Fatal Attraction

17 Knowing the fiancee.


Notas iniciais
Oi, benzinhos! Antes de tudo, obrigada a todas pelo retorno passado, é importante ter vocês comigo para avaliarem a fiction, logo mais agora, que está quase no final. Vim acalmar os ânimos de vocês depois do tão sofrido, capítulo passado. Para ser sincera, eu não planejava publicar nada hoje, mas me vi à toa e com a escrita afiada, resolvi trazer um pedaço rápido dessa história e esclarecer um pouco mais as coisas. Eu modifiquei esse diálogo final várias e várias vezes, só para no final cancelar a alteração e descobrir que não-dramatizar é um erro de profissão hahaha. Está curtinho, leitura rápida, esse final de semana estarei livre e prometo atualizar novamente. E para não perder a educação: boa leitura!



Um mês nunca havia sido tão longo antes. Os dias fatídicos rastejavam sob o tempo. Regina se enfiara arduamente em seu escritório, trabalhando de modo cansativo dia e noite, noite e dia. Ranzinza e cretina: uma antiga máscara havia sido reposta, trazendo à tona o lado sombrio da morena. O tempo passado ao lado de Emma devolveu à Regina um brilho que resplandecia o seu humor. Ausente de sua presença, a fera dentro dela estava cada vez mais atroz e pronta para caçar os que ultrapassassem os limites de seu instinto furioso. Os funcionários não escapavam de seu tom humilhante frente aos trabalhos e alguns até pediram demissão por não suportarem a crueldade da fotógrafa.

— Estou preocupada com você, Regina.

Bele brincava infantilmente com um canudo, antes mergulhado no martíni de gim.

— Cinco demissões em menos de uma semana. — ela comentava, enquanto um barman barrigudo surgiu com novas taças de bebidas para as damas. — Gold me disse...

Regina largou um suspiro desinteressado, dirigindo à atenção para uma azeitona no fundo da taça. Estava aparentemente exausta, os olhos fundos e a pele pálida.

— Sabe, ele não estava querendo fazer fofoca nem nada parecido. Nós nos preocupamos. Você é como uma segunda filha. — Regina riu zombeteira. Bele ficou tão sem graça que o rosto se acendeu em um rubor aparente. — Você tem sido cruel com qualquer um que tentou ajudá-la nos últimos-

— Eu não preciso de ajuda. — Regina a cortou, confrontando-a com um olhar gélido. — Viemos aqui para nos divertir, mas você só está me aborrecendo com essa falácia penosa ao meu respeito! Se for para me irritar, avise-me com antecedência e eu trarei Cora para se juntar a nós, será perfeito, não há ninguém que leve tanto jeito nisso!

Bele balançou a cabeça tristemente. Regina e ela costumavam dar-se incrivelmente bem, nada as distanciava, havia um laço de tenuidade entre as duas. Uma irmandade inquebrável.

— O que aconteceu com você? Minha nossa, está carrancuda por demais!

— É culpa sua, sabe disso? Você quem me instigou a ir atrás da-

Regina pausou, respirou profundamente e cerrou os punhos debaixo do balcão.

— Eu nunca teria ido atrás dela se não fosse por tudo o que me disse naquele dia. Eu jamais teria me arriscado tanto se não fosse por toda aquela conversa fantasiosa sobre não deixar o — seus dedos agora abriam aspas imaginárias. — amor verdadeiro escapar.

— Você é impossível mesmo!

Embora Regina fosse rude em seu tom debochado de voz, Bele aturava todos os seus caprichos, pois sabia que por baixo da casca dura havia uma mulher sensível e absurdamente frágil.

— Nós não sabíamos sobre uma terceira pessoa na relação. — disse ela. — Não pode me culpar por Emma ter uma noiva. Eu só tentei ajudar, você estava infeliz, Regina. Precisa se ver.

— Não fale o nome dela perto de mim outra vez! — Regina se virou com raiva escorrendo através das feições. — Não fale!

Intimidada, Bele apenas confirmou com a cabeça.

— Precisamos falar sobre algo em relação a ela.

— O quê?

Bele então abriu a bolsa que segurava no ombro, revelando um envelope com tons de cores neutras e uma fita rosa salmão enfaixando a extensão. Em seu centro havia um letreiro do mesmo tom da fita que dizia: De: Emma e Lily — Para: Robert e Bele

— É o que eu estou pensando? — Regina perguntou secamente. — Diga, é ou não é?

— É. Está marcado para o verão, será uma grande festa no salão de artes de Ingrid. Gold quer que eu vá... Você deve saber...

