Fatal Attraction

1 Fading between the negress haze.


Notas iniciais
Olá, meninas. Veio-me à cabeça, acreditem ou não, o enredo geral dessa história, quando eu revia pela milésima vez, Meet Joe Black - Encontro Marcado. Quem dera eu pudesse entender esses momentos, nos quais a mente vaga por aí buscando estímulo. Eu o escrevi rapidamente, às quatro e meia da manhã, não houve nada além de uma breve revisão. Se a Ju não tivesse me infernizado tanto eu jamais teria tido essa iniciativa de postar. Digo que não há nada muito ardente nesse primeiro capítulo e esse não é somente o intuito. Quero trabalhar o estímulo da minha mente e fazer romance entre esse casal tão querido! Degustem com carinho e façam uma boa leitura!

Regina a odiava, sabe-se lá o porquê, só encolhia os ombros, firme, ao sentir o arrepio perspicaz lhe atingir a espinha em demasia, sempre que seus olhos avistavam Emma. Relembrava amiúde para si mesma, certa daquele sentimento; tola, pouco sabia do que estava prestes a atormentá-la dia a dia. Até mesmo suas noites tiveram a presença deturpada de Emma, pensava em sua personalidade audaz e na carícia lacrimosa que possuía na voz quando se falavam. Sentia a presença dos pensamentos assomarem os sonhos, sentava-se à borda da cama, com as cobertas a deslizar a seda da roupa, e bebericava o copo d'água, antes deixado sobre a mesa. Perdia o sono e o viço das faces.

A morena tinha certeza de que Emma Swan havia sido enviada por demônios para tornar sua vida um verdadeiro recinto para o inferno. Só a suportava porque era seu dever ser educada com a filha do chefe. Gold a admirava, foi seu professor, seu segundo pai, aquele a quem sempre correu e clamou por ajuda. A relação dos dois era reservada, contudo, bastante íntima (De uma forma claramente genuína; eram como uma família.)

Desde que a loira chegou a Chicago havia feito questão de tornar impossível a convivência testada por ambas (do ponto de vista de Regina), que a conhecia por foto, de quando em quando Gold comentava sobre a filha mais nova que morava com a mãe e, ex-esposa de Robert, numa cidadela simpática da França. Pai e filha não eram nada parecidos, ela se distinguia de Neal, o primogênito de Gold, atual colega de trabalho de Regina. Se já houvera trevas reais neste ou noutro mundo, devaneava a ideia, odiosa, de que Emma governaria facilmente o trono de Rainh. Decerto, era uma suposição cogitada sob a sua indiferença fervorosa por quem muito mal conhecia. E temia, honestamente, assumia temer conhecê-la e ter que repensar cada julgamento canalha que fizera sobre a moça.

Cruzadas de pernas, jogadas de cabelo, intencionalmente provoca, lambuza, e abusa da luxúria humana. Seja esta masculina ou até mesmo curiosamente feminina. Sem regras ou pudores, Regina Mills era o famoso e destrutivo caminho para a perdição, onipotente ao extremo. Não tinha tempo para relacionamentos e nunca se deu ao luxo de entregar-se ao envolvimento emocional, provara ser imune ao tal, segundo ela: eufemismo de dor. Longe de padrões, curtia a vida ao seu estilo. Seu verdadeiro propósito sempre fora manter os boatos que circulam na Empresa, a fim de esconder sua real personalidade.

— Ela é sexy, vai.

— O corpo dela é bonito, mas a voz me faz tremer, não gosto de mulher mandona. Ela é um tanto esquisita.

O pouco que chegava aos seus ouvidos era o suficiente. Ás vezes as coisas simplesmente estavam difíceis demais, porém nunca lhe falhou o hábito de manter o profissionalismo. Ela apenas ria de tudo, claro, lembrava-se de quem realmente era e superficialidade não era um de seus defeitos.
Vejamos, muito pelo contrário, dentro do peito habitava um órgão puro, pulsante, em total abandono pela indivídua dona deste.

