Fashion And Diamonds.

3 Capítulo 2 - Fight Together.


Notas iniciais
Olá queridos!
Adoro este capítulo. Nada demais, mas é o início de tudo, espero que vocês gostem.
Me diverti muito escrevendo este :)
Boa Leitura!

Eu tomei um gole da bebida, sentindo o gosto amargo, mas prazeroso.

— E aí Edmure, curtindo a festa? — Julian comentou, se aproximando com um sorriso e um copo em mãos.

Sorri de volta.

— Maneira. — Olhei em volta, como se analisasse a festa. — Seus pais são bacanas por deixar você dar uma festa dessa.

Ele deu um sorriso. Julian era filho de dois empresários, que estavam viajando e cederam a casa para uma festona do rapaz. Ele fazia parte da minha turma, e era apenas mais um dos interesseiros que queria ficar perto de mim por causa da popularidade. Esse tipo de festa era bem comum lá no colégio.

— Ah, eles nem ligam. — Ele riu, e uma garota chegou até ele, dizendo algo em seu ouvido, que eu tinha certeza não ser nenhuma oração. — Com licença, eu preciso dar uma saída. — Ele riu de lado, se afastando com a garota, que deu um sorriso malicioso.

Tomei mais um gole. Era um copo de uísque com energético, eu não gostava muito daquelas batidas e drinks que estavam sendo servidos no bar, e o clima não estava para cerveja.

— Pronto, voltei. — Conrad apareceu do meu lado, um drink esverdeado em suas mãos. — Vamos lá na piscina? Parece que a Debby tá dando um show lá.

— Eu topo. — Eu comentei, tomando um gole do líquido dourado do copo.

Nós fomos andando. Já faziam 7 dias desde a última vez que eu briguei com Cotter Storm, o que era basicamente um recorde de paz entre nós. Trocávamos algumas ofensas e ameaças nos corredores do colégio, mas nada demais. Eu estava meio envergonhado do roxo na cara, e não queria acabar com dois, então estava evitando as brigas.

O roxo já sumira, e Storm também estava ali na festa, mas eu só o vira de relance, num canto agarrado com sua namoradinha, Maya Cartogan, uma gata do segundo ano. As coisas pareciam quentes entre eles, então eu resolvi deixar o cuzão pra lá.

A festa se espalhava por toda a casa, que era bem grande, mas menor que a minha. No momento, a parte mais animada era em volta da piscina, onde Debby Grian estava, no meio da água, com os peitos de fora. Ela era gostosa, mas vulgar, o que eu não sei se era uma boa combinação.

— Cara, ela á gostosa. —Conrad resmungou, com o copo na boca. Eu dei um sorriso, ele era meio tímido para dizer essas coisas.

A garota loira pulava, deixando os seios pra fora da água, e gritando provocações para todos os garotos em volta da piscina, que mexiam com ela também. Obviamente ela estava bêbada, ou alguém colocara algo na bebida dela.

— Edmure Prey, seu gostoso! — Ela finalmente me vira, e apertou os seios, mordendo o lábio, tentando me provocar. — Por que não vamos brincar um pouco?

Eu dei um sorriso de lado. Nunca ficaria com aquela garota depois de ela ter dado uma de piranha para a escola toda. Mas eu estava pronto para gritar uma sacanagem pra ela, quando senti uma mão me puxar pelo ombro, e quando virei ganhei um beijo quente e conhecido.

Erika.

Ah, droga.

Ela me beijou de forma quente, e eu tive certeza que ela estava bêbada, principalmente porque sua boca tinha sabor de vodka com refrigerante. A mão dela no meu pau também ajudou a diagnosticar a quantidade alcóolica dela. Pude ouvir todos em volta dando gritos animado de “Vai lá Edmure!” “Isso ae cara!” e um “Ah Prey, seu safado!” de Debby Grian.

Quando nos separamos, Erika tinha um sorriso maroto no rosto, uma mão no meu pênis, um copo de bebida na outra, e a atenção de todos na piscina.

— Prey! — Ela miou com uma voz mais fina que o normal, apertando a mão em volta do meu pênis embaixo da calça. — Não sabia que você tinha vindo.

Eu evitara mesmo que ela soubesse.

Erika era linda, e uma das garotas mais difíceis do colégio. Tinha um corpo incrível, os olhos mais azuis que eu já vira, cabelos pretos escorridos e longos, e lábios vermelhos e bem cheios. Linda.

