Fashion And Diamonds.

28 Capítulo 27 - Brothers.


Notas iniciais
Alô queridos!
Muito obrigada a todos os reviews! Espero que estejam gostando, escreve esse cap mais rápido um pouco.
Finalmente, o encontro dos irmãos! Tentei colocar os pontos de vista mais importantes pra esse evento, e relaxem que não foi uma despedida a cena do Cotter e do Edmure ok? HDISAOHDIOADISOA.
E sobre o final... Perdoem o Dacey, por ser tão idiota e manso, e a mim por não ter descrito o lemon melhor haha, fica pro futuro! E o Dacey narrará em breve, então vocês vão entender os porquês dele.
E percebam que nesse cap a bipolaridade do Albert é beeem notável. Ela anda mais controlada, e por isso ele conseguiu manter as aparências por um tempo, mas depois...
Enfim, espero que gostem!
Boa leitura!

— Edmure, você pode dirigir um pouco mais devagar? — Eu pedi, erguendo uma sobrancelha ao perceber que estávamos a quase 100km/h em uma avenida residencial. — O que você tem?

Arrependi-me da pergunta no mesmo instante. Provavelmente se eu não estivesse bêbado e levemente sem controle, teria ficado com a boca fechada quando percebi que o humor do meu namorado mudara repentinamente depois da última canção que cantei com minha mãe. Ele parecia ter gostado até o fim, ou fingira muito bem, só que logo que eu desci do palco ele me pareceu... Diferente. Eu tinha reparado nele falando ao telefone, mas quando perguntei sobre o que era ele alegou não ser nada, só sua mãe perguntando se ele voltaria pra casa. E em seguida, ele pareceu extremamente agitado para ir embora.

Edmure não era a pessoa mais discreta do mundo. Por mais que depois disso ele tenha conversado normalmente comigo e meus pais, dado sorrisos e risadas, pra mim que já o conhecia melhor, foi perceptível que ele estava tentando disfarçar alguma coisa. Os sorrisos eram trêmulos e nervosos, e ele parecia um pouco... Ansioso com alguma coisa. E aquilo estava me deixando incomodado, porque Edmure não era uma pessoa que se preocupava muito com qualquer coisa. E mesmo quando preocupado, ele não fazia questão de esconder o porque, com exceção da vez que o peguei chorando na escola, mas agora ele estava tentando fingir que estava tudo normal. Quando minha mãe disse que íamos embora, ele inclusive se despediu com educação e sem nenhuma alteração, e disse que me levava em seu carro, já que minha casa era caminho para a dele, e segundo ele, nós iriamos conversando.

Não parecia nada demais, e meus pais inclusive ficaram animados com o pedido. Mas ele não tinha falado nada até agora, e estávamos na metade do caminho. Até achei que ele estava irritado por eu estar alcoolizado, mas quando eu perguntei ele disse que não. E andar de carro com ele, sem conversar, e sem sequer ter suas piadinhas e provocações, era inédito.

— Não é nada, me distraí porque a rua está vazia. — Ele sorriu, sem desviar os olhos pra avenida, e apertando os dedos em volta do volante até suas juntas ficarem brancas. Percebi que o sorriso era trêmulo novamente. — Seus pais foram bem legais hoje.

Eu o encarei, franzindo a sobrancelha. Apesar de tudo, ele ainda estava lindo, mesmo nervoso, e certo fogo se acendeu no meu interior. Bêbados ficam animados com facilidade, e eu já costumava ter facilidade pra ficar animado. Mas o fato dele estar evitando falar sobre si, repentinamente falando dos meus pais, mostrava que ele estava escondendo alguma coisa. Será que alguém de sua família tinha morrido e ele não queria me falar?

— É, eles gostam de você. — Falei, voltando a me encostar ao banco, um pouco chateado. Por que ele não queria me contar o que acontecera? Eu não gostava de vê-lo assim. — Acho que se eu fosse uma menina, eles já teriam pedido pra eu te namorar.

Ele manteve o sorriso em lábios, sem olhar para mim.

— Pois é, como podem ser complicadas as coisas só porque somos do mesmo sexo, não é. — Ele parou num sinal, e virou para mim finalmente. Mas não conseguiu manter os olhos nos meus. Eu estranhei aquele jeito dele falar, não era comum.