Mesmo quando se sentia vazia e para baixo, recuava a linha gradativa da carência martirizada, demonstrando então, apenas aquilo que deveria ser visto, comentado, analisado. Transparecia a imagem de alguém que sempre acreditou que deveria ser. Alguém que sua mãe, não muito querida, sempre lhe aconselhou a se tornar.

Regina, meu bem, dinheiro pode não trazer felicidade, mas felicidade traz dinheiro. Quando estiver triste, sorria. Eu sei o que é melhor para você, minha querida, confie em mim. Há de garantia a mulher que virá a ser, tornas-te esta e será eternamente compensada pelo sucesso adquirido. Basta abdicar às fraquezas que há de encontrar no teu caminho.

Foi árduo crescer sendo tão cobrada por alguém que deveria lhe ensinar a curar a dor do primeiro amor, como agir no primeiro encontro, que vestido deveria usar no baile do colégio, como escovar o cabelo e usar lápis nos olhos a fim de realçá-los.

Cora estava longe de ser essa mãe. Quer ser a serva ou a rainha? Estude, não coma isso, não beba açúcar, não franze a testa assim, para não criar rugas!

A infância lhe foi roubada, apenas estudos e dedicação às habilidades que uma dama moderna precisaria ter. Apesar do rigor, foi uma garota meiga até seus dezoito anos, quando concluiu o colegial. Logo que começou a se interessar por fotografia as coisas ficaram mais complicadas, sua mãe estava certa de que ela morreria de fome e nunca encontraria alguém para casar e ter a vida na qual ela sonhou para a filha, e única herdeira. Cora Mills era uma das socialites mais famosas de Chicago, tendo reconhecimento por todo o Estados Unidos. Artista crítica, dona da mais luxuosa galeria atual. Há quem diga, que a mesma seja a melhor caça talentos da década.

Até que Robert Gold apareceu e sua mãe viu uma chance de jogá-la nos braços de um ingênuo rico e de ótima reputação. Este de fato seria capaz de oferecer quaisquer que fossem as medidas entre os gostos particulares da filha. Ademais, ocorreu que quem lhe chamou atenção foi a melhor amiga de Regina, Bela, e de fato apreciava o merecer do nome. A única a apoiar Regina num mundo onde dinheiro e aparência funcionavam como magia. Cresceram juntas, compartilhavam sonhos parecidos. Regina queria fotografar, Bela queria ser fotografada.
Gold a concedeu uma bolsa de estudos em sua faculdade, uma das mais cobiçadas de Boston. The New Picture era o sonho de qualquer um com as mesmas ambições da morena.

Todavia, favores requerem um devido preço, e ela prometeu que levaria Bela para jantarem. Por maior que pareça a insânia, foi amor à primeira vista. Embora custasse a acreditar em tamanho sentimento, era difícil negar que havia algo real entre ambos. Aliás, estavam destinados um ao outro, como céu e mar. O destino fora responsável por tornar possível tal obra. O destino, neste Regina acreditava firmemente. O acaso não passava de uma ideia racional e conservadora mal acentuada.

Ser a melhor da classe era um propósito difícil, além de ter que lidar com os comentários dos outros alunos que afirmavam haver um caso entre Regina e seu professor. Gold achava a maior graça, e saboreava a confusão. Para ele, tratava-se apenas de caráter lúdico. Isto, porque cansou de flagrar sua preciosa Gina, aos amassos com outras de suas alunas. Nunca a reprimiu, simplesmente acreditava que depois que a moça amadurecesse, seria um poço de talentos a ser explorado. Charme, beleza e cautela; o necessário para torná-la seu projeto, a quem ensinaria tudo, e confiaria a própria agência. – Apesar da própria Regina, ser claramente óbvia ao esclarecer seu ponto quanto a isto: não seria o projeto de marionete de ninguém, nem de sua mãe nem de Gold: faria, apenas, o que achasse proveitoso futuramente.

