhecidas.
No mais, a loira não se arrependia pelo incidente. Não fosse a sua curiosidade ferrenha, Emma não teria tido um encontro tão inesquecível com Regina. Apesar de aquela ter sido a sua única ida ao quarto escuro, lembrava-se com exatidão do trajeto até lá. Estava tão nervosa em encontrar com Regina, que decidiu adiar, trocando o elevador pelas escadas.

Ela passeou minunciosamente, temendo assustar a fotógrafa com o ruído de seus sapatos. Entrou de mansinho pela porta e se escorou nela por algum tempo, aguardando até que os seus olhos se acostumassem com a luz vermelha. O quarto era espaçoso e comprido, dava até um longo corredor, onde geralmente Regina estava.

Ela estava de costas. Os cabelos bem escovados para fora, mecha a mecha. Vasculhava quieta em seu material. Emma chegou por trás e esqueceu o que a fez ir até ali. Era tão apaziguante observá-la se mover, tocar algo com aquelas mãos, tudo o que ela fazia era tão extraordinário. E em algum momento, Regina notou a sua presença, mas não fez menção de repreendê-la. Emma achou que aquela situação era mais embaraçosa do que o primeiro encontro delas, por isso tossiu algumas vezes, tentando iniciar alguma interação com a mulher. Uma mais covarde do que a outra e um fio de quietude plena entre seus corpos tensos.

― Eu me lembro da primeira que vi você. ― para surpresa de Emma, Regina tomou as primeiras palavras. Ela mal se moveu, continuou a trabalhar nas fotografias. ― Você acha que foi quando a encontrei bisbilhotando as minhas coisas por aqui, mas está enganada. Você está sempre tão enganada, Emma... Sobre tudo. Sobre mim, sobre o que sente e sobre o que quer. Isso a faz pensar que eu sou a vilã, mas você está tão enganada!

Espantada, Swan recuou até a coluna da parede, escorando-se nela. Os ouvidos estavam atentos e os olhos mais ainda. Percebeu que as mãos de Regina tremelicavam e que o seu corpo transpirava excessivamente para o clima ameno da cidade.

― Eu estava atrasada para uma reunião, o trânsito estava um verdadeiro inferno e eu tive de pegar um táxi que só pôde parar na central do parque, você imagina, eu tive de caminhar até aqui para chegar a tempo! E enquanto eu praguejava ao cruzar a rua, você sorria naqueles bancos horrorosos, observando aquelas malditas árvores sem graça. Eu quase atolei os meus sapatos novos em uma poça de água por estar prestando atenção em você. Os carros passavam a um fio de mim e nada me fazia tirar os olhos do seu cabelo se desmanchando com o vento. O meu coração bateu tão forte naquele instante, que eu achei que ele fosse saltar para fora e correr até você.

Emma esboçou o som de um sorriso, invisível sob o semiescuro. De todas as vezes em que Regina já tinha lhe dirigido a palavra, nada nunca fora tão honesto antes. Ela ouviu o barulho dos passos lentos ressoarem no carvalho do piso; e cada "toc" que os sapatos altos reproduziam era uma batida sofrida em seu coração. Ela abriu os lábios, surpresa, mas o som do seu "Uau!" não se materializou. Regina estava cada vez mais perto. Emma podia sentir a corrente de ar evacuando e esquentando à medida em que o corpo humano se aproximava do espaço vazio. Embora a visão estivesse meramente turva, era possível averiguar o tom de Coca-Cola que os seus olhos negros possuam na ausência da claridade diurna. O cheiro incomum de flores silvestres e colinas robustas. O perfume floral, intenso e memorável que a amante possuía. O conjunto inteiro, fatalmente atrativo, aproximava-se incontestavelmente. Regina e o seu licor irrefutável, pararam a poucos centímetros do corpo imóvel de Emma — esta havia fechado os olhos com força, ignorando os efeitos da outra mulher sobre ela. — parou mansamente no cubículo, enterrando os sapatos nas hastes.

— O que você quer de mim? — a voz apavorada de Emma se divagou involuntariamente.

Regina sorriu. Um sorriso mais triste do que feliz.

— Você não sabe? — perguntou-lhe penosamente.

— Você é ilegível, eu não consigo lê-la.

Regina corou de dentro para fora. De repente, o ar parecia mais quente e o oxigênio inalcançável. Uma migalha de ar lhe arranhou a garganta e ela a engoliu em seco.

