Fashion And Diamonds.

29 Capítulo 28 - Paparazzi.


Notas iniciais
Olá galera!
Olha como eu estou rápida hein, um Sonic das fics praticamente HDSIAOHDIOAHDAI. Enfim agradeço a todos os reviews, e especialmente a LucyStar que deixou uma recomendação maravilhosa na fic! Obrigada por me acompanhar nessa empreitada de autora querida.
E também um agradecimento especial ao Prince Darvill que fez uma nova capa para a fic! Percebam que legal, ele usou um padrão de diamantes para o fundo e a fonte (Diamonds) e colocou um desenho padrão que estilistas usam pra criar suas peças (Fashion). Eu amei! Obrigada querido.
Sobre esse cap, um personagem novo que eu amei (deixo fotinhas dele nas notas finais) e narração do Dacey. Tentem pescar informações :)
Boa leitura!
Beijos!

Observei as crianças correrem pelos jardins gigantescos da mansão Prey, e sorri, encostando melhor minhas costas na árvore sob a qual me sentara. Era um dia bonito, céu claro e sem nuvens, e um sol claro e brilhante que ofuscava a visão e deixava as cores das várias plantas ornamentais e do gramado bem cuidado do jardim muito vivas, apesar do frio. A mansão em estilo clássico também estava linda sob o sol, com o telhado de telhas claras brilhando, e as paredes cinzentas produzindo uma sombra enorme no gramado.

Segundo vira no noticiário da manhã, era o último dia de sol antes das nevascas de inverno, o que me agradava já que eu não gostava muito de ficar dentro de casa. Tanto que aproveitei aquele dia para ir com as crianças para os jardins com Café, o cachorrinho da família, já que Albert e os pais tinham se reunido para tratar de assuntos da empresa, afinal todos os três tinham cargos importantes na Prey, e queriam deixar tudo organizado para as férias conjunta. Ainda era terça-feira, havíamos chegado no domingo de noite e na segunda quase não tivemos tempo para nada, Albert me levou para conhecer a cidade daquele modo arrependido que ele tinha todas as vezes que ultrapassava os limites no sexo.

Eu o perdoara. Apesar de alguns hematomas terem ficado em minha pele, aquele sexo não chegou a ser violento, no máximo intenso, e pra mim não passava de uma mera excitação. Dor e sexo sempre se misturaram na minha vida, de forma que eu não sabia mais como discerni-los. Albert tinha seus momentos, mas o que mais me preocupava neles era que isso significava que ele não estava tomando seus remédios para tratar da bipolaridade e seus outros transtornos. O que era uma quebra de nosso combinado, de que os dois devíamos tomar nossos remédios.

Era injusto. Por que eu tentava tanto ajudar o Albert, e não conseguia?

Meu tio Alessandro dizia muito aquilo. A melhor forma de se sentir bem consigo mesmo, era ajudando alguém. Mas eu não conseguia ajudar Albert, e por tabela não me sentia bem. Ele me ajudara, e eu não tinha a capacidade de retribuir, apesar de fazer o possível. Mas o meu “possível” nunca era o bastante pra nada. Eu nunca consegui descobrir, naqueles quase dois anos de relacionamento, porque ele tinha seus problemas psiquiátricos, psicológicos e comportamentais. Nunca soube se eram traumas psicossociais, ou se era inerente de sua personalidade desde sempre. Ele não falava de forma alguma sobre aquilo, nunca falou. Apenas pedia que eu o ajudasse a tomar os remédios e a se controlar.

E pedia que eu nunca o abandonasse. Quem era eu pra abandonar alguém? Eram as pessoas que me abandonavam.

Não era fácil ser julgado quando pessoas não sabem nada sobre você. Eu sabia que eu era uma das piadas do mundo das celebridades porque era o traído, o idiota, o manso que namorava um dos maiores garanhões da Itália. Não ligava. Pra mim não era assim. Eu era do Albert, e no fim das contas ele não precisava ser todo meu. Enquanto eu pudesse ajuda-lo, eu estaria satisfeito. Não existe uma liberdade, em que podemos viver nossa vida do modo que achamos melhor, livre dos julgamentos alheios?