— Está tudo bem, Bele. Não precisa dar satisfação nenhuma.

— Não gosto de vê-la assim, Regina... Sei que de alguma maneira Emma a amou-

— Bele, pare! — Regina vociferou. — Diabos! Quantas vezes eu vou ter que repetir?

De um jeito dramático, a morena jogou uma nota de cem dólares sobre o balcão. — Pode ficar com o troco! — disse ela para o barman que as atendeu. Sem muito repensar, arrancou a bolsa do mármore e deixou o estabelecimento com uma expressão zangada em seu rosto.

— Regina!

Bele deixou a mesma quantia para o rapaz e se esforçou para seguir a amiga.

— Regina, espere! Não saia andando desse jeito, você vai ser atropelada!

— Deixe-me em paz, Bele. Vá para o inferno você também!

Ela apenas revirou os olhos e continuou a perseguir a morena. — Vá devagar, esse piso maldito está arrebentando o meu salto! — mais alguns passos e ela finalmente a alcançou. — Ufa!

— Táxi! Aqui, por favor! — Regina acenava para os carros, mas nenhum estacionava. — Táxi!

— Regina, qual é? Vou levá-la até a sua casa. Não precisa fazer todo esse drama! Pare de acenar, ninguém vai parar.

Elas cruzaram a rua logo que Bele a convenceu a aceitar a carona. Dentro do carro, o silêncio acometeu um grande peso entre elas. Bele não sabia o que dizer para confortá-la, e Regina não sabia como agir para não soar desesperada.

— Ela ainda não foi.

Disse Bele, Depois de analisar as feições curiosas da amiga. Sabia exatamente em quem ela estava pensando e sobre o quê.

— O que disse?

— Ela ainda não foi... Se quiser saber. Continua no mesmo apartamento. O voo dela está marcado para o próximo mês. Gold me disse que terá uma festa para encerrar a campanha que vocês fizeram juntas e ela terá de comparecer para as fotos do evento.

Embora não tivesse demonstrado por completo, Regina se animou curiosamente com a notícia. Não sabia o porquê, mas algo dentro dela comemorava o fato de ainda poder rever Emma e, ainda assim, o seu lado racional estiva encurralado com a possibilidade de um futuro encontro entre elas: Regina sabia que aquela proximidade só reabriria feridas que ainda passavam por um processo de cura.

. . .

Manhã de sábado. Clima ameno, céu parcialmente dublado: nada além do cinza. Um garoto adormecido em seu quarto. Uma francesa cortando frutas e passando o café na máquina. Na varanda, Emma se encostara contra a sacada e em sua pose observava as nuvens se mexerem preguiçosas acima dela. Estava ali desde às 5h00. Sua nova rotina lhe tirava da cama antes mesmo do nascer do sol: adormecia com dificuldade e logo que o sono a embalava, os pesadelos assomavam o subconsciente atordoado. Para não acordar Lily, Emma se levantava e recolhia o corpo no recinto da sala de estar. Dormia pouco e dormia mal. Depois que a notícia do seu envolvimento amoroso com uma mulher sugira na mídia, Emma não tivera sossego. Recebi ligações incessantes à sua procura — todos queriam uma entrevista com a filha lésbica de Robert Gold —, por esse motivo Emma optou por se manter afastada o máximo que pudesse. No entanto, teria de aparecer em público naquela noite. Seria a última vez que iria expor a si em Chicago: seu voo já estava marcado para aquele mesmo mês; o casamento não podia esperar mais. Lily não podia esperar. Não depois do episódio entre ela e Regina.

— Querida? — Lily já a chamava pela terceira vez. — Emma, meu bem!

— Ah! Oi. — a loira se virou espantada. O pensamento voejava para longe daquela dimensão. Não notara a chegada repentina da noiva, que agora lhe envolvia a cintura com um braço e com o outro a entregou uma xícara. — Café? Obrigada.

— Não agradeça. Estou fazendo a minha obrigação como sua futura esposa.

Lily possuía aspectos tradicionais em sua personalidade. Era bastante formal e, apesar de sua orientação sexual, seguia preceitos tradicionais. Agia como uma dama recatada, presando por bons modos e rotinas caseiras. Sua postura era impecável, uma legítima descendente de duquesas. Havia nobreza em seus antepassados.

— Os nossos trajes chegarão a qualquer momento. — dizia, enquanto os dedos amaciavam o cabelo bagunçado de Swan. — Não posso acreditar que o seu pai finalmente decidiu fazer uma festa com um tema tão ousado quanto este.

— Festa à fantasia? — Emma sorriu. — É ideia de sua nova namorada, Bele. Certeza.

