Fatal Attraction

6 I hate you, but i love when you touch me.


Notas iniciais
Oi vocês! Queria só salientar umas coisinhas antes. Bem, o capítulo é mais um flashback da Regina com a Emma de alguns dias atrás, acontece pouco antes da festa de divulgação na qual Emma será modelo oficial. Gold parece um pouco grilado com essa relação, hein? E há um motivo para isso, mais adiante verão o porquê, podem dar suas opiniões. E claro, não poderia esquecer: fiz um trailer da fanfic! Deixei o link abaixo da sinopse, mas vou deixar aqui também! (https://www.youtube.com/watch?v=urN5ZgZwV2w)

Vinte e quatro horas. Era o tempo cronometrado que restava para os preparativos finais, da tão esperada confraternização, e cada um ali dentro parecia desgovernado pela ausência momentânea da perfeita sanidade.

Os últimos dias foram como abstinência para um viciado. Inevitável, se possível fosse, e como não era, ansiava-se pelo tão esperado, dia de luz. A etapa mais difícil já havia passado, encaixava-se na primeira etapa. Etapa esta, na qual Regina teve de convencer Gold, Neal, e toda a cúpula magnata de que Swan era o que todos procuravam. Não fosse o irmão da própria, certo da beleza talentosa que Emma possuía, talvez ela não tivesse conseguido.

O fato é que Gold não se saía bem bancando o inocente, quando sentia cheiro de segredos no ar, logo captava, e feliz não ficava. Era um homem experiente, ciente do que se passava ao redor do seu império. E já desconfiara, havia dias, da forma estranha encenada pela filha na presença de Mills.

Gold suspeitava do motivo pelo qual Emma havia, fugido, diga-se, da França para Chicago. Emma havia ido embora há tantos anos, com tanto desprezo no peito pelo pai, que parecia impossível aceitar que retornara outra vez. Por isso a suspeita. E caso estivesse certo sobre isso, teria de resolver esta questão em particular, e um romance passageiro atrapalharia seus planos. E quem na face da terra, imaginaria que uma típica aversão entre duas mulheres acabaria tão romanticamente?

Em contrapartida, cabia as duas lidar com o tempo curto uma da outra. Até mesmo Regina, que nunca havia, sequer imaginado, sentia falta de esbarrar na loira corredores afora.

Não era surpresa para a imprensa, que alguém, bela como a filha de Robert Gold, ganharia tão facilmente a concorrência. Sendo assim, a moça permaneceu muito bem ocupada se dispondo à entrevistas e fotos para colunas de revistas locais. Ensaiava noite e dia somente para agradar nos holofotes da festa que divulgaria o projeto.


Em meados daquela mesma semana, quando todos os funcionários já finalizavam seus turnos, e ninguém mais andarilhava pela empresa, Regina recordava, passageira em seu quarto particular, o encontro com Emma em uma noite passada. Para sua surpresa, numa dessas noites, Emma adentrou sorrateiramente sua sala. Quando a morena preparou-se entreabrindo os lábios para murmurar algo grosseiro, Emma a calou com um beijo de pé. Um beijo que pode-se comparar a um soco no estômago, de tanto que dói. E que dor sensata, em meio à repulsão, essa faísca flamejante de atração. Um beijo tão quente, que uma febre de sensações lhe percorreu o corpo.

— O que faz aqui, Emma? – sussurrou-lhe, a voz morna entredentes, – você não deveria estar ensaiando?

As duas se apalpavam, provando do calor que vertia de ambos os corpos.

— Quero roubar você, só por uma noite. – confessou-lhe, enquanto a beijava repetidamente no pescoço.

Regina revirava os olhos, cedendo decerto, ficando as unhas no cabelo de Swan, a fim de guiá-la: um beijo aqui, outro ali.

— Você ainda irá nos meter em encrenca, Emma Swan!

E no auge do afogueamento, as duas uniram as pernas umas nas outras, encaixando-as como um fio enovelado.

Regina gemeu tão baixo que nem ela mesma pôde ouvir a si. Roçou-se na loira com vontade e disse:

— Emma, – arfou, deixando o nome da amante escorregar entre fraquejos. – Emma, alguém... pode... nos, nos ver, Emma... Oh, céus, pare...

