Fatal Attraction

15 A love so beautiful.




Marteladas sofridas em uma sequência interminável. Era tudo o que Regina Mills sentia quando os seus olhos se abriram lentamente. Ouvia uma grade de vozes misturadas em seu ouvido e uma luz incômoda pairava acima dela. O barulho das rodas da maca lhe atordoava ainda mais. Estava fria e trêmula, soube, de algum modo, que estava inerte de suas sensações. Queria se mexer e levantar dali, para onde diabos a estavam levando e por que a sua cabeça latejava tanto?

— A pressão dela está baixa, mas a pulsação continua incrivelmente estável. É uma mulher forte, a pancada foi grave, não entendo como não houve convulsão alguma.

Dizia à Emma. — Vamos deixá-la em observação e esperar até que reaja à medicação. Você e o seu amigo podem aguardar por notícias na sala de espera. — a médica continuava a repassar as informações do estado da fotógrafa.

Regina abria os olhos de quando em quando, na tentativa vã de recuperar a consciência. O seu rosto continha uma expressão de dor e o reflexo daquilo atormentava o ser da loira. Ela podia ouvir os murmúrios perto de si, embora estivesse impossibilitada de administrar coesão aquilo que escutava. Sentia o cérebro latejar e, alguém, certamente um médico atendente, estancava o sangue de sua ferida exposta na cabeça. Em uma ocasião como aquela, era possível que ela perdesse o controle de todos os sentidos e o sangue jorrado do corte paralisasse o seu corpo, ocasionando um novo desmaio.

— Ela vai ficar bem, não vai? V-você disse que ela é forte.

O olhar de Emma hospedava um desespero infindável e o seu rosto estava vermelho por ter chorado durante o trajeto até o Hospital. A médica sorriu amigavelmente para Killian e ela. Deixou-lhes a sós para levar uma Regina ferida à Emergência do local.

Emma caminhava para lá e para cá, quase marcando o piso com as solas dos seus sapatos. Já aguardava há mais de duas horas e ninguém havia voltado para dar sequer o ar da graça. Killian se sentia horrivelmente culpado por colocar ambas naquela situação desgraçada. Gostaria de voltar no tempo e evitar tamanha brutalidade.

— Emma, desculpe-

— Sh! Poupe-me.

— Mas-

— Não me interessa! — a loira reuniu toda a frustração que sentia naquela frase. — Nada do que diga ou faça vai retroceder o que fez à Regina. Sendo assim, prefiro não ouvir os seus arrependimentos.

Ele levantou do banco onde estava repousando e recolheu a jaqueta que carregava desde o quartinho.

— Eu vou dar um tempo a você. Sinto muito, Emma, de verdade. Procuro por você em outra hora, sei que hoje não vai ouvir nada do que tenho a dizer e-

— E já chega de falar, sim? — disse ela com aspereza. — Pare de se desculpar.

Killian baixou a cabeça, bastante amuado. Desaproximou-se da loira e deixou o hospital a seguir, evitando um novo aborrecimento. Sabia como Emma era sensível e irritá-la naquele estado só intensificaria ainda mais as coisas.



Depois de uma espera longa e exaustiva, Emma finalmente foi desperta por um homem moreno que lhe tocou de maneira gentil no ombro. A loira havia cochilado no sofá da saleta e assim apagou por mais uma hora.

— Senhorita Swan? — disse o jovem doutor. — Desculpe-me por acordá-la, a senhorita está acompanhando Regina Mills?

— E-estou, estou! Como ela está?

Emma se levantou de supetão.

— Está ótima. Não foi nada muito grave, poderia ter sido pior. Nós gostaríamos de deixa-la na observação por mais algumas horas, mas ela insiste em ir embora-

— O quê? Mas que diabos, essa mulher é impossível!

— Desculpe-me, senhorita Swan. Infelizmente, a senhorita Mills já é uma mulher adulta, portanto está fora do meu poder mantê-la presa nesse Hospital contra à sua vontade.

— É maluquice! Ela chegou aqui completamente desacordada, mal sabia o próprio nome. Como pode permitir que ela tome essa decisão por si mesma?

Emma estava perceptivelmente exaltada em seu tom. O pessoal da recepção estava começando a notar o diálogo alterado dos dois.

