Notas iniciais
Sei que estou em dívida com vocês, ô se sei! No mais, estou de volta. Demorou, mas saiu. E, antes de partir para o capítulo, deixo neste tópico o meu agradecimento à Lewis, pela linda recomendação deixada na fanfiction e pelas broncas que me fizeram apressar essa atualização! Obrigada, meu amor. Boa leitura, queridxs!



Hesitantemente, Emma entreabriu o conjunto de lábios e tentou proferir algo que lhe servisse naquele momento. Algo que a permitisse escapar daquela conversa, pois sua razão sentiu que aquela não era a hora para entrar em detalhes. Ela sentiu o seu corpo tremelicar de cima a baixo, a língua enrolou e seu esôfago deu um nó.

―Ei, ― disse Regina, aproximando o rosto da loira, esfregando o nariz na curvatura de seu pescoço. ― estou brincando, não precisa ficar nervosa. O seu corpo inteiro está tremendo. Calma... Eu sei que você me contaria se tivesse alguém.

Emma não a respondeu. Estava intacta onde seus pés se fixaram. Os olhos arregalados, perdidos no breu da pouca luz.

― O que foi, Emma? ― a expressão despreocupada da fotógrafa desapareceu. Ela largou a loira aos poucos, desmanchando o entrelaçar dos braços nela. ― Você não está confortável? Precisa atender?

Nesse instante, a transe escapuliu através de sua tremedeira e ela finalmente digeriu em que situação havia se metido. Ela teria que driblar qualquer ideia superficial que Regina viesse a ter, mas não queria se entregar ao luxo de ser usada sexualmente pela morena.

― Não é isso, Regina. Não se trata de ligação nenhuma. É sobre você, é sobre mim e sobre isso! ― seu tom era ruidoso, triste e falhado. ― É sobre me perder sempre que você me tem e depois vai embora. Você me usa, faz com que eu pense que a tenho e no final me deixa largada. Eu não posso mais me dar tanto e receber apenas incertezas da sua parte. Isso me destrói e você finge que não vê.

Houve uma pausa solitária entre os olhares das duas. Regina engoliu em seco e piscou levemente os cílios, preferiu não replicar.

― Você ao menos consegue admitir que tem sido uma grande cretina? ― Emma insistiu. ― Céus, nem isso você consegue falar! ― a loira deu para trás, afastando-se o quanto pôde.

Em defesa, Regina não se retraiu, puxou-a de volta, tombando sobre ela. Agarrou os braços de Emma e a fez encostar o corpo na parede. Por ali, Emma ficou deleitada, aguardando. Uma vez tocada na pele, não era mais dura o suficiente para escafeder das garras femininas que Regina possuía.

Ela se desvencilhou para alcançar a boca pálida de Emma e largou um sussurro:

― Eu adoro beijá-la! ― capturou-lhe os lábios a seguir, esvaziando a mágoa entre as duas de outrora. Roçou muito devagar com a ponta da língua no tecido da fenda, arrepiando-a na nuca e nos pelos da face. Se um desejo havia de ser maior, ainda não fora possível senti-lo na pele crua.

Os ombros de Emma encolheram e ela se deu conta do quanto era fraca em relação à Regina. Ela cessou o beijo, abruptamente, irritadiça.

― Calma! ― interrompeu, levando a palma até a boca. ― Não posso mais fazer isso! É como se eu fosse um bobo da corte, entregando a minha própria cabeça de bandeja.

Regina pestanejou, esfregando as costas da mão na testa. ― Sério?! ― riu cinicamente. ― O que você quer de mim, Emma? Romance à luz de velas, drama, compromisso e um café chamuscando em frente à lareira? Se for, saiba que eu não estou disposta a oferecer algo tão juvenil nesse momento!

― Juvenil? ― Emma se excedeu no tom, comprimindo as sobrancelhas. ― Assumir que há algo real entre nós é se tornar alguém jovem? É disso que se trata, é disso que você tem medo, Regina? De parecer ridícula? De agir como uma garota apaixonada, estando à beira dos trinta?

― Poupe-me, Emma Swan! Lá vem você distorcer o que eu digo. Achei que já havia superado essa sua obsessão em ver emoção onde não há.

