Fascínio

13 Sem pressão


Notas iniciais
Hoje vou portar dois curtinhos. Estou sem inspiração e por isso as coisas estão acontecendo depressa. Vou buscar melhorar nos diálogos também.
Boa leitura!

Nunca pensei que a saudade seria mais sufocante do que a dor da perda. Já sei o que pensou: E a diferença? Bem, a diferença é saber que você nunca mais vai ver uma pessoa e querer tê-la de volta. Estas são as minhas definições de perda e saudade. Neste instante eu sentia saudade da minha mãe, porque papai estava se tornando um cão chupando manga. Não. Mil vezes pior que isso. Ele estava insuportável.

No outro dia ele insistiu que eu fosse receber o estilista que havia chegado naquela manhã. Um homem feio, bigodudo e afeminado.

Ele tirou medidas e depois me mostrou alguns desenhos. Escolhi o mais simples de todos para a desaprovação do meu pai.

Mais tarde esperei até que meu pai se retirou para uma soneca e sai à procura de Finn. Estava carente e Henry só piorava as coisas. Procurei por ele e não o encontrei nem na sua casa. Perguntei a um dos empregados se tinham visto o jardineiro e este disse que ele havia dado uma saída – de certo havia ido atrás de alguns materiais que faltava.

Estava sozinha e impaciente. Não fazia ideia de onde esperar por ele então fui ao estábulo. Não havia nenhum cavalo que me agradasse ali, sem falar que naquele horário havia poucos ali já que os tratadores os levavam para passear, escovar, enfim... Argos havia morrido há uns dois anos. Não sei quanto tempo fiquei ali olhando os cavalos e decidindo quem se parecia mais com Argos.

- Me procurando? – Finn perguntou. Bem, ele foi esperto o bastante para fechar o galpão e nos deixar às sós, como era às noites, porém de dia.

- Sim. – Disse.

Ele se aproximou de mim e me deu um abraço bem apertado.

- Ainda se sente ruim?

Assenti.

- Olha, eu não sei o que dizer... – Ele lamentou. – Sou péssimo em dar conselhos.

Ri e o encarei.

- Não precisa me dizer nada, só quero ver você. – Disse.

Fiquei muito feliz quando ele beijou minha boca. Desta vez eu teria forças para não deixá-lo se afastar como ele fazia sempre que ficávamos próximos deste jeito. Ele me abraçou de modo que prendia meus braços ao lado do meu corpo, eu mal podia me mexer e isto era bom. Gostava de ter meu corpo ao comando dele, presa inteiramente a ele. Ele abriu meus lábios com os próprios e sua língua invadiu minha boca até tocar o céu desta me causando arrepios de excitação.

Ele se afastou, mas não soltou seu abraço. – Eu quero você Annie, mas não devia. Sinto que estou tirando proveito de ti.

- Isso não é verdade. – Disse e desta vez quem o beijou fui eu. Sugando sua língua de volta para o interior da minha boca.

Ele soltou meus braços para pegar na minha cintura e me levantou, eu envolvi com meus braços seu pescoço para que continuássemos nos beijando. Suas mãos começaram a deslizar pelas minhas pernas as puxando de forma que me fez envolver sua cintura com elas. Então ele alcançou a abertura da saia do vestido e pegou firme em minhas coxas. Sua mão estava quente e suada. Ele continuou subindo até as curvas o que me fez gemer. Quando conseguiu levantar toda a saia do vestido pressionou nossas partes, a dele estava rígida e eu estava louca para vê-la.

Ele gemeu quando eu pressionei meu corpo contra ele. Tudo que nos impedia agora de ir em frente eram suas calças e eu não queria esperar muito para que ele as tirasse.

Ele começou a caminhar, nossas bocas se desprenderam e eu parti para a curva do seu pescoço, beijando sua pele morena e linda depois deslizando minha língua até alcançar a ponta da sua orelha. Senti quando ele se arrepiou e sorri. Minhas costas finalmente bateram contra a parede do galpão e caímos até eu estar com as elas deitada sobre a palha. Finn começou a puxar a corda na frente do meu vestido e depois sugou o mamilo de um dos meus seios o que me fez arquear. Doía ao mesmo tempo em que era bom. Deslizei minhas mãos por dentro da sua camisa, seu peito era firme, delicioso.

