Fashion And Diamonds.

15 Capítulo 14 - Show Must Go On!


Notas iniciais
Gatos e gatas!
Muito obrigada por todos os reviews e desejos de melhora! Estou melhor, glória ao senhor.
Enfim, um obrigada especial à Lady Cherry Lollipop, leitora veterana que deixou uma linda recomendação pra fic! Sério, me deixou até sem ar! Obrigada mesmo meu amor!
Espero que perdoem meus atrasos e a conversa de sempre!
Um beijão!
Boa leitura!

O vento castigou meu rosto assim que fechei a porta do Mini. Senti meu corpo estremecer e ajeitei meu sobretudo preto em volta do meu corpo, erguendo sua gola em busca de alguma proteção pro meu rosto contra o vento cortante. Acelerei o passo em direção à escola, observando o céu cinzento que se formava. Provavelmente, estávamos entrando numa época de chuva e frio, mesmo sendo primavera.

Era estranho estar na escola depois de tanto tempo repousando em casa, com catapora. Porra, catapora podia ser pior do que se espera às vezes. Além do tempo longe da instituição e de meus colegas, também era estranho pensar em quanta coisa tinha mudado, afinal, eu definitivamente não estava mais em conflito com Edmure, o que costumava ser a animação diária da escola, e de alguma forma, meu dia a dia também. E bem, eu não sabia direito como agir em relação aquilo, porque, definitivamente, não ia continuar trocando golpes com o grandão no corredor. Eu pelo menos esperava. Só que ainda não sabia como agir com ele em frente todo o público alvo da sua popularidade: a galera da escola.

Cheguei próximo à entrada da escola, que já estava vazia porque era quase hora da aula, quando senti um puxão repentino no meu braço esquerdo, me puxando para trás de um grande pinheiro que adornava as entradas do colégio. Meu coração deu um salto de surpresa, e quando me virei para encarar a figura que me atacava, tive meus lábios tomados rapidamente por uma boca conhecida.

Retribuí o beijo de Edmure por um momento, guiado pelos movimentos dele. Recebi sua língua em minha boca e coloquei minhas mãos em seu peito apertando sua blusa entre meus dedos, sentindo meu ar sumir e um calor muito bem vindo me atingir. A barba dele tinha crescido novamente, e arranhava meu rosto de forma agradável, me fazendo arrepiar, enquanto ele segurava minha cintura com as mãos firmes.

— Edmure! — Arfei, me livrando do beijo e me afastando dele, olhando afobado em volta. Graças a Deus não tinha ninguém ali naquela hora. Só então me virei pra ele, com uma expressão irritada, voltando lentamente a pensar normalmente.

Fazia alguns dias que eu não via ele, e tinha sentido sua falta. Não deu para ele ir em casa todos os dias da minha última semana de repouso, e vê-lo novamente encheu meu peito de calor. Ele estava com um jeans claro e uma blusa de frio simples cinzenta com uma estampa. Não identifiquei as marcas das roupas, devia ser de alguma marca mais popular. Ele estava bonito como sempre, me encarando com um sorriso torto, a barba de volta no rosto, mas bem aparada.

— Oi idiota.— Falou com um sorriso enorme, agarrando minha cintura com uma das mãos e me aproximando dele. Olhei em volta, com medo de alguém nos ver, mas cedi ao movimento, porque, bem, eu queria ficar mais perto dele.

— Babaca. — Respondi, colocando minhas mãos em seu abdômen, porque era uma altura mais agradável pra mim do que seu peito, e eu queria tocar nele de alguma forma. Um pequeno sorriso escapou de meus lábios, mas eu o afastei e o encarei sério, sentindo meu rosto esquentar. — Edmure, se alguém nos pegar aqui, você sabe que estamos fudidos. — Falei, tentando me afastar, mas ele colocou a outra mão em minha cintura, me mantendo preso. Nem eu sei bem porque me importava tanto já que não ligava pro povo daquela escola, mas mesmo assim não gostava que ficassem falando de mim no corredor.

— Eu sei Cotter, eu sei, só queria ver como você está. — Falou com um sorriso, e se inclinou contra mim, seu sorriso ainda em lábios. Encostou seus lábios no meu pescoço, me arranhando com a barba e me fazendo estremecer num arrepio involuntário, e apertar sua blusa com as mãos.

— Edmure! — Exclamei, mas ele me ignorou, dando uma fungada em meu pescoço, e depois subindo ao meu ouvido.