Regina deu a volta, caminhando até o bar da sala para se servir de um drinque. Preencheu o copo com dois dedos de um velho Uísque francês e o engoliu de supetão. Emma, por sua vez, continuou onde havia sido encruzilhada, observando-a ser descaradamente cínica.

― Obsessiva um caramba! ― a loira resmungou, desacreditada. ― É sexo o que você procura quando cede a mim? É isso o que a interessa? É somente isso, Regina? ― ela produziu alguns segundos de silêncio, oferecendo a chance de defesa. ― Fico lisonjeada em recomendar seus antigos casos maduros e satisfatórios! Que tal a ruiva cantora? Como é mesmo o nome da pobre garota? Oh... Ruby!

Regina revirou os seus olhos em desaprovação, servindo-se de Uísque novamente.

― Agora, quem está sendo ridícula e infantil é você. Está enciumada, Emma?

A loira riu de nervosa, lambeu os lábios e rebateu os pés contra o chão.

― Que seja! A casa é minha, você quem chegou aqui se insinuando. Fique sabendo que eu não serei o seu passatempo sexual.

Desafiando-a, Regina se sentou e cruzou as pernas em um gesto lento. Elegante e sedutora, a dama abriu um sorriso indecente, demonstrando paciência para a sua intolerância.

― Oh, não, não! Não fuja da questão, minha querida! Eu a fiz uma pergunta. Onde está a minha resposta? Você está com ciúmes?

Emma inspirou profundamente. Suas mãos marcaram a própria cintura, fincando-as na silhueta para conter a impaciência. ― Merde! ― queixou-se com um sotaque europeu. ― Eu só quero que você saia da minha casa, Regina. Eu quero fingir que nada disso aconteceu e não vou conseguir se você estiver aqui. ― ela foi até o assento em que a morena sentara, aproximando-se rapidamente de seu sofá. Ergueu os punhos e tocou nas mãos da amante, convidando-a a se levantar e deixar o apartamento. ― Vamos, Gina, eu sei que você não bancaria a insensata com apenas duas doses!

― O que deu em você? Está falando como uma adulta, você parece eu, tão racional e cautelosa. ― balbuciou Regina, resistindo à força investida por Emma. ― Não gosto dessa versão sua. Prefiro a Emma que invade janelas. ― ela arqueou uma sobrancelha e mordiscou o lábio inferior. Sabia com exatidão o que aquilo causava na loira.

― Regina, por favor... ― Emma sussurrou docemente. ― Não faça isso comigo. Não dificulte isso para nós duas. Saia daqui, vamos!

― Eu vou sair daqui, mas você também irá e o nosso destino será aquela mesa!

Regina tomou às rédeas, agarrando-lhe pelos pulsos. Levantou-se e a empurrou na direção de um vão, enconchando-a na madeira sintética da mesa. Calou-lhe a boca com um beijo carnal, sendo agressiva quanto aos toques em sua pele. Sua boca possuía um sabor amargo de malte, mesclando-se à fragrância adocicada do licor exalado de seus poros. O olfato de Emma urrava sofridamente, despertando nela um terrível lado perverso que se atraía por Regina Mills.

Emma sentiu o corpo se debater ao receber a atenção dos lábios da morena em sua base. Regina passeou com o nariz em todo o seu pescoço, fincando os caninos em sua pele ouriçada. Havia certa urgência em suas mãos, pelo modo ríspido em que lhe apertava na cintura. E Emma sabia o quanto ficaria maculada naquela região, talvez até um pouco dolorida pela manhã.

Excitantemente, Regina inflamou os dedos no ventre de Emma, contornando o véu superior com a maciez do polegar. Ela roçou tão devagar, sutil e intensa, que pôde sentir a área se lubrificar num curto instante. Praguejando o seu nome, Emma suplicou para que ela não parasse, urrou para os céus o quão delicioso aquilo era. Atirou-se na mesa e se agarrou com força nas hastes de ferro, escaldava por dentro e o líquido jorrava para prová-la de sua fraqueza.

No final, Regina se sobrepôs, abotoando o que havia escapulido de sua roupa e massageando o cabelo emaranhado. Emma cobriu os olhos com as mãos, fechando as pernas para se repreender e diluir o ódio de si mesma.

― Não acredito que deixei acontecer outra vez. ― disse ela, saltando daquela posição. ― A culpa é sua! Você sempre faz isso. Você arruína minha vida, eu estou sempre caindo na tentação...

