Fashion And Diamonds.
17 Capítulo 16 - Coffe.
Notas iniciais
Primeiro: Mudei a foto da capa! Achei essa bem mais legal, faz um tempo que eu comecei a ver o Cotter com outros olhos... O da esquerda com o cachorrinho é o Edmure e o outro o Cotter! Só mudem a cor dos olhos. (Espero que tenham gostado! Comentem o que acharam!)
Agora, um beijo à todos meus lindos leitores. Amo vocês, de verdade.
Estou postando rápido pra chegar nas partes boas!
E nesse cap, o Edmure está se recuperando... Espero que gostem!
Boa leitura!
— Aqui, beba. — Falei, colocando o copo de café sobre a mesa, na frente de Edmure, com um pouco menos de cuidado do que eu esperava, e quase o derrubando. Droga, eu era tão atrapalhado às vezes!
Já fazia mais de uma semana desde que eu vira Edmure chorando naquela estufa escondida da escola, que eu nem tinha conhecimento sobre até Conrad me contar dela, e sobre as possibilidades de eu encontrar o gigante naquela construção antiga. Só perguntei para Conrad sobre ele porque Edmure não apareceu para mais nenhuma aula naquele dia, e eu estranhei, então corri atrás dele assim que as aulas acabaram, encontrando o grandão no local indicado.
A lembrança dele chorando ainda fazia meu coração apertar... Logo ele, Edmure Prey, alguém que eu nunca vira derramar uma lágrima, sempre forte e confiante, tão seguro de suas ações, um poço de coragem que me inspirava em certos momentos, o garoto que encarava qualquer briga e botava medo em qualquer pessoa em juízo. Eu aprendera a admirar essas qualidades nele depois que ele viera em meu socorro naquela briga tanto tempo atrás. Vê-lo daquela forma, quebrado, era como uma ruptura na realidade, uma quebra de dimensão.
E tê-lo ali, ainda incompleto, era para mim um baralho sem o ás.
— Obrigado. — Ele me respondeu , erguendo a cabeça, me encarando com os olhos apagados como eu nunca vira. Estavam assim desde o acontecido. Ah, eu sentia tanta falta daquele brilho no olhar violeta!
— Toma aqui. — Estendi para ele meu maço de cigarros, e o isqueiro de metal dourado que havia comprado com ele ontem, quando fomos à um barzinho. Eu estava tentando animá-lo desde o acontecido, tentando pouco a pouco recuperar o rapaz forte e determinado que eu conhecia tão bem. Por isso, saímos bem mais que o normal nos últimos dias, mesmo que as coisas estivessem um tanto estranhas ainda.
Principalmente porque Edmure se recusava a tocar no assunto e me contar o que aconteceu, por mais que eu perguntasse. Aquilo me deixava um pouco nervoso, e coisas horríveis passavam em minha mente, mas eu entendia que, fosse o que fosse, ele me contaria quando estivesse pronto. Aquela história de monstro me assustava. E no fundo— bem no fundo mesmo— eu tinha medo de que ele estivesse querendo... se afastar de mim. Ele já não investia para me beijar, e quando eu tomava a atitude, ele apenas retribuía, sem nunca avançar nenhum sinal, como era acostumado a fazer.
Fazia pouco tempo que eu assumira meus sentimentos por Edmure, e ele afirmava ser recíproco. E agora que eu percebia que gostava dele, não estava preparado para perdê-lo.
Mas, paulatinamente, ele estava voltando a si. E quando ele deu um sorriso, meio cansado, meio alegre pro maço de cigarros, meu coração esquentou em felicidade de ver um pouco de animação. Deus, eu não estava apaixonado por ele. Eu espero. Aliás, não quero pensar nisso.
— Você vai mesmo me viciar nisso. — Falou, puxando um cigarro do maço. Desde que eu o vira todo pra baixo, comecei a oferecer cigarros para ele, e Edmure os aceitava com certa frequência. Era bom, relaxava e amenizava as preocupações, mesmo que levemente. Não queria que ele viciasse, mas queria ele melhor.