— É normal que o corpo se desligue de sua função ao receber uma pancada na cabeça. É uma forma de defesa para sustentar a dor no local ferido. O corte foi profundo, entretanto fora causado numa região fora de risco. Ela vai ficar bem, só precisa ficar de repouso por alguns dias. Farei atestado para uma semana, é primordial que ela não se exponha ao sol enquanto estiver com o curativo. Deve ser trocado duas vezes ao dia. Prescrevi uma medicação que amenizará a dor nos primeiros dias, e analgésicos, caso ela tenha alguma reação ao remédio e queira evita-los.

— Reações? — Emma franziu o cenho, preocupada. — Que tipo de reações?

— Náuseas, vômitos, dores no estômago, sonolência. Nada preocupante, a pior parte já passou.

Ele sorriu docemente. Ofereceu a mão para que a loira lhe cumprimentasse e ela o fez a contragosto.

— Posso vê-la agora?

— Ela já deve estar saindo do leito, vai precisar de ajuda para dirigir. Não recomendo esforços por ora.

— Ok, Doutor...?

— Arthur, Doutor Arthur!

— Isso. Obrigada, Doutor Arthur.

Emma devolveu o sorriso sinceramente e o abraçou de forma cordial. Estava tensa com a sugestão de encontrar Regina depois de tudo o que houvera. Ela deu uma leve sacodida no corpo para aliviar a tensão e foi ao encontro da morena.

Como já era de se esperar, viu-a batendo boca com uma enfermeira de pouca altura na saída do Hospital.

— Senhorita Mills, entenda, a senhorita não pode dirigir, são ordens-

— Ordens médica, certo. — ela disse em tom de deboche. —Saia da minha frente, senão eu vou eu vou tomar esse prontuário da sua mão e bater em você com ele até matá-la!

Emma apressou os passos, confirmando por si mesma que Regina estava prestes a fazer sabe-se lá o quê com toda aquela fúria. Chegou mansamente por trás das duas mulheres e tocou a fotógrafa por trás.

— Ei. — sorriu azeda. — Deixe isso comigo, vamos... Eu dirijo.

— Eu não preciso da sua ajuda, senhorita misteriosa. — Regina deu as costas para a enfermeira e cruzou os braços acima do umbigo. Ela encarava o rosto culpado da loira e aguardava por algo além de cortesia.

— Oh, Cristo! — Emma arquejou pesadamente. — Nos dê uma folga e vamos logo para o carro. Você está machucada, precisa descansar.

— Eu vou chamar um táxi!

— Não, não vai, não! — Emma tomou o aparelho de sua mão e o jogou para dentro do bolso. — Você vai comigo, nós vamos passar numa farmácia e depois eu a levarei para casa. Fim de papo.

Mills corou subitamente com a autonomia da amante. Era intimidante, logo, despertava-lhe interesse. Fez uma expressão de dor e se pôs a caminhar para fora do Hospital. Emma sorriu com mais uma vitória e a seguiu logo que assinou os prontuários.


Emma dirigiu quieta durante todo o percurso. Uma nuvem escura se instalou sobre ela e Regina e as duas não reproduziram sequer um suspiro. O clima estava irascível entre elas. Uma pequena viagem levou-as até o condomínio de Mills; Emma desceu antes dela e a ajudou a descer do carona. Embora orgulhosa e bastante caprichosa, Regina estava deliberadamente frágil e precisou daquele gesto preocupado. Sentia uma forte dor de cabeça e o rosto embranquecido declarava o quão penoso era o seu sofrimento. Elas caminharam lentamente para dentro e foi Emma quem fechou a porta depois de entrarem no recinto erudito de Mills.

— Eu vou tomar um banho rápido e trocar essa roupa suja. — disse Regina para perfurar o balão silencioso. — E, hum-hum — ela tossiu. — Fique à vontade, a cozinha é para lá, — apontou sugestivamente com o ombro. — se precisar de alguma coisa, água-

— Eu ficarei bem! — Emma sentou numa poltrona, cuja textura era mais macia que algodão ao encostar-se à pele. — Chame se precisar de algo.