Lily torceu o nariz.

— Ugh.

Emma estranhou o seu desdém.

— Qual o problema? — ela se desvencilhou. Encarou o rosto da noiva de modo curioso. — O que há de errado com Bele?

— Nada. Só a achei um tanto simples.

— Você quis dizer pobre. — Emma alfinetou. — Só porque Bele não provém de uma família rica não quer dizer que seja insuficiente. Ela é uma ótima moça e Robert a ama.

— Ela é uma interesseira, Emma. Deveria estar curtindo a vida com algum rapazote na idade que tem.

Espantada, Emma a deixou jazer a sós na sacada e caminhou para fora da varanda.

— Querida, por favor, não me venha dizer que acreditou mesmo naquele papo furado de amor verdadeiro que ela tanto dissertou durante o jantar!

Lily se referia ao jantar que Emma e ela ofereceram para Gold e a ruiva na semana passada, logo que a loira achou convincente declarar o seu noivado e, por conseguinte, apresentar nora e sogro.

— Bele realmente o ama e eu não discutirei isso com você.

Lily a seguia com um sorriso cínico no rosto. Emma estava aparentemente levando aquela discussão para o lado pessoal.

— De repente você se tornou uma dessas mulheres românticas que creem em amores intensos e idealizações passionais? Ah! Como isso aconteceu?

Emma rolou os olhos ao jogar a xícara de mau jeito para dentro da lavadora de pratos. Certamente aquele assunto a desinteressava.

— Talvez. Não importa.

Lily não era uma parceira apaixonada e romântica. O relacionamento com Emma começou quando se conheceram na academia de artes de Ingrid. Era uma mulher bela e sorridente, além de ser um bom partido, pois descendia de uma típica família burguesa da alta sociedade parisiense. Era aventureira e bastante inteligente: dava aulas de artes na cidade e participava de leilões para arrecadações de escolas públicas pós-modernas. Emma se encantou quando a viu pela primeira vez. Elas roubaram champanhe de um evento da galeria e se embebedaram na cobertura de lá. Beijaram-se, transaram e um ano depois estavam noivas.

— E eu posso saber o que despertou tanta passionalidade em você?

— Do que está falando?

Emma cruzou os braços, irritada, e tornou a encarar a mulher mais alta à sua frente.

— Só estou perguntando se há algo — ela endureceu o tom de voz. —, ou seria alguém? — fingiu uma expressão inocente. — Responsável por torná-la romântica. Não há por que se irritar, querida!

— Essa conversa está me enojando. — de fato, Emma sentiu uma leve tontura incomodá-la com a insistência de Lily. — O seu cinismo me enoja.

Sem remorso, a noiva fez um bico triste expressando a falsa comoção.

— Perdão. Eu não quis fazê-la recordar o seu — Lily levou o indicador à testa para encenar uma ideia. — Como é mesmo a expressão? Oh! Casinho. — pronunciou com indiferença. — Uma fotógrafa? Ah, Emma, que grande clichê, eu esperava mais de você!

— Lily, já chega! — Emma vociferou. Em algum momento, ela achou que fosse esganar a própria noiva. O sangue subia à cabeça, fazendo-a perder o controle. — Nós havíamos combinado que eu precisava desse tempo, e para começo de história, você nem deveria estar aqui! Eu disse que voltaria quando não tivesse mais dúvidas! Não pense que esqueci a sua canalhice, portanto não me venha falar sobre moral ou sobre as escolhas que eu faço ao levar uma mulher à cama.

O fato é que Emma não havia lhe abandonado à toa. Antes de partir para Chicago, a loira havia flagrado sua noiva aos beijos com uma de suas alunas. Lily insistiu que fora só um deslize seu e não acontecera muitas vezes: teria sido apenas sexo e nunca o fez fora da galeria. Deitou-se com a mesma aluna outras duas vezes e o que ela havia presenciado fora só uma tentativa da mesma em repetir a dose.

Antes que qualquer uma das duas tornasse à discussão, o som da companhia ressoou para dentro do cômodo, e ambas controlaram os nervos.

— São os nossos trajes! — disse Lily simplesmente. — Eu atendo!

. . .



Notas finais
Esses três pontinhos fofitos é um código para ''continua'' porque sou muito clichê mesmo. (perdão) e, ahhhhhhhhhhhhh, comentem, favoritem, critiquem, recomendem, o que vocês quiserem, mas façam minhas noites em claro à procura de inspiração valerem a pena, só tenho escrito nesse meio de tempo por causa de vocês. < 3 sigam a lobinha (no caso eu) no tt @w0lflovely