Fatal Attraction

20 It's a terrible love.


Notas iniciais
Oi, vocês! Sentiram saudade de mim e dos meus capítulos recheados de drama? Voltei! (E espero que sem parar novamente) Só queria dizer que não abandonei a fanfiction (como muitas pensaram), eu só estava/estou passando por momentos delicados na minha vida pessoal, além de ter estado ausente de tempo e outros afins. Essa história será concluída SIM e o mais breve possível. O capítulo tá cheio daquele "mimimi" inevitável e nem é longo. O próximo vem loguinho, juro! Boa leitura! (:



Emma nunca fora uma mulher muito pragmática. Pelo contrário, era prática e determinada. Quando queria algo, tinha-o. Quando desejava, saciava-se daquilo. Com charme, beleza e dinheiro, era difícil não conquistar aquilo que almejava. Sobretudo essa teoria caía à ruína quando se tratava de Regina Mills. Não era tão simples assim tê-la. Não depois de tê-la machucado. Não depois das omissões. Não depois de tanta dor sentida. Não depois de vê-la chorando à sua frente, pedindo-a para ficar, para lutar por elas. Não com uma noiva insistente e tradicionalista a esperando dentro do apartamento onde o seu filho dormia.

Emma estava com o seu carro parado no jardim da casa da fotógrafa de seu pai. Já era tarde. No que ela estava pensando? Jazer ali. Estacionada às 2h00 da madrugada na casa de alguém que não gostaria de vê-la nem pintada a ouro. Não sabia ao certo o que havia lhe levado até lá, senão sua obsessão em não desistir de quem realmente amava e gostaria de selar votos. Era bobagem sua achar que depois de tanto veneno destilado entre os seus encontros, Regina ainda lhe daria uma chance de provar que havia arrependimento correndo em seus neurônios. Havia dor em seu peito e lágrimas presas em seus olhos. Jamais aprenderia o conceito certo acerca da paixão, mas sabia que senti-la era como pôr as mãos despidas para dentro de uma fogueira crepitante e ali deixá-las, mesmo que no início o fogo ameaçasse enlouquecê-la com aquela brasa devoradora, pois em alguns instantes, a dor não lhe incomodaria mais e o desespero cessaria, queimando até corroer toda a carne.

Palavras. Promessas. Isso não significaria mais nada àquela altura do jogo. Precisava de um plano, de uma estratégia que funcionasse. Não queria fazer toda a dor desaparecer: sabia que aquilo não seria possível. Queria que uma nova sensação a ocupasse. Queria ter Regina de volta, do jeito certo, sem falsas promessas melindrosas, sem encontros sofridos às escuras. Queria mostrá-la às câmeras, à mídia, aos jornais. Queria que aquele sentimento saísse em notas vocais através de sua boca. Queria dizer ao mundo que a amava ardentemente. Queria que aquele teatro chegasse ao fim, pois jamais seria capaz de amar Lilian do mesmo jeito que a amava e já não suportava mais encenar aquele circo. Só não sabia como fazê-lo, porque nada parecia estar fazendo sentido. Estar ali não fazia sentido.

O seu celular tocou. Era Lily, pela terceira vez, então a loira atendeu à chamada.

— Oi. — disse seca.

— Emma? — ela estava chorosa, porém com raiva. — O que porra você está fazendo? Quer me enlouquecer? Volte logo, estou exausta dessa m-

— Cale a boca, Lily! — Emma a cortou, impaciente. — Não finja que não sabe que eu estou fugindo de você. Estou voltando. Não porque você quer que eu volte, mas porque é a droga da minha casa e você só está nela porque eu permito. Então, por favor, não force a barra, certo?

— Qual é a merda do seu problema, Emma? Porque está sendo tão filha da puta com alguém que só quer o seu bem e o que é-

— O quê? — a loira esmurrou o volante. — “o que é melhor para mim”? É isso o que ia dizer? Você não quer o meu melhor, Lily, você quer arrancá-lo de mim e o tomar para si.

E desligou. Dando partida no carro e seguindo de volta para casa. Ela dirigiu choramingando algumas lamúrias e deixando que o coração sentisse tudo o que estava borbulhando há dias. Não precisava ser forte o tempo inteiro e sabia que naquele momento ninguém poderia vê-la sofrendo assim. Era difícil estar sem o controle do próprio coração. Entrou sem fazer barulho, poupando-as de uma nova discussão sem nexo. Suas conversas com Lilian eram sempre as mesmas: davam voltas no mesmo círculo infinito e sem fim. Parou um instante no bar da sala e se serviu de um Uísque malte, que descera rasgando as paredes da garganta. Bateu o copo com leveza sobre a madeira e decidiu que necessitava de outro. Despejou o máximo que o recipiente aguentava e foi bebericando até o quarto.

Naquela mesma noite, no segundo em que Emma deixou o jardim de Regina, a morena havia sentido um clarão invadindo a vidraça de sua janela, aturdindo os seus olhos e despertando-a de um sono leve. Coçou os olhos, forçando a visão noturna, e se levantou em resposta daquilo. Caminhou automaticamente para o basculante e se debruçou sobre ele. Então ela avistou o automóvel de Swan dando ré. O que diabos ela fazia ali? Checou o relógio, 2h40, 2h50, talvez, era difícil de enxergar com precisão. Levou minutos num trajeto que media as quinas do assoalho de seu quarto. Caminhava para lá e para cá, coçando o pescoço, agoniada, pensando sobre aquilo.