Regina assentiu e foi logo para o seu quarto. Foi difícil se despir quando sustentava a sensação de uma bomba ameaçando explodir em seu cérebro. Estava maçante no chuveiro e deu a Emma a oportunidade de conhecer melhor o lugar em que vivia.
Era surpreendente observar que cada objeto fora meticulosamente escolhido para dar imagem ao interior de Regina Mills. Cada peça ali presente era um traço misteriosamente escolhido para personificar o seu gosto excêntrico. Os tons escuros nas cortinas e os mais suaves pincelados nas paredes. Os discos empilhados em ordem alfabética. Uma perfeita sincronia de detalhes. Havia fotos de sua infância e modelos mais atuais, ela quase nunca estava sorrindo depois que passara da idade mais jovem; sinal de que havia adotado uma postura de seriedade em algum momento dos anos passados.

Estava longe de ser uma boa anfitriã. Regina era bastante reservada, bastava analisar bem o ambiente: dois quartos apenas. Um era o seu e o outro havia sido utilizado como depósito. Notava-se claramente pelo modo como a porta estava semiaberta, dando visão ao que tinha em seu interior: nada além do nada.
Emma quis fazer algo gentil após o acontecido e decidiu que seria cortês de sua parte fazer algo para alimentar Regina. Outra surpresa: não havia quase nada para cozinhar ali. Aliás, a cozinha em si era bastante surpreendente. Pouco se parecia com um lugar o qual se prepara as refeições de uma casa. Ferveu água e usou ervas e canela em pau para lhe preparar um chá, usou mel para adoçar e pingou duas gotas de limão no líquido fervente. Foi quando ouviu um rangido de portas se abrindo e notou que Regina estava à sua procura. Ela juntou a xícara no pires rapidamente e se apressou em ir atrás dela.

— Opa! — disse a morena. — Está fugindo do FBI? Para quê essa pressa-

Ela própria engoliu a frase para analisar as mãos de Emma.

— Isso é chá? Você fez chá para mim? — aproximou-se, pegando a xícara entre os dedos frios. Passou o nariz sobre a fumaça perfumada que emanava dela e fechou os olhos durante aquilo. — Wow. É canela.

Regina se virou e saiu andando para o quarto outra vez, levou a xícara consigo e ignorou cinicamente a presença de Emma ali. Logo, a loira foi até ela, vendo-a sentada à beira da cama. A xícara estava na cabeceira ao seu lado. Reparou que as suas mãos já não estavam mais ao relento e agora acariciavam a cabeça.

— Emma, não precisa me seguir. — recomendou-lhe em um tom áspero e trêmulo de voz. — Basta você ter feito a delicadeza de entrar comigo sem ao menos ter sido convidada.

— Eu quero ficar aqui.

— Eu não quero você aqui. — Regina disse e logo esboçou um suspiro de dor. — Pode ir embora. Já sou uma mulher na casa dos trinta e posso me cuidar sozinha.

— Está sentindo dor? — Emma sentou ao lado dela e baixou a cabeça para junto da sua. — Você parece estar sentindo dor. Quer uma das pílulas?

— É só uma dor amena. Vá embora.

— Eu não vou embora. — falou suavemente. Abriu o recipiente com as cápsulas e lhe fez engolir com o auxílio do chá. — Está doente muito?

Regina não respondeu, apenas fechou os olhos com bastante força e se reduziu a um instante de latejos infinitos. Emma tornou a sentar, dessa vez de frente para a morena. Levou as mãos fortes ao seu rosto enrugado de dor, e começou a massagear a órbita de seus olhos. Regina se concentrava na sutileza dos toques e na corrente anestésica que curava o momento de agonia em sua cabeça. Por vezes, Emma a sentiu se encolher com medo de que os seus dedos encontrassem o local ferido e lhe causasse mais aflição.

— Relaxe. Eu não vou machucar você. Está melhor assim?

Dizia a loira em uma maciez apaziguadora. Enquanto falava, sentia uma agulha arranhar as paredes da sua garganta. Era um modo infernal de engolir a culpa que se apossava dela.

Depois dos afagos simplistas da loira, Regina finalmente adormeceu em sua cama. Emma tratou de afastar o seu cabelo pesado de onde fora feito o curativo e a envolveu com cobertas e travesseiros ao redor do corpo. Ficou a observá-la por alguns instantes e em um desses sussurrou para ela um pedido de desculpas. Depois, partiu, deixando-a em sono profundo.


