Fashion And Diamonds.
18 Capítulo 17 - Coffe (part 2)
Notas iniciais
Primeiro, MUITO OBRIGADA as duas LINDAS, MARAVILHOSAS E ESPECIAIS leitoras que deixaram recomendação! Sério, acho que nunca recebi duas recomendações depois de um capítulo! Fico super feliz, de verdade, obrigada a Mililika e a Konan!
E obrigada a todos que deixaram reviews, que bom que gostaram da capa! E não, o menino da direita não é o do One Direction!
Capítulo filler/soft inspirado por uma review haha. Thanks Linkbill! Não me matem por não ser o lemon! Próximo capítulo, uma crise, e depois, se tudo der certo, LEMON!
Um grande beijo!
Boa leitura!
Foi na terceira ou quarta vez que ouvi aquele som esganiçado que eu rompi o beijo de Edmure novamente.
— Você tá ouvindo isso? — Perguntei, erguendo a minha cabeça, ainda me sentindo meio tonto com todo aquele contato recém-partido.
Edmure me encarou com aquela expressão que sempre fazia quando eu cessava nossos amassos antes que a coisa ficasse incontrolável, esperando pelas minhas desculpas. Era uma feição meio irritada, meio decepcionada, e ficava bem fofa nele.
— O que? Eu já falei, não tem ninguém na rua essa hora, e os vidros já devem estar tão embaçados que ninguém vai ver. — Falou, me puxando novamente para seus lábios, mas eu empurrei seu peito, escutando novamente aquele barulho estranho. E porra, os vidros embaçados chamariam mais atenção do que menos.
— Não Edmure cacete, você não tá ouvindo? — Perguntei, levemente irritado.
Eu nunca imaginei minha primeira vez com ele num carro, aquilo me parecia tão safado. Na verdade, eu tentava não pensar muito na nossa primeira vez. Aliás, eu ainda não estava pronto para uma primeira vez, e achava que nunca estaria. Principalmente pela sensação estranha que toda aquela novidade ainda me trazia, mesmo que eu estivesse me acostumando pouco-a-pouco — eu ainda me sentia uma garota no colo dele, daquele jeito. — e também por outras razões. Não que eu não estivesse excitado como o inferno, sentindo minha calça apertada incomodar minha ereção, mas eu ainda não sabia como aquilo ia ser, e eu tinha uma leve noção que o penetrado seria eu.
E você saberia como é ficar receoso em relação à isso, quando seu parceiro era alguém de 1,92m de altura, que estava com uma saliência de volume inquestionável dentro das calças, roçando aquilo contra a sua bunda. Por mais que eu quisesse deixar aquela merda toda rolar, eu ainda não estava psicologicamente preparado. Talvez se eu ficasse bêbado.
Mas dessa vez, tinha mesmo um barulho fora do carro, não era mais uma desculpa minha para fugir mais uma vez antes que as coisas chegassem no “vamos ver”.
O moreno barbado revirou os olhos, soltando um suspiro de desistência, e eu o ignorei, curioso, saltando desajeitadamente do seu colo para o banco do passageiro, abrindo a porta assim que consegui, sob o olhar confuso de Edmure, que ignorei.
E eu quase tive um ataque quando sai do carro, vendo na calçada uma das coisas mais fofas que já vira na minha existência.
— Meu Deus! — Deixei escapar, e me senti uma garotinha, mas mesmo assim saltei na direção da criaturinha, pegando em minhas mãos. Era um filhotinho de cachorro macho, tão lindinho e fofo, com uma pelagem felpuda cor de chocolate e olhinhos pequenos e assustados. Aquele ganido estranho e estridente que eu ouvira só podia ser dele, e mesmo ele estando um pouquinho sujo, o colei contra o peito, sem conseguir me segurar. Deus, eu sempre tive uma fraqueza com coisas fofas. —Você é a coisa mais fofa do mundo!
Ouvi a porta do carro bater quando Edmure saiu, mas ainda estava encantado com o bichinho, e me voltei para ele com um sorriso babaca no rosto.
— Edmure! — Exclamei animado, estendendo o cachorrinho no ar na direção dele. Eu nunca tive animais, afinal uma casa de cozinheiro não podia ter bichos contaminando a comida, mas eu tinha uma quedinha por filhotes, todo mundo tem.
Edmure me encarou com uma sobrancelha erguida, parecendo estranhar a visão.
— Eu?
— Não, é o nome que eu coloquei nele. — Respondi, revirando os olhos e voltando a colar o cachorrinho no meu peito. Ele era tão pequeno!
O moreno acabou por rir de forma nasalada, revirando os olhos e dando a volta no carro, vindo em minha direção.
— Ele tá mais pra Cotter, com esse tamanho. — Me provocou, colocando a mão enorme na cabeça do cachorrinho e fazendo uma carícia. — Era isso o barulho que você tava reclamando? Podíamos juntar nossos nomes e colocar nele. Cottermure. — Ele sorriu pro animal, que fechou os olhinhos com aquela carícia, falando sem me deixa responder sua pergunta.