Na verdade, eu sabia que não. O mundo era injusto, liberdade era um slogan da américa pra atrair as pessoas inocentes . Eu podia dizer para todos que eu era simplesmente feliz no meu relacionamento aberto, talvez eles calassem a boca. Eu era feliz no meu relacionamento? Sim, era mais do que eu merecia, eu amava o Albert. Eu era plenamente feliz? Não, a felicidade era leviana, ainda me doía pensar que meu namorado vivia nos braços de outras pessoas, mas pouco importava. Será que eu merecia felicidade plena? Não. Acho que o Albert sabia disso, e por isso não era apenas meu. Mas eu tinha meus pecados pra pagar, e escolhi pagá-los ajudando o Albert, mesmo que isso não me deixasse completamente feliz. Nenhum ser merece a felicidade plena. Meu pai dizia tanto isso, que eu tinha mais do que merecia, que eu precisava aprender que ninguém era feliz...

— Tio Da, você tá triste? — Uma voz infantil afastou meus pensamentos, e reparei que estava devaneando. Odiava ficar sem nada pra fazer porque acabava caindo nesse tipo de pensamento, e eu não podia ceder a isso. Vi um dos gêmeos se aproximar, Frederic. Reconheci, pois o cabelo dele tinha um corte diferente do irmão, para diferenciá-los.

Forcei um sorriso. Sorrisos eram fáceis com aqueles remédios que eu tomava pra afastar a depressão, mas nem eles podiam me deixar plenamente feliz. Eu amava crianças, e os irmãos do Albert eram muito especiais e queridos. Estendi meus braços e o puxei, e ele me abraçou, sentando no meu colo em seguida.

— Não angelo mio, só estava aqui pensando. — Eu baguncei seu cabelo, e vi as outras crianças correndo atrás do cachorrinho marrom. Um pouco mais distante de onde eu estava, pude ver Edmure, o segundo mais velho dos irmãos, na varanda da casa, sentado numa das mesas que beiravam a piscina, tomando uma xícara de café. Nossos olhares se encontraram, e ele permaneceu com a cara fechada, nenhum sinal de simpatia. Apenas inclinou a cabeça num cumprimento, e eu retribuí erguendo uma mão.

Essa era uma figura que me despertava curiosidade. Albert também nunca falava desse irmão, apesar de gostar de toda a família, e o avô dele me dissera que eles eram brigados por alguma razão boba de irmão. Edmure era jovem, tão bonito quanto os irmãos, e parecia estar descobrindo sua sexualidade, pelo que seus pais falaram. Não era um cara muito aberto, mas parecia gente boa, e eu entendia que talvez, ele estivesse passando por aquela fase difícil de aceitação, em que a pessoa fica mais fechada e tudo. Bem, ninguém era completamente feliz.

Seria fácil pra ele, os pais aceitavam numa boa, o que era bem legal. Estavam inclusive incentivando o Albert a dar algum apoio ao Edmure, e eu acho que ele estava se esforçando para isso, porque estava forçando sua personalidade a ser simpática com o irmão, o que eu tinha reparado ser a razão de sua irritação naquela noite de sexo. Ontem ele estava bem novamente, e agindo com simpatia com o irmão. Talvez o fato de Edmure também ser bissexual tivesse criado certa empatia em Albert, por ser algo que eles compartilhavam.

— Você vai com a gente na casa da vovó? — Frederic perguntou daquele jeito alegre, pulando do meu colo e ficando em pé na minha frente. O pequenino se referia à viagem que faríamos no fim da semana para passarmos os feriados de fim de ano com os avós maternos de Albert. Nós íamos, e eu esperava que fosse uma boa viagem. Eu sorri novamente, começando a me levantar. Talvez eu pudesse conversar um pouco com Edmure, conhecer mais dele, e ajudar o Albert a fazer as pazes com ele. Pelo menos estaria ajudando meu amado em alguma coisa.

— Sim, eu e seu fratello. — Comentei, esquecendo por um momento da palavra em inglês. — Seu irmão.