As mãos de Emma, outrora nervosas, mas hoje seguras, perpassavam por debaixo da blusa de botões da fotógrafa, acariciando a pele cujos pelos arrepiavam-se à medida que se beijavam.

E as duas saíram dali. Em urgência, por um motivo em comum: sentiam saudades uma da outra, embora a razão dificultasse a aceitação.

Era um daqueles dias no qual as nuvens debruçam-se umas sobre as outras no céu estupendo, oscilante e ácido de sereno. Um dia daqueles, o silêncio soterrando cada resquício de chuva, e a neblina tinha cheiro de terra molhada; assemelhava-se mais com fruta podre, recém caída do pé. A fragrância doce e madura de caqui ou, quem sabe, uva moscatel, alternando entre os respectivos narizes, ora no de Emma, ora no de Regina.

O céu não negara beleza naquela noite. As estrelas mais se pareciam com vidro quebrado, estilhaçado no espaço. Brilhavam numa sucessão sugestiva de incandescência, era uma paisagem utópica, com passagem gratuita a nostalgia, sem negar o tom de hipérbole.

Avistaram a longa torre de onde surgira a luz, não tão mais forte do que aquela que esbravejava do céu, do farol, farol vermelho, aquele que enviava sinais de fogo ao quarto de Swan todas as noites; a luz que hipnotizara Regina em sua ida ao quarto de Emma. Era de uma onda visual magnética de rubi, refletindo a areia espumosa da praia e o acinzentado das rochas. Regina havia entrando em profunda transe, seus olhos miravam o horizonte, ademais, Emma percebera a distância na qual suas íris achocolatadas viajavam por um universo paralelo. Aproximou-se o máximo que pôde, tocando a morena nos ombros.

Está surpresa? – cochichou, baixinho, ao pé do ouvido de Regina. Esta pouco se moveu, ainda boquiaberta. O olhar captava cada movimento das luzes, da cor, do tom, do ar, do céu.

E quem não ficaria?

Um farol, lua cheia, brisa fresca.

Um farol... Emma, no farol.

— Emma... isso é,.. perfeito!? Não sei se há existência de palavras capazes de descrever tão bem quanto eu gostaria! Eu já havia notado as luzes do seu prédio, mas, nunca contei com a possibilidade de ver com os meus próprios olhos de onde vinham!, há quanto tempo é compensada com essa beleza toda?

Emma sorriu. Sorriu após cada palavra dita. Causara o efeito que já imaginara. Queria surpreender. Queria provar em alta dose o tamanho do seu interesse em tê-la somente para si. Queria que Regina se sentisse especial, simplesmente porque era.

Ponto para Emma, ela havia ganhado mais uma.

— Esqueceu que nasci, morei, e vivi um bom tempo aqui? – dizia-lhe, num tom confidencial, enquanto caminhavam. E fazia frio.

— Quando mais nova descobri esse lugar com Neal. Éramos dois adolescentes aborrecidos, vagaríamos mundo afora sem nada nas costas naquela época. Acontece que ele amadureceu bem mais rápido, enquanto eu demorei um pouco para cair na real. Bem... Certo dia, briguei com Gold, me neguei a aceitar sua ajuda para ingressar numa universidade em Berkeley. Fiquei maluca! Roubei o carro de Neal e dirigi com uma pressa incalculável. Apenas dirigi, não olhava para trás, não media velocidade. Acabei vindo parar aqui perto e notei o reflexo avermelhado cobrir parte de tudo. Andei até encontrá-lo, e fui encontrada logo em seguida. Me deitei bem ali, – sacudiu a cabeça a fim de indicar um certo lugar na areia. – Neal deitou-se do meu lado logo depois. Chegou tão mansamente que não o ouvi. Não dissemos uma palavra, só fitávamos o céu até que não houvesse mais estrelas. Nunca trouxemos ninguém aqui, ninguém no mundo merecia esse prazer. Pelo menos não até agora, não até você aparecer.

Regina a ouvia lisonjeada, aquilo soara como música para os seus ouvidos; não piscara um segundo sequer enquanto caminhavam, sem perceberem o quão próximas estavam da torre. Os pés afundavam cada vez mais na superfície macia de areia. O vento espalhara seus perfumes, cada qual embriagada por outrem.