E a coisa mais chata que eu já vira.

Não sei se lembram, mas eu ia sair com ela naquele dia que ganhei o roxo do meu olho. Pois bem, saimos, e descobri que ela era uma enjoada, e que quando bebia ela se tornava, como eu apelidei, Ninférika, uma ninfeta alcoolizada. Que me atacava agora.

— Eu não ia vir. — Eu inventei a desculpa. — Olha, eu preciso ir até ali tá... — Eu tentei me livrar dela, mas ela se aproximou de novo para me beijar, mas eu desviei. — Melhore do seu álcool e volte pra conversar.

A cara dela fechou.

Veja, não me entenda mal. Eu queria muito transar com ela, e só por isso eu saíra com ela. Mas ela era enjoada demais para transar sóbria, e se eu aproveitasse dela no estado Ninférika, ela ia me dar trabalho quando estivesse sóbria, eu tinha certeza.

E de enrosco, eu já estava cansado.

— Você deve ser um viado. — Ela disse alto, e todos que estavam escutando fizeram um “uuuuuuu”, agitando a duscussão. Realmente, ela devia estar bem bêbada pra falar isso.

— Você deve ser uma biscate. — Respondi, sem me alterar, fazendo ela retorcer a cara, e todos gritarem de volta. Ela se virou, e saiu, finalmente me deixando.

— Provavelmente vocês não vão sair mais. — Comentou Conrad, apertando meu ombro de forma amigável, com um sorriso. Eu apenas ri, e fui aproveitar a festa.

O resto da festa foi como em qualquer outra. Bebi bastante, conversei com vários amigos, beijei umas garotas. Não vi Erika nem Storm pelo resto da festa, o que eu dei graças a Deus. Já deviam ser umas três da manhã quando eu percebi que estava consideravelmente bêbado, com uma garota no meu colo, num canto da casa lotado de casais.

Eu não lembrava o nome da menina, mas ela beijava bem, e as coisas estavam esquentando também. Nossas mãos dançavam no corpo um do outro, e ela era muito gostosa. Estávamos sentados num banquinho, e ao lado estava Conrad e uma garota que ele arranjou.

Quando eu apertei a bunda da garota com certa força, ela soltou um gemido contido e separou nossos lábios. Eu já estava excitado, com ela roçando em meu colo, e ela também estava visivelmente excitada.

— Vamos pro quarto. — Ela disse, se levantando e me puxando pela mão. Eu dei um sorriso e a segui, gostava de um pouco de atitude, e já estava louco pra transar.

Saímos do local que estávamos, uma pequena sala de leitura pelo que parecia. Bati os olhos em Conrad e o vi beijando a garota de uma praticamente erótica, o que me levou a um sorriso maior.

A garota parecia de casa, pois conhecia bem o caminho pro quarto, onde eu nunca havia ido. Quando viramos num longo corredor, demos de cara com David e uma garota, que riam como bobos. Provavelmente já estavam chapados, como eu estava.

— Edmure! — Ele gritou animado. Definitivamente estava bêbado, até enrolando para falar. — O cara que eu queria ver!

Eu dei um sorriso quando ele me abraçou de lado. Adoro bêbados.

— Fala aí David, o que foi? — Encarei ele com um sorriso torto. Percebi que o corredor estava bem movimentado, cheio de gente conversando e se pegando apoiados nas paredes.

Ele deu um sorriso bêbado e tomou um gole de sua lata de cerveja. A garota dele se apoiou melhor nele, parecendo bem ruim também.

— Você vai adorar. — Ele sorriu e se aproximou de mim, seu hálito visivelmente bêbado. — Encontrei uns caras bem barra pesada agora de pouco. Uns cinco caras mal-encarados, todos grandões.

— E daí? — Eu ergui as sobrancelhas, sem muita curiosidade. Estava excitado, bêbado, e minha paciência nunca fora longa com David.

O garoto deu um risinho malicioso.

— E daí, que eu paguei para eles pegarem o Storm quando ele voltar. Parece que ele foi levar aquela namoradinha dele pra casa, mas ainda vai voltar, então quando ele chegar, os caras vão dar uma surra tão grande nele, que se ele não morrer, ao menos vai parar no hospital... Agora ele já deve estar apanhando como um...