Tomei um gole de meu próprio copo de café, saboreando o sabor suavemente amargo. Estávamos numa pequena cafeteria perto da escola, que eu gostava bastante. O movimento era baixo, mas o local era charmoso, com suas mesinhas de madeira redondas e as toalhas de mesa xadrez. Além de servirem um ótimo café, e eu tenho a teoria de que um ótimo café anima todo mundo.
Minha teoria se provou realista quando Edmure tragou o cigarro recém-aceso, e tomou um gole do seu copo, soltando um pequeno sorriso satisfeito depois disso. Meus olhos se deleitaram com a visão, e eu senti uma nesga de felicidade em meu peito.
Puxei meu maço e isqueiro de perto dele e acendi uma unidade também. Fumar tomando café era realmente muito bom.
— O café daqui é mesmo muito bom. — Falou, tomando mais um gole. Fiquei feliz com mais um pouco de iniciativa ao puxar assunto, até isso estava faltando pra ele na última semana. — Podíamos voltar aqui mais vezes. — O moreno tragou seu cigarro, liberando uma nuvem de fumaça em seguida. Por alguma razão idiota — e por razão idiota, leia Edmure— eu corei com aquilo. Sério, que merda eu tinha na cabeça?
— Pode ser. — Respondi nervosamente, e engoli mais um tanto de café, que desceu quente pela minha garganta. Traguei o cigarro em seguida, e a mistura me deixou satisfeito. — Podíamos chamar o Conrad e o Tony também.
Esperei alguma de suas piadinhas sacanas, às quais eu estava tão acostumado. Algo como “Mas eu quero ficar sozinho com você” ou algo assim. Mas a resposta nunca veio, e Edmure apenas anuiu com a cabeça, tragando seu cigarro. Eu acabei soltando um suspiro mental ao pensar em quanto eu sentia falta das suas provocações, e no quanto ele ainda estava diferente. Todos no colégio repararam, e eu ficava cada vez mais nervoso com os boatos — que eu gostaria muito de saber da onde surgiram — de que ele estava sofrendo por ter levado um pé na bunda daquela vagabunda da Erika.
Um silêncio se instalou entre nós, e eu apenas tentei afastar todas minhas preocupações de minha mente. Edmure era mesmo forte, e ele voltaria a ser o que sempre foi. Pelo menos, eu esperava por aquilo com todas minhas forças.
Sequer reparei que esticara minha mão sobre a mesa, e capturara a mão livre dele com a minha, enlaçando nossos dedos. Não tinha verdadeiro problema, porque o local estava vazio, mas mesmo assim eu não estava acostumado com esse tipo de contato. Quando me toquei, senti meu rosto esquentar novamente, com o dobro da intensidade, e ergui meu rosto para encarar Edmure.
E notei novamente, enquanto ele me encarava com os lábios entreabertos, um pequeno brilho em seu olhar. Mais intenso que o anterior, mas ainda uma sombra de seu brilho normal.
E quando ele deu um pequeno sorriso e apertou os dedos nos meus, meu coração acabou se derretendo no meu peito.
Abri meu sorriso mais largo. Vai ficar tudo bem.
Eu vou ter meu gigante de volta.
—
Cotter parecia muito mais animado recentemente. Eu conseguia perceber que era sua forma discreta de tentar me animar, porque sabia que eu estava mal. E eu era grato por isso, pois realmente estava mal, confuso com tudo aquilo, e apesar de meus esforços para esquecer minhas lembranças desagradáveis com Albert, ainda não estava cem por cento. Mas Cotter estava me ajudando.
Não era porque eu era bissexual que eu ia me tornar meu irmão. Nunca.
Pelo menos era o que eu tentava enfiar na minha cabeça com o máximo de força possível.
Continuei caminhando em direção ao meu carro, enquanto Cotter se encolhia ao meu lado, tentando se proteger do vento frio. A visão me deu certa vontade de abraça-lo, mas eu não encontrava em mim coragem para tanto. Nem para mais nada relacionado a nós dois fisicamente. O que não quer dizer que meus sentimentos eram diferentes do passado, eles só estavam... bloqueados. Eu ainda tinha minhas vontades, mas não às fazia, e agradecia quando Cotter tomava a atitude, porque sentia falta de contato.