Uma semana se passou desde o incidente. Emma ligou inúmeras vezes para Regina e ela não atendeu em nenhuma dessas. Foi até o seu condomínio, mas Regina era uma mulher resistente e se negou a abrir a porta. O ritmo fervoroso dentro da agência era o mesmo e as atividades não paravam. Gold tentou substituir o papel da fotógrafa e isso o fez enlouquecer. Ele enfim soube o quão inútil era sem aquela mulher para assumir o controle, desesperou-se e pediu para que ela voltasse o quanto antes. Regina prometeu que estaria de volta à ativa na próxima segunda-feira.

Ela já não sentia nenhuma dor causada pela batida. O que lhe machucava estava além de um corte na cabeça. Doía lembrar o que havia sido feito antes dele. Doía se afastar de Emma e doía ainda mais fingir que aquilo não a incomodava. Estava começando a devanear sobre quem era Killian e por que ele estava à procura de Emma. Não fez mais nada senão pensar acerca da ligação entre eles. Será que durante o final de semana e os outros sete dias em que Regina esteve afastada, Emma e ele estavam juntos? E se estavam, de que forma estavam? Maldição, mulher! Poupe-se de mais uma paranoia.

Regina estava convicta de que o seu problema era o rapaz moreno que havia lhe ferido de modo indireto. Não passou pela sua cabeça que a verdadeira surpresa estava distante daquele devaneio. O que lhe aguardava era ainda mais perturbador e estava prestes a ser disparado contra ela.

— Sim, Gold, já está tudo finalizado, que demônios, não me perturbe!

Irritada, Regina tentava expulsar a figura inconveniente do chefe. Já havia concluído metade do turno e não aguentava mais ouvir a sua voz exigente lhe perguntando amenidades.

— É meu dever perguntar, querida. Você esteve distante por uma semana, é comum deixar que algo passe despercebido.

— Ah, é? — disse ela, fingindo surpresa. — Como o quê, por exemplo?

— Uma ligação, um contrato, uma revisão, algo simples, pessoas normais esquecem das coisas...

— Pois é. — Regina o cortou de imediato. — Para a sua sorte, eu não sou uma pessoa normal. Nunca perguntou por mim aos seus funcionários? Eu sou o diabo, vá lá e os questione!

Ela o expulsou para fora, batendo a porta em seu nariz. Encostou-se na soleira e bufou perturbada. Graças ao dia cheio que tivera, não havia sobrado tempo para pensar em nada que fugisse do âmbito profissional, mas era só a noite cair e a sua mente estava disposta a divagar em assuntos os quais não gostaria de pensar. Sem escapatória, evitava ao máximo se sentir mal com aquilo. Jamais perdoaria a si mesma por ter fraquejado com Emma. Regina sempre fora uma mulher de extremo controle, estava fora de cogitação agir irracionalmente por uma paixonite corriqueira. Como foi se emaranhar elasticamente ao coração daquela mulher? Não. Não era de seu feitio. Regina Mills era prática e descartava a emoção.

Há dias que Regina não via Bele, as duas se distanciaram com os últimos acontecimentos pessoais em sua vida. Estava destinando qualquer migalha de tempo que lhe sobrava à Emma. Foi então que decidiu que era hora de se abrir com alguém e repassar os fatos em voz alta. Marcou de se encontrar com a jovem no café da esquina, onde costumavam ir após o expediente da morena.
Regina pegou o elevador para o térreo e disparou o alarme logo que chegou ao estacionamento. Estacionou o carro no meio fio e caminhou apressadamente para dentro do estabelecimento. Buscou o rosto conhecido de Bele e, como imaginava, a moça estava sorridente e acenando no fundo da cafeteria.

— Já estava começando a achar que teria de marcar horário para ter um encontro agradável com a minha amiga.

Bele sorriu, provocando a mesma expressão em Regina, que se esquivou rapidamente para abraçar a ruiva.

— Eu também senti sua falta, Bele. — disse simplesmente ao sentar diante dela. — Está tudo uma grande bagunça, você não faz ideia.

— Ora, ora! Não faço, é? Se está falando da garota... Regina, Gold e eu estamos juntos, então... eu fico sabendo de tudo o que há na vida dele, seja particular ou não.

— Oh, céus! — Regina espalmou o rosto. Como foi tão incapaz de associar algo tão simples? — É claro que você sabe, se Gold sabe, você sabe. Bele, eu nem sei como contar, sério... estou perdida nisso, não sei onde me enfiei. Passei do meu limite.