A relação era uma maravilha até a maldita (apenas mal entendida), filha, voltar para Chicago e decidir frequentar o mesmo chão da morena. Chão este, que tremia ao encontro delas. O ar se formava sólido, metaforicamente falando, parecia impossível de inalar quando estavam próximas, o peito de ambas pulava num ritmo bravo, entreolhavam-se, buscando encontrar em cada uma um vestígio de fraqueza: vã tentativa precipitada. Poderiam se autoexaminarem através das horas, mas o véu só seria descoberto, com a iniciativa partida de uma delas.

O que não passava despercebido era a beleza surreal da belíssima Emma. Era só jogar seu nome no Google para se admirar com o poder que a loira tinha entre as modelos francesas mais bem pagas. O charme era inconfundível, assim como o brilho dos cabelos e maçãs do rosto. Regina admitia os fatos a si mesma, deixando bem claro que seu único interesse na vida de Emma, e comentários sobre sua aparência, era algo totalmente profissional.
"Afinal, eu sou a fotógrafa e ela é o trabalho." Pensava na intuição de dispersar os elogios flagrados pela própria mente.

Estavam prestes a lançar a coleção mais esperada do ano para a revista Softfame. Apareciam mais garotas desesperadas nessa época do ano. Onde as vagas eram abertas para todos na Agência.


Já era quase oito da noite e seu estômago roncava, além de fotógrafa exclusiva, era a segunda voz de Gold na empresa, seus olhos e seus ouvidos eram de Regina também. Sentiu o aroma de Paris invadir o ar denso da sala e já soube que sua paciência acabaria nesse exato momento.

— Daqui uns dias você estará completamente igual as garotas que fotografa. – era a voz de Emma, escorada em pose num canto da porta.

— Não sei do que você está falando, Swan. – indagou rudemente, sem retirar os olhos que fixavam as fotos sobre a mesa. A caneta fazia um ruído trepidante no papel.

— Claro que sabe. Não come e não larga essa maldita sala, você precisa de ar puro.

Emma se aproximava, devagar e calma, obrigando-a a reparar no cigarro que estava entre seus dedos, aquilo a fez organizar os óculos no rosto para ter certeza do que via.

— Querida, você não pode fumar aqui! Gold sabe que você fode o pulmão dessa forma?

Emma sorriu, coçou o alto da cabeça delicadamente, Regina a fuzilava do outro lado.

— Quando foi que você começou a se importar com o que ando fodendo? Que eu me lembre, você prefere causar discórdia entre nós.

Os ombros de Regina se enrijeceram tensos. Bateu firme os punhos na mesa, enfiou tudo na pasta, e o rubor lhe devorou o rosto. Era uma mulher fácil de perder a tranquilidade, tão forte gênio ela tinha.

— Estou brincando, credo. Você é sempre cética assim? Não sabe sorrir? Estou tentando ser agradável com você. – amenizava uma Emma arrependida, queria não ter dito o que acabara de se tornar motivo de indiferença. Emma simplesmente era assim: espontânea e leve como o toque de uma criança.

Regina recolhera seu material e o blazer repousado na cadeira ao lado, ignorando a presença desafiadora da outra. Estava mesmo com fome, queria correr daquela sala e comer algo feito por alguém, talvez um restaurante chinês. Lembrou-se do compromisso de trabalho que ainda teria, e odiou ser quem era no mesmo momento. Aquele trabalho a mataria.

Emma se manteve imóvel próxima a porta entreaberta, onde pigarreou o cigarro e o sacudiu janela afora.

Os passos da morena foram firmes até a modelo, quem estava boquiaberta em paralisia, notando a aproximação. Fitou Regina como se a mesma fosse um pote de sorvete siciliano; esta, permanecia mascarada, negando ao corpo a permissão de preencher entre os membros, a sensação arrepiante que desordenou a paz em seu peito.