Ele deixou meus seios e voltou à boca. Estávamos ofegantes, os beijos só nos excitávamos ainda mais. Estava pronta para começar a puxar suas calças quando sons do lado de fora do galpão nos fizeram parar.

- // -

Dois homens entraram. Um foi até um dos cavalos enquanto o outro pegava uma sela. Logo eles saíram levando o animal com eles.

Finn e eu conseguimos nos esconder a tempo e os homens saíram sem ver a gente. Sorri para Finn no canto escuro que havíamos nos enfiado. Seus olhos ainda ferviam de desejo, mas percebi que não iríamos continuar de onde paramos. Ele puxou meu vestido tampando meus seios, sem dizer uma palavra se levantou e saiu – ele tinha o dom de me deixar constrangida.

No meu quarto penteava meus cabelos negros que ainda estavam cheio de pequenos pedaços de palha. Nem com pó de arroz havia conseguido esconder minhas bochechas vermelhas.

Pensava em como Finn era um idiota. Ele sempre começava as coisas e nunca seguia até o final. Por um lado aquilo me distraiu um pouco, todo aquele tempo não havia pensado nenhuma vez na minha mãe. Sentei-me em minha cama e comecei a chorar – eu era uma péssima pessoa, uma vadia estúpida. Minha mãe havia morrido há dois dias e enquanto isso eu ficava me engraçando com os empregados.

O que havia de errado comigo? Por que eu não podia ser uma moça direita, com desejos descentes e puros. Por que eu tinha que ser uma menina indecente que se esconde nos estábulos só para... Ainda bem que Finn foi embora, eu estaria me arrependendo agora amargamente da besteira que iria cometer.

Ouvi quando meu pai acordou. Escutei o som de seus passos apressados no corredor. Esperava que ele me esquecesse um pouco e focasse nos seus negócios com o conde. Aquele homem sempre surgia após o pôr-do-sol.

Hum... Agora me lembrei de quem estava faltando no velório de minha mãe. Ele até que nem fez falta nenhuma, não era da família mesmo.

Fui até o estúdio onde toquei piano a tarde inteira. Toquei a primeira música que minha mãe havia me ensinado. Demorou um tempão até que eu lembrasse todas as notas e tocasse tudo novamente, desta vez sem interrupções.

O som de algo caindo me fez parar e pela janela à minha frente percebi que já era noite e que tocava no escuro.

Olhei par trás. Uma menina segurava uma lamparina. A menina me olhava assustada, parecia arrependida por ter me interrompido em minha música. Ela havia derrubado uma bandeja no chão, o que fez aquele som todo.

Fiquei olhando para ela esperando que ela se retirasse e me deixasse sozinha, mas a garota, mesmo estando nervosa, não iria embora. Ela queria me dizer alguma coisa.

- Anda logo. – Disse. – Me diz o que tem pra dizer.

A garota fez um som, limpando a garganta antes de falar:

- Meu nome é Caroline. – Ela disse. – E eu sou amiga do Finn.

Ergui as sobrancelhas. A frase da garota me surpreendeu.

- E? – A fiz prosseguir.

- Ele não sabe que eu vim falar com a senhora. Então, por favor, não diga nada a ele e nem o puna pelo que eu vou lhe dizer. Se tiver que punir alguém, puna a mim.

Não estava gostando daquele assunto. Por que eu iria querer punir alguém?

- Desembucha logo. – Estava perdendo a paciência.

- É que... Eu não acho certo o que você está fazendo com ele! – Ela tomou coragem e disse tudo de uma vez.

Quem era aquela pirralha para achar que podia me dizer o que era certo ou errado?

- O que estou fazendo com ele?

- Você o está usando. E eu não acho isso correto. Você não passa de uma egoísta!

Ela estava me ameaçando?

- Escuta coisinha insignificante. Vá cuidar da sua vida!

- É exatamente o que eu estou fazendo.

Caroline saiu me deixando sozinha na escuridão.

Voltei-me para o piano. Se aquela menina achava que podia falar comigo daquele jeito ela estava muito enganada. Um dia eu a colocaria em seu lugar, mas hoje não estava com paciência para isso. Minha mente estava exausta. Muitas coisas estavam acontecendo em tão pouco tempo.

Voltei a tocar como de costume, qualquer coisa só para dar aos meus dedos o que fazer. A música era rápida, muito agitada, expressando meus sentimentos de dor e fúria.

Notas finais
Espero que tenha gostado. Já posto o outro.