Fatal Attraction

10 And if you let it go?


Notas iniciais
Oi, meninas! Eu sei que lhes devo perdão pelo sumiço indesejado, mas vocês não imaginam o quão ocupada eu estive essas últimas semanas. Gostaria de dizer que estou agradecida por quem comentou o capítulo anterior em minha última aparição e também por quem me procurou no privado e se queixou do meu abandono. (E eu não abandonei a história)



Regina estava tão enamorada quando fora arremessada pelos braços de Swan naquela cabine, que não houve um segundo em que seus suspiros não carregassem, brandamente, um desejo forte e ruidoso ao roçar os lábios contra os da loira de forma violenta. De longe, parecia até que iriam se unir em uma só, tamanha era fome que as devorava por dentro.

Emma a pôs no chão novamente, pois a morena já sentia dores nas pontas dos dedos por estar sendo pendurada. Regina se sentiu contrair interiormente, afastando-se da amante para acalmar o calor excêntrico que lhe queimava as paredes do útero. Swan também não estava muito longe disso, se deslizasse os dedos por entre as pernas, sentiria uma umidade generosa atravessar o tecido da roupa.

― Quer sair daqui? ― ela sussurrou na altura dos lábios maculados da morena.

O rapaz as olhava muito de longe, procurando não fazer movimentos bruscos. Estava um tanto desconectado, não sabia como agir diante do que os olhos captavam. Era uma cena de novela vê-las se desencaixando uma da outra, ambas beirando ao delírio.

― E para onde iríamos, Emma? Esqueceu que temos a agenda cheia graças ao seu pai? ― ela jogou os cabelos para trás, puxando-os desde a testa até os ombros.

A loira concordou insatisfeita, encarando-a com cara de dor. ― Vai ser sempre assim, não é mesmo? ― disse ela, incredulamente, quase sussurrando as palavras.

― O que está querendo dizer? ― Regina suspendeu a cabeça, a fim de encará-la sem perder a pose.

― Estamos destinadas a fugir uma da outra. ― Emma a mirou com tristeza. ― Você sempre vai negar e eu sempre vou fingir que não dói. E quer saber, Regina? ― ela se aproximou, dando fim àquela distância dos corpos. ― Está tudo bem. ― elas trocaram um olhar transbordando angústia, estavam preenchidas de martírio.

August se deixou levar pela ambição e as fotografou naquela posição, pôs a máquina no silenciador e as pegou num bom ângulo, como da primeira vez em que as flagrou no camarim da confraternização.

Regina tinha esse bloqueio na alma que lhe calava a voz e enrijecia o corpo sempre que era tocada emocionalmente. E quando ouvia Emma dizer o que seus lábios não eram capazes, entrava em profundo transe.

Emma a ajudou com as roupas, passando o vestido coral pela cabeleira da mulher e o puxando até os joelhos, elas se entreolharam outra vez e Emma quis saber no que Regina estava pensando quando a encarou naquela intensidade. Lúcida, nem por isso menos atraída, a morena quis hesitar, sabia do efeito de Swan sobre ela quando próximas, e achou que se tentassem um afastamento considerável, o desejo cessaria, e Regina estaria livre daquela sensação borbulhante que sentia no sangue quando se tocavam.

Sobretudo, Emma já a conhecia tão bem que havia se permitido estudar as feições no rosto da amante, sabia o que aquilo significava. ― Não precisa sair correndo como sempre faz. ― engoliu à pulso seu tom choroso de voz, e a morena lhe correspondeu com um olhar desentendido.

― Emma, eu... ― Regina ponderou, desviando do olhar esverdeado e úmido de Swan. ― Eu preciso aprender a não me sentir mal por deixar você. E você precisa me ajudar ficando feliz por se livrar do problema que vamos acabar arranjando.

― Agora, eu ficaria feliz se você calasse a boca e saísse daqui comigo! ― Emma ergueu o queixo de Regina em suas mãos, fazendo-a lhe encarar a todo custo. Sabia que assim não negaria.

De repente, ouviram o ressoar urgente de batidas na porta. Emma se deu conta que alguém ameaçava entrar ali e recompôs a postura de onde estava. No mesmo instante, Elsa surgiu na soleira acenando para as duas, pareceu não notar o que acontecera ali e continuou repetindo os gestos até que as duas se mexessem.

― Ei, vocês, vamos! O pessoal do Fame's Spotlight já está no prédio. Estão preparando o equipamento, vamos! ― a moça abriu a porta, mostrando-lhes que deveriam se apressar.