O interruptor ficava logo atrás. Regina inclinou o corpo sem pedir licença, e a invadiu totalmente. Não se conteve em provocá-la. Emma apenas a observava, com a respiração aguçada, os punhos enrijecidos pelo descompasse, adorava o mistério dos olhos negros amendoados da aprendiz do pai. O jogo entre as duas era unânime. Encolheu-se cordialmente no canto estreito da porta. Sentia os pelos da face ouriçarem de modo atemorizante.

— Posso apagar as luzes e me retirar, senhorita Swan? – perguntou no seu tom mais irresistível.

O rosto quente de Emma se desvencilhou paro o lado de Regina, que se manteve muito bem ereta, nenhuma piscadela. Inalou todo o cheiro de nicotina, quis até socá-la. A vontade de encher Emma de tapas não era nova. Quis fazer isso desde que que a viu discutir algo com Gold, onde saiu da sala chorando, quebrando, e derrubando tudo. Mais tarde, Regina descobriria o motivo, e se embebedaria de empatia. Entretanto, havia a pulsação agitada do corpo, vinda do peito e vagueando até o meio das pernas.

Depois de provocada, ela não tardou de imediato ao ouvir o pedido nervoso tremelicado da boca de Regina. Sorria sem alvejar os dentes, os lábios formavam um traço singelo acima do queixo.

— Fique à vontade, senhorita Mills. – e deu passagem, retirando-se dois passos para trás.

Regina esperou que a outra seguisse rumo e flexionou dois dedos no interruptor, largando um suspiro de alívio pelo ar acumulado. Jogava os cabelos castanhos para trás em gestos que exalavam elegância, e seus ombros sempre eretos enquanto se posicionava no elevador. – Que burguesa mais atrevida! — pensou, com as mãos escondidas nos bolsos do blazer cor de vinho.



Depois de passar pelo tormento de um jantar com os patrocinadores da campanha, seus braços firmes agarravam o volante enraivecida, contento todo o estresse na velocidade em que dirigia. Essa era a parte do seu trabalho que a morena mais abominava: ter que fingir estar contente nos encontros pavorosos que tinha com os magnatas milionários. Maldita grande súcia de velhotes infelizes! – resmungava, perdendo o controle do volante de vez em quando, urrava, mas ninguém a ouvia. Chocou seu carro num outro, em total desalento. Parecia um pesadelo, esse dia do inferno não acabaria jamais!

— Cassete! Quem diabos deixa um carro estacionado no meio fio?! – Descabelava-se ao reclamar para si. Notou estar próxima de um bar e, um sangue ralo lhe escorria bem no canto direito da testa; limpou com o polegar, medindo a espessura do ferimento. Não era nada para se preocupar, apenas um corte superficial, coagularia por si só.

A música alternativa do ambiente invadia seus ouvidos sensíveis, e aquilo a deixou mais irritada ainda. Seu gosto era outro, preferia trilhas sutis, romântica incurável. Fã número um de Eliott Smith, sentia-se quase ofendida tendo que ouvir as batidas eletrônicas. O celular estava sem bateria, largado em algum lugar da plumagem lá dentro. Não sabia como se safar daquilo às tantas da madrugada. Pelo menos não até notar quem se aproximava do seu carro. Viu uma moça alta, de cabelos claros. Era magra, mas não demais, e a curva provocante dos seios aparecia no decote desabotoado da blusa colada de algodão listrado. A roupa era despojada, entretanto, bem escolhida,.. as listras pretas contra o fundo branco realçavam sua beleza. Ela sorriu, mostrando dentes muito brancos, mesmo que no sereno escuro da noite, e ela achou algo de familiar em seu rosto. Só então percebeu por quê.

— Não pode ser! Até nos meus piores dias o diabo me persegue? Que faz aqui? – murmurou, abatida pela situação. Já andava em disparada sobre o chão esbaforido de garrafas vazias, latas, e bastante lixo noturno havia ali. Regina teve de pisar cautelosa, medindo cada passada.

— Hey! Está perdida, fotógrafa? – a voz da loira fez eco no ambiente, onde estavam apenas as duas, e mais alguns casais embriagados, que matavam a vontade na calada da noite.