―Oh! Está bem, querida. ― Regina riu baixinho, disfarçando a satisfação brilhando em seu olhar.

― Estou falando sério, porra! ― Emma esbravejou, empurrando-a levemente nos ombros. ― Saia do meu apartamento, eu não quero ver você nunca mais! ― a voz falhava durante a fala, ela sentiu que ia chorar.

― Au, Emma! ― Regina proferiu uma expressão de dor ao ser empurrada até o corredor. ― Você está sendo um tanto dramática, não?

― Saia! ― a loira estalou o punho na maçaneta, arrancando-a do portal. Pôs Regina para o lado de fora, batendo a porta seguidamente.

Esmorecida, Regina se encostou ali mesmo, escorregando até o chão. Podia ouvir Emma soluçar do outro lado da porta. A loira estava de pé, fitando o teto da sala, enquanto uma lágrima escorria em seu nariz, até pousar sobre a boca e dali evaporar.

― Emma? ― tola, Regina tentara chamar o seu nome na fresta da porta.

Depois da terceira tentativa sem sucesso, ela se cansou e foi embora. Deu partida para a ala Norte da cidade e decidiu que já era tempo de visitar a querida mamãe. Supondo de antemão que a mais velha surtaria ao se deparar com a visita da filha àquela hora.



O relógio já havia cessado suas intermináveis badaladas noturnas quando o porteiro, Sidney, dirigiu-se até o vão de acesso para interfonar ao seiscentos e vinte e seis. (626)
De longe, o veículo sinalizava, exigindo entrada. O homem formulou um gesto no ar; dizia ''aguarde''.

Regina estava agitada no volante. Dirigira por uma hora até chegar ao condomínio de sua mãe e choveu quase o trajeto inteiro. Gotejava, ainda um pouco, acima dela. O céu nebuloso indicava mais chuva a seguir. Era melhor que tivesse ficado em casa. Pensou. Mas, sobretudo, era sexta-feira, folgaria na segunda, devido ao seu profissionalismo atencioso na última temporada de coleção. Só os funcionários de cargos menores trabalhariam. Em torno disso, decidiu que seria melhor dar tempo a si. Desligar-se da internet, dos celulares e da agência. Vestir algo mais leve, beber um chá com leite em seu antigo quarto e ouvir algum disco em seu aposento.

― Maldição! ― praguejou a mulher, enlaçando o cetim de seu robe à cintura. ― Nesta maldita chuva, quem se perdeu? Deus!

Calçou os seus sapatos de pelúcia e se apressou a fim de acabar de uma vez com o estridente som daquela campainha ensurdecedora.

― Já vou, já vou! ― dizia ela, aproximando-se do interfone.

― Sid, o que quer, rapaz?

― Senhorita Mills, desculpe-me por acordá-la, mas a sua filha está aqui. Disse que está sem chave e tem pressa de entrar!

Cora arregaçou os olhos, quase vacilando no tom de voz. Não esperava ver a filha tão cedo. Da última vez que se encontraram, a briga tinha sido feia, disseram coisas horríveis uma para a outra e Regina jurou que sumiria de sua vista. É fato que Cora insistira por vezes em telefoná-la, até mesmo a seguiu até à agência, mas Regina havia proibido a sua entrada na segurança. Desde então, Cora ansiava por um milagre.

― Mande-a subir, para já! ― ordenou-o.

Apressou-se para receber a querida filha. Conferiu a aparência cansada no espelho, notando passageiramente as rugas nos cantos dos olhos. Poucos minutos após, ouviu o som das batidas no painel. Ela havia subido.

― Oh, Regina! ― Cora a chamou entre suspiros ao encontrar seu rosto na porta. ― Filha minha! Finalmente você apareceu, querida. Eu já estava me acostumando com a saudade!

Regina forçou um sorriso amistoso, abraçando a mãe ao entrar. A verdade é que ela ainda sentia muita mágoa de Cora e esperava pôr um fim nisso durante aquele final de semana com ela.

― O que a traz aqui, minha querida? ― disse-lhe a mãe, tomando suas mãos frias entre as suas. ― Quer que eu esquente água para fazer uma xícara de chá?

― Podemos deixar isso para depois, mamãe? Eu não quero conversar hoje. Só preciso da minha cama nesse momento.