Entramos no meu Sonata, e eu me senti grato por sair daquele vento gelado. Cotter estava voltando de carona comigo já fazia alguns dias, já que saíamos quase todas as tardes depois da aula, e ele estava indo pro colégio com o motorista. Sempre íamos a algum lugar que ele gostava, e eu acabava por gostar também. Principalmente porque, quando eu ficava ao lado dele, conseguia colocar na balança se estava tomando as decisões certas ao me relacionar com ele, e afastar Albert da minha cabeça. E sozinho, eu só conseguia pensar em besteiras tão grandes sobre mim mesmo, e ficar mais triste do que eu estava acostumado.
— Caramba, como está frio! — O pequeno reclamou, se sentando ao meu lado e batendo a porta com uma força medida. O encarei, e ele sorriu para mim, sua pele clara levemente ruborizada pela circulação que tentava evitar que ele congelasse.
— É mesmo. — Mais uma vez, eu estava com vontade de beijá-lo, sentir aquele rosto quente no meu, e afastar seu frio com o meu calor. Mas a coragem me faltou novamente, e eu senti um arrepio em minhas costas, recordando do meu passado escuro.
Eu me arrependia tanto pelo que havia feito...
— Edmure? — Percebi que Cotter me chamava, e me assustei ao ver que ele havia colocado um joelho sobre o banco do carro, e se inclinado na minha direção, com o olhar preocupado. Afastei meus pensamentos da mente, e encarei aqueles orbes cinzentos tão bonitos.
Senti a sensação de desligamento da realidade que me era comum quando eu via Cotter tão perto de mim. Dessa vez, minha mente esvaziou completamente, e minha vontade era puxá-lo para o meu colo e beijá-lo, e acabar com as suas e as minhas preocupações de uma vez, certo de que eu ia encarar tudo aquilo com a força necessária.
“ Você vai se tornar idêntico a mim.” Albert retumbou em minha cabeça, enquanto eu ainda encarava os olhos preocupados de Cotter, sem resposta ao seu chamado.
Senti a raiva me dominar. Albert estava do outro lado do mundo. Deus, como eu era fraco.
Ergui minha mão, e toquei no rosto de Cotter, puxando-o com delicadeza para mais perto do meu. Ele colocou uma mão no meu ombro para se equilibrar, e seu rosto corou no mesmo instante. Pude sentir a respiração dele nos meus lábios, e fechei os olhos. Eu gostava dele. Eu sabia que gostava, e que valia a pena encarar aquele passado por ele.
E quando eu colei nossos lábios, pela primeira vez em dias tomando a atitude do toque, senti meus sentimentos aumentarem. Tomei os lábios de Cotter como nunca havia feito, encostando nossas línguas com voracidade, mordendo e chupando seus lábios com uma necessidade incontrolável. Uma necessidade de provar que meu irmão não me controlava, que eu tinha coragem de ir contra ele e me apaixonar pelo homem que eu amava.
Cotter correspondeu quando eu me movi no banco, agarrando sua cintura com a mão livre, e apertando sua nuca com a outra. Senti seus dedos apertarem meu ombro, e sua outra mão tocar meu peitoral com a ponta dos dedos. Um calor me dominou, e eu aumentei a intensidade do beijo, ao que ele correspondeu deliciosamente.
O desejo apagou todas as minhas preocupações e medos, só existia eu e Cotter ali, e aquele fogo, que partia das minhas entranhas e fervia meu sangue. Puxei o menor de forma desajeitada para o meu colo, e logo ele estava sentado de frente para mim, seus joelhos no banco, e seu quadril roçando em meu pênis já excitado.
— Ah, Edmure. — Cotter separou nossos lábios com um gemido baixo, e eu cravei meus dedos em sua cintura, enquanto ele ondulou os quadris de leve em meu pinto já duro. Suas mãos foram para os meus cabelos, e ele puxou meus fios, fazendo com que eu encarasse seus olhos brilhantes. — Eu senti tanta falta disso.
