Fashion And Diamonds.
16 Capítulo 15 - Memories.
Notas iniciais
Pois é, surpresa, postagem antes do esperado (Pelo menos antes do que eu esperava HDIOSAHDIOASHDIOA). Estou muito feliz com o andamento dessa fic, e escrever esse cap foi muito tranquilo, porque estava ansiosa para dar início nessa nova fase.
Obrigada a todos meus lindos leitores que sempre me deixam boba com seus reviews incríveis!
E bem, prestem atenção nesse cap, porque o final é bem... inesperado. E importante!
Espero que gostem.
Boa leitura!
Os lábios de Cotter tinham o sabor conhecido de cigarro quando eu invadi sua boca, apertando mais minhas mãos em torno da sua cintura fina, e senti ele apertar os fios de cabelo da minha nuca com mais força, e se esticar mais para intensificar o beijo. Estava diferente das outras vezes, e eu me perguntei se era devido o estresse perante a discussão recente que ele tivera com a tal namoradinha nojenta, ou se era pelo perigo iminente de estarmos nos pegando no banheiro masculino do colégio.
Colei sei corpo ao meu, segurando um gemido quando minha ereção se esfregou contra o abdômen dele. Cotter pareceu perceber, pois se afastou levemente, mas eu o agarrei e colei novamente em mim, fazendo ele emitir um gemido abafado em meus lábios que mexeu com meu tesão.
— Ai caralho. — Ele resmungou, afastando nossos lábios por um leve instante, e voltando a me beijar com urgência. Aquele beijo estava me deixando excitado como o inferno, e eu encostei minhas costas na parede do pequeno box em que nos encontrávamos. Senti a mão de Cotter subir pelo meu abdômen, até alcançar meu peito, e o toque apenas aumentou minha libido. Pelo jeito, ele estava muito mais liberal que o normal, e aquilo era bom.
Depois de ficar sabendo sobre a discussão que ele tivera com Maya, sua maldita namoradinha eu enviara uma mensagem para Cotter, porque, sinceramente, eu estava com uma sensação estranha que eu tomei por ciúmes. Afinal, se eles foram namorados, ele gostava dela, certo? E sinceramente, a ideia não me agradava nem um pouco.
Enfim, estava preparado para ter uma discussão digna de boatos com ele, mas perdi toda a estrutura quando acabei encontrando ele no banheiro, lavando o rosto avermelhado. Foi um encontro inesperado, e ele aproveitou para me contar sobre o acontecido rapidamente, e antes que eu percebesse, nos agarrávamos naquele box apertado.
Senti a ereção do pequeno em minha coxa, e aquilo me deu um ar de satisfação. Definitivamente, ele estava tentando apagar as memórias da recente briga de sua mente, e por isso me atacava com toda aquela intensidade, me deixando estupefato com a situação. Mas eu estava gostando, e quando movi minha coxa e ele largou meus lábios, arfando e apertando minha camisa entre seus dedos, soltei um pequeno sorriso.
— Você está excitado como o inferno. — Sussurrei em seu ouvido, sentindo ele tentar afastar o quadril de minha perna, mas apenas movi a coxa novamente, fazendo ele estremecer em meus braços e gemer baixo em meu ouvido, me excitando mais ainda. Mordi sua orelha, que eu sabia ser uma região delicada, e ele arfou, se esticando de forma a quase sair do chão.
— Não é hora pra isso. — Ele sussurrou, se afastando de meus lábios e voltando a me beijar de forma intensa. Desci uma mão para seu abdômen, e quando toquei sua excitação por cima da calça, ele se afastou abruptamente, com um início de gemido. — Não, Edmure, não. — Falou, cortando o clima, e tentando se afastar. Tentei investir contra ele novamente, mas ele apenas virou o rosto. — Não, sério. Porra. — Reclamou, fechando os olhos com força. Eu o encarei, soltando um suspiro de desistência. Porra, quando ele queria ser teimoso, ele sabia ser.