Não deixei ele terminar e agarrei na garganta dele, fazendo com que ele perdesse o ar na mesma hora.

— Você fez o que? — Eu rosnei entre os dentes.

Senti uma fúria que nunca tinha sentido antes. Eu nunca teria ficado satisfeito com aquilo, onde aquele pirralho estava com a cabeça?

David tentou dizer algo, mas eu o empurrei de encontro a parede, aproximando meu rosto do dele.

— Onde eles estão seu idiota? — Senti mãos tentarem me puxar para trás, mas não me movi um centímetro.

— No... Estacionamento... Do outro lado da rua. — David coaxou da forma que conseguiu, vermelho como um tomate. Eu o arremessei pro lado e comecei a sair do corredor. Senti a garota que estava no meu colo pegar em meu braço, mas a empurrei sem muita delicadeza.

Uma fúria invadiu meu peito. Eu nunca apelaria para algo daquele gênero. Eu queria bater em Cotter Storm porque não gostava dele, e queria que ele me respeitasse, e não para mata-lo ou machuca-lo demais. Tudo o que eu queria era mostrar que eu era melhor que ele, nunca imaginei uma merda daquelas! Eu não o odiava a ponto de fazer algo daquele gênero, nunca.

Atravessei a casa, empurrando todos no meu caminho. Peguei uma garrafa vazia na mesa da sala e sai pela porta. Não deixaria Storm apanhar sozinho, não queria vencer assim.

—

Traguei meu cigarro profundamente antes de descer do carro. Vi pequenos pingos, apenas uma garoa, caírem sobre o vidro do carro, e decidi que era melhor me apressar, senão eu ia tomar chuva e voltaria molhado pra festa.

Na realidade, eu queria ter ido para casa depois de deixar Maya na casa dela. Ela não podia voltar muito tarde, e como ela viera comigo, eu a levei. Ia aproveitar a desculpa de levar ela, e ir direto para casa, mas Tony também estava comigo, e ele ainda não queria ir, então eu fui obrigado a voltar.

Acendi mais um cigarro antes de descer, a chuva ainda não estava intensa o bastante para apaga-lo, então eu levei mais um aos lábios, desci e tranquei meu Mini. Estava num estacionamento aberto há uns 50 metros da festa, então me pus a caminhar rápido.

Foi quando eu estava uns 15 passos longe do carro, que os três caras apareceram.

A rua estava iluminada, mas deserta, e eu senti um leve arrepio enquanto eles foram surgindo. Um deles tinha um pedaço de madeira longo, e todos eram maiores que eu e bem mal-encarados. Apertei o passo, mas não ia conseguir passar por eles antes que eles estivessem próximos demais. Me virei de volta na direção do carro, mas haviam mais dois caras, com pedaços de paus próximos do carro. Eu travei, sem reação.

— E aí engomadinho. — Um deles tomou a frente, sem nada em mãos. — Tu não sabe que é perigoso andar por aí à essa hora, sozinho?

Eu engoli seco, tragando o cigarro sem tirá-lo dos lábios.

Não tinha medo de brigar no um-a-um. Talvez encarasse até mesmo no dois-a-um. Mas nunca teria chance contra cinco caras, três armados com paus. Provavelmente eles queriam me roubar, mas eu nunca havia sido assaltado, então não sabia como reagir.

O cara que falou comigo se aproximou mais, e eu pude ver que ele era novo, talvez ainda estivesse no ensino médio também. Era alto e musculoso, mas não tanto quanto Edmure Prey, que era um verdadeiro gigante. Além de que, ele era feio, e parecia morar na rua ou em algum lugar pior.

— Escuta bem o que eu vou te falar. — Ele começou, ainda um pouco distante. — Sabe o que queremos?

Ele estava bem próximo, e eu não sabia como reagir, então dei um passo para trás.

— Responde. — Ele ordenou num tom calmo.

Eu tenho um certo orgulho, mas também tenho bom senso. Não ia deixar meu orgulho me matar.

— Roubar. — Eu disse, puxando a chave do meu carro e meu celular do bolso, e estendendo para ele. — Por favor, levem, mas não façam nada comigo.

O rapaz deu um sorriso, cheio de dentes tortos.

— Que bonitinho, você acha que é isso. — A expressão dele fechou e ele deu um tapa forte em minha mão estendida, derrubando meu celular e minhas chaves longe.