Percebendo que Elsa não as daria um crédito extra para continuarem o assunto mal resolvido, as duas mulheres concordaram em ir, apenas com um olhar discreto. Emma chegou a bater o pé contra o chão, soando mimada, mas logo que viu a morena caminhar ás pressas até a porta, fez o mesmo trajeto e a seguiu.

Elsa as encarava com seu par de olhos esbugalhados, os lábios um tanto abertos. Ela tinha cara de ‘’inspetora ranzinza’’, se parecia muito com a expressão de uma babá que a pequena Emma tivera quando criança, chamava-se senhorita Blue, doce na maioria das vezes, porém uma fera quando tirada do sério, no geral quando Emma se recusava a lavar as mãos antes do jantar. Elsa a fez recordar desse espaço de tempo em sua vida, e a ela se riu quando cruzou com a maquiadora, pondo as mãos na boca para abafar o som das gargalhadas.

― Pode rir o quanto quiser, mas passe logo no camarim, preciso retocar seu rosto para o programa, você está... ― ela esboçou-se curiosa. ― suada?! Sim, está suada, sua testa está brilhando! Como foi suar tanto assim, senhorita Swan? Lá dentro está um gelo!

Regina ouviu a especulação da moça a certa distância, já se preparava com a mesma maquiadora de antes, ali mesmo, nos corredores; e não pode deixar de penetrar Swan com seus olhos cor de ameixa, fazendo-a recordar o porquê do suor.

A loira, tal como era, não se envergonhou ao corresponder o olhar. No mais, deu uma forte respirada para se desfazer das promiscuidades que lhe invadiram de imediato.

No andar de baixo, Robert Gold praticava seu charme carismático, falsamente, com a produção do programa. Eles prestigiavam a conversa intelectual com Gold, que se mostrava expert em moda e tendência feminina. Enquanto isso, os rapazes da equipe preparavam o cenário que Emma e Regina ocupariam.

Por ser um programa de fofoca, sobretudo autêntico, toda a decoração estava bastante peculiar, um sofá de tom carmim para uso das apresentadoras, com algumas almofadas indianas sobre ele, outros dois menores para as entrevistadas, e um centro de vidro entre estes, em cima do móvel havia duas taças de champanhe e frutas tropicais cortadas em rodelas. O local ficou aconchegante para recebê-las, o próprio Gold aprovou com entusiasmo, considerando a ideia de investir em decorações similares para o prédio.



Não muito depois, Anabell surgiu no elevador, apressada e pequenina como um gnomo, ela trazia Emma e Regina, cada qual em um braço. Dava para ver em seu rosto avermelhado que ambas lhe deram trabalho para descer. Gold foi o primeiro a notar a chegada, e já tratou de reprová-las com o olhar; pela falta de pontualidade e por atormentarem a pobre Anabell.

Logo, todos também as avistaram, e quando se aproximaram, deu-se início àquelas apresentações constrangedoras, com beijos que não tocam o rosto e elogios para todos os gostos. De fato, Mills estava tão radiante quanto lhe foi dito, seus cabelos negros e esvoaçantes, que cheiravam melhor do que Emma gostaria. E seu rosto ficara tão mais bonito de repente, talvez tenha sido a maquiagem mais leve.

Elas se acomodaram e algumas questões lhes foram passadas sobre o que iriam debater; a finalidade da entrevista, o conteúdo e coisas a mais. Apesar de muito simpática, Emma incorporava um jeito tímido quando o assunto era mídia. Ficou ainda mais nervosa quando lhe disseram que tudo seria repassado ao vivo, consequentemente, com mais naturalidade.

Só então, a dupla de mulheres apresentadoras iniciou a sessão. Marian e Ariel, jovens e com um alto astral típico da modernidade.

Regina se acomodou no sofá à sua direita, cruzando as pernas num gesto feminino. Emma sentou-se logo mais, demonstrando um pouco de nervosismo. Ela balançava o pé repetidamente, notava-se seu estado mesmo que de longe. As mãos estavam brilhando por causa do suor que lhe umedecia as palmas, no instante em que notou, escondeu-as entre as pernas, tentando secá-las no tecido do vestido que Elsa tinha escolhido para a ocasião. Seu olhar curioso percorria cada canto da decoração, esbarrando por diversas vezes nas câmeras e nas apresentadoras.