— Você tem noção da dor de cabeça que me causa? Das insônias que me proporcionou desde que a conheci? — dizia a morena. — Eu nunca mais soube o que é ser racional. Você me roubou qualquer resquício de sanidade que um dia eu tive. Há dias que eu tenho andando na escuridão, enquanto você desfila lindamente sob a luz.

— Não pode me culpar por todo o seu sofrimento, eu nunca quis que você se sentisse péssima. É você quem foge do que sente, tornando-o um tormento! — Emma estava indignada, exausta de ser culpada por uma dor que não havia causado. — Ninguém está andando na luz. Eu sou a sua sombra nesse caminho obscuro, você tem me arrastado com você por essas estradas escuras e desertas.

Um aglomerado de dores havia se instalado entres elas e isso se tornara perceptível na forma a qual se olhavam. Uma dor resistente e impartível.

— Está dizendo que eu causei isso tudo? Que eu fiz você definhar? — Regina segurava um par de lágrimas grossas nos olhos. Impedindo-as de jorrar sobre os cílios maquilados.

— Não! Céus, não! — Emma relaxou os ombros, desvencilhando-se rapidamente para frente e tomando o rosto pálido de Regina em suas mãos. Juntou o rosto para à esquerda, mantendo-o próximo ao dela. Roubou parte daquele fulgor lacrimejante das íris achocolatadas para si. O verde flamejante dos seus olhos endossava o mesmo clima lancinante que os da amante. — Não... — sussurrou-lhe, beijando a curva do seu queixo e reproduzindo um estalo sutil. — Não é você quem tem a culpa. É a culpa que tem a você.

Os olhos confusos de Regina se estreitaram e uma careta de confusão explícita tomou conta do seu espírito. Por mais difícil de aceitar que aquilo fosse nada diminuía o fato de que era a verdade nua e crua. Cada palavra formulada produziu um efeito dominó sobre ela, as peças que caíam derrubavam as dúvidas interiores que a martirizava.

— Eu não nasci para ser amada, eu não mereço o amor. — disse ela, envergonhando-se. Escondeu o viço da face no ombro de Emma, castigando-se por estar vulnerável diante dela.

— O ser humano nasceu para o amor, Regina. Sem ele, somos só um amontoado de carnes ambulante que cobrem os ossos. Precisamos do ar para sobreviver e do amor para existir.

O peso do que Emma dizia caía sobre a sua angústia e amenizava o âmago partido do seu coração. Doía incessantemente e ela não sabia por quê. Por amar ou esconder que amava? Se o seu próprio ser já evidenciava por ela, o que faltava para segredar dos lábios? O impasse nunca seria desfeito.

— Você sempre tem uma resposta bonita para o que eu digo. Não tem como odiá-la por muito tempo. — levantou o rosto, mostrando a mancha que o choro silencioso deixara na pele. Emma levou o polegar à altura das maçãs e o esfregou devagar. — O que está fazendo? — perguntou Regina. Os lábios ainda tremelicavam em um estado de desalinho.

— Reparando em você. — Emma disse cortês, como sempre fora. Explorava o tom escarlate dos lábios proeminentes da fotógrafa. Lembrou-se da textura macia que eles possuíam e os imaginou se arrastando em seu pescoço, do jeito lascivo que Regina habituava ter nos momentos de intimidade.

Regina percebeu que Emma reparava em algo além do que pretendia transparecer e, provocando-a, escorregou os dentes sobre o lábio inferior, arranhando a cera escura do batom e a levando para dentro da boca. Arquejante, a loira fechou os olhos com força, na intenção de afastar as sensações fogosas que se instalaram em seu centro.

Sua artéria pulsava no centro da testa, visivelmente, e Regina notou. Gingado, a morena o dominava por completo. Reconhecia os dissabores que causara entre elas, mas os compensara com as delícias latejantes que estes provocavam em ambos os corpos. Os seus dedos se moviam num gesto lento, percorrendo a pele e a instigando. Os finos pelos de Emma estavam eriçados na medida certa. Havia um quê de genialidade nisso. Regina parecia remontar o plano sexual como fuga para a sobremesa enjoada: emoção. Fugia dela da mesma maneira que a água apaga o fogo, rápida e sorrateiramente.

Emma dizia “não”. Ela dizia “sim”. As duas roçavam inquietas e no final, ambas queriam a mesma coisa. Pele na pele.

— Não quero que isso acabe em lágrimas. — Emma disse em tom de súplica, envolvendo o topo do pescoço de Regina e olhando sinceramente em seus olhos lacrimosos.