— Como você tá? — Perguntou baixinho. Me encolhi com o arrepio provocado por sua voz.

— Tô legal... — Falei com certa dificuldade, enquanto ele mordia meu lóbulo de forma carinhosa. Fechei meus olhos tentando me concentrar. — Como está a escola?

— A merda de sempre. — Ele desceu novamente pro meu pescoço, dando pequenas mordidas leves, e me fazendo sentir um calor não condizente com o clima.

— Sei... — Resmunguei, subindo minhas mãos para sua nuca, e erguendo seu rosto, puxando seu cabelo com delicadeza. Ele me encarou com um sorriso, e eu apenas o puxei mais pra perto. — E como vamos agir?

Ele deu uma risadinha, me puxando mais pra perto, colando nossos corpos. Eu arfei, perdendo o controle que eu tive por um breve momento, e Edmure me encarou.

— Como sempre, Cotter Storm. — Ele sorriu e me apertou de forma carinhosa, forçando minha cabeça contra seu peito. — Como os idiotas que sempre fomos. Você se preocupa demais sabia?

Fiz uma careta, encostando a face no seu peito.

— Tá, que seja, idiota. — Sorri, e ficamos daquele jeito por alguns momentos, antes de entrarmos pra aula.

—

Acho que nunca comentei que eu e Cotter estudamos na mesma sala.

Mas bem, estudamos. E quando eu me sentei, no meu lugar típico que era o mais distante dele o possível, fui automaticamente rodeado por todos os meus amigos de classe, ou meus bajuladores, depende do ponto de vista. Afinal, fazia quase um mês que a escola estava sem seu “showzinho” de babacas onde eu e Cotter éramos estrelas, já que ele estava em sua casa, e eu reinava por todo colégio.

Como ainda reino, só pra constar.

Lançava olhares esporádicos para Cotter. Eu sentava na última carteira do canto, enquanto ele se sentava na primeira do canto oposto. Estava muito bonito com aquele sobretudo preto e os cabelos bagunçados pelo vento, o que atraía meu olhar, mas ninguém estava prestando atenção em mim por enquanto.

— Viu quem tá de volta no Esther? — Perguntou Julian assim que o professor nos liberou para fazermos exercícios. Ele se sentava na minha frente, e sorriu para mim de forma sarcástica enquanto falava. — Ouvi dizer que ele teve catapora...

Ergui minha sobrancelha com o comentário. Normalmente, eu daria uma risada, faria alguma piada ou algo assim, mas eu não estava muito à vontade com aquilo, então apenas dei um sorriso amarelo.

— Ah, deixa ele pra lá. — Resmunguei, fechando a cara quando Julian ergueu uma sobrancelha. — E também, ele já aceitou que eu sou melhor que ele.

Praticamente todas as pessoas que ouviram minha resposta murmurada se voltaram para mim com olhos arregalados. Franzi minhas sobrancelhas para todos, desestimulando alguns menos próximos. Mesmo assim, meus amigos se mantiveram com expressões surpresas, me encarando, e eu dei graças a Deus que Cotter não tivesse ouvido.

— Vamos babacas, não foi isso que ele quis dizer. — Conrad veio em meu socorro, sentado na carteira do meu lado. — Eles apenas decidiram parar com as briguinhas. Nenhum dos dois deu o braço a torcer.

— Quer dizer que vocês estão em paz agora? — Perguntou Yan, um outro cara que sentava próximo de nós, com a cara ainda mais surpresa. Soltei um suspiro e o encarei.

— Larga a mão de ser otário. — Respondi, brusco. Às vezes, eu achava que tinha dupla personalidade, porque ali na escola eu agia de uma forma rude e mandona, enquanto fora dela, Cotter mandava em mim como se eu fosse um cachorro. — Eu tenho mais com o que me preocupar do que com um anão magrelo metido.

Acho que a ofensa, coisa comum quando eu me referia ao Cotter antigamente, foi o que trouxe todos de volta. Os garotos irromperam em risos, e eu olhei para Conrad, que tinha um sorriso torto em lábios, com aquela cara de quem sabe demais. Pude ver Cotter olhar para a movimentação no meu canto, com uma sobrancelha arqueada, mas voltei a prestar atenção nos meus exercícios. Se fosse fácil assim enganar a galera, com certeza ia ficar tudo bem.

