Fatal Attraction
21 Lover has no home.
Notas iniciais
Sabia que estava sendo imprudente ao dirigir sob efeito de álcool. Sabia que estava sendo irracional correndo atrás de quem já havia deixado muito claro não querer vê-la. Sabia que estava agindo como a menina mimada que Robert Gold tanto lhe acusava de ser. Sabia que aquilo poderia facilmente lhe trazer mais dor do que paz. Sabia sobre todas essas coisas decisivas que uma mulher adulta deveria considerar antes de se jogar no volante madrugada afora.
— Foda-se. — repetia para si mesma, enquanto avança um sinal fechado na avenida próximo ao condomínio da morena. — Cansei de viver a vida dos outros.
Regina, há minutos andarilhava impertinentemente dentro do quarto. Nada a aquietava. Foi até a sala de jantar, virou na boca o frasco de Martini, mastigou duas cerejas macias, voltou à garrafa, bebeu ainda mais. Sentiu um suor frio transpirar através da testa e uma tontura lhe pôs sentada frente à janela. O que faria quando Emma chegasse? Colocaria a loira para fora aos gritos? Não. Isso não. Isso já havia tentado antes e de nada adiantara. Pensou ter bebido mais do que devia. Era fraca com o álcool, algumas doses e já estava trocando o "S" pelo "R".
Sentia a cabeça pesando para o lado, sonolenta, pois há dias não dormia bem. Pelo contrário, só conseguia ressonar com a ingestão de dois calmantes e uma dose de vodca. Fechou os olhos para descansar um pouco. Só por um momento os fechou e a exaustão a devorou, embalando-a num sono leve.
Mal notara os passos cuidadosos da loira ao entrar gentilmente pela porta da varanda. Estranhou a figura desajeitada de Regina pairando numa cadeira, que vira pela vidraça do janelão. Só quando aproximou-se mais, notou que a morena havia caído no sono.
Emma se agachou, olhando-a de perto. Afastou-lhe os cabelos do rosto limpo, varrendo os olhos pelas veias azuis que possuía nas pálpebras. O coração acelerou descompassadamente, viu Regina abrir os olhos e a encarar profundamente. Estava séria, sem demonstrar surpresa. O contato era estrídulo, intensamente estriduloso. A visão das irises só fitavam o interior do par similar à sua frente.
— Você vê esse rosto pálido no meu corpo exausto jogado na cadeira? — Regina sussurrou-lhe, no mais familiar tom de rouquidão. — Está horrível, eu sei. Eu emagreci, porque eu me esqueço do jantar quando chego aborrecida no final da noite e só quero me afundar na cama, onde eu sei que finalmente terei algo que eu costumo chamar de — ela encenou aspas com os dedos gélidos, divagando lentamente. —, "paz" É quando a minha cabeça dá uma pausa e você some.
Emma ouvia quieta. Fingia tranquilidade, mas por dentro estava torrando o peito em chamas de fogo azul.
Regina riu fraquinho. — Isso não é o pior. Não. Não é o pior. Porque, veja… Há meia dúzia de batons e uma infinidade de bases na penteadeira. É simples se lavar e pincelar a face, você sabe… É fácil bancar o personagem. Por dentro é que as coisas complicam. Como vou maquiar o que você deixou em mim? Os destroços na alma?
— Regina, do que está falando? — Emma aproximou o rosto do seu, por alguns centímetros. A voz era suave e tênue, como de costume. — Como quer que eu me sinta? Não posso desfazer o que fiz. Não posso voltar no tempo e recuar-
— Você me machucou, porra! — alterou-se, entregando o corpo ao sentido dormente. Regina a encarava com uma dor evidente nos olhos. — Você me fez implorar para que não me abandonasse e, e… Depois você me virou as costas, porque você é mais covarde do que eu pensei que fosse! Sabe, Emma… Eu achei que eu fosse a fraca, achei que eu tivesse medo de amar, achei que eu seria a estúpida a negar o que sentia, mas não! Você foi a idiota! Eu achei que você era diferente e valeria a pena lutar contra o meu orgulho infantil. — virou a cabeça de fininho, escondendo a face úmida no breu escuro da sala. — Como todas as outras pessoas a quem eu entreguei o meu coração, você escolheu desistir quando as coisas estavam difíceis. E fechou a porta para mim.
Emma se levantou, respirando pausadamente, enfiando as mãos entre os cabelos e alcançando um ponto de força. Segurou o choro insistente com firmeza e voltou os olhos para Regina.
