Fashion And Diamonds.
2 Capítulo 1 - This is Storm.
Notas iniciais
Capítulo apenas apresentando o Cotter e sua opinião sobre o seu grande rival. Adoro ele haha.
Vão perceber que ele é bem mais controlado, mas também tem uma pontinha "rebelde" hahaha.
Boa leitura!
A primeira coisa a me acordar naquela manhã foi o cheiro do café. Eu me levantei da cama satisfeito e olhei pro relógio: dois minutos antes de ele despertar.
Agradeci silenciosamente, afinal eu odeio, odeio mesmo acordar com o despertador. É uma das piores invenções humanas, uma ferramenta que te acorda sem você querer, com um som maldito e insuportável. Evitar o despertador era uma das coisas que eu mais gostava na vida.
Então, eu já estava de bom humor quando levantei da cama e fui pro banheiro da minha suíte. Tomei um banho rápido, realizei toda minha higiene matinal, e voltei pro quarto com uma toalha na cintura.
Comecei a me organizar cuidadosamente, escolhendo cada peça de roupa com cuidado e atenção. Como filho do diretor chefe de uma grande revista de moda, eu não podia vacilar na hora de me vestir. “Moda” era algo que fazia parte do meu dia-a-dia, desde que eu era um garotinho. Eu fui criado e educado para conhecer, respeitar, e adorar a moda.
E com toda certeza, eu adorava.
A moda faz o mundo girar, o mundo ir para a frente. A moda marca eras, marca as pessoas, movimenta as gerações. Pessoas vivem sua vida pela moda, outras vivem da moda. Era algo importante, e que eu levava muito a sério. Respeitava a opinião de todos, afinal, poucos entendem a importância que tem vestir uma roupa adequada, e diferenciar azul royal de azul marinho.
Mas era importante, principalmente porque eu escolhi uma camisa Prada azul royal para ir pra escola hoje.
—Cotter, vai se atrasar! — Ouvi minha mãe gritar. O cheiro do café da manhã já invadia meu quarto, enquanto eu encarava a combinação de roupas que eu havia separado sobre a cama. Devia servir para um dia comum.
Me vesti rapidamente: uma cueca boxer branca, Calvin Klein; uma camisa azul royal de mangas compridas, Prada; um jeans bem escuro e justo, Dolce and Gabbana, e por fim coloquei um tênis da Lacoste.
Apenas passei a mão pelos meus cabelos e desci correndo as escadas, já devia estar atrasado pro café. Quando cheguei na cozinha, meus pais já estavam sentados, comendo e conversando.
— Bom dia! — Eu cumprimentei animado, correndo para me sentar e comer algo.
— Bom dia querido. — Minha mãe respondeu, com seu sorriso doce de sempre, e uma caneca de cappuccino em mãos. Minha mãe era a mulher mais doce de todo o universo, sem discussões. Ela é o tipo de mulher que faz você se sentir tranquilo só de estar por perto, que faz tudo para agradar a todos, e que é amada por todos. Apesar de já ter 42 anos, ela ainda era linda: cabelos dourados e finos, batendo no fim do rosto, grande olhos azuis, e o sorriso mais bondoso que se pode ter, além de um corpo em forma. Ela também era a melhor cozinheira do país, e isso oficialmente: tinha um programa de culinária na televisão, e uma rede de restaurantes por todo o país.
Eu a amava mais do que tudo. Também gostava de cozinhar, posso dizer que herdei os dons tanto do meu pai quanto da minha mãe.
— Filho. — Meu pai apenas inclinou a cabeça, sem desgrudar os olhos do livro que tinha em mãos. Eu não podia culpa-lo, ele sempre ficava assim no fim do mês, quando precisava ajeitar os detalhes finais do próximo volume da “Grease Magazine”, a revista que ele direcionava.
Muitos dizem que eu pareço muito mais com meu pai do que com a minha mãe: ele tinha os cabelos pretos como os meus, grandes olhos castanhos, uma barba bem aparada, e a pele branca. Era um homem muito gentil, e um pai amoroso, muito dedicado ao seu trabalho, o que me deixava orgulhoso dos pais que eu tinha.
Enquanto minha mãe e eu conversávamos sobre meu pai ter se tornado um zumbi leitor, eu engoli algumas panquecas que minha mãe havia feito, alguns ovos e uma fatia mínima de bacon, o que fez minha mãe ficar levemente doida.
— Você não comeu nada! — Ela se exaltou. Minha mãe adorava cozinhar, e adorava empanturrar a mim e ao meu pai. Mas, como um amante da moda, eu sabia que roupas de grife foram feitas para modelos, e não para rolhas, e por isso evitava comer demais, mesmo que fosse difícil com uma mãe cozinheira.
Ah, e curiosamente, minha mãe comia como uma esfomeada, e nunca engordou, o que era bem injusto com o resto da humanidade.
— Estou atrasado. — Eu inventei a desculpa, e me levantei. — Desculpe. — Eu corri até o outro lado da mesa, e a beijei no rosto, ajeitando minha mochila nas costas. — Bom trabalho pra você.