— Você não imagina a saudade que senti depois que parti. Foi o primeiro lugar que visitei quando cheguei, de repente me senti com dezessete anos outra vez.

Nesse instante, seus olhos tão verdes disputaram brilho com a lua. Escorriam vislumbre através dos sentimentos confidenciados.

— Ual... Você têm histórias para contar, Emma Swan. Devo me sentir especial? – perguntou sinceramente. Regina mirava os lábios da loira, que de tão perto roçava nela. Desejando-os nos seus.

— Se isso não a torna especial, eu desconheço o que a tornaria.

Riram. Não qualquer riso, este foi encantador. Era recheado de carinho, porque uma estava conhecendo melhor a outra. E agora, submetiam-se a uma rede intransponível de sentimentos. Como se de fato houvesse rede alguma para o amor.

— Chegamos. É aqui que subimos, – mostrou-lhe a torre que subiriam. – espero que não tenha medo de altura. – salientou por fim, relembrando a imensidão de degraus que havia até o topo.

— Levando em conta que ninguém aqui têm mais dezessete anos, medo de altura é algo que superei há anos.

— Então trate de vir logo, eles já vão começar! – puxou-a para o térreo da escadaria, devorando os degraus um a um.

Regina não entendeu. De quem Emma falara? Eles? Eles quem?

Louca, Emma era louca...

De súbito a fotógrafa agarrara os degraus. Se perguntara internamente o por quê de ter aceitado compactuar com tamanha insanidade. Onde já se viu, sair no meio da noite invadindo torres, em busca de uma vista jamais vista por si.

A resposta estava estampada nas entrelinhas da própria indagação. Estava em ficar com Emma. Estava na aventura de estar ali por opção.

— Emma, – ofegou, já no fim da escadaria interminável.

— Sim?

— De quem você está falando? Eles quem?

— Dos fogos – sussurrou num fio melancólico de voz.

E quando chegaram ao topo se olharam, extasiadas, mudas. Quando as palavras faltaram, fizeram proveito da bela vista. Em algum lugar dali, Emma havia escondido um bom vinho branco, duas taças médias, e as duas mulheres tilintaram satisfeitas.

Daquela noite Regina não esqueceria nem por um decreto. Não esqueceria das mãos frias de Swan tocando-a o rosto, da boca esfomeada beijando-lhe numa quietude petulante, nem do arrepio mordaz induzido na pele quando se amaram no mar. Fora a melhor noite que tivera ao lado de alguém e seu único arrependimento fora não ter dito isso a Emma.

Estavam as duas despidas sobre a areia salgada do mar, sob um maremoto de emoções, e quando se tocavam intimamente sentiam uma intensidade turbulenta. Regina e sua profundidade cheia de mistérios, o caos marítimo dentro dela; Emma cativante e esmagadora.

A mente vagueando com as lembranças para no mesmo instante questionar-se: Por que diabos não a procurava? Que mal faria ao ego se fosse até ela e se desculpasse pela forma estúpida que fugiu logo depois? Que custava tentar?

Não importava o quanto se martirizasse, as raízes do orgulho se ramificavam dentro do corpo, crescendo e florescendo nos terrenos seus. Sabia que a única reversão para a sua solidão era aceitar seus sentimentos por Emma, mas Regina estava tão longe disso que preferiu engolir o nó da garganta e focar na confraternização.

Organizou uma mesa de centro ali em seu quarto escuro, na qual guardava fotos dos testes de Emma. Seria ela a fotógrafa oficial do projeto, no entanto era Neal e os estagiários que estavam encarregados dos ensaios. Já havia acolhido a bolsa entre o braço e a cintura pronta para ir-se embora quando um sorriso esboçou-se no rosto. Emma vestia um vestido azul claro de verão, e seu olhar era sereno encarando as lentes e, a foto era linda, linda, a foto era absurdamente linda. Regina a retirou de cima das outras e a trouxe para mais perto dos olhos, levou mais de dez segundos em admiração.

Sabia que não era uma ideia sensata, mas ela fez: tomou a fotografia nas mãos e a enfiou num dos bolsos da bolsa. Poderia até se arrepender depois, mas então já seria tarde.