Fiz uma careta pro nome ridículo, mas gostei da brincadeira.
— Ou Edmotter. — Completei rindo. — Lembre-me de nunca deixar ninguém juntar nossos nomes assim. Preytorm e Storprey também está fora de cogitação.
Edmure riu, e acabou por pegar o cachorrinho de minhas mãos com delicadeza. Eu acabei por soltar um sorriso torto ao ver aquelas duas figuras tão lindinhas juntas, e meu gigante se derreter numa gargalhada quando o cãozinho lambeu seu rosto.
— A gente devia chamar ele de Chocolate. — Falou de forma meio inusitada, colando o cachorro no rosto. Eu ri novamente, mas ele parecia sério. — É sério! É a cor do pelo dele.— Confirmou, e o animalzinho soltou aquele latido fino dele, de forma animada. — Ele é mesmo tão lindinho, será que não tem dono?
— Provavelmente. — Respondi, me aproximando, enquanto Edmure o segurava nos braços como um bebezinho, afagando a barriga coberta por pelinhos mais claros. — Ele tá meio sujinho. — Fiz uma careta, observando que o cachorro também parecia meio magrinho visto daquele ângulo, em que a pelagem era menor. — Deve ser um vira-lata, eu não entendo nada de cachorros.
Edmure soltou uma risada, sem tirar os olhos do cachorrinho, com aquele sorriso infreável que escapava de qualquer um que olhasse algo tão bonitinho.
— Vai ficar com ele? — Perguntou, erguendo os olhos para mim, e eu senti minhas sobrancelhas arquearem. Ah, eu queria aquele cachorrinho, era a primeira vez que eu simpatizava com algo daquele jeito. Mas meus pais me matariam ou me colocariam pra fora de casa junto com o bichinho antes que eu pudesse pedir permissão para ficar com ele.
— Meus pais não me deixam ter bichos. Mamãe acha que animais em casa sujam a cozinha, e papai acha que eles rasgam roupas. — Torci meus lábios numa careta. Era triste uma criaturinha tão encantadora na rua. Talvez até mais triste que um vestido Prada rasgado. — Por que não fica com ele? — Verbalizei, com uma pequena esperança.
Edmure soltou um risinho, voltando a olhar pro bicho.
— Porra, ele é uma graça, mas a minha mãe vai me matar. — Ele sorriu. — Nunca tivemos nenhum bichinho. Só meus irmãos que às vezes são uns animaizinhos, mas normalmente não incomodam tanto.
Não sabia que Edmure tinha irmãos. Precisava conversar sobre isso depois.
Eu o encarei, com aquele olhar de pidão que eu não usava desde os dez anos, quando queria algum brinquedo e meu pai não queria me dar. E eu já tinha uma pequena noção de que Edmure não conseguia ir contra as minhas vontades quando eu estava muito determinado, principalmente porque ele não insistia muito depois que eu negava os contatos quentes entre nós. Então não fiquei muito surpreso quando ele ergueu o olhar para mim, meio vencido, mas com um sorriso.
— Bom, eu posso tentar. — Falou com simplicidade, e eu sorri tanto, sentindo uma felicidade estranha por aquele cachorrinho poder ficar mais perto da gente, de alguma forma. Não consegui me conter, e esquecendo de olhar se a rua estava ou não movimentada, peguei seu rosto barbado entre as mãos e me esticando para colar os lábios nos dele num selinho alegre.
— Isso! — Exclamei, animado, e tomando o bichinho dos braços dele, enquanto Edmure ria de um jeito bobo. Só então lembrei de observar a rua, mas tirando um carro que virava a esquina, estava deserta. — Ai Edmure, eu te amo, sério. — Deixei escapar, mas logo arregalei os olhos, surpreso comigo mesmo. Não pretendia que soasse daquele jeito, mas Edmure apenas franziu a testa, e graças a Deus, decidiu ignorar minha fala.
— Tá, sei. — Ele riu. — Vamos, entra no carro. Vamos levar ele pra tomar umas vacinas e deixa-lo mais apresentável para levar em casa.
Entramos no carro, e eu segurei o cãozinho no colo enquanto partíamos. Edmure soltou uma risada meio fora de hora depois de alguns minutos, enquanto eu ainda me deleitava com Chocolate, ou qualquer fosse o nome que ele teria.
— Que foi? — Perguntei, virando meu rosto para ele, e vendo seu perfil sorridente enquanto dirigia.
— Sério mesmo que um cachorro empatou nossa foda? — Ele disse, e eu corei, sem graça.
— Idiota! — Falei, voltando a encarar o cãozinho, que observava o interior do carro com os olhinhos curiosos. Edmure riu, virando a esquina.
— Café. — Falou com simplicidade, e eu ergui uma sobrancelha. Agora ele dera de ficar falando coisas sem sentido?
— O que tem? — Falei, curioso, e ele abriu mais o sorriso.
— O nome dele. Vai me lembrar de você. — Falou com simplicidade, e deixei meu rosto corar novamente com aquilo, sem encontrar resposta. — E sempre vou lembrar desse dia quando olhar para ele.