As primeiras aulas passaram tão lentas que eu achei que o dia já estava acabando e tinham esquecido de nos liberar pro intervalo. Quando finalmente fomos soltos, eu sai da sala calmamente, afinal era segunda, e nas segundas tínhamos aula vaga depois do intervalo, o que evitava rebuliços. Conrad me acompanhou quando entrei no corredor cheio de gente, com sua expressão calma de sempre.

— Você parece estar lidando bem com o fato de ter se tornado amigo de Cotter. — Ele disse com um sorriso, chamando a minha atenção enquanto caminhávamos. O encarei, tentando perceber alguma malícia em seu comentário, mas não encontrei nenhuma, e conhecia Con bem demais para me preocupar com isso.

— Não é nada demais. — Respondi, colocando as mãos nos bolsos de minha blusa quando viramos no corredor em direção ao pátio externo da escola, e uma rajada de vento nos atingiu. — Eu só falei a verdade. Não vamos brigar mais.

Conrad deu um risinho, balançando a cabeça.

— Sei. — Disse, num tom levemente irônico. — Como se vocês conseguissem. Mesmo se vocês fossem marido e mulher, ainda teriam brigas infinitas.

Eu sorri com o comentário, tentando ignorar a possibilidade de casar com Cotter. No fim, Conrad estava certo sobre isso.

— É, até concordo. — Respondi, quando saímos pro pátio, sentindo sol morno da manhã, que de forma milagrosa conseguia escapar das várias nuvens cobriam o céu.

Cogitei contar para Conrad sobre eu e Cotter. Com certeza, eu ia contar em algum momento, Conrad era meu melhor amigo, mais próximo que qualquer irmão, e alguém que eu sabia que ia aceitar totalmente minha atitude, mas decidi aguardar. Ele estaria sempre ali para me ouvir, e eu sabia que poderia lhe contar em qualquer momento.

Anthony, o namoradinho de Conrad, se aproximou de nós assim que saímos pra fora. Eu havia me acostumado com sua presença depois que eles começaram a “oficializar” a relação, afinal, não era um cara chato, e Conrad gostava dele, então eu não podia fazer nada. Assim que chegou, o moreno se agarrou no braço de meu amigo, dando-lhe um beijo no rosto de forma animada.

— Oi! — Exclamou, se voltando pra mim em seguida. — Bom dia Edmure.

— Bom dia. — Cumprimentei, enquanto continuávamos a caminhar sem rumo pelo pátio, que estava levemente movimentado com alunos em busca de um pouco do calor do sol. Fiquei em silêncio por alguns instantes, enquanto Conrad e Tony conversavam, de braços atados, como um casal de namorados. Eu admirava a coragem de Conrad, na verdade, ele parecia muito com Cotter neste aspecto de não ligar muito pro que os outros pensavam, afinal, ele nunca ligou muito pra popularidade também. Na verdade, só mantinha sua popularidade porque era meu melhor amigo.

— Você não devia estar com o Cotter nessas horas? Afinal, ele voltou hoje, faz tempo que vocês não se veem. — Ouvi Conrad perguntar, e o olhei de canto de olho. Tony fez uma pequena careta.

— É verdade, mas tem uma pessoa mais interessada nele do que eu. — Ele revirou os olhos, enfiando a mão livre no bolso e puxando um maço de cigarros. — Tá, eu sei que você não gosta, mas nesse frio é bem gostoso fumar. — Ele respondeu, quando Con lançou um olhar repreensivo pra ele. — Enfim, a Maya pegou ele pelos cabelos e arrastou pro corredor 3 para conversarem. Acho que faz sentido, já que ele praticamente sumiu à três semanas sem contar nada pra ela.

Senti minha testa franzir com aquilo. Quem era Maya mesmo?

— A namoradinha dele? — Perguntou Conrad com as sobrancelhas arqueadas em interesse, e eu senti algo estranho na minha barriga. A namorada dele? Aquela baixinha nojenta?

— A própria. — Anthony respondeu, com um torção de lábios. — Sabe como é, ela é doida por ele. Estava morta de raiva quando nos encontramos...

Parei de ouvir nesse momento, sentindo certa irritação com aquilo. Que merda aquela menina achava que estava fazendo, indo atrás de um cara que ficou três semanas sem dar sinal de vida? Que ela se tocasse!

Porra de mina, e porra de Cotter. Eu só queria ver o que ele ia dizer.

—

Tem cinco momentos em que fumar é uma das melhores coisas do mundo: na hora que você acorda, quando você toma um copo de café bem forte, antes de dormir, em momentos de estresse...