Frederic sorriu feliz, e me arrancou um sorriso sincero.

— Legal, legal! — Ele saiu correndo, sem dar mais explicações, e eu observei seus cabelos finos brilharem ao sol enquanto ele bamboleava de modo infantil a caminho das outras crianças. Respirei fundo, e caminhei para a piscina, onde Edmure estava sentado.

O moreno grandalhão notou minha aproximação. Devia ter acordado há pouco tempo e ainda tomava o café, afinal eram dez da manhã e ele estava em recesso escolar, era de se esperar que não acordasse muito cedo. Ergueu os orbes violetas, a diferença mais gritante entre ele e Albert, e novamente não forçou o sorriso, apenas me encarou sério enquanto eu me aproximava.

— Bom dia. — Cumprimentei, com um sorriso. Edmure repousou a caneca na mesa.

— Bom dia, Dacey. — Ele respondeu, educado, com a voz grave que até lembrava a do irmão. — Já tomou café?

— Sim. — Eu puxei a cadeira de frente com a dele, na pequena mesa redonda de piscina, que estava forrada com um pequeno café da manhã. O pequeno guarda sol que ficava sobre a mesa deitou sua sombra sobre mim. Olhei para a piscina, que estava coberta devido o desuso óbvio pelo inverno. — E então, primeiro dia de férias?

Ele fez que sim com a cabeça, tomando um gole de seu café.

— Sim. Mas essas férias serão longas, vão até março. Como no início do ano perdemos muitas aulas porque os professores estavam em greve, não tivemos férias de verão, então transferiram pra esse período. — Ele baixou a caneca vazia, e repousou as mãos na mesa. — Vocês vão ficar por aqui quanto tempo?

Percebi que ele não queria ouvir “muito tempo” na resposta.

— Ainda não sei, seu irmão está de férias, e com o cargo dele, pode ficar uns dois meses se quiser. — Respondi com um sorriso, cruzando as mãos sobre a mesa. — Mas imagino que ao voltarmos da casa e seus avós, ele irá querer voltar pra Itália.

Edmure apenas anuiu com a cabeça desviando os olhos para as crianças no jardim. Eu tentava imaginar como ele reagiria se soubesse que os pais dele planejavam levar o tal menino com quem ele talvez tivesse um relacionamento naquela viagem, um garoto mais ou menos da mesma idade dele, Cotter Storm. Segundo os pais dele falaram para mim e Albert, o próprio Edmure tinha falado em convidar o rapaz, mas não tocou mais no assunto. Os pais dele achavam que levar o garoto deixaria o Edmure mais animado, e daria uma chance do Albert analisar se o irmão era ou não realmente gay.

Talvez ele gostasse da ideia, talvez não. Mas os pais dele pelo jeito iam ligar pros pais do garoto aquela semana para chama-lo, sem avisar o Edmure, sendo assim uma “surpresa”. Se eles realmente fossem um casal o tal Cotter ia passar uns maus bocados tendo de conhecer a família Prey toda de uma vez, ainda mais porque eles eram uma família enorme. Até os avós do Albert viriam da Itália para aquela reunião. Na minha opinião, aquela era uma ideia muito ruim, mas pra família, era uma chance de mais olhos analisarem se o filho era ou não bissexual. Eu mesmo estava nervoso de conhecer toda aquela família na viagem.

— Você sabe... — Edmure perguntou, parecendo distraído, mas percebi que ele estava tentando parecer distraído, olhando os irmãos brincando no jardim. — Que horas meus pais e o Albert voltam?

— Acho que só de tarde. Eles vão tratar alguns negócios da empresa, seu irmão queria dar uma passada na sede americana. — Ele se voltou pra mim, os olhos violetas com um brilho muito bonito. O namorado dele, se fosse mesmo namorado, tinha sorte, Edmure era lindo.

— Entendi. Acho que vou dar uma saída. Qualquer coisa, o pessoal que trabalha em casa tem meu número, o Chris também. — Ele se levantou, ajeitando a camiseta no corpo visivelmente malhado. — Pode me ligar se precisar de alguma coisa.