Era um nome meio idiota, mas nós dois éramos idiotas, e eu achei que o nome combinava muito com o cãozinho marrom, então acabei por gostar. E seria uma forma de me lembrar daquele dia.
Se eu conseguia dominar Edmure de vez em quando, e ele não me negava minhas vontades, ele sempre me dominava, em qualquer atitude da parte dele.
E aquele calor no meu peito era a maior prova daquilo.
—
Café saiu do pet shop limpo, vacinado, considerado saudável e até com uma carteirinha onde Edmure ridiculamente colocara o nome do cachorro como Don Café Storprey sem que eu visse. Eu queria mata-lo, mas ele disse que o cachorro era dele então eu devia calar minha boca. Descobrimos que ele tinha uns 4 meses de idade, e aquela coisa fofa era mesmo um vira-lata. Ele parecia bem mais feliz quando a mulher o entregou para mim, ofegando rapidamente com a língua pra fora, me arrancando um suspiro quando senti seu cheiro gostoso de perfume. A mulher queria tosá-lo, mas eu proibi, ele estava lindinho tão felpudo.
— Own, mas ele é uma gracinha mesmo. — Gemi, ao sairmos pela porta do estabelecimento, apertando ele mais contra meu corpo para impedir que o frio o atingisse muito. Edmure andava ao meu lado com um pacote médio de ração.
— Você parece uma criança às vezes. — Comentou, com um sorriso, abrindo o porta-malas do carro para jogar a casa de ração, e ele se voltou para mim, fechando a porta. — Mas parece feliz.
E eu estava feliz. Sem perceber, eu estava feliz porque eu sentia alguma coisa mudada depois de ter visto Edmure em sua fraqueza, e depois retornar com toda sua força. Acho que eu tinha mais certeza dos meus sentimentos, e começara a me acostumar um pouco mais com o tal do “deixa rolar” que ele tanto falava. Nem percebera quando isso aconteceu, mas eu acho que eu estava...
Apaixonado talvez. Talvez um pouquinho. Só uma quedinha. Ou um tombinho. Tá, um pouco mais que isso então. Meia-paixão, eu acho.
— É bom te ver feliz. — Edmure falou, e colocou as mãos no meu rosto, ali, no meio da rua. Deduzi que ele já observara o movimento. — Desculpe por antes eu estar... Estranho. — Ele desviou os olhos dos meus, parecendo um pouco cabisbaixo.
Eu senti meu corpo esquentar, e uma pontada estranha no meu peito.
Ah, quem eu estava tentando enganar?
Eu estava, definitivamente, apaixonado mesmo por ele. Edmure Prey, a última pessoa do mundo por quem eu esperava me apaixonar.
— Todo mundo tem direito de ser fraco, Edmure. — Falei, e ele voltou para mim seus olhos lilases e brilhantes, como duas pedras preciosas. — Você me salvou uma vez, uns seis meses atrás, de levar uma surra inacreditável, e talvez até morrer. Eu vou estar do seu lado pra te salvar também, sempre.
Ah, eu sempre perdia um pouco do controle das minhas palavras quando ficava perto dele assim.
Edmure não respondeu. Apenas se inclinou contra mim, e pressionou seus lábios nos meus da forma mais carinhosa que já havia feito desde que nossos beijos começaram, naquela festa, tanto tempo atrás. Nosso primeiro beijo, embalado de álcool e música. Eu me lembrava tão perfeitamente daquele dia, em que minha cabeça estava tão confusa.
Café latiu animado em meus braços, e Edmure se afastou de mim com um sorriso. Lindo.
— Parece que o Café não é muito preconceituoso. — Disse com um sorriso, afagando os pelos do cachorrinho, que latiu animado. Eu abri um sorriso para o grandão. — E naquele dia que eu fui te ajudar, você que me salvou. Você sempre foi mais forte.
Revirei os olhos. Eu nunca fui mais forte. Na verdade, ele era o mais forte, a única pessoa que eu poderia dizer que tinha controle sobre mim, sem nem precisar se esforçar.
— Por favor, vamos pro carro. — Eu falei, rindo sem jeito. — Se a gente continuar com isso, eu vou acabar me sentindo estranho com todo esse sentimentalismo.
Edmure sorriu e agarrou meu rosto novamente entre as mãos. Estranho como eu o odiava algum tempo atrás, e agora me sentia tão apaixonado, e não conseguia entender os porquês, nem os motivos daquilo.
— Tudo bem, rainha do coração de pedra. — Mas sem me ouvir, ele se inclinou novamente e selou nossos lábios. — Você fala, seu súdito obedece.
Eu ri quando ele se afastou, indo pro carro, mesmo não gostando daquele apelido idiota que ele usara, e eu o segui, com Café latindo feliz no colo.
Aquilo podia durar para sempre.
Mas eu ainda não sabia nem da metade do que estava por vir.
Notas finais
Desculpem por ter quebrado suas esperanças!
Não me abandonem!
Beijos!
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