— Boa aula querido. — Ela sorriu, e eu fui até meu pai, que finalmente desgrudou os olhos do livro, após uma longa anotação.
— Bom dia querido. — Ele me beijou no rosto, e eu saí, pegando as chaves do meu carro no balcão à caminho da porta.
Sai da nossa pequena mansão, indo para a garagem. Ah, sim, vivemos numa pequena mansão, com alguns empregados, mas eles ainda não estavam acordados, só começavam a trabalhar mais tarde. A única coisa que não tínhamos eram cozinheiras, pois minha mãe odiava que cozinhassem com suas coisas.
Na garagem, estavam todos nossos carros. Eu passei e fui direto ao meu, um Mini Cooper roxo, com o teto branco. Eu adorava o meu carrinho, meu presente de 16 anos.
O caminho até a escola era rápido, graças ao bom Deus, e por isso eu consegui chegar a tempo na escola, o famoso Colégio Esther Rianetch.
Tranquei meu carro no estacionamento, joguei minha mochila em um ombro, e caminhei calmamente até a escola.
Percebia que todos olhavam para mim, a maioria cumprimentando e desejando bom dia. Eu respondi a todos, com educação. Eu sabia que era considerado popular, apesar de não ligar nem um pouquinho. Odeio esse tipo de gente que coloca a popularidade à frente de tudo. Se as pessoas gostam de você, devem gostar pelo que você é, e porque você é agradável, e não porque você tem dinheiro, é bonito, e tem um grupinho de amigos... Como um certo alguém neste colégio.
Enfim, não quero estragar meu ótimo dia pensando nisso.
Cumprimentei a todos, e quando cheguei na porta da escola, fui simplesmente atacado por uma figura minúscula de cabelos compridos.
— Cotty! — A voz dela quando me abraçou fez com que eu sorrisse.
— Oi Maya. — Eu apertei a cintura dela.
Maya é a minha namorada. Sim, eu sei, você está pensando “Mas você devia ser gay! Modista, cozinheiro, miudinho...”. Tenho que concordar, mas eu odeio estereótipos, e eu tinha uma namorada. Maya era certamente uma gracinha: menor do que eu (o que era quase impossível) um corpo incrível, pele bronzeada, cabelos negros como piche, olhos dourados. Ela podia ser meio chata, grudenta e brava, mas eu suportava ela há mais de 3 meses.
Demos um beijo longo na porta, e depois caminhamos para dentro do colégio de mãos dadas.
— Cor bonita de camisa. — Ela comentou, e eu sorri de volta. Não gostava muito de conversar com Maya, ela era meio sem assunto. A conversa não fluía bem entre nós, e um dos dois estava sempre puxando o assunto, o que eu achava bem chato.
Logo, chegamos no pátio da escola, onde todos esperavam o início da aula. Eu olhei em volta, em busca dele, mas ele não estava por ali pelo jeito, então eu me tranquilizei e procurei meus amigos.
— Cotter! — Tony me cumprimentou com um abraço. Maya tinha ido falar com as amigas dela, então eu me juntei aos rapazes. — Como está indo?
Anthony Henkins era meu melhor amigo. Seu pai era um médico famoso, e grande amigo do meu pai, por isso eu éramos amigos desde crianças.
— Quer? — Ele me estendeu um maço de cigarros. Eu aceitei uma unidade de bom grado, e acendi com o isqueiro dele, após ele acender uma unidade para ele mesmo.
— Valeu. — Eu soltei a fumaça, com prazer. Tony fumava cigarros mentolados, o que eu não gostava muito, mas aceitava. Maya quase nunca me deixava fumar perto dela. — E então, alguma novidade?
Começamos a caminhar lentamente pelo pátio, enquanto fumávamos e conversávamos. Tony era o maior fofoqueiro da escola, e sabia de tudo o que acontecia por ali no Esther.
— Não, nada demais... bem, tá todo mundo comentando sobre a briga de ontem, como sempre acontece quando vcs brigam. — Ele disse, tragando o cigarro em seguida. O imitei, esperando que ele continuasse. —As coisas de sempre, como você conseguiu dar uma surra no gigantão, e duas vezes ainda.
Suspirei, cansado, soltando uma nuvem de fumaça.
Eu não odiava Edmure Prey, o gigante popular que estudava na minha turma. Na verdade, eu tinha um pouco de pena dele, mas não chegava a odiá-lo. Só não gostava dele. Por mim, viveríamos todos os dias letivos sem nos encontrarmos, e sem trocar palavras, ele com a turma de populares, eu com a minha turma.
Infelizmente, ele me odiava. Por isso, me perseguia no colégio, e brigávamos com uma frequência inquestionável, o que me fazia obrigado a dar umas surras neles de vez em quando, o que ia contra todos meus princípios do Tai Chi.