Céus, era tão óbvio que ele ia encontrar com alguém, aproveitando que os pais não estavam por perto. E isso aumentava bastante as chances dele ter mesmo um relacionamento homossexual.

— Tudo bem, acho que as crianças vão me distrair bastante. — Eu sorri, e ele finalmente abriu um pequeno sorriso simpático para mim, mesmo que não parecesse muito sincero.

— Ótimo, até mais tarde então. Se alguém perguntar, diga que fui à casa de Conrad, meu amigo.— Ele inclinou a cabeça em despedida, e se afastou, com as mãos nos bolsos das calças. Observei enquanto ele se afastava. O caminhar era muito parecido com o do Albert.

Conrad. Bom, não era o tal Cotter, mas possivelmente era uma desculpa. Ou quem sabe não.

Vai saber. Pra variar, eu tinha falhado mais uma vez até mesmo na tentativa de conversar e descobrir algo sobre o Edmure.

Como eu falhara tantas vezes antes em minha vida. Inútil.

Cruzei os braços sobre a mesa, e abaixei minha cabeça sobre eles, suspirando.

Dacey, o inútil.

—

— Ivan, em nome de Deus, não vamos conseguir nada. A mansão é enorme. — Evelyn comentou, enquanto eu me mantinha olhando pelos binóculos, tentando encontrar alguma movimentação na mansão Prey.

— Em nome de Deus digo eu. — Falei irritado, franzindo a testa. — Mulher, até parece que você não sabe como é o trabalho de paparazzi. Vamos passar o dia aqui até alguém sair ou entrar, com a vinda daquele filho problemático dos Prey, a família está no foco de todos os sites e revistas de fofoca barata. Qualquer foto nítida aqui pode garantir uma graninha boa.

— É, mas enquanto estamos aqui nesse seu carro apertado, Birtney Spears, Paris Hilton, e todas as princesinhas e menininhos da mídia estão em Nova Iorque, onde nós estávamos até você decidir vir para esse fim de mundo. — Ela torceu o nariz pra mim numa careta, e eu revirei os olhos enquanto ela abria a caixa de donuts que tínhamos comprado mais cedo.

Não discuti com ela, sabia que ela entendia que estávamos com as câmeras apontadas pra uma mina de ouro. Já trabalhava com Evelyn há dois anos, e sabia bem o tipo de pessoa que ela era. Com 25 anos e 1,65m de altura, ela era muito bonita, seus cabelos lisos e pretos, os olhos azuis, a pele clara, e o corpo de Audrey Hepburn em seus anos de maior fama. Ela sabia usar bem sua aparência, tanto para conseguir o que queria — entrar em festas, atrair celebridades. —quanto para passar despercebida pelas pessoas. Quando queria, era tão discreta que, se não fosse paparazzi, seria um verdadeiro desperdício de talento. Por isso, eu a escolhera como parceira assim que suas primeiras fotos começaram a fazer sucesso nas revistas e sites de fofoca por aí.

Dávamo-nos muito bem, apesar de ela querer sempre discutir sobre que celebridade nós deveríamos “caçar”, exatamente como nesse momento. Mesmo assim, desde que começamos a parceria, criamos certa fama com nossas fotos. Juntos, éramos uma dupla infalível: Ivan Hudson e Evelyn Tood, os paparazzi de maior sucesso dos Estados Unidos.

Ou como nossos apelidos, dados pelos colegas da área, diziam: a garota charmosa e o bonitão duro.

Claro que olhando para Evelyn sentada ali, de pernas cruzadas, usando seus óculos de lentes grossas que deixavam seus olhos miúdos, vestindo um shorts de malha rasgado e uma camiseta larga e decorada com a imagem de uma estrela e uma mancha de café, os cabelos presos de forma desleixada, e chupando os dedos com vontade para livrá-los dos confeitos dos donuts, era perceptível que apesar de ser muito bonita, nem sempre ela era charmosa, apenas quando a situação exigia. Sobre minha beleza, talvez fosse verdade, mas estava mais para uma piada. E duro, eu era mesmo, nunca tinha grana.