Soltei sua cintura, e ele se afastou um passo, que era o máximo de distância que conseguíamos naquele box, cobrindo o rosto com as mãos. Tentei recuperar o ritmo da minha respiração alterada, mas sem sucesso, e o encarei enquanto ele abaixava as mãos, me encarando com um olhar levemente chateado. Revirei meus olhos, sem querer discutir, e ele pareceu perceber.
— Olha, desculpa. — Falou baixinho, se aproximando novamente de mim, e colocando suas mãos em meu peitoral. — Eu estou meio estressado.
Seu tom de voz era sinceramente arrependido. Soltei mais um suspiro, colocando minhas mãos em sua cintura, e ele subiu as mãos pro meu pescoço, aproximando nossos corpos. Ficou na ponta dos pés e depositou um beijo em meus lábios, e só então eu percebi estar com cara de merda.
— Tá, entendo. — Respondi, e ele abriu um pequeno sorriso. Pelo menos, ele parecia finalmente mais à vontade com a nossa situação. — É sério que ela te deu um tapa? Eu juro que se aquela biscate fosse um cara eu ia encher ela de porrada.
Cotter soltou um risinho, e se afastou de mim novamente.
— Não foi nada demais, relaxa. Vamos sair daqui, isso aqui tá muito arriscado. — Murmurou, e eu percebi que ele lançou um olhar rápido na minha ereção visível através do tecido da calça. Um sorriso escapou de meus lábios, e eu avancei contra ele, vendo o pequeno me encarar com surpresa. Peguei seu queixo com uma mão, e mantive seu rosto bem próximo do meu, encostando nossas frontes. Com minha outra mão, toquei sua ereção, ao que ele fechou os olhos e mordeu os lábios.
— Não adianta me olhar com essa cara, porque você também está duro. — Falei com um sorriso, antes de sentir que ele me empurrava com força para trás, com a expressão irritada. Soltei um pequeno riso, enquanto ele ajeitava o sobretudo que usava, de forma a sua virinha com o tecido.
— Vai se foder Edmure. — Respondeu com o rosto em chamas, e eu sorri, abrindo a porta.
Cotter insistiu que não saíssemos juntos do banheiro, então eu deixei ele ir na frente, já com seu cigarro em lábios, e uma promessa de me encontrar na hora da saída. Achei cômico ele se preocupar mais com as aparências que eu, e cheguei à conclusão que estávamos os dois mudando um pouco, e isso era até bom. Após alguns minutos, eu o imitei, e deixei o banheiro pouco movimentado do corredor sete, seguindo para fora do colégio. Ainda tinha 20 minutos antes que a aula começasse, e por isso decidi ir atrás de alguns colegas. Encontrei com meu grupo de amigos conversando animados numa das mesas do jardim, todos encolhidos de frio, e me aproximei.
— Porra Edmure, você não sabe da última! — Yan comentou de forma afobada, ao que eu correspondi com um franzir de testa, curioso. Aquele era um tom de fofoca, das boas ainda por cima.— Parece que o Cotter e a Maya tiveram uma briga feia. Ela está falando sobre isso por toda a escola.
Ergui uma sobrancelha, curioso. Deus, como os boatos corriam naquele maldito colégio.
— Sério? Achei que eles tivessem terminado há algum tempo. — Respondi, me sentando e fingindo ignorância sobre o assunto. Vi, do outro lado do pátio, Conrad e Anthony sentados lado a lado, conversando próximos e com sorrisos nos lábios. Eu definitivamente senti uma pontada de inveja por não estar assim com Cotter, e um sorriso quase escapou de meus lábios quando vi Tony colocar uma mão na face de Conrad com um sorriso doce.
— Ah, a menina está causando um caos. Eu queria ver a cara do Storm agora. — Hyago, um outro rapaz de meu grupo, comentou, com um brilho sádico nos olhos. — Sabe como ele preza pela aparência de “cavaleiro das flores”.