Quando eu digo Tai Chi, eu falo sobre a antiga arte marcial chinesa, considerada por anos como uma das mais mortais do mundo. Não estou falando daquela série de movimentos que os velhos orientais realizam para se manterem em forma. Aquilo também é uma parte do Tai Chi, mas não é a que eu estudei e me apliquei para dominar.
O Tai Chi era minha maior arma contra o gigantesco Edmure Prey. A base do Tai Chi dizia que devemos vencer tudo com o oposto: Força com delicadeza, velocidade com lentidão, raiva com amor.
E eu me contradizia, porque eu vencia a raiva de Prey... com violência, o que não era bem o oposto, era bem relacionado na verdade. Não que eu ache cabível vencer a raiva dele com “amor”.
Mas eu não tenho muita paciência com ele. O Tai Chi ensinava que nós devemos manter sempre a calma, e eu realmente nunca me estressava. As poucas vezes que aconteciam, eram com Edmure. Como ontem, que eu sem querer dei um soco no rosto dele.
Normalmente, eu batia para machucar sem deixar marcas, mas ontem eu estava com um anel, então quando acertei o rosto dele, deixei uma marca sem querer. Por algum motivo, aquilo me deixou muito arrependido, mesmo que eu dissesse pra mim mesmo que ele merecia também.
Terminamos o cigarro conversando mais aleatoriedades e fofocas, e logo o sinal para a primeira aula tocou. Maya correu até mim para darmos um beijo de despedida até o intervalo, e eu me encaminhei para a sala de aula, junto com Tony e meus outros amigos.
Posso ser considerado popular na escola, mas na realidade sou um dos caras que menos ligo pra essas coisas. Não acho que os populares são interessantes, um bando de caras carentes que querem atenção, e conseguem causando alvoroços na escola, esfregando o que eles têm na cara dos outros, e se sentindo os maiorais. Por isso, nunca entrei pro grupinho dos populares, chefiado pelo gigante Prey.
Prefiria meus amigos idiotas e retardados, mas meus amigos. O maior deles era Tony mesmo, mas eu também andava com uma pequena turminha, todos gente muito boa e legal.
Enquanto caminhava, eu me misturei ao assunto deles, que no momento era o novo professor de história e sua aula divertida. Já estávamos na porta da sala quando eu vi Prey.
Ele estava cercado por seus amigos, apoiado de maneira casual na parede, rindo de alguma coisa junto com todos. Analisei suas roupas com cuidado: um jeans justo e claro, um par de tênis chamativos em verde e amarelo, e uma camiseta verde-esmeralda da Hollister, justa a ponto de deixar seu físico bem visível.
Não sou bem fã destes estilos mais simples, mas ele estava bonito com as roupas, por mais que eu odiasse admitir. Quando o olhei completamente, vi que o roxo em seu rosto estava bem visível, mas nada tão feio.
Mais uma vez eu me senti culpado pelo machucado.
Tá, seu sei, eu era mesmo culpado pelo machucado, mas eu não queria me sentir com peso na consciência por causa daquilo. Afinal, foi ele quem puxou briga, era sempre ele.
Edmure Prey me vislumbrou de canto de olho, e se virou na minha direção, fechando a cara. Por um momento, eu percebi todos no corredor ficarem tensos, até ele dar um sorriso debochado. Seus amigos o imitaram, sorrindo como se fossem superiores, e meus amigos fecharam a cara.
— E aí Storm, como tá essa boiolagem? — Ele desencostou da parede, tomando a frente de seu grupo, e cruzou os braços. — Eu podia quebrar sua cara pelo que vocês fez ontem.
Eu suspirei, cansado. Já estava acostumado com aquela conversa toda, e me irritava levemente. Fui pra frente do meu pequeno grupo de amigos, que se espalhou. Não que eles estivessem correndo, mas eu sempre dava conta sozinho, então eles só atrapalhavam ao ficar no caminho.
Não queria brigar, mas eu sabia que era inevitável.
— Ou eu podia te dar outro olho roxo. — Eu dei meu sorriso mais irritante, e em seguida os murmúrios tomaram conta do corredor, como normalmente.
Prey se manteve sorridente, e se aproximou lentamente de mim, de braços cruzados. O silêncio voltou a dominar, e os passos dele ecoaram suaves pelo ar. Ele era muito alto, praticamente um gigante, e esse era um dos motivos de eu ter uma vantagem contra ele nas lutas. Ele também tinha um físico muito grande, muito forte.
De vez em quando eu me pergunto como eu vencia ele nas brigas.
Ele se inclinou levemente, e fiquei preparado para um ataque surpresa. Ele não era de fazer isso, mas eu esperaria qualquer coisa, sempre.
— Não vou deixar que me bata mais, Storm. — Ele deu um sorriso de lado, e eu revirei os olhos.
— Palavras são vento. — Eu respondi revirando os olhos, e segui para a sala, ouvindo o riso de todos no corredor, inclusive do Edmure. Provavelmente ele só queria me irritar naquela manhã.
Como eu disse, eu não odiava Edmure Prey. Mas não podia dizer exatamente que o adorava né.
Notas finais
Beijos!
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