Regina suspirou pesadamente, analisando as linhas entre o piso do chão. O coração bateu cem vezes por segundo. Jurou a si mesma. Um drama cortês.

— Entre nós? Está brincando? — ela disse, sem encará-la de volta. — Somos carne e choro.

Sorriram juntas, concordando com a infelicidade evidente. No meio do sorriso, Regina largou um soluço sofrido. Ela estava um caco. Emma desviou a atenção e espalmou a mão na face. Subitamente, sentiu as pernas de Regina emaranhá-la na cintura, trazendo-a para dentro do seu espaço pessoal. Ficou sem fôlego, buscando as palavras, desconcertada demais para se defender. Regina acertou a boca na de Emma, selando os seus lábios com uma força insinuante, havia luxúria e excitação em seu gesto. Espremeu o seu quadril firme com o enlaçar das pernas e tomou o seu rosto entre as mãos desocupadas. Emma abriu os lábios, aceitando o calor eminente que a língua de Regina provocou em contato com o raso de sua boca. Um beijo forte, com gosto de lágrima e saudade.

Os seios das duas se esbarraram e o ar acumulado escapou num fio de espaço entre uma boca e outra. Elas trocaram força naquele roçar violento e um barulho de roupas rasgando fez as duas despertarem. Regina havia empurrado Emma contra uma estante de filmes para fotos 8x10 pol.

— Wow, acho que eu derrubei a sua Kodak. — Emma disse receosa. Respirou com dificuldade e avistou a câmera estraçalhada no canto da parede.

Regina murmurou, lambendo os lábios com desejo e reparando a câmera com indiferença. — Dane-se, você está com a blusa rasgada na altura dos seios. Deixe-me finalizar o trabalho? — sussurrou-lhe roucamente, apalpando os dois seios da loira.

Emma gemeu manhosa em seu ouvido e pendeu a cabeça para frente. Regina arrancou a blusa de forma ágil, deu-lhe beijos arrastados na curva das mamas e subiu com a língua até o seu pescoço. Estava rendida aos encantos da fotógrafa e o seu centro dilatava de atração por aquela mulher diabólica. Desceu as mãos até a cintura de Regina e adentrou na saia justa, relaxando o zíper até o final e largando a peça em seus pés.

Emma ardia ferozmente. Uma fome devassa roía as lacunas do seu íntimo. Queria mastigar louca e lentamente os pedaços voluptuosos de Regina Mills. Estava, evidentemente, ensandecida de desejo, mas não o sucumbiria com o mesmo ritmo de encontros passados. O seu corpo inteiro estava pintado de um vermelho escuro, devido ao tom habitual do cômodo, tornando-a ainda mais irresistível depois de despida. Mills deu um passo para trás, para que Emma lhe examinasse. Passou as mãos em volta da nuca, inflamando uma atração profana na pobre loira. Ao contrário do que Regina suspeitou, Emma não lhe tomou aos primeiros segundos. Fitava-lhe de modo indecifrável, enquanto desnudava a si mesma. Nuas e latejantes, loira e morena se presenteavam com as vistas carnais de seus corpos exauridos.

De olhos fechados, Emma beijou o ombro esquerdo de sua amante, notando que aquele contato fez os bicos de seus seios endurecerem rigidamente. Fez um percurso comum até as auréolas e as pôs na boca. Regina sofria, Emma aprovava. Não era justo ser sempre a vítima de seus espasmos cruéis e hábeis. O seu bumbum estava colado numa baixa prateleira preenchida com pincéis e canetas tinteiro. Os beijos lascivos de Emma desciam de seu abdômen trêmulo até os ossos de sua bacia, onde se esquivou e acertou na virilha. Regina contraiu nervosamente. — Pare com isso! — clamou. — É tortura. — ela arquejava excitada. Emma deu um sorriso maldoso e lambeu a parte macia do seu sexo, recusando-se a obedecê-la. Com os dois indicadores, abriu os lábios maiores e examinou o líquido acumulado escorrendo da vulva. Passou a língua cruelmente até a metade do traço sensível, ouvindo murmúrios de reclamação pelo castigo. Largou os dedos da pele rosada e retirou a língua muito vagarosamente. Atiçou-a de um jeito maldito e deixou que o seu centro dilatasse incessantemente.