A moça de aparência latina sorriu, dividiu o olhar entre Regina e Emma, lhes disse que iriam começar a filmar em quinze segundos e se organizou no assento ao lado da outra. Elas trocaram informações em um tom inaudível, para que os demais não ouvissem, voltando seus olhos para frente em seguida.

― Olá, olá, pessoal de Chicago! Eu sou Marian, e esta é a Ariel ― ela encenava animada, apresentando a ruiva que sorria, não era um sorriso honesto, era remoto, uma farsa. ― estamos mais do que entusiasmadas, estamos lisonjeadas, hoje é o dia tão esperado para quem vem acompanhando a nova coleção da The New Picture e está a par de tudo que sai em nosso site! Regina Mills e Emma Swan estão conosco, e vão nos repassar tudo em primeira mão.

Marian fez as apresentações, dando pouca verba para sua companheira. Ela notou o modo no qual Emma se fechou, tornando-se imóvel em seu lugar, e decidiu iniciar por Mills.

― Regina, querida, antes de tudo, diga ao pessoal de casa como é estar iniciando seu primeiro trabalho como modelo, afinal, é algo novo, não é? Como surgiu a ideia de largar as câmeras para um trabalho inusitado?

As câmeras focaram na morena, que apesar da ausência na empolgação, se fez razoável.

― Eu devo estar tão surpresa quanto o pessoal de casa, para ser sincera ― ela tossiu, sentindo um emaranhado de nós em sua garganta. ― quando Gold nos contou sobre a proposta, eu fiquei perplexa, nunca havia feito nada similar antes. Mas posso dizer que está sendo uma ótima experiência, excluindo as más interpretações midiáticas, claro!

― Uau, que revelação saber que não foi ideia sua! ― introduziu a ruiva, ainda com seu meio sorriso absorto. ― E por falar em má interpretação, o que você tem a dizer sobre os boatos entre você e a sua parceira de trabalho?

Emma desviou seus olhos para os pés, concentrando-se no gesto ansioso que fazia. Regina a olhou de relance, preocupando-se com o modo distante no qual a loira se perpassou, porém seguiu afiada.

― Como você disse, são apenas boatos! ― ela sorriu friamente, com seus olhos fundos e acesos, captando cada essência mal intencionada no ar.

― Emma, o que você tem a acrescentar? Soubemos que você se desentendeu com alguns jornalistas, o que houve? ― Ariel encarou o rosto inexpressível da jovem modelo, invadindo o olhar desesperado de Swan com o seu, que se demonstrava astuto e ambicioso.

― O jornalista, meu bem! O, era apenas um, certo? ― interrompeu Regina, sentindo-se contrariada. Ela não havia gostado de como a moça atingira Emma. ― Você sabe como são esses jornalistas, incrivelmente atrevidos! Emma estava me defendendo, eu escapei de uma série de incômodos graças ao seu temperamento forte. ― ela interpretou uma risada, disfarçando a grosseria.

― Vocês sempre se defendem dessa forma? ― a ruiva alfinetou.

― De forma profissional? ― Emma se impôs, roubando a atenção das três. E antes que qualquer uma protestasse algo, ela continuou. ― Regina trabalha comigo, a imagem dela também fere a minha, quando difamada. Não gostamos de ser abordadas de forma violenta, como aconteceu hoje mais cedo.

― Entendo. ― Ariel se conformou, fazendo a maior cara de poucos amigos. ― É uma forma bastante profissional, não acha, Marian?

― Certamente! Deveríamos aderir esse nível de profissionalismo. ― elas sorriram cinicamente. Estava evidente o quão insinuante aquela entrevista seria.

Elas fizeram mais algumas questões sobre a coluna de moda, todas direcionadas a Mills, que lhes respondeu com amargura, certas vezes. Várias destas foram redundantes ao ver da fotógrafa, sendo merecida a indiferença.

― Emma é uma mulher bastante atraente e possui muitos seguidores nas redes sociais! É uma bela mulher, realmente. ― Marian comentou, estreitando seus olhos sobre Regina. ― Achamos algo sobre você em matérias antigas, Regina. ― disse mais, com lábia na voz. ― Você tem certo interesse amoroso em garotas, ou são apenas boatos, outra vez?

Regina pressionou os lábios arduamente, controlando sua raiva feroz. Sentia-se fora de si quando remexiam em sua vida pessoal.

― Aonde você quer chegar com isso, meu bem? ― ela ronronou as palavras, roucamente. ― Seja clara!