— Eu vim até aqui porque todas as minhas noites desde o dia em que eu fui uma cretina fechando aquela porta são uma pequena amostra do que é o inferno. Eu não sei o que dizer para que você acredite que quem mais sofreu com tudo isso fui eu. — um tremor choroso escapou de seus lábios. — Ou acha que algum dia eu vou me perdoar por tê-la magoado? O que você quer que eu faça, Regina? Eu estou tentando me abrir, tenho feito isso a madrugada inteira. Já disse o quanto eu a quero, o que mais você quer?
— Quero que pare de me contar mentiras bonitas e faça amor comigo pela última vez. Vai ser ali, — indicou o punho para o vão em direção à porta meio aberta de seu quarto. — e você terá sido a primeira pessoa a me amar naquela cama. Depois — usou as costas das mãos para limpar os vestígios lacrimais. —, você irá embora de uma vez. Pegue Lilian e dê o fora de Chicago.
— Está falando sério? — Emma se ajoelhou, encarando-a de perto. — Quer que eu desapareça depois de me ter, como se eu fosse um brinquedo?
— Quero. Por que não? Você pode ser uma cretina comigo e eu não posso fazer o mesmo com você?
Emma tinha vontade de macular aquela face rosada com a palma trêmula de sua mão. De machucá-la de verdade, fisicamente e com força; então deixaria a culpa consumi-la de uma vez e se tornaria infeliz por sabe-se lá quanto tempo. Precisava de mais um motivo para odiar a si mesma. Só que Regina era dona daqueles lábios irrecusáveis e a forma sensual a qual estes reproduziam o clemente: "faça amor comigo… ", mexia insanamente com o seu estado mental. Foi isso o que a fez trazê-la para cima e juntas trilharem um caminho longínquo até o quarto.
— Você vai tirar a minha roupa. — Regina disse, quase que ordenando. — Eu não vou fazer nada.
Emma a tocou firmemente no quadril, fazendo-a se virar de costas para ela. O traseiro de Regina roçou contra a sua intimidade, propositalmente, intimidando-a a arquejar saciada em seu ouvido. Lentamente, a loira desfez o laço da cinta que lhe enrolava o roupão íntimo e arrastou a mão até o centro do ventre nu. Permitiu que os dedos descessem sem pressa à borda da calcinha lisa.
Acariciou a pele por baixo da fenda, enquanto a boca quente aflorava os pelos de sua nuca com o roçar úmido da boca por aquele espaço. Regina tinha os olhos bem fechados, à medida em que Emma lhe tomava pouco a pouco o estado são de seu corpo. Deixaria que Emma fizesse com ela tudo o que desejava, poderia comê-la e amá-la à vontade, mas depois seria a sua vez de fazer o mesmo.
E ainda mantendo-a de costas para si, Emma puxou o seu rosto e encostou os lábios nos de Regina, tocando-os com leveza e passeando a língua ardente para dentro da boca. Beijou aquela mulher como se fosse ela o seu único alimento diário, esfomeada, mordiscando com força ao senti-la quente lá embaixo. Depois a largou e a tomou de frente, para sentir os seus seios roçarem deliciosamente contra os seus. Regina estava tão arrepiada e também morna. Emma deslizou o joelho em seu centro, sem a intenção de tocá-la ainda, apenas estimulando a umidade que há muito já se espalhava por sua virilha.
— Você está quente. — sussurrou-lhe baixinho. — E molhada.
Regina riu. Encostou o seu sexo aberto na coxa arqueada da loira, deslizando-o para provocá-la. — Gosta de me deixar assim? — falou com os lábios quase imprensados nos de Emma, ouvindo-a responder com um “sim” manhoso. — Gosto de ser tocada por trás. Quero que você me deite de costas e me faça molhar ainda mais o interior das pernas.
Virando-se para a loira, Regina caminhou sensualmente até a cama e se deitou de pernas fechadas. Esperou que ela se aproximasse o suficiente para abrí-las muito pouco. Só teve paz quando sentiu as mãos de Emma separar as coxas com mais extremidade. Deitou-se sobre o seu corpo e encostou a boca em seu ouvido:
— Se você não gemer, eu paro. — disse-lhe, enquanto chupava os dedos que a seguir estariam subindo aos poucos pelo meio das pernas.
— Se eu não gemer, você está ferrada.
Parecia uma ordem, para Emma. Era um desafio, para Regina.