Apesar de decepcionada, Cora assentiu. Levo-a até o seu quarto e lhe entregou a chave, para o caso de ter perdido a antiga. Regina deu uma breve olhada na decoração, certificando-se de que tudo estava como antes. O quarto continuava igual, Cora não havia triscado em nada.

― Obrigada por entender. Boa noite, mamãe!

― Boa noite, meu amor. Durma bem, amanhã prepararei um ótimo café especialmente para você.

Regina sorriu com a empolgação de sua mãe, largando um beijo para ela.

― Eu adorarei!



Não tardou muito até que o dia amanhecesse e a claridade invadisse as persianas de sua janela. Roucamente, Regina bocejou, espreguiçando-se no monte de cobertas e travesseiros. Ela abriu os olhos de relance, fitando o despertador sobre a cabeceira. Estava atrasada para o café da manhã e antecipada para o almoço. Custou a se levantar da cama, levando em conta que a chuva não havia dado trégua até então. Chovia suavemente. Uma leve garoa instalada naquela zona de Boston.

Vestiu-se simplesmente, cobrindo-se com um roupão de linho grosso. O seu preferido de quando mais nova, azul céu, com leves tons mais escuros em suas mangas. Lavou o rosto na suíte do quarto e bebericou um copo de água. Estava pronta para enfrentar as perguntas da mãe.

― Bom dia, belezura! Vejo que dormiu muito bem. Eu tentei chamar você para o café, mas não houve reação. Dormia profundamente. ― Cora dizia, pondo novos talheres e adereços à mesa. ― Eu dispensei a cozinheira e tratei de eu mesma preparar o seu almoço. Fiz o seu prato preferido!

Regina notou que a mãe estava mais radiante pela manhã. Os cabelos bem cuidados e a pele hidratada. Lembrava-se de sua imagem pela noite, opaca e cinza.

― Meu prato preferido? ― Regina não se lembrava de ter algum. Comia um pouco de tudo, apesar de ser bastante refinada. No entanto, vinha sendo mais seletiva com a dieta nos últimos dois anos. Menos carboidratos e o dobro de proteínas.

― Lasanha ao molho vermelho! Feito com tomates frescos e salsa orgânica. E também preparei uma salada verde para acompanhar.

Cora sorria, andando de lá para cá, a cada volta, uma nova bandeja consigo.

― Uau! ― Regina se espantou. ― Faz... Faz muito tempo que eu não como lasanha. ― caminhou para sentar-se à mesa, lambendo os lábios ao inalar o vapor morno que escapava da cozinha. ― Eu realmente adorava comer aos sábados e domingos.

― Você amava, querida! ― Cora juntou-se à Regina. Servindo-as em poções generosas.

Regina paquerou o molho que escorria na lousa do prato, retirando a primeira garfada dali. Ela esboçou uma expressão divertida, fazendo com que Cora gargalhasse. Ela apenas repetia um murmúrio de aprovação ao ingerir a pasta.

O sabor que emanava era tão divino quanto o cheiro. Elas comeram juntas e trocaram poucas palavras durante a refeição. Cora permitiu que a filha retirasse a mesa e, no mais, conversaram enquanto limpavam a cozinha. Nenhuma das duas tocara no assunto do último encontro, preferiram fingir que nada havia acontecido.

Cora esquentou duas xícaras de chá e elas foram para a sacada do apartamento, dar continuidade ao assunto, enquanto ela fumava o seu cigarro diário.

― Quando vai largar este maldito vício, mamãe? Ele vai matar você. ― preocupou-se Regina.

― Deixe-me em paz, querida. Sabe que desde que perdi seu pai, tornou-se difícil largar.

― Isso não é uma desculpa, mamãe. ― Regina escorou a xícara sobre o pires, fingindo estar prestando atenção na fumaça que jazia acima do chá. ― Você não para porque acha incrível ver a fumaça exalando da sua boca. Você se acha poderosa, não?

Cora deu de ombros. Deu a sua última tragada e o apagou no cinzeiro.

― Não é para tanto! ― disse ela. ― E não mude de assunto. Você é expert em fazê-lo! ― repreendeu-lhe, servindo um pouco mais de chá. ― Estávamos falando sobre o seu amante loiro e francês. Vamos lá, fale-me mais sobre o meu provável genro. Estou ansiosa para conhecer o felizardo!