Com 30 anos, eu já era velho no ramo da fotografia. Pelo menos no ramo da fotografia-fofoca, que normalmente contava com pessoas mais jovens, recém-formadas e quase amadoras que precisam de dinheiro, e mudavam seu foco de trabalho assim que o conseguiam. Era o caso de Evelyn, que sonhava em ser fotógrafa de “vida selvagem” ou sabe-se lá como se fala. Eu começara no ramo com a mesma intenção de sair assim que minha deficiência monetária fosse superada, porém a minha necessidade por dinheiro nunca acabou. Aos 23 anos, quando me formei e comecei a trabalhar como paparazzi, eu conheci Christina, e as coisas começaram a mudar.

Era daí que vinha a minha fama de “bonitão” entre os paparazzi, porque durante minha vida, eu sempre acabei me enroscando com alguma pessoa, e claro que isso não escapou dos olhares atentos dos meus colegas de trabalho. Bissexual assumido desde meus 14 anos, eu era um romântico perdido, daqueles sofredores que se apaixonam rápido, se iludem fácil e saem sempre machucados após fazer papel de bobo no relacionamento. Nenhum dos meus relacionamentos, nem homem nem mulher, duravam mais que semanas, e eu não sabia por que. Talvez porque eu fosse pegajoso demais, talvez porque eu andasse sem dinheiro, sempre.

Enfim, o fato era que eu conheci Christina com 23 anos, e pra variar, como tantas outras vezes, apaixonei-me por ela. E também como tantas outras vezes, após uma semana, ela disse que não queria mais me ver.

E então, eu voltei ao meu trabalho por três meses. Até Christina aparecer grávida de minha primeira e única filha, que veio a nascer seis meses depois.

Olivia. Meu anjinho amado.

Ela nascera gorda, rosada, e saudável. Os cabelos pretos como a noite que Christina tinha, e meus olhos verdes. Era a coisa mais linda que eu já vira em minha vida, e ainda lembro que assim que entrei na sala do parto, eu chorei de felicidade ao ver o bebê. Na minha mente de romântico idiota, a chegada do bebê resolveria tudo: meu trabalho que já estava melhorando se resolveria e eu ia para a área de fotografia que eu queria, Christina ficaria comigo e criaríamos a criança juntos, como uma família. Mas claro que eu estava errado. Christina também chorava, mas de desespero, e o médico me encarava com cara de defunto, enquanto meu sorriso de pai besta amarelava, e o choro da minha filha recém-nascida inundava o quarto.

Olivia tinha síndrome de Down. Christina não sabia disso, pois não fizemos o rastreamento adequado durante o pré-natal, porque nosso convênio não cobria, e eu não tinha grana nenhuma para pagar mais exames, além do médico dizer que como ela era jovem, o risco de o bebe nascer com síndrome de down era nulo. Aquela foi uma surpresa para todos, mas eu ainda não entendia, até mesmo nos dias de hoje, porque aquilo parecia o fim do mundo pra todo mundo. Minha filha ainda era o bebê — meu bebê — mais lindo do mundo.

O nascimento de Olivia realmente mudou os cursos da minha vida, mas não das formas que eu imaginava. Christina desapareceu um mês depois, e nunca mais tive notícias da mulher, mas não foi uma surpresa, ela não lidava com o fato de nossa filha ser diferente. Comecei a criar Olivia com a ajuda de minha mãe, e trabalhar muito mais para pagar os cuidados especiais que minha pequena precisava. Não consegui seguir com meu sonho de ser fotógrafo artístico, mas a paternidade me ajudou a superar. Eu sempre amei minha filha como nunca amei nada na vida. Tinha seu nome tatuado no peito, sobre meu coração, a única tatuagem que eu tinha do lado esquerdo do meu corpo, todas as outras sendo no lado direito. Nenhum sonho poderia ser maior do que ligar pra minha casa e ouvir Olivia dizer “Te amo papai”. Era a minha menininha perfeita, independente do que os outros dissessem ou pensassem. Minha filha era tudo pra mim.