Eu não consegui me segurar, foi basicamente um reflexo, mas assim que eu recebi o golpe, o acertei entre as costelas com o outro punho, fazendo com que ele se inclinasse sem ar. Em seguida peguei em seus cabelos curtos, e bati sua cabeça contra meu joelho com a maior força que consegui reunir.

Senti o nariz dele se despedaçando contra os ossos da minha perna, além de alguns dos dentes tortos cedendo. Quando o soltei, ele caiu no chão, com a cara sangrando na boca e no nariz. O feioso cobriu a boca e nariz para tampar o sangramento, e tentou dizer algo, mas caiu, desmaiado.

Nessas horas, o Tai Chi me servia bem. Com a mente vazia, eu só percebia vagamente que havia feito aquilo, que o sangue do cara sujara minhas roupas, que provavelmente agora eu ia ser atacado e morto.

Os outros quatro me encararam parecendo surpresos. Durou apenas alguns segundos, até um deles tomar a frente, esse com um pedaço de madeira.

— Vamos matar esse desgraçado! — Eles avançaram muito rápido, e eu me coloquei em posição, esvaziei minha mente, e me preparei.

Foi nessa hora que eu ouvi o som de uma garrafa quebrando, e vi um dos caras que estava atrás de mim cair, desmaiado. Atrás dele, segurando o gargalo da garrafa, estava a pessoa que eu menos esperava que viria ao meu socorro.

Gigantesco, molhado, ofegante e com a cara furiosa. As roupas casuais, que eu não gostava muito, mas que caíam bem nele.

Edmure Prey.

Foi só nessa hora que minha concentração quebrou, eu percebi que eu estava tremendo e assustado. Com medo.

—

Os três caras que sobravam me encararam com olhar confuso. Cotter me olhava também. Eu nunca o vira tão inseguro: ele tremia, estava molhado, suas roupas de marca estavam sujas de sangue, e seus olhos pareciam muito assustados. Vê-lo daquele jeito, eu me senti assustado também. E muito irritado.

— Edmure... — A voz dele foi apenas um sussurro surpreso.

— Cala a boca. — Eu me abaixei e peguei o pedaço de pau no chão, jogando para ele, que o pegou no ar. — Ainda tem três caras. Vamos.

Eu me coloquei do lado dele. Os outros caras eram grandalhões, e eu não queria que ele saísse machucado.

Não queria? É, era isso. Estranho estar preocupado com o pequeno Cotter.

Enfim, ainda tínhamos três caras grandões para encarar, então eu tomei posição. Eu ainda estava meio bêbado, mas não atrapalharia.

— Eles te machucaram? — Eu resmunguei quando percebi que os três caras que restavam pareciam discutir se deviam continuar ou não o ataque.

— Não, eu... Você chegou bem na hora. — Percebi pelo jeito que ele falou que aquelas palavras não saíram facilmente dele. Ao que parecia, era quase um agradecimento. — Por que você tá aqui? — Ele tomou posição de luta, e eu percebi que os três caras também.

— Porque sim. — Eu respondi, e na mesma horas os três inimigos vieram para cima.

Dois deles ainda estavam com pedaços de madeira, e um foi pra cima de mim, o outro pra cima de Cotter. O terceiro cara não tinha nada em mãos, mas foi pra cima de Cotter também. Ele ia conseguir se virar, eu ia terminar com esse cara e ajudar ele com os outros dois.

Não foi fácil, nem difícil lutar com ele. O cara tinha um pedaço de madeira, e conseguiu me atingir algumas vezes, mas nenhum golpe crítico. Consegui revidar bem, e com certo tempo, consegui arrancar o pedaço de madeira dele, e dar uma paulada na cabeça dele, derrubando-o.

Devo ter demorado uns dois minutos. Quando terminei, ofegante e meio dolorido das pancadas que levei, eu procurei Cotter Storm e seus inimigos.

Foi quando eu vi que ele estava no chão, e os dois caras o chutavam.

A primeira coisa que me atingiu foi a raiva. Raiva contra aqueles caras que batiam nele, e depois raiva do próprio Cotter Storm por ter perdido pra aqueles lixos.

Peguei o pedaço de madeira que sobrou e fui pra cima. Atingi o primeiro, derrubando-o, e quando fui pra cima do outro, travei.

Ele apontava um revólver para mim.

Então era por isso que Storm perdera.