Correspondi com um sorriso amarelo, me perguntando de onde aqueles caras arranjavam tantas ideias idiotas. Como se o Cotter ligasse pra o que os outros pensassem dele.
— Bom, mas ela não vai deixar barato, pelo que eu ouvi. — Yan continuou a conversa, e eu me voltei pra ele. — Parece até que ela já pegou o David depois da briga, e todo mundo sabe que ela dispensava ele de todas as formas possíveis até hoje.
Senti minha boca torcer com a citação daquele nome. Desde que David enviara aqueles bandidos para darem uma surra no Cotter, na qual eu tive que participar, eu sempre agia como se ele fosse alguma coisa repulsiva e nojenta. Nunca mais trocara palavras com ele, e o mais novo sempre me encarava com olhos assustados quando nos cruzávamos no corredor do colégio. Era no mínimo irônico que o meu desafeto e o de Cotter entrassem num caso logo agora. Talvez fosse pela paixão não-correspondida que ele sentia pela garota que fizesse David odiar o Cotter como eu odiava naquela época.
— Duvido muito que o Storm se abale, se ele terminou com ela. — Julian comentou, se encolhendo devido uma lufada de vento gélido.
— Ora, você sabe como são ex-namorados. Sempre resta uma dorzinha no cotovelo. — Miguel, um outro colega nosso, comentou, com um sorriso malicioso. — Ah, essa vai ser um intriga maravilhosa de se ver.
Segurei um suspiro de impaciência nos pulmões, espantado com a mediocridade dos meus colegas. Era cômico ver a falta de simpatia que eles sentiam por Cotter no colégio, e lembrar do dia que levei ele até a festa de Conrad, e eles o cercaram como se ele fosse um príncipe de um país longínquo, loucos ao verem que eu não estava em discussão com ele, e doidos para tentarem se aproximar do outro popular do colégio. Bem, de certa forma, Cotter era mesmo um príncipe.
— Falando no diabo, olha ele lá, empacando o veado do Conrad. — Comentou Yan, gesticulando com a cabeça na direção onde Conrad e Tony estavam sentados, e pude ver Cotter se aproximar dos dois, com um cigarro em mãos e encolhido pelo frio. De alguma forma, meu peito se tornou quente. Olhei de forma irritada para Yan, e ele arregalou os olhos para mim. Todos sabiam que eu não permitia ofensas ao Conrad e sua opção sexual.
Opção sexual que também era a minha, agora que eu pensava nisso. Uma pequena lembrança irritante surgiu em minha mente, e eu tentei afastá-la de todas as formas possíveis. Aquela não era uma boa hora para se recordar daquilo, os momentos em que eu estava sozinho sim eram apropriados para aquilo. Mesmo assim, não consegui impedir a voz de retumbar na minha cabeça.
“Ah Edmure, pode me repudiar o quanto quiser, mas ambos sabemos que você vai se tornar idêntico a mim. Idêntico ao seu irmão, que você diz tanto odiar e detestar”.
Albert. Maldito, desgraçado e bastardo, Albert.
— Foi mau. — Yan disse, com um sorriso amarelo. — Era brincadeira, Edmure.
Senti minha face endurecer, mais pela lembrança que sempre acabava com o meu humor, do que qualquer outra coisa.
— Que seja. — Respondi, me levantando e saindo dali antes que desferisse um soco em algum daqueles desgraçados. Enfiei as mãos nos bolsos da blusa, e decidi que não estava com humor para assistir nenhuma outra aula, então caminhei para longe do prédio principal.
O Esther Rianetch era um colégio antigo, mas que passava por reformas para se manter sempre nos padrões mais modernos. Isso acatava em partes da escola que eram praticamente esquecidas, por terem sido excluídas daquelas reformas, e dadas como abandonadas. Uma dessas era um local que eu costumava frequentar com algumas garotas quando a libido falava mais alto que o bom senso, o laboratório de botânica antigo.