Ela quer me destruir. Quer me seduzir com essas maluquices apaixonadas e me fazer sofrer com a realidade. Pensara. Depois se estapeava, bebia um gole de água e voltava a refletir. Ou talvez ela quisesse se desculpar pela bagunça que causou.

Pensou no que faria sobre aquilo, mas nada lhe soara racional naquele horário. Dane-se, pegou o celular e digitou uma mensagem de texto que fora enviada para o contato de Emma Swan. O smartphone da loira piscou, no instante em que saía do banho aturdida, pronta para se deitar na cama. Sabia que era uma péssima ideia misturar álcool e um estômago vazio. Encostou-se à coluna da parede e só faltou perder o ar quando os seus olhos viram o contato mencionado na notificação. Errou o código de desbloqueio três vezes e aqueles malditos trinta segundos de segurança a fez bater os pés fortemente contra o chão. Praguejou sobre a lentidão da tecnologia e finalmente conseguiu acessar a mensagem.

O que pensa que está fazendo vindo aqui, Emma? Eu vi você. Você não deveria fazer essas coisas. R M. 03h02min. Enviado.

Por alguns segundos a loira sentiu que fosse vomitar. Sentou-se à cama e fitou a tela do smartphone fixamente. Não sabia o que dizer. Não tinha nada a dizer. Só sentia tanto a falta dela. Digitou algo que fluiu espontaneamente e o enviou roendo os dedos, pois as unhas já estavam no limite.

Eu sinto sua falta e isso me atormenta. Essas lembranças me assombram como se fossem fantasmas. E.S. 3h06min. Entregue.

Regina, que permanecia ansiosa dando rodeios pelo quarto, ouviu o celular vibrar sobre a cama e não soube o que fazer. Quis ter controle sobre si e ignorar aquelas emoções nauseantes, só não podia fazê-lo, pois há muito já as alimentava em excesso. Leu repetidamente a mensagem de Emma. Sinto sua falta. Sentia sua falta. Será que sentia mesmo ou era a culpa devorando-a? E por que aquela distância era tão cruel com o seu coração? Estava em pedaços, esmagadoramente despedaçada.

Você teve a sua chance. Como pôde jogá-la pela janela e de repente achar que palavras fáceis têm efeito sobre mim? R.M. 3h10min. Enviada.

Não são fáceis para mim. Quando é que alguma coisa foi fácil entre nós? Nada é fácil. Você não sente saudade? Eu sinto, sinto saudade, sinto ter perdido você, sinto tê-la deixado escapar entre os meus dedos como o vento corre solto entre vales e florestas. E.S. 3h15min. Entregue.

Maldita. Sabia como desflorar o ponto doloroso do sentimento. Sabia como despertar em Regina a moça vulnerável e apaixonada. Leu aquilo sentindo o coração pulsar feito um touro dentro dela. Oh, Emma, você não possui mais esse direito.

Pare de me ferir assim, Emma. Eu quero ir, você pode me deixar ir? Vá embora, case-se com Lily, adote meninas francesas, grave comerciais, fotografe para uma campanha internacional de roupas íntimas, faça compras as terças e quintas, plante uma horta no quintal, vista vestidos floridos em finais de tardes, fume cigarros em dias de chuva, leia livros que você odeia e reclame deles com a moça da biblioteca. Faça o que quiser, mas vá embora, suma dos meus olhos e me livre dessa agonia. Eu não quero mais ver você por acidente e fingir que não me dói olhar você com ela e não poder te tocar como eu quero. Isso está me esmagando, você entende? R.M. 3h28min. Entregue.

De uma coisa Emma sabia: não suportava mais resumir aquilo à dor. Não suportava mais andar com aquele nó preso entre a garganta.

Eu preciso vê-la! Regina, eu preciso disso. Eu estou ficando doida, maluca, pirada! Vejo você em tudo, qualquer coisa me faz lembrar você. Sabe tanto quanto eu que nada disso me faria feliz. Quero ser triste, não me importo em ser triste se você for triste do meu lado. E.M. 3h31. Enviada.

Lilian, que estava no quarto de hóspedes, sentira sede e se levantou para beber água. Foi quando viu a réstia de luz que emanava do quarto da loira. Largou a porta da geladeira semiaberta e a empurrou com o solado do pé. Andou devagar até o cômodo e muito delicadamente abriu a porta para encarar o semblante indecifrável de Emma ao encarar o visor do smartphone. Quando notou a presença da noiva, Swan bloqueou o aparelho e cruzou as pernas para lhe devolver o olhar azedo que a invadia raivosamente.

— Estava onde eu acho que você estava? — perguntou indelicada. — Hein, estava?

Sorrindo, Emma deixou à mostra todo o desprezo que nutria pela mulher. Aquilo já havia ido longe demais. Não compreendia mais o porquê de estar com Lilian.