Antes que Regina se queixasse da traquinagem, Emma abriu espaço entre as suas pernas e se encaixou entre elas. O contato emergiu o som arfante de ambas as gargantas. Regina agarrou o seu quadril e deslizou o sexo úmido contra o dela. Colaram-se com gosto e deram início a um movimento circulatório que induzia a boca semiaberta da fotógrafa a gemer. Arrastavam as genitálias com gentileza até estarem inundadas com o licor uma da outra. Os objetos caíam no chão, tampas de canetas e choques de madeira para com a parede. Suas testas se encostaram e logo compartilhavam a mesma atmosfera quente do ar fraco entre elas. O barulho das estocadas se uniu aos suspiros urgentes de um casal prestes a eclodir. O tênue véu da libido que as unia, enfim, jorrava veemente. Em seu campo de visão, Regina só avistava estrelas explodindo e suas caldas fervescentes queimando para dentro do seu ventre. Ela e Emma permaneceram grudadas, levemente suadas. Um suor agridoce que lhes manchava a superfície da carne.

Um clima de culpa se arrastou entre elas e aos poucos se abandonaram. O ato final era sempre o mais triste. Colhiam as roupas, evitando o contato visual e apaziguando a dor no peito que persistia quando esse momento acontecia. Naquele instante, sob uma costela agoniante de silêncio, um barulho sorrateiro invadiu o cômodo. Um ruído rastejante de madeira ecoou em seus ouvidos, acompanhado de uma breve aparição de claridade. Elas se entreolharam, assustadas.

— Você ouviu isso? — perguntou Regina, enquanto se prontificava de que as roupas estavam bem engomadas em seu corpo.

Emma fez um gesto positivo com a cabeça, estranhando o incômodo corriqueiro. Ela ainda estava mal vestida, com a calça para abotoar e o terninho feminino para ser vestido. Regina lhe ajudava a encaixar o feixe do sutiã, quando, inesperadamente, seus olhos avistaram uma figura masculina adentrar o final do quartinho. Os passos do indivíduo diminuíam na medida em que ambas notavam a sua estadia ali. Um homem belo e esguio, vestido em um traje caro e bem escolhido. Aproximou-se, correndo os olhos na cena completa. O cheiro amadeirado e rústico de seu perfume havia incensado o ambiente, tornando-o ainda mais intimidante. Embora estivesse escuro e a única noção de cor ali fosse o vermelho, notava-se que ele possuía uma pele clara e cabelos negros, além de usar um sofisticado penteado.

Emma se virou, olhando-o com tamanha surpresa. Perdeu a noção total de como se posicionar e apenas o observava em uma pose perplexa. Regina, por outro lado, encarava o rapaz com certo desdém. Quem aquela criatura pensava que era para entrar em seu patrimônio particular sem antes bater na porta e pedir licença? Ela estava aborrecida e a sua expressão impetuosa demonstrava o quanto. A figura misteriosa bateu com a sola do sapato contra o chão, tossindo para se fazer presente. Cruzou os braços e penetrou Emma Swan com enorme curiosidade.

— Jesus Cristo! De onde você surgiu, homem? — Regina tomou a frente, o seu tom era cruel. — Por acaso tem permissão para acessar essa área do prédio?

Emma sacudiu a cabeça, controlando os próprios pensamentos. Oh, céus, ela estava realmente encrencada.

— Regina, calma... — tocou-lhe no braço, fazendo-a recuar. — E-eu o conheço.

Ela se soltou do braço de Emma, sentindo-se uma mera coadjuvante.

— C-conhece? Contou a esse homem sobre esse lugar?!

— Não! — Emma interveio calmamente. — Claro que não.

Desinteressado nas desculpas dramáticas de Emma, o rapaz coçou a barba recém-aparada, carregando a voz para interrompê-las. — Eu realmente não estou com paciência para isso. — o sotaque. Regina reparou naquele sotaque e soube imediatamente de onde ele e Emma se conheciam. — Emma, quem é essa mulher? — ele continuou. — Posso saber o que aconteceu com o resto da sua roupa?

Ela se embaraçou toda, abriu a boca para falar e a voz tropeçou num fio trêmulo de medo. Abaixou-se para recolher o terno e o vestiu desastradamente.

— O nome dela é Regina. — disse envergonhada, respirando com dificuldade. — Ela é a fotógrafa chefe da agência, basicamente o braço direito de Gold. Estamos trabalhando juntas e...

— Pare! — ele riu nervosamente. — Não quero saber qual a função dela. Estou mais interessado em saber o que as mãos dela faziam no seu lingerie.