— Ora, ora, se não é você mesma. O que está fazendo aqui, Emma? – protestou com os braços levitados no ar. – Está sozinha num bar, em Chicago?! Resolveu pirar de vez, é isso? Já conhece a cidade de ponta a cabeça? Isso aqui não é a França, benzinho. – enfatizou, empertigada à frente da moça.

— Qual o problema, Regina? Vim conhecer gente nova e beber um pouco. Diferente de você, eu gosto de sair para respirar de vez em quando. – deu algumas passadas, averiguando de perto o corte na testa pálida da outra. Seu semblante expôs uma pena embaraçosa por ver Regina ferida.

— O que aconteceu com sua testa, e com o seu carro? Aliás, com nossos carros!? Você bateu? – girou nos calcanhares, a fim de encontrar seu rosto culpado. – V-você bateu?! – deu avançadas, conferindo o estrago. Regina andava de um lado para o outro, quase perfurando a superfície com os gestos repetidos.

— Foi um acidente, está cega? A culpa é sua, menina tonta, deixou o carro jogado na linha amarela. Não teve aulas de educação para o trânsito onde se alfabetizou? – Emma a observava repetir os gestos; enquanto buscava o celular nos bolsos. Alterada, não havia sinal, tentaria por horas e nada. Estava até mais calma que Regina, queria saber por que a outra estava lhe dando esporro, afinal, que culpa tinha ela da má direção da outra?

— E agora, como vamos sair daqui, senhorita bem alfabetizada? – Provocou, devolvendo a insinuação.

— Talvez nós devêssemos acampar aqui, que acha? – Gracejou debochada e, sacudiu para longe do ferimento, suas madeixas escuras. – Eu adoraria a cortesia de sua companhia num momento desses.

A loira deu risada. Regina sequer a tirava do sério. Emma era tranquila e parecia ter sido feita para aguentar a rebeldia da outra.

— A gerente é minha amiga, dona do bar. Se tentar ser um pouco mais educada, podemos dar uma carona a você, e amanhã chamamos um reboque para levar os carros para uma oficina. – estalou o pescoço, contendo a tensão. – Mary já está limpando para fechar, mas podemos entrar pra esperar e tomar algo.

— Não, isso não pode estar acontecendo comigo! Que diabos eu fiz ao mundo para que ele me trate dessa forma? – fitava o céu manchado de névoa cinza, e as mãos circundavam a cintura.

— Regina, entre no bar um segundo, vamos lá, Mary será legal com você. Podemos pensar melhor lá dentro. Não quer vir comigo, de certeza? Prefere dar chilique às quatro da manhã?

Ela não queria aceitar. Não queria passar um minuto a mais ao lado da outra. Mas era Emma, ou nada; não queria porque sua razão recebia mensagens constantes, de que aquela aproximação seria um perigo fatal para ambas as mulheres.

Equilibrou-se nas botas de salto, e se pôs diante da loira. Passou por ela quase num vulto. Emma a seguiu cerrando um sorriso vitorioso nos lábios finos. Como se tivesse acabado de ganhar um ingresso na primeira fila para os Whitecaps. Regina comprimiu todo o estresse num piscar de olhos, não se faria resistente. Queria beber algo, e aceitou.

Lá dentro, Mary as serviu. Regina aceitou uma água tônica com gelo, e Emma se deu por contente com uma cerveja. Deu um salto leve, muito vagarosa, de onde estavam até o palco: uma área escura, outra clara esvaecia pela luz lunar.

— O que está fazendo, Swan? – Regina inclinou o rosto, fitando-a de perfil.

— Você dança? – levantou-se, com um sorriso insinuoso nos lábios, Regardless — Jarryd James e Julia Stone tocava em batidas alternadas por ondas sensuais. Emma a buscava propondo um convite. Sabia que seria uma luta quase que perdida fazer Regina dançar consigo.