Eu sequer respondi, apenas agarrei sua nuca com firmeza e colei nossos lábios, para mostrar que eu sentia o mesmo. O gosto de café e cigarro de sua boca me embriagava, e os gemidos abafados e contidos que ele soltava em meus lábios me enlouqueciam. Desci minha boca para seu pescoço, com beijos que o fizeram se encolher e arrepiar. Se não transássemos hoje, acho que não seria nunca mais.
— Desculpe. — Eu falei em sua pele clara e quente. Eram minhas desculpas por minhas dúvidas, minha distância, e por ter deixado ele preocupado em todos aqueles dias. Não ia mais acontecer, eu não ia perder as estribeiras novamente. Estava certo do que queria.
Os dedos de Cotter se apertaram contra meu ombro, e quando eu mordi de leve a pele macia do seu pescoço, ele moveu os quadris num espasmo, e eu soltei um gemido abafado, agarrando sua cintura com força e movendo-o novamente, de forma lenta, roçando nossas ereções. Ele passou os braços em torno do meu pescoço, e colou seus lábios no meu ouvido.
— Não aqui, e não agora. — Falou com dificuldade, tomando a iniciativa de mover seus quadris por vontade própria. Eu sabia o que significava, mas apenas desci minhas mãos e agarrei seus glúteos, fartos, que enchiam as minhas grandes mãos, e eram firmes. Apertei e ele arqueou as costas, empinando mais a bunda e mordendo os lábios, jogando a cabeça para trás. Mordi seu pescoço com delicadeza.
— Aqui, e agora. — Falei, mas ele chacoalhou a cabeça, emitindo um gemido leve com mais uma mordida.
De forma repentina, ele afastou minhas mãos de sua bunda, e ergueu os quadris, me fazendo perder aquele toque tão excitante que me deixava duro como pedra. Encarou-me com os olhos também duros, o rosto vermelho, e os lábios inchados e escuros entreabertos, ofegante.
Lindo. Lindo como sempre.
— Não. — Ele falou, em tom de fim de conversa, e eu senti um suspiro escapar do meu peito. Aquele desgraçado ia dar uma de difícil até quando?
Porém, quando eu ia insistir — afinal tentar não custa nada — ele me envolveu num abraço apertado, e colocou sua cabeça no meu peito de uma forma tão carinhosa, tão amável, que me deixou paralisado.
— Você voltou. — Ouvi meu pequeno sussurrar em meu peito, e percebi que ele estava sorrindo. — Seus olhos estão brilhando de novo.
Senti uma surpresa, e incrivelmente, ruborizei, coisa que não acontecia faz tempo. Era bem verdade que eu havia afastado meus pensamentos ruins de mim, e eu sentia que minha barreira de proteção contra aqueles tempos estava novamente erguida, dessa vez fortalecida pela certeza que eu tinha de que valia a pena esquecer de tudo para ficar com Cotter.
E quando ele se afastou de mim com delicadeza, erguendo seu rosto na altura do meu, e me encarando com o olhar mais sem graça do mundo, eu percebi que eu estava sorrindo. De alguma forma, sem entender bem, eu estava me aceitando.
— O que foi? — Eu perguntei, envolvendo suas costas com os meus braços, sem querer esquecer daquele ser tão perfeito. Cotter respirou fundo, como se tomasse coragem para dizer algo, mas acabou soltando um suspiro cansado, balançando a cabeça. Ergui minhas sobrancelhas, confuso.
— Esta rua não é movimentada né? — Ele perguntou, e eu senti um sorriso brotar em meus lábios.
— Não. Por que, decidiu ceder? — Questionei, descendo minhas mãos para suas nádegas esperando que ele as afastasse, mas ele apenas revirou os olhos e se aproximou de mim, agarrando minha nuca com uma mão, e colocando a outra no meu peito.
— Idiota. — Ele me xingou. — Não mais do que eu já cedi.
E então nos beijamos novamente, naquela excitação crescente, e numa paixão que transcendia meus medos.
Eu estava apaixonado por Cotter Storm.
E não seria meu passado que ia me afastar daquilo.
Notas finais
COMENTEM DA CAPA!
BEIJOS!
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