Logo, a mão faminta de Swan se espalhava até em cima. Primeiro, tocou-lhe por fora, com gentileza, sentindo as dilatações que aqueles lábios maiores sofriam. Seu dedo do meio tangia um movimento circular no ponto sensível e o indicador dava atenção às extensões de toda a vagina. Com a mão livre, apunhalou as madeixas curtas de Regina e chupou dos ombros até o pescoço. Já lhe ouvia reproduzir um arfar mediano, que estava sendo abafado pelo rosto amordaçado no travesseiro.
Enquanto tocava Regina, Emma insinuava-se por cima dela, um tanto aberta, roçando o seu centro extasiado na pele alva. O corpo da morena respondia às investidas habilidosas de Swan, que recebia as fricções das mãos macias de Regina contra o seu quadril. Estavam em sintonia, moviam-se no mesmo ritmo, gemiam ao mesmo tempo, excitavam-se na mesma tendência palpável.
Emma sentiu a inchação clitoriana de Regina pulsar em seus dedos: estava mais escorregadia, pressionando a si mesma contra a seda fina dos lençóis, onde também jorrava tamanha umidade. Introduziu-a até a metade, deixando que a vulva sugasse o restante. Nesse contato, Regina já não mais arfava, gemia como uma fera indefesa; entregue aos seus uivos e espasmos. Suas dilatações apertavam cada vez mais os dedos inquietos de Emma, a quem ouvia arquejar tão igualmente. Regina manchava o lençol, Emma manchava seu corpo. Sentiam a paixão escorrer quente e aquosa.
O espaço dentro da vulva tornou-se cada vez mais amplo e aquoso. Emma sentia que podia penetrá-la com mais virilidade, como se seus dedos fossem um anzol alcançando a pérola na concha; Regina gemia: "Emma, não pare, oh… Está tão… O jeito que você me toca... Só não pare!" e Emma se sentia instigada a continuar e tocar também a si mesma. No mesmo instante, sentiu a mão atrevida da morena lhe atravessar o ventre e massageá-la por fora. Gemeu de um jeito desesperador, sendo tomada por um desejo incontrolável de roçar contra à mão de Regina. Os dedos da amante também lhe invadiram e as fricções se tornaram mais vibrantes.
O desejo da fotógrafa era que ambas chegassem juntas ao ápice, em sintonia de líquido, mas não fora assim que planejera fazer amor com a loira pela última vez. Permitiu que Emma a tocasse até que já não suportasse mais segurar o orgasmo e finalmente escorreu sobre ela e sobre a cama. Um tremor em suas pernas denunciava o estado de exaltação que o corpo havia alcançado. Por vencida, o corpo afundou trêmulo no colchão macio. Ela se virou, encarando o rosto dominador da loira; a testa de Regina liberava uma gota leve de suor bem na quina, escorria pelo canto e se espalhava até o colo, estava ofegante e rosada: estava absurdamente sensual ao lançar um olhar de desejo na direção de Emma.
— O que está fazendo? — disse Emma, com a voz descompassada e o cenho enrugado de surpresa. — Ei, o que você-
— Sh! — Regina a calou com um beijo forte. Levantou-se de joelhos e avançou sobre o corpo da amante, sentando-se entre suas pernas.
Lascivamente, espalhava os beijos sedentos no pescoço da loira, que mordia a boca em aprovação. Desceu a língua, serpenteando nas curvas das clavículas, contornando os seios, demorando-se nos bicos eriçados, posando na volta do umbigo. Emma estava arrepiada como nunca antes. Regina já havia lhe tocado antes, lhe dera orgasmos e prazeres, mas sentiu que desta vez algo estava diferente: havia uma aura borbulhante de paixão entre elas. O corpo de Regina queimava contra o seu. Elas estavam quentes e incansáveis.
Enquanto arfava, provando a morena devorá-la sedutoramente, sentiu a mão morna de Regina subir pelo seu corpo e alcançar o topo do pescoço. De início, achou apavorante, mas em segundos, entregou-se àquela sensação fervilhante de ser domada. Os dedos se prenderam fixamente por ali, Regina a mobilizou e no mesmo instante desceu até o meio de suas pernas: estava lubrificada de tão excitada, ansiando aquele contato. Lambeu com ânsia, mergulhando a língua num sobe e desce lento, contudo intenso. O corpo de Emma reagia rigorosamente, fazendo-a flutuar a coluna da cama.