Ela deu risada, estava rindo com os olhos encarando o copo no balcão, Emma não usara seu bom senso nunca. Dançarem?, mas que diabos ela estava pensando?

— Ahm... não?! – deu de ombros, sacolejando o corpo. – Aliás, – corrigiu. – Danço, claro, mas não com você.

— Ou, vamos lá, não seja uma chata, dance comigo?

Emma voltou para buscá-la, contava com a sensação familiar de convencê-la, estava um pouco alterada pelas cervejas, por isso soara insinuosa quando os braços agarram o corpo escultural de Regina. Gradativamente, anunciava a aproximação da morena, seus lábios quase tocavam a orelha da outra. Regina jurou ter sentido o hálito morno atravessar seu lóbulo atrás da cabeleira. Estava presa no abraço dançante de Emma.

— Que está fazendo? Largue meus braços, Emma, nem a conheço direito. Costuma dançar com estranhos nos bares da vida? Uau, mulher moderna. – rebatia, lutando para sair do abraço. No entanto, gostara de sentir a maciez gélida do corpo de Emma, que dissolvia contra o calor do seu.

— Que foi, não gostou da música? Podemos alternar, só um minuto. – distanciou-se, para mudar de faixa. Regina escondeu o rosto nas palmas das mãos, preferiu ficar quieta, aproveitou para sentar novamente, não queria tanta aproximação com a filha de Gold, não seria bom para ela.

— Fugindo de uma dança, Regina? Que tipo de dama você costuma ser? – se sobrepôs ao lado dela, os olhos vagaram num encontro. Que estava acontecendo dentro de Regina? As mãos suavam como nunca. Dentro do peito, um espaço aqueceu por si só, espalhando aquele calor devidamente por todo o resto. Queria ir para casa logo, era só isso.

— Gosta desse ritmo? – desviava, outra vez, o olhar paro o copo, manchando a borda pelo batom que usava. Emma balançou a cabeça: – Quem não gosta?

— Gosto é pessoal. – Regina explicou, levantando em seguida. Percebeu a chegada da moça sorridente, usava no topo da cabeça uma toca de lã vermelha. O rosto era cheio e rosado.

— Sua amiga está acenando, acho que minha carona está pronta. – Disse, escapando de uma conversa casual. Emma virou-se cansada, deu um sorriso para Mary e seguiram até porta.

Não foi difícil explicar o caminho do prédio onde morava, a própria Margaret conhecia Chicago na palma da mão. Bem, o que acabou por não ser assim tão fácil, fora o simples ato de conter os nervos das duas bem próximas no banco traseiro. Emma parecia exausta, cochilou em algum momento, os punhos sustentaram o queixo, e no auge de uma freada, debruçou-se no ombro coberto de Regina, não despertou, seu sono era pesado. Não quis acordá-la, pelo menos assim ficava calada. Até que abriu os olhos, procurando a presença de Regina, que acabara de se sair do carro, buscando suas chaves na bolsa. Tocou um sorriso fraco para Emma, caçando na cabeça as palavras certas para agradecer.

— Ei, salvadora – disse doce, exalando exaustão até dos poros. – obrigada pela carona! Fico te devendo uma, não esquecerei.

— Só tente não me odiar outra vez amanhã, quando acordar e lembrar de hoje. – Emma sibilou num fio de rouquidão pelo breve cochilo que dera. Regina achou graça, apenas sorriu tímida e não disse mais palavras.

Trocaram um último contato visual, no qual Emma gravou o tom dos olhos da morena: castanhos, como manchas de café num retalho branco; opostos aos seus: esverdeados, tal como a cintilância de um lago.
Achou que estes combinaram o ato de se encontrarem nos últimos sinais de neblina negra, que cobria o céu acima delas. Isto ainda se tornaria um hábito entre as duas.

Reparou no clima fatal, enquanto a outra sumia no final de madrugada.

Notas finais
Estou aqui, aguardando as opiniões de todas. Espero que tenham gostado de verdade. Beijos, até mais.