— Seus desgraçados... — Eu vi que ele segurava o nariz, que sangrava. Fui andando para trás, enquanto ele vinha na minha direção. — Filhos da puta...

Quando eu percebi, estava apoiado num carro, sem ter pra onde ir.

— Veio salvar o namoradinho foi? — Ele deu um soco forte na minha barriga com a mão ensanguentada, ainda apontando a arma para mim. — O miudinho também deu trabalho pra gente. — Ele acertou meu estômago novamente, mas com um chute desta vez, me fazendo me inclinar, segurando a barriga. Ele atingiu um soco forte no meu rosto.

Tomei uma grande surra, até não aguentar ficar em pé. A dor no meu corpo era grande, e meus olhos estavam cheio de lágrimas. Acabei no chão, com as costas apoiadas num carro, sem conseguir me mover. Ele apontou o revólver para mim novamente.

— Morra, seu viado de merda. — Ele anunciou, e finalmente caiu minha ficha de que eu ia morrer.

Fechei os olhos, sem conseguir pensar em nada. Imaginei que eu devia estar pensando em coisas profundas, mas minha mente estava vazia, e eu ainda estava meio lerdo do álcool.

Mas o tiro nunca veio. Eu ouvi o som de um baque, e quando abri os olhos, o homem estava no chão.

Em seu lugar estava Cotter, em pé, com um pedaço de madeira em mãos. Ele segurava as costelas da esquerda com a mão direita, e sua boca sangrava. Parecia bem machucado, e se esforçando para conseguir ficar em pé.

— Você não consegue mesmo se virar hein, Edmure. — Ele resmungou, com a voz fraca e um sorriso ainda mais fraco.

— Cala essa boca, Storm desgraçado. — Eu reclamei, já com um pouco de raiva dele. Porque ele tinha que sempre ser mais forte?

Ele se jogou ao meu lado, apoiando as costas no carro também. Estava um caco, com sangue no rosto e escorrendo pelo queixo. Tive vontade de limpar o sangue do rosto dele, mas não tive coragem, nem forças. Desviei meus olhos dele, e encarei o céu. Percebi que estava exausto.

— Tem alguma coisa quebrada aí Prey? — Ele questionou, e eu soltei um grunhido.

— Cala a boca, você apanhou bem mais. — Eu respondi.

— Estou tentando...

— Cala a boca Cotter. — Disse novamente, deixando a chuva, que engrossava, cair sobre mim e limpar meu cansaço. — Temos de ir embora. Vou te levar pro hospital.

O menor riu, e eu me virei pra ele.

— Que foi idiota? — Perguntei irritado. Eu estava tentando irritá-lo, e ele estava rindo.

— Quantos anos faz que você não me chama de Cotter? — Ele se virou pra mim, sorrindo cansado. Por algum motivo, eu sorri de volta.

— Vamos embora. Se um cara desses acordar... — Comecei a me levantar, sentindo as dores da briga, mas senti a mão dele no meu braço, e como sempre, quando ele me segurava, eu travei.

— Senta aí. — Cotter mandou, seu tom de voz irritante de novo. — Olha o céu um pouco.

Voltei a me jogar no lugar, estava muito cansado, e não queria discutir. Olhei pro céu, que estava escuro, afinal estava chovendo. Eu não entendi muito por que, mas normalmente eu não suportava ficar com o Storm, mas eu não estava ligando. Bem, todos dizem que quando você luta ao lado de alguém, vocês se tornam amigos. Quem sabe Cotter Storm não entraria pro meu bandinho.

— Se alguém acordar aqui... — Eu resmunguei, me ajeitando. Estava mais próximo dele desta vez, ombros colados.

Vi que ele se mexeu, pegando algo no bolso. Ele deu um sorriso maroto, e mostrou o revólver, que provavelmente havia tirado do cara que tentou me matar.

— Relaxa. — Ele disse, voltando a olhar pro céu. — E olha o céu.

Eu o obedeci, pela primeira vez na vida.

— Idiota. — Eu disse, sem olhar pra ele. — Nem dá pra ver as estrelas, tá nublado e chovendo...

Ele me deu uma cotovelada, tirando um gemido de dor.

— Cala a boca idiota. — Eu senti minha raiva ferver de novo.

É, talvez a idéia de ele ir pro meu bando era mais um delírio de bêbado.

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Próximo capítulo sai esta semana, não sei que dia ainda...
Beijos e deixem comentários!