Emma massageou a nuca, desfazendo a tensão espalhada por ali. Ela se pegou pensando em como seria simples ter controle de todas as situações frustrantes que lhe atormentava. Poderia sair livre daquilo, evitando que Regina se desgastasse. Vê-la exposta daquela forma lhe perturbava igualmente. Queria a proteger, desde que a viu e sentiu a frieza causada pela névoa assombrosa que a perseguia.

― O pessoal de casa está curioso. Vocês são duas mulheres bonitas, Emma é uma grande herdeira de tudo isso, você é tão atraente quanto. Não tem nenhum interesse, que não seja profissional, na filha do seu chefe? ― havia arrogância no tom produzido por Marian.

Emma e Regina se desvencilharam uma para a outra, trocando um olhar demorado. Regina quis negar primeiramente para a amante, penetrando seus olhos com uma satisfação intimidadora. Seu único interesse em Swan era carnal, aparentemente. Interessava-se por seus braços envoltos na cerviz ossuda que possuía, pela pele pálida em contraste da textura macia da sua, pelos olhos cor de esmeralda que se pareciam globos de vidro ao contemplar as curvas da morena. Interessava-se pelos lábios finos de sabor morno, invadindo-lhe a boca carnuda e pintada pela cor escarlate. Preparou-se para jorrar todas estas informações sobre as duas inconvenientes, invasivas e desaforadas, mas se calou, engoliu a rigidez da saliva e fingiu sorrir de prontidão.

― Não estou interessada no dinheiro de Emma Swan, se é isso que quer saber. ― sibilou de forma prática, evitando qualquer pormenor. Levantou-se, passando as mãos na barra do vestido para devolver o comprimento. ― Foi um enorme prazer bater esse papo tão... Como eu poderia demonstrar com exatidão? Oh, claro, profissional! ― Regina emitiu um desprezo na fala, mirando as duas apresentadoras. ― Profissional, como tudo aqui, profissional!

Emma proferiu um murmúrio alto, logo que a ouviu calar as insinuações fatídicas das duas mulheres. Pôs-se de pé, avaliando por onde sair daquela encrenca. Na dúvida, pediu desculpas, num tom aguado e suave de voz, saindo apressada do ambiente. Ela deixou Regina em apuros com aquelas malcriadas. Seus pés foram ágeis, encontrando rapidamente a saída, o corpo inteiro em chamas. Se pudesse dizer qualquer coisa real para a imprensa, não seria nada daquilo. Emma não entendia por que deveria sentir remorso ao entregar suas sensações mais delirantes na lábia de outra mulher. Se tampouco estivesse enganada, tais sensações já teriam evoluído para um ápice maior, mais perigoso, mais fatal, mais espiritual, diga-se tremulamente.

Emma exaltava sua existência e o sentir que a acompanhava nessa jornada carnal. Não havia por que se esconder atrás de falsas declarações. Só divulgaria algo que fosse real para si, não tinha vergonha daquilo que lhe aflorava o peito, das raízes que o toque de Regina havia plantado. Se tivesse que omitir seus sentimentos, para o mundo, que seja, preferia se calar.

Ela adentrou o elevador, pressionou o botão do térreo cerca de cinco vezes por segundo, ansiando sua saída daquele lugar tão avarento. Caminhou descontrolada, procurando avistar um táxi. Viu o veículo se aproximar lentamente, depois de muito acenar.

― Zona sul, por favor. ― disse ela, aparentemente cansada, apresentando o endereço complementar ao motorista do ponto.

Regina havia procurado a loira por toda a parte. Buscou por ela nos camarins, nos banheiros, no telhado e até mesmo em seu próprio escritório. Deu-se conta de sua ausência e a procurou no térreo, seguiu até o estacionamento do lado de fora, mas chegou tarde. De longe, presenciou a figura de Emma bater a porta do táxi, vendo-o acelerar de imediato e levá-la embora, roubando-lhe a chance de dizer que estava pronta para não mais fugir. Sendo que amanhã já não estaria mais, porque sua chance fora desperdiçada. E o orgulho era ferido demais para surpreendê-la. Uma ligação. Só uma ligação. Retirou o aparelho celular do bolso, discando o número da loira e o encarando na tela. Era só confirmar a chamada, tocar a área correspondente e esperar que ela atendesse. Diria o quanto desejava que ela pedisse ao motorista para fazer a curva, trazê-la de volta e admitiria sua vontade de se entregar. O que ela tinha a perder? Só uma ligação...