Suspirei. Certo, alguma coisa tinha acontecido e ele não queria me falar, eu estava chateado com isso, mas quem sabe o humor dele melhorasse depois. Alcoolizado como eu estava, não conseguiria pensar em como fazer ele falar nada. Então, decidi tentar melhorar o clima da melhor forma que eu conseguia pensar. Mais uma vez, eu sabia que se não estivesse bêbado, não teria coragem de fazer aquilo, mas eu estava. E de certa forma, eu sabia que era só dar um beijo no Edmure que ele voltaria ao normal.

Então aproveitei o carro parado no sinal e que não estava usando meu cinto de segurança, e me inclinei, colocando uma mão no rosto do Edmure. Ele ofegou com a proximidade, parecendo nervoso, e eu senti meu rosto esquentar.

— É, mas já é uma boa eles gostarem de você. — Murmurei com os olhos semicerrados, encarando aqueles olhos violetas enquanto colocava minha outra mão em sua coxa. Apertei os dedos na perna grossa, e rocei meus dedos em sua barba, fervendo de vontade de beijá-lo.

Ele fechou os olhos, respirando fundo, e parecendo tão... frágil.

Foi muito repentino. Eu senti ele se mover e esperei que me beijasse, mas ao contrário, ele se afastou um pouco, puxando o freio de mão do carro e desligando a chave, suspirando. Em seguida, voltou a se virar para mim, e agarrou meu rosto com as duas mãos grandes, de forma afobada, e ficando com os olhos alinhados com os meus, nossos lábios numa distância de milímetros.

Os dedos dele arranharam o meu couro cabeludo, e os olhos dele pareciam... Tristes, desesperados, ansiosos, desejosos... E tudo aquilo me assustou.

— Você lembra do nosso primeiro beijo? — Ele perguntou, e eu ergui minhas mãos, agarrando sua camisa, e sentindo minha circulação intensificar.

—Claro que sim. — Respondi, e ele fechou os olhos, concordando com a cabeça. Céus, ele estava muito estranho. — Edmure, por que isso agora?

— Só conferindo se você me ama mesmo. — Ele falou, forçando o sorriso novamente, e se inclinando para colar nossos lábios.

A minha mente rodopiou quando as bocas se encontraram, num ritmo rápido, excitado, apaixonado. Edmure agarrou minha nuca com firmeza e eu passei com minhas mãos por seu peitoral, deixando-me levar pelo álcool, e ignorando que estávamos parados no meio da rua. Aquele beijo estava diferente, tinha ares de... Beijo de despedida.

Perdi a noção do tempo totalmente, envolto naquele turbilhão de sensações, ouvindo nossas respirações altas e falhas, meu coração batendo com força e desespero pela impressão de que havia algo errado com aquilo, meu corpo fervendo de desejo, as mãos do Edmure firme em meu rosto, enquanto nos devorávamos, como se tentássemos acompanhar o ritmo de minhs emoções com as línguas e lábios, nenhum querendo ceder ao outro.

Então ele finalmente separou os lábios dos meus, e tomando fôlego, encostou a testa na minha, nossos olhos se encontrando, e nossos hálitos se envolvendo na pequena proximidade. Respiramos ofegantes por alguns segundos, e minha mente parecia vazia, tomada por aqueles olhos violetas expressivos, e que no momento estavam com... Medo?

— Não esquece esse beijo também, ok? — Ele pediu, e eu levei minhas mãos pro seu rosto, sentindo a barba curta.

— Eu não esqueço nenhum dos nossos beijos. — “Agora me conte o que está acontecendo, por favor” pensei, mas apenas vi o maior respirar fundo, e se afastar com gentileza, voltando a se acertar no banco.

— Eu também não, Cotter. — Falou, dando partida e seguindo o caminho para casa.

Não conversamos pelo resto do caminho. E quando ele me deixou em casa, aquilo ainda estava com um clima mórbido de despedida que fez meu peito doer.

—

Bati minha cabeça cinco vezes no volante do carro, com os olhos fechados. Merda, porque eu estava tão nervoso? Óbvio que era porque o Albert estava em casa, mas das outras vezes nada tinha acontecido, por que aconteceria agora?

“Porque você está namorando um homem, como ele disse cinco anos atrás”.

Eu sabia que isso mudava tudo. Se Albert já me odiava por ter feito o que fiz, separando-o do homem que ele afirmava amar, o fato de eu estar com outro homem o faria me odiar. Ele nunca entenderia que eu não os separei por ambos serem do mesmo sexo, Albert apenas veria que eu estava numa relação homossexual como a dele.