Pensou em dar uma passada no apartamento de Emma no caminho para casa, só para dizer um: ''Oi, como vai? Vim aqui às 23:30 da noite só para cumprimentá-la e desejar boa sorte na festa de amanhã. A propósito, desculpe por abandonar você no farol aquele dia, logo depois de sentir a melhor onda de prazer atingir minha sexualidade! Era só isso mesmo, até amanhã, perdão por não sabir agir. Tchau, Emma.''

Em vez disso, preferiu se deitar no tapete shaggy que se encontrava bem ao meio de sua enorme sala aquecida. Preparou um dry martíni e por ali ficou. Se desfez das roupas e vestia apenas um conjunto de lingerie cara que Bela havia lhe dado no Natal passado, tinha um tom parecido com o de sua pele e Regina parecia estar inteiramente nua no chão.

Achou que somente uma dose não fosse espantar o som da voz de Emma gemendo seu nome que ressoava em seus ouvidos. Cambaleou até o centro da sala de estar e trouxe consigo uma meia garrafa de uísque. Deu dois goles seguidos e limpou a umidade da boca com as costas da mão disponível.

Deitou-se novamente e tornou a beber o líquido amarelado, seu rosto reproduzia caretas ao sentir a ardência provocada pelo álcool na garganta. Regina não se importou.

Sua visão meio embaçada, fitava o relógio distante e reconheceu que horas eram. Passava de uma da madrugada, talvez fosse 1:19, ou seria 1:29? Em seu estado não se preocupava mais. Estava ali deitada, com a cabeça escorada em almofadas do mesmo tom do tapete cor de mostarda e um calor gigante dominava seus membros, a começar pelo meio das pernas. Só de lembrar o hálito quente de Swan arrepiando sua nuca estremecia de excitação.

Imaginou como seria se Emma estivesse ali, suas mãos lhe apertariam bem na cerviz do corpo, pressionando as omoplatas contra o chão, e os seios estariam roçando uns nos outros. Regina fechou os olhos para criar o cenário com maior precisão, ao mesmo tempo deixava o próprio tato percorrer o próprio corpo dando vida a sensação. E as duas se beijariam de modo libidinoso, podia até sentir o gosto doce da língua de Swan tocando seu céu da boca.

Agora Regina estavam tão molhada por dentro que foi fácil deixar os dedos adentrarem por trás da renda nude da calcinha; tocou a si mesma querendo que fosse Emma a penetrá-la. Serpenteava dois dedos intensamente ali dentro, as pernas se debatiam em contraste da vulva a se contrair.

As feições de seu rosto já revelavam um suor ardente pelos movimentos que fazia, tudo pensando em Emma, desejando aquela maldita mulher que lhe tocava tão prazerosamente. A boca semiaberta libertando os arquejos quando finalmente atingiu o orgasmo, seu auge de satisfação sexual estava bem ali escorrendo do centro para os dedos.

Regina respirou profundamente, controlando as batidas cardíacas, seu peito tamborilava nervoso; ela sorria embriagada, de uísque e de tesão. Estava debilitada no chão, sentindo-se culpada, acordaria cedo para dar conta de tudo na agência e nem sequer estando cônscia disto conseguia ser racional, levantar-se para se lavar e ir para cama. Quando exagerava na bebida, ficava mal-humorada e com os olhos pesados, trabalhava péssima no outro dia.

Sem disposição, entregou-se ao cansaço ali mesmo. Acordaria com dores no corpo inteiro e sabia disso. E Regina adormeceu, acordando somente quando ouviu o despertador tiquetaqueando sem cessar. Não fazia ideia do quanto tinha dormido pois as longas cortinas achocolatadas permaneciam muito bem fechadas, e somente um curto feixe de luz adentrava as extremidades da saleta.

A fotógrafa abriu os olhos com dificuldade e sentiu uma súbita dor de cabeça, percebeu que havia dormido fora da cama e recordou da noite anterior como num flash. Sentiu-se envergonhada pelo que tinha feito, mas não houve remorso algum.

Pôs o corpo de pé um tanto zonza e decidiu que precisava de um longo banho e um café forte, (mais do banho do que do café) para só então se deparar com o relógio e se dar conta de que já deveria estar vestida e realizando inúmeras ligações de confirmação para o evento.

Seria um dia daqueles...

Notas finais
Confesso que estava no clima quando escrevi o capítulo e fui muito promíscua mesmo. Até o próximo! ;*