— Regina, pare de se levar tão a sério, minha amiga. — como de costume, Bele tocou a mão da morena por cima da mesa, visualizando o seu rosto aflito. — Você precisa curtir o momento, compreende? Experimentar novas emoções, o que há de errado em se deixar levar pelo que sente por Emma?

— Como assim o que eu “sinto” por Emma? Eu nem disse se sinto.

— Não seja ridícula. — Bele rolou os olhos. — Não precisa dizer o que está legendado em sua face. Eu consigo ler o que sente por ela. O que foi, achou que fosse imune? Ah, por favor, Gina... a vida é assim, algumas pessoas nos tocam além do sexo e a paixão vem sorrateiramente, como uma chuva repentina no verão. Não se vê chegar, só... se sente, sabe?

Regina mordeu os lábios, contendo a náusea que sentia ao admitir que era real. Estava envolvida demais, e quem iria julgar aquela ação errônea?

— Eu não sou assim. Não sou inconsequente como você, como os outros... eu planejo, eu pressinto, nada acontece sem o meu querer.

Bele riu institivamente, pôs as mãos contra os lábios, evitando uma maior propagação do som de sua risada.

— Faça-me rir, Regina. Dá para acreditar? Você, a única entre nós que nunca sentiu nada, de repente, sente tudo?

— Não repita isso outra vez, por favor.

Elas riram. Depois, Regina sentiu os olhos lacrimejarem.

— Não podemos ficar juntas. Simplesmente não podemos, você entende?

— Não. Simplesmente não entendo.

Regina repreendeu a questão contrária de Bele e a fez se explicar.

— Vocês são adultas, independentes, não me faça ridicularizar essa sua paranoia de que há impossibilidade no que ambas sentem. Seja mais maleável, ao menos tente, certo? Que mal há em tentar? Faça-lhe uma surpresa, compre um vinho, flores, bombons, bata à sua porta e diga o que sente! O que é mais racional do que isso, senhorita maturidade?

Regina balançou a cabeça repetidamente. Ela tinha de admitir, Bele estava correta quanto àquilo.

— O.k! Você venceu.

Bele sorriu largamente, dava para ouvir o som da festa que fazia em seu interior.

— Mas..., não comemore tanto. Eu não sou o idiota do Don Juan, não farei uma serenata ao som de violinos.

— Oh, que pena. Eu já estava imaginando como seria vê-la cantando A Love So Beautiful na sacada de um apartamento.

De um jeito escandaloso, Regina arregalou os olhos e sorriu divertidamente com o comentário de Bele.

— Ridícula, é isso o que você é!

— Ao menos leve o vinho, 'tá bem? — disse ela entre baixas risadas. — E use uma bela lingerie.


Pensou e repensou na sugestão de Bele. Ás 22h00 da noite não havia nada que tomasse ainda mais o espaço vago na cabeça de Regina. Ela roía as unhas e reparava inúmeras vezes nas ligações que Emma havia feito enquanto esteve sumida. E se ela estivesse chateada por não ter tido as chamadas retornadas? Então, teria de engolir a chateação.

Não escondia o próprio narcisismo de ninguém, portanto, Regina levava minutos infinitos ao conferir cada detalhe da maquiagem e do que vestia. Quando já não restava dúvida alguma sobre a sua boa aparência, escolheu um vinho de uma antiga sacra e o cobriu para levá-lo consigo.
Pegou a estrada para a outra ala da cidade e dirigiu agitada. Repassou na cabeça tudo aquilo que diria a Emma quando estivessem cara a cara novamente. Dessa vez seria diferente. Ela falaria dos seus medos, confessaria todas as suas inseguranças e, primordialmente, declararia o seu amor. Já não se sentia mais capaz de alimentar toda aquela emoção para si mesma. Queria segurar o seu rosto e dizer o quanto a queria olhando profundamente dentro dos seus belos olhos. Olhos seus, pois Regina os monopolizaria para a sua única satisfação; como sempre desejou. Emma seria dela e o mundo todo teria de se conformar com aquela união.

Notas finais
Um imenso obrigada a todas que comentaram os últimos capítulos e favoritaram a ff. Sugestões? Dúvidas? Questões? Aguardo vocês no feed, meninas! Qualquer coisa a mais, estou também no twitter - @w0lflovely Beijos, até o próximo. ;*