Mas minha relação com o Cotter não era errada como a dele. Não podia ser errada, tínhamos o apoio do Conrad e seu namorado, meus pais gostavam do Cotter e até o pai do Cotter tinha afirmado para mim, naquela noite, que seu filho ser gay não era um problema. Eu não podia ter dúvidas agora, depois de tudo que passamos juntos.

Mesmo assim, sabia que Albert tentaria nos separar na menor desconfiança de que éramos um casal. E por isso eu estava assustado, trêmulo, nervoso. Meu irmão não podia nem sonhar com esse relacionamento, ou ele não faria apenas a minha vida um inferno, mas faria Cotter sofrer junto comigo. Eu podia lidar, como já lidava há anos, com o ódio de Albert. Mas não podia deixar nada acontecer ao Cotter, a menor ideia de tê-lo em risco me apavorava.

Precisei de um minuto para me acalmar. Era só não deixar ele perceber nada, me afastar por algum tempo de Cotter sem que meu irmão pudesse ligar os pontos entre eu e ele. Albert não ficaria em casa por mais de um mês, e gastaria seu tempo, como todas as outras vezes, com meus irmãos e meus pais, e mal falaria comigo. Tudo podia se resolver com isso, até ele ir embora e Cotter estar a salvo novamente. Eu podia justificar minha distância pro Cotter com as festas de fim de ano, já que eu ia viajar pra casa dos meus avós maternos na Califórnia, e apesar de ter pensado em chama-lo não tinha feito o convite ainda. É, ia ficar tudo bem, se eu disfarçasse bem, o Albert não saberia de nada, e o Cotter também não. Não podia deixar que o pequeno soubesse de tudo que havia acontecido.

Dei a partida no carro tentando me convencer de que aquilo daria certo, e eu não teria problemas. Albert passaria por mais aquele ano da minha vida causando estragos no meu humor e em minha consciência, me atormentaria como sempre atormentou, mas não colocaria as mãos em Cotter.

Ainda assim, meu peito doeu de preocupação. Eu não era o tipo de pessoa dramática que diria que o Albert era um vilão maligno, mas eu conhecia o bastante de meu irmão pra saber que ele não era gente boa, e que às vezes ele fazia de tudo para conseguir o que queria. Eu precisava tomar muito cuidado. Se até mesmo o Cotter, sem saber nada sobre a história, tinha desconfiado das minhas atitudes agora, era um sinal de que eu não estava disfarçando nada bem. E Albert com certeza notaria isso.

No caminho até minha casa, eu procurei me acalmar da melhor forma possível. Nada ia acontecer. Mesmo que Albert desconfiasse de algo, ele não teria contato com Cotter. E pensando bem, mesmo se ele conseguisse descobrir sobre minha sexualidade, o que ele podia fazer? Contar pros nossos pais? Meus pais podiam até ter um choque inicial, mas não iam me recriminar, eles aceitavam a sexualidade explícita de meu irmão mais velho, e os pais do Cotter não ligariam também. Podia contar ao povo do colégio, mas um dia isso ia acontecer de alguma forma. O que de ruim ele podia fazer?

Não sabia responder. Mas pensar sobre isso apenas me deixou mais nervoso, porque ele com certeza acharia um jeito de me prejudicar com aquilo, e eu não conseguia pensar em nenhuma forma leviana dele alcançar esse objetivo.

Entrei pelos portões de minha residência, apertando os dedos em volta do volante para afastar a tremedeira de minhas mãos. Lembrei de todas as vezes que eu pensei em consultar um psicólogo depois do que havia acontecido, para aprender a controlar meu emocional quando me lembrava daquele evento, e nunca tinha ido. Agora eu me arrependia, poderia estar bem mais preparado e calmo.

— Oh, Edmure, chegou cedo. — Hellen, a governanta da casa, sorriu, ao abrir a porta antes mesmo de eu bater. — Bem, não exatamente cedo, mas seu irmão ainda está acordado, tenho certeza que ele quer vê-lo.

Eu forcei um sorriso, tentando não parecer nervoso ao passar pela mulher já de certa idade.

— Que bom que ele ainda está acordado. — Falei, atravessando a porta e entrando pelo corredor, parando apenas para deixar minha jaqueta num cabide na parede.

Respirei fundo, e esvaziei minha cabeça. Era agora.