E quando sua ex-affair começa a ter um ataque porque ela te considera namorado, e você não.

Por isso, quando traguei o meu cigarro, fechei os olhos, aproveitando a sensação da nicotina em meus pulmões, e colocando meu cérebro no modo “ignorar”. Apenas percebia seus gritos estridentes que ecoavam no corredor menos movimentado da escola, sem captar a mensagem. Soltei a fumaça após algum tempo, voltando minha atenção novamente pros seus gritos.

—... Desaparecido, sem me dizer nada, sem se dar ao luxo de enviar nenhuma mensagem, sem atender aos meus telefonemas DE NOVO! Como se aquela outra vez não bastasse! Cotter Storm, custava você ter ao menos se dignado a me dar notícia? Seu medíocre! — Ela tomou ar para retornar a gritar, e eu aproveitei a pausa.

— Maya, escuta... — Eu não sabia bem o que dizer, mas estava cansado daquela gritaria. Nós nunca tínhamos sido namorados, era só um casinho qualquer, e ela era muito chata. Eu nunca namoraria com ela, e eu achei que o nosso “casinho” tinha acabado depois da festa que eu levei uma surra e Edmure me ajudou, porque depois daquilo, só tínhamos nos pegado bêbados por aí. Certo, eu estava errado por não ter nem respondido ela, mas eu estava sem paciência, com catapora, e com o Edmure na cabeça.

Aliás, esse era o mesmo corredor em que ele me encontrara alguns meses atrás, me chamando para a festa do Conrad. Caramba, quanto tempo.

— ESCUTA MERDA NENHUMA! — Ela berrou novamente, me fazendo suspirar. — Escuta Cotter, você é mesmo um riquinho desgraçado e metido que nem se digna a dar respostas pra sua namorada!

— Ex-namorada. — Falei velozmente, levando meu cigarro aos lábios.

Foi quando Maya fez uma coisa que nunca ninguém fizera. Enquanto tragava, eu vi que ela fechava a cara, numa surpresa momentânea, e em seguida voltava a ficar com o rosto em fúria. Antes que eu pudesse afastar meu cigarro dos lábios para explicar pra ela que ela mesma estava terminando, fui atingido por um tapa assustadoramente forte no rosto, que estalou pelo corredor, e derrubou meu cigarro.

A encarei com os olhos arregalados, sentindo meu rosto arder, e a surpresa me invadir. Ninguém, eu repito, ninguém nunca derrubara um cigarro meu no chão. Certo, ninguém nunca me dera um tapa também, mas eu tinha apanhado várias vezes do Edmure, e também na academia de Tai Chi.

— Desgraçado... — Ela murmurou com lágrimas nos olhos, e eu apenas fechei minha cara.

— É melhor que você nunca mais apareça na minha frente, sua vadia histérica. — Rosnei, com a voz baixa, fechando minhas mãos em punho. — Nunca namoramos, eu nunca trataria minha namorada assim. Você mesma se afastou de mim, e agora quer cobrar algo, mas eu ia acabar me afastando mesmo de você. Agora, se era isso que você queria, estamos terminados, e dessa vez com todas as palavras pra que você entenda, já que não entendeu nenhuma outra vez. Não somos namorados.

Tá, eu sei, que na verdade, grande parte da culpa tinha sido minha. Afinal, eu nunca a tratei como namorada, mas também nunca a tratei como uma qualquer, e de repente decidi sumir. Mas na minha cabeça, estávamos “terminados” a muito tempo, e isso que eu não conseguia entender.

A expressão de Maya se tornou mais furiosa, mas uma fúria doída, visivelmente sofrida. A encarei sério, apenas puxando meu maço de cigarros do bolso, e arrancando uma unidade.

— Eu gostava de você, Cotter. — Ela respondeu em tom choroso. — Mas agora eu quero mais é que você se foda. — Terminou e saiu batendo o pé. Revirei meus olhos, tentando ignorar os passos que se afastavam, e acendi meu cigarro.

Como eu era bobo. Se eu achava que a escola ia sentir falta das minhas brigas com Edmure, eu não contava com essa.

Porque agora, eu certamente teria a Maya para discutir e entreter toda a escola.

Bom, o show deve continuar não é?

Notas finais
Gente amada, sem promessas de datas dessa vez, porque nunca acerto! Mas PODE ser fim de semana ok?
Obrigada de coração à todos vocês, meus lindos guerreiros!
Beijão!