Mas afastei aqueles pensamentos. Agora eu precisava trabalhar para cria-la, e ponto. Encarei-me no retrovisor do carro, vendo meus olhos verdes e com olheiras. Precisava fazer a barba, que já estava grande, e tinha cortado meus cabelos castanhos na última semana porque Olivia não gostava quando eles ficavam muito compridos. Também precisava voltar pra academia antes que começasse a perder massa, já fazia quase um mês que eu não mantinha uma frequência boa de exercícios.

Mas isso, só depois que eu conseguisse uma boa foto de algum dos Prey, para vender nem que fosse na Itália. Ia tirar as fotos com a ajuda de Evelyn, e depois íamos vende-las, e eu ia para Nova Iorque, encontrar minha mãe e minha filha, pagar o aluguel e a escolinha de Olivia, fazer uma grande compra com pelo menos duas caixas de bombom para minhas meninas...

— Ei, tem um cara ali no portão. — Evelyn chamou minha atenção, e me sobressaltei, olhando pro outro lado da rua, onde podia ver os portões da mansão Prey. — Mas é loiro. Pelo que eu pesquisei nenhum dos Prey é loiro.

Encostei minha cara no vidro, achatando meu nariz contra ele. Imaginei que Olivia riria daquela imagem, e sorri.

Um loiro estava no portão, conversando com o aparente segurança da residência. Ergui uma sobrancelha, tinha lido sobre os Prey para levantar informações sobre a família. O único loiro relacionado com a família era...

Dacey Florez, o famoso fotógrafo italiano, namorado do tal filho problemático dos Prey, Albert. Ele tinha sua fama tanto na área de fotografia, quanto como foco de fofocas e escândalos devido à relação abusiva que ele mantinha com o primogênito dos Prey, sendo que Albert o traia abertamente e eles continuavam juntos.

Observei o rapaz. Eu conhecia seu trabalho, ele era um dos maiores fotógrafos da atualidade, atuando tanto com fotos artísticas quanto com moda e cinema. Mas não conhecia o homem que portava aquele talento admirável. Loiro, não tão alto, ele parecia ter um sorriso amarelo quando falava com o guarda sobre algum assunto que eu só podia imaginar. Tinha um corpo bonito, esbelto, torneado, sem nenhum sinal de pneus em lugar algum. Dava pra entender o porque de Albert, o garanhão, manter um relacionamento mais “fixo” com ele ao invés de outros: o rapaz era muito bonito, jovem, atraente. Fazia muito o meu tipo, percebi, e senti certa pena do rapaz pelo que ele passava nas mãos do seu companheiro.

— Dacey Florez. — Eu comentei, puxando minha câmera. — Namorado do Albert Prey. Abra o vidro que eu vou tirar as fotos, rápido! — Informei afobado. Até mesmo fotos de Dacey, com as manchetes corretas, poderiam valer uma grana preta.

Evelyn baixou o vidro, e tirei a primeira foto, meu coração batendo pela adrenalina do momento. Na segunda foto, vi pelo visor da câmera o loiro se virar na nossa direção, com a expressão fechada. Apesar de estarmos do outro lado da rua, e os portões da propriedade ficarem distantes da rua, de forma que havia uma pequena via ligando o caminho principal até eles, nossa distância não era tão grande, então imaginei que ele ouvira os flashes.

— Sem fotos! Eu chamo a polícia! — Ouvi o segurança gritar afobado, e sorri, erguendo os olhos da câmera. Bati mais fotos rapidamente. Já tinha uma quantidade satisfatória de imagens, e Evelyn tirara fotos também. Dacey me olhava com os olhos em fogo, e apesar da minha felicidade de conseguir as imagens, sempre achei triste esse lado da profissão, invadir a privacidade de pessoas que muitas vezes iam sofrer pelas imagens que conseguimos delas. E eu sabia que as manchetes de Dacey com certeza só trariam, no mínimo, palavras como “traído”, “manso”, e “coitado”.

Então, olhando aquele loiro, eu dei partida, e com aqueles olhos dourados focados nos meus, olhos muito bonitos, eu gritei para ele. Não entendi meus motivos pra fazer isso, mas supus que era algo que eu devia fazer.