Ouvi o som de conversas vindo da sala de estar, e me encaminhei para lá, tentando ignorar meus pensamentos pessimistas. Percebi que minhas mãos ainda tremiam, e as fechei ao me aproximar do cômodo.

Albert estava lá, sentado na nossa grande mesa de vidro, ao lado de um rapaz jovem e loiro muito atraente, que sorria de forma gentil enquanto segurava a mão de meu irmão, enfaixada em bandagens brancas e manchadas de vermelho. Albert também sorria, parecendo divertido, e passou a outra mão no rosto do homem loiro, provavelmente seu novo namorado. Na ponta da mesa, meu pai sorria, com uma taça de vinho erguida numa mão, e abraçando minha mãe com a outra.

Apenas vê-lo fez um arrepio subir por minha coluna, e as lembranças de cinco anos atrás voltarem com intensidade. Albert não mudara nada, parecia um estágio entre mim e meu pai, um pouco mais musculoso do que eu era. Quando ele se virou na minha direção, e notou minha presença, seus olhos azuis como os da minha mãe brilharam de forma dura, e percebi que seu sorriso endureceu na face.

A expressão de alguém que me odiava.

— Olha só, quem chegou. — Falou, e sua voz me obrigou a conter um arrepio de pavor e raiva. — Vem cá meu irmão, quanto tempo!

Ele se levantou. Estava usando uma camisa social branca com alguns botões abertos, e um jeans escuro com sapatos. Vi meus pais e o rapaz loiro se voltarem para mim com sorrisos animados, e fiz o possível para sorrir de volta, apesar de todas as sensações horríveis.

— Olá, Albert. — Falei, me encaminhando de forma dura para ele, sentindo uma gota de suor se formar em minha testa, apesar do frio de inverno. Os olhos azuis não perderam o frio detestável e nem desgrudaram dos meus enquanto eu me aproximava, parando numa distância aceitável dele, e estendendo minha mão, percebendo que ela estremecia levemente. Precisava agir normalmente...

— Ora vamos lá, nós somos irmãos e não colegas de trabalho. — Ele sorriu, apertando minha mão com força apesar da sua estar enfaixada, e me puxando de forma a me abraçar com firmeza. A ação foi tão inesperada que eu senti todo meu corpo arrepiar de susto, e meu queixo cair enquanto arregalava meus olhos. Não retribui o abraço, estremecendo com meus braços ao lado do corpo. Albert encostou a cabeça no meu ombro, e deu um beijo suave na minha bochecha que me fez ofegar. Sádico, louco, desgraçado... — Eu estava com saudades de casa. — Ele murmurou, e colocando a boca perto do meu ouvido, sussurrou apenas pra que eu ouvisse. — Edmure, vamos esquecer tudo o que aconteceu ok? Eu prometi pros nossos pais que ia fazer as pazes com você. Vamos colocar uma pedra sobre aquilo tudo.

Por reflexo, eu coloquei minhas mãos em sua cintura, apertando o tecido de sua camisa com força. Por que ele estava falando aquilo agora? Era impossível que ele tivesse mudado tanto nos últimos tempos, da última vez que o vira ele sequer dirigiu a palavra a mim.

— Eu, eu... — Tentei afastá-lo, suando frio com aquela proximidade incômoda, e ele deixou, erguendo a mão boa e batendo no meu rosto com leveza.

— Tudo bem, senta aí. Deixa eu te apresentar o Dacey, meu namorado. — Ele sorriu. E dessa vez, o sorriso não era duro como os anteriores, era gentil, e seus olhos pareciam sem mágoas.

Como se ele realmente quisesse deixar tudo aquilo para trás. Finalmente.

—

Eram três da manhã quando beijei meus pais e fui pro quarto que já me pertencera com Dacey.

Fechei a porta e a tranquei, enquanto Dacey se encaminhava para a cama, rindo baixinho e um pouco alterado pelo álcool, apesar de ter medido as doses para não estragar a primeira impressão de meus pais por ele. Depois de verificar que a porta estava trancada, eu deixei minha raiva extrapolar.

O desgraçado do Edmure ia me pagar, ele era mesmo gay e não tinha sequer a coragem de assumir aquilo. Como ele podia! Eu senti que ele estava com medo, era perceptível, por mais que ele achasse que estava disfarçando bem as emoções ao conversar o mínimo possível comigo, com aquela expressão idiota de inocente que nunca fez nada de errado. Como eu pudera deixa-lo em paz por cinco anos, e achar que talvez ele não soubesse o que estava fazendo naquela época? Se ele não soubesse não estaria de namoro com um cara. Desgraçado, nojento.