Praticamente ninguém visitava aquele local além de mim, afinal era uma área dada como proibida pela diretoria do colégio. Porém, nenhuma vistoria era mantida ali, e eu costumava buscar paz naquele local, que ficava bem distante do prédio principal, atrás da área esportiva, e praticamente invisível à quem não soubesse encontra-lo.
Adentrei na construção, sentindo a paz me invadir no mesmo instante. O laboratório era na verdade uma grande estufa de vidro, com terra fofa no chão e plantas crescendo de forma descontrolada, apesar da maioria estar morta e seca. O calor ali dentro era agradável depois de todo o vento externo, e o cheiro de terra úmida encheu minhas narinas, de forma que eu sorri.
Ou pelo menos, achei que estava sorrindo, sem perceber que na verdade minha cara se tornara uma máscara de dor, e que lágrimas escorriam de meus olhos.
Acabei por soltar meu corpo e me sentar no chão forrado de terra macia, sem me importar com minhas roupas, cobrindo os olhos com as mãos. Maldição, lembrar daquele dia sempre me deixava desse jeito, abalado, nervoso, trêmulo e instável. Contraí meus músculos quando um soluço me atravessou e tentei entender porque infernos eu chorava por algo que já se passara há anos.
“Você vai mesmo desestruturar a família com isso? Vai me impedir de ver meus irmãos crescerem?!”
A voz de Albert me castigava, e eu solucei novamente, sentindo a confusão me atingir tão forte no peito, junto com a mágoa e o sentimento de culpa que pouco me vinha. Eu agia com Albert exatamente como agia com Cotter em tempos atrás: ocultava meus verdadeiros sentimentos com uma máscara de ódio. Por mais que não fossem os mesmo sentimentos.
Nunca consegui me lembrar por quanto tempo fiquei ali. Sempre me perdia naqueles sentimentos, e ficava fora do mundo por tempos imprevisíveis. Por isso, quando Cotter entrou, eu nunca soube por quanto tempo estivera fora.
— Edmure? — Pude ouvir ele chamar, e de alguma forma, aquilo aplacou minha dor por um momento. Mesmo assim, eu não queria encará-lo, não como o monstro que eu sentia ser. O maldito e fraco homem que eu me tornara. — Céus, Edmure....
Senti as mãos dele sobre meus pulsos, e seu tom de voz era preocupado como o de uma mãe. Um soluço abafado escapou de meus lábios, e eu estremeci todo quando ele afastou minhas mãos com aquela delicadeza dele, que me controlava à sua plena vontade.
— Merda, me deixa em paz Cotter. — Eu murmurei fraco, mas minhas palavras eram tão ridiculamente sem vontade que praticamente mostrava o quanto eu precisava dele, para fugir daquilo, e me trancar minhas lembranças novamente no fundo da minha mente.
E quando Cotter me abraçou, enfiando minha cabeça em seu peito pequeno e envolvendo minha cabeça com os braços, afagando meus cabelos, percebi que só agora, de uma vez por todas eu estava percebendo que tinha me tornado bissexual. Essa percepção tinha conseguido romper as barreiras que eu erguia em torno de mim mesmo em relação aquelas lembranças sobre Albert. E saber que eu me tornara bissexual só cumpria com as terríveis previsões que meu irmão fizera, tanto tempo atrás, numa espécie de maldição rancorosa.
— Vai ficar tudo bem Edmure. — Cotter murmurou, encostando os lábios no topo da minha cabeça, ajoelhado na terra.
— Eu estou me tornando um monstro, Cotter. — Deixei escapar, erguendo minhas mãos para envolverem o corpo do garoto que de certa forma, me levara a aquilo tudo.
“O monstro que meu irmão se tornou, Cotter”. Pensei, deixando mais lágrimas escaparem.
Notas finais
Muito obrigada a todos, e espero que tenham gostado de ver o Edmure todo frágil... É, os brutos também choram meus queridos!
Um grande beijo, e tirem suas dúvidas (tenho certea que muitas surgiram) pelos reviews!
Beijos!
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