— Ei, Dacey! — Ele pareceu abrir os lábios, chocado por eu estar falando com ele. — Você é bonito demais para se sujeitar a essa relação abusiva! Cara, você é lindo, inteligente e talentoso, e seu trabalho e magnífico! Encontre alguém à sua altura e pare de fazer papel de idiota!

Eu vi o segurança gritar de forma ameaçadora, mas não prestei atenção. Enquanto eu falava, Dacey tinha agarrado as barras dos portões com as duas mãos, e me encarava com uma expressão de choque ofendido. Pensei em gritar mais, porém Evelyn deu um soco no meu braço com força.

— Idiota, acelera! — Ela falou, e saí derrapando com meu Corolla, no susto.

Segui alguns minutos um pouco nervoso, correndo com o carro pela cidade, porque eu acabara de quebrar uma regra dos paparazzi: nunca grite pra uma celebridade. Mas eu não tinha resistido ao impulso de falar, ao pensar que realmente, aquele jovem bonito fazia papel de idiota na mão de um ricaço.

— Você é um retardado né? Quer que a manchete seja “Paparazzi idiota grita dicas de relacionamento para fotógrafo abusado”? Que burrice foi essa... — Evelyn balançou a cabeça, descrente, e percebi que eu estava sorrindo.

— Sempre quis ser terapeuta de casais, por isso tentei fazer um teste. — Brinquei, e ela me deu outro soco.

— Idiota. Se ninguém quiser comprar essas fotos porque um loiro louco ligou dizendo que você foi idiota com ele, eu vou mandar sua mãe fugir com a Olivia. — Ela provocou, e eu ri. Evelyn era bem mais preocupada do que eu com as coisas.

— Precisamos ajudar os desfavorecidos. — Eu brinquei, e ela soltou um suspiro.

— É por isso que eu sou sua parceira de trabalho, mas desse jeito você ainda vai me matar. Fala logo, porque aquilo tudo? Era só fugir logo quando ele nos visse. — Ela se acomodou no banco, olhando a câmera para analisar as fotos que tirara.

— Porque eu senti que ele precisava ouvir isso. — Expliquei, erguendo os ombros. Nem eu sabia porque tinha feito aquilo.

— Ah. E você acha que ninguém nunca falou isso pra ele? Precisou de um paparazzi pobretão falar pra ele?

Eu revirei os olhos, e sorri.

— Não custa tentar. Ele é bonitinho demais pra ficar nessa de sofrer por amor.

Senti mais um soco no braço, e gemi de dor. Esse fora forte.

— Ah eu sabia! Sabia que você tinha se engraçado pro lado dele, seu vagabundo! — Ela xingou, e percebi que ela sorria. — Fala sério Ivan, você precisa ser mais realista às vezes. Não tem chances com ele.

Revirei os olhos novamente, parando num sinal vermelho e olhando pra ela, com as sobrancelhas arqueadas.

— Olha querida, eu sei ok? É claro que eu não me engracei com o cara, só estou falando. Agora vamos tentar vender essas belezinhas, que valem muito mais que uma fotinha da Britney saindo do shopping. Com sorte, dá até pra comprar um notebook pra Olivia. — Eu falei, voltando a movimentar o carro.

Eu não era tão bobo a ponto de me apaixonar a primeira vista. Mas eu estava interessado naquele loirinho, não exatamente um interesse amoroso ou sexual, mas curiosidade de saber porque ele se sujeitava a aquilo.

De qualquer forma, naquela semana íamos ficar na cidade para conseguir mais fotos da família. Então, não custava nada criar esperanças de que talvez eu pudesse conhecer Dacey Florez um pouco melhor.

Notas finais
Fotinhas do Ivan:
http://www.theplace2.ru/archive/rafael_lazzini/img/1_-1.jpg
http://24.media.tumblr.com/tumblr_lpwliedtHX1qbzmaoo1_500.jpg
http://31.media.tumblr.com/tumblr_lnppplUSvz1qarksao1_1280.jpg
O cara é um gato né, fala sério HDISOADHIAOSHDIAO.
Beijos!