Apertei minha mão machucada na maçaneta da porta, e ela latejou. Era tudo culpa dele, e eu o deixara impune até agora. Meus transtornos, os remédios que eu tomava, era tudo culpa do merdinha.

Mas agora ele ia me pagar. Eu ia me segurar, fazer ele acreditar que tudo estava bem entre nós novamente, que eu tinha perdoado sua atitude egoísta e hipócrita que me destruiu. E então, eu ia ataca-lo no ponto mais frágil, onde eu percebesse que seu emocional ficaria mais abalado, destruído, incurável. Ele ia sofrer pelo que fizera, nessa viagem, não haveria perdão.

— Nossa, seus pais são muito simpáticos. — Dacey comentou, enquanto eu me virava em sua direção. Senti meu corpo estremecer pela raiva acumulada e disfarçada, e uma necessidade de descarregar aquilo. — Foi realmente mais fácil do que eu imaginava. — Ele sorriu de forma doce.

Não falei nada, apenas avancei contra ele. Agora eu não tinha nada pra falar, eu precisava de ação.

Por isso agarrei o braço do loiro sem muita delicadeza, o puxando para cima de forma que ele ofegou baixo. Não dei tempo pra ele pensar, apenas apertei minha mão enfaixada em sua nuca, sentindo a palma ferida arder, e o beijei rudemente.

Dacey não precisava pagar pelo que aconteceu, eu me odiava por isso e odiava mais ainda Edmure. Eu não podia fazer nada contra ele, mas precisava liberar aquilo que vinha me atormentando de alguma forma, e ele era sempre minha válvula de escape, meu porto seguro, a única pessoa que sempre estava ao meu lado apesar de tudo.

Ele não chegou a retribuir o beijo direito, surpreso, e eu abandonei seus lábios e puxei seus fios loiros um pouco forte demais, fazendo ele erguer o rosto e grunhir de dor. Beijei seu pescoço, sentindo minha barba roçar na pele sensível, e a mordi em certos pontos, fazendo Dacey gemer e apertar os dedos contra meus ombros, um pouco por prazer, um pouco por incômodo.

— Albert, não... Não quero transar na casa dos seus pais, não... — Ele tentou me empurrar, mas eu não o permiti, jogando-o na cama na qual eu dormira por tantos anos, e começando a arrancar minhas roupas de forma rápida. Ele me encarava corado, com os olhos brilhando.

— Ninguém vai ouvir nada. — Eu falei, irritado, e joguei minhas calças no chão.

— Se você tomar cuidado, não. — Ele reclamou, fechando o rosto. E eu sorri.

— Não vou ultrapassar os limites amor, morda o travesseiro. — Soltei e arranquei minha camisa, e me joguei sobre ele.

— E você não me morda. — Ele respondeu, agarrando meus cabelos com força, e me forçando a encará-lo. — Tem muita coisa errada aqui.

— Sim, mas eu preciso disso. Então cale a boca. — Eu respondi, e abri sua camisa com a força, estourando os botões e fazendo ele arfar, surpreso. Foda-se.

Transamos sem muitos ruídos, e quando acabou, eu me sentia mais calmo, exausto, controlado. Tinha colocado tudo para fora, apesar de ter tentado me controlar, não me segurei, e fui um pouco violento. Dacey nunca seria o Henry, nunca, então pouco me importou na hora se ele ficaria chateado, magoado, ou machucado. Mas após o fim do ato, me arrependi. Deitei minha cabeça no peito do loiro, e ele afagou meus cabelos com leveza.

— Você tomou seus remédios hoje? — Perguntou de forma gentil, e o arrependimento me atingiu mais intensamente quando vi que sua pele branca estava cheia de marcas vermelhas pela transa levemente violenta. — Foi um pouco... Como quando você não os toma. Meio violento. — Ele disse, parecendo magoado apesar do carinho nos meus cabelos. Eu não devia ter feito isso com ele, eu era um lixo.

E devia ter tomado meus remédios.

Notas finais
Percebam que todos estão abalados psicologicamente... Tá tenso viu!
Acho (mas não certeza) que o Dacey narra o próximo! Tem razões pra ele ser tão sem amor-próprio assim.
Muito obrigada!
Até o próximo!