Regina a segurou com firmeza e a chupou como se provasse um doce pela primeira vez: lambuzando a face inteira. O pescoço estava, ainda, envolvido por sua posse, inibindo a respiração parcial. Emma gemia sofridamente, sem ar e sem domínio, entregue por completo. Quando os gemidos tornaram-se mais graves, Regina parou de chupá-la e se arrastou até o seu rosto e fixou os olhos no dela; a mão, que antes lhe apertava o pescoço, agora tampava a boca, impedindo o som de sair. Regina lambeu os dois dedos e os introduziu calmamente para dentro de Emma. Brincava de serpente com as pontas e a obrigava a encolher as pernas. Era um jogo de sedução fatal: Regina a estocava, encarando-a como uma cobra faz com uma presa indefesa.
Era difícil persuadir a vontade histérica que Emma tinha de mordê-la ao chegar ao ápice, mas fora firme, deixando que o orgasmo fosse despejado com fúria em sua mão. Só então Regina permitiu que a loira respirasse à vontade, para depois lhe arrancar o fôlego outra vez, com um beijo árduo e molhado. Elas ainda se envolveram num roçar delicioso, saciando o desejo de sentirem a líbido explorar ambos os corpos. Deram continuidade àquele chamego até que as pernas enfraqueceram e os seios arfantes demonstrassem o descompasso.
Regina foi a primeira a quase cair no sono. Emma continuava a lhe acariciar a face, notando o quão bonita era ela quando estava de olhos fechados. Nesse momento, daria qualquer coisa por um cigarro.
— Regi? — falou mansamente.
— Hum? — respondeu-lhe de um jeito manhoso.
— Preciso de cigarros. — beijou o canto de sua boca. — Vou até um posto aqui perto, quer que eu traga algo?
— Um sorvete de chiclete seria ótimo. — disse naquele fio rouco à meia voz. — Hum, ah… Quer dizer, não sei, não vá…
Emma sorriu, o coração também.
— Vai ser rápido, estou sem nenhum cigarro na carteira, o meu vício se intensificou esses últimos dias… Eu, eu fico meio vazia sem eles. Preciso terrivelmente de um cigarro agora.
— Sei… — Regina estava desperta, olhando em sua direção. Os lábios estavam inchados. — Sorvete de chiclete e vinho seco. Não demore.
Emma a olhou com estranheza. riu baixinho e Regina a cutucou.
— Au! — reclamou. — É estranho. Eu nunca conheci ninguém que bebe vinho acompanhado de sorvete. Sorvete de chiclete…
— Cale a boca e vá logo. Você só conhece gente normal. Eu sou uma mulher diferente das outras, achei que já soubesse disso.
— É — Emma concordou debochadamente. —, você tem razão. Qualquer pessoa normal sabe que sorvete de chiclete é estranhamente infantil e escolheria qualquer outro sabor.
— Emma, se você não sair da minha frente em cinco segundos, eu juro que eu-
Emma a tomou pelo rosto e lhe beijou docemente, sentindo o peito explodir de amor. Regina era uma maldita mulher estranha que a invadiu completamente.
Desde quando se tornou tão difícil não se deixar encantar?, Regina se perguntava, enquanto Emma saía pela porta da sala. Ficou de pé na janela, observando-a seguir no carro. O seu rosto exclamava a expressão desdenhosa de dúvida. Não era possível que tinha amolecido tanto. Que maldição, estava mesmo amando aquela garota. Lembrou-se que em outrora conseguiu enganar a si mesma, fingindo ódio a Emma; fingia odiar-lhe a beleza e o talento, os olhos e a voz, o cheiro e o jeito mimado de se comportar. Para no final, descobrir que era insanamente apaixonada por todos aqueles detalhes nela.
Estava de frente ao espelho, verificando os arranhões deixados pelas mãos de Emma em seu pescoço, quando ouviu o toque estrondoso da campainha ressoando pela casa. Viu que a carteira da loira estava caída no pé da cama, então se abaixou para pegá-la e saiu resmungando.
— Ah, claro! — bufou! — Idiota, tinha de se esquecer algo ou não seria Emma Swan.
Sorria, imaginando a cara de desconsolo que a loira deveria estar fazendo. No entanto, decepcionou-se ao abrir a porta num supetão.
— Olá, Regina. — a voz soara raivosa. — Presumo que saiba o que vim buscar aqui. Ou melhor dizendo… Quem.
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