Furiosa com a atenção desmerecida do jovem, Regina grunhiu como uma besta. Sentiu a veia da testa pulsar meticulosamente e os pelos da face aquecerem com a raiva que sucumbia o seu corpo. Emma notou que ele havia pisoteado o ego da amante e tratou logo de cortar a fala dela, evitando um nível mais intenso de contrariedade.

— É complicado, não vamos falar disso aqui, por favor. Eu posso explicar. — dizia-lhe mansamente, afastando o rapaz de Regina. — Não quero criar uma cena, vá para o meu escritório, eu subo já.

Ele não se deu por vencido. No fundo, sabia que havia algo de estranho ali e de certa forma, errado. Sentiu no ar que, seja lá o que tivesse acontecido, segundos antes de sua chegada, não era nada profissional e Emma estava sendo insensata. Ela tentava inutilmente o arrastar para o lado de fora, mas Regina os seguia logo atrás.

Os saltos arranhavam o carvalho e a insistência lhe fazia ganhar o ritmo. — Calminha aí! — Regina impediu a passagem. — Um mauricinho de sotaque europeu surge estupidamente em meu local particular de trabalho, exigindo explicações curiosas sobre nós e você realmente achou que eu fosse trincar os dentes e aquiescer com essa ceninha novelesca? — ela sorria assustadoramente. Emma empalideceu outra vez e a boca paralisou. — Se alguém aqui merece alguma resposta, esse maldito alguém tem de ser eu!

O rapaz, impaciente, pôs-se virado para Mills, apontou os olhos contra os dela e lhe mostrou uma expressão demoníaca. Regina, provando-se bastante autoconfiante, encheu o peito de orgulho e devolveu a taciturnidade do olhar.

— Vim à procura de Emma, — o moreno controlou o sotaque para evitar novos deboches. — Neal comentou que ela havia descido na direção do estacionamento e eu decidi vir atrás dela. Encontrei esse muquifo por total acaso, jamais imaginei que Emma estaria enfiada aqui dentro, com alguém de tão mau humor.

Os lábios de Mills engelharam, sinalizando o aborrecimento contido por ora. Emma conhecia todos os sinais de faísca que o seu corpo possuía, haja vista que já havia sido alguém de tamanho estresse para a fotógrafa.

— Do que você chamou o meu quarto? — Regina esbravejou, alfinetando o rapaz com uma olhadela perversa. — Repita, se for tão estúpido quanto aparenta ser!

Emma lhe afastou protetoramente. — Regina, calma! — depositou as mãos magras em seus ombros rijos. — É só um mal entendido, certo? Não precisa ficar rabugenta, eu posso explicar-

— Rabugenta é a mãe! — exclamou, soltando-se do seu afago. — Quem esse moleque malcriado pensou que fosse para insultar a mim e ao meu local de serviço? Esse material custa uma fortuna!

Ele bufou, irritando-se com o tom da mulher, poucos anos mais velha que Emma e ele. — Coloque uma mordaça nessa cadela nervosa, do jeito que está agindo, posso prever os seus dentes avançando em cima de nós! — seus lábios rosados proferiram um sorriso asqueroso.

O seu comentário agiu como uma chama latente. Regina ferveu assustadoramente e se tornou inconsequente ao primeiro instante. Avançou descontrolada para cima do rapaz e o acertou fortemente na face. Os cinco dedos couberam certeiros em seu rosto comprido e magro. Emma viu a cena se passar em câmera lenta e previu algo mais grave se desenrolando. Apressou-se em afastá-los, mas já não havia solução. O punho defensor do agredido se abriu em resposta e arremessou Regina para longe. Não havia intenção nenhuma de lhe ferir, apenas agiu irracionalmente no momento imparcial da raiva. O próprio se chocou com a sua atitude tirana e se espantou ao vê-la se desequilibrando sobre a estante em que havia caído.

— Killian!

Emma vociferou assustada, esbofeteando o tronco do infeliz. Regina apagou instantaneamente ao bater a cabeça contra as hastes de ferro. Era tarde demais para o impedir.

Notas finais
Gostaram da explosão? Eu gostei, preciso ser honesta. Na parte seguinte terá mais explosões, preparem o coração. Esse é o momento de vocês interagirem com opiniões, dúvidas, agrados, sugestões e afins, eu estarei disposta a aceitar ideias (papo sério). O que falei sobre dar uma parada é bastante sério, mas vou fazer o meu melhor com muito carinho por todas as leitoras que estão sempre comentando e divulgando a fanfiction. Posto a continuação na próxima semana. Beijos e até logo! ;*