— O que você quer que se deu ao trabalho de vir até aqui me importunar?

— Afiada. — Lily também sorria. — Quero o que é meu — ela disse, avançando para dentro do quarto. Deu uma olhada sedutora para a noiva, mas que já não a excitava tão pouco. — Quero o seu corpo.

Emma gargalhou. — Esse corpo não é mais seu há muito tempo. — levantou-se, fugindo das investidas. — Isso está ficando ridículo, nem sei mais por que estamos seguindo adiante.

— Sonsa, não se faça. Você sabe que precisamos ficar juntas. Ninguém vai te dar o que eu posso oferecer.

Emma secava o cabelo úmido com a toalha, de frente ao espelho. Podia ver Lilian pelo reflexo. Ela a encarava de um jeito apavorante, como se fosse capaz de qualquer coisa para conseguir o que queria.

— Ah, claro — respondeu-lhe. — Ninguém me daria tanta dor de cabeça como você o faz. Isso, minha querida, só você pode me oferecer.

O celular de Emma vibrou onde ela o havia deixado: entre os travesseiros e a chave de seu carro. Notando o brilho da tela aceso, Lily se aproximou e o tomou nas mãos. Havia uma notificação explícita de sms, a qual ela pôde ler claramente sem precisar desbloquear.

Não me peça coisas insanas quando eu sei que é impossível ficarmos juntas outra vez. Não dificulte isso para nós duas. Não venha mais à minha casa. Não procure mais por mim. Não quero mais fazer isso. R.M. 3h40.

Uma raiva estridente se apoderou do corpo da francesa, fazendo-a espremer o smartphone entre os dedos. Os seus dentes trincaram e um calor possessivo lhe percorreu o colo.

— Vamos partir amanhã! — esbravejou, jogando o aparelho em sua direção. — Faça as malas, Emma. Eu não estou de brincadeira!

Por sorte, Emma fora ágil e o segurou a tempo, evitando que se estraçalhasse todo.

— Maluca! — Emma gritou, enquanto batia a porta com força. — Não vou a lugar algum com você!

Segurou o rosto entre as mãos e se concentrou em respirar repetidas vezes. Como em um exercício necessário. O estômago queimava em pólvora, ardia, estava bêbada, decerto. Quase ao vômito. Leu e releu o pedido doloroso: "Não procure mais por mim.", sabia que não era aquilo o que a morena realmente desejava. Finalmente tomou a coragem que precisava e a ligou — tremelicava a cada "tum… " infinito que a chamada fazia —, sem no mínimo saber o que a diria.

Regina atendeu, mas nada disse. Emma a ouvia respirar pesadamente do outro lado da linha. Elas ficaram naquela conexão por tempo o suficiente até começar a soar constrangedor e elas perceberem o quão irracional aquilo era.

Eis que Emma decidiu cortar o silêncio:

— Eu quero ouvir você dizer.

Regina prendeu o ar nos pulmões.

— Dizer o quê? — resistiu, mas Emma riu, nervosa. — Dizer que não a quero mais à minha procura? Dizer que isso me desgasta e se você parasse eu teria paz? Dizer que — parou um instante, reparando no misto choroso em que a voz embargava. — que… Que eu… Eu, eu estou morta sem você. Estou pirando. Parece um pesadelo, não vejo a hora de ser acordada.

— Regina… — falou manhosamente, cortando-lhe o coração. — O que estamos fazendo? Digo, o que estamos fazendo com a gente? Nós duas, você e eu. O que nós, o que-

— Seja lá o que for, Emma, tem de parar. Você me entendeu?

— Nããão! — a loira quase cantarolou, implorando tristemente. — Regina, não! Eu não quero nada disso. Não quero esse casamento, não quero a Lilian, foda-se o meu pai, aquele manipulador indecente! Foda-se o dinheiro investido nesse noivado! Foda-se a minha reputação, foda-se!

Então Regina notou um timbre estranho na voz da amante. Sabia que Emma não era tão aguda normalmente.

— Emma, você bebeu?

— Quê?

— Eu disse: Emma, você bebeu?

Revirando os olhos, a loira caçou uma roupa rápida de vestir no closet e tateou sobre a escrivaninha, buscando as chaves do carro.

— Chego em meia hora.

— Como?! — a morena espantou-se. — Está ficando maluca? Não me ouviu dizer que não quero-

— Foda-se, também, o que você finge que quer.

Emma desligou.

Notas finais
Prometo não me demorar muito e saibam que cumpro minhas promessas: disse que a Emma deixaria de ser otária e esclareceria as coisas (bem, ela está tentando, vamos com calma) e que Regina e Lilian teriam um encontro para pôr as cartas na mesa (isso ainda está por vir), e por enquanto basta. Quem quiser manter contato comigo há o meu tt @wolflovely - que está abandonado, porém vou voltar -, e o famigerado Facebook [Kênnia Christyellen Arnaud] algumas meninas costumam conversar comigo por dm e me cobrarem capítulos novos e a única regra a seguir, é: não vale vir fechar comigo porque fui má na história, vem só no amorzinho mesmo, beijocas