Fascínio
14 Tumba da Família
Notas iniciais
Juro que no próximo capítulo vou melhorar a escrita. Beijo!
Alan apareceu no outro dia – que surpresa. – E tomamos chá.
Não tínhamos muito assunto. Vi que ele tentava me animar contando histórias da sua infância me instigando a contar as minhas, mas eu não tinha muita coisa para falar.
- Você gosta do Mardi Gras? Eu nunca participei, estava pensando em fazer uma festa em minha casa neste dia, um baile de máscaras, o que você acha?
Eu apenas sorri. Nunca participei do Mardi Gras também. Meu pai achava que era uma festa ruim, festa da carne. Segundo ele os desejos da carne são ruins e por isso não se deve comemorar o Mardi Gras.
- Você já foi a um baile de máscaras?
- Não. – Admiti.
- É um baile como qualquer outro, porém fica difícil de identificar as pessoas. – Ele sorri, fica corado antes mesmo de dizer o que vai me dizer. – Mas eu reconheceria você de qualquer maneira.
Limitei-me a olhar para ele.
- Então. – Ele limpou a garganta sentindo-se um pouco desconfortável. – Seu pai me disse que escolheu ontem o vestido de casamento.
- É verdade.
- Foi divertido?
- Nada é divertido quando se faz obrigado – Resmunguei e ele escutou.
- Sua mãe ficará bem. – Ele disse, compreendendo.
- Sim, eu sei...
- // -
Mais tarde, já à noite, pedi para que meu pai me deixasse ir ao cemitério. Óbvio que ele não deixou. Àquela hora o lugar já estaria fechado. Ainda assim eu fui, peguei as chaves do jazigo no escritório de meu pai e um cavalo escondida, um que me lembrou de Argos por ser branco e cheio de manchas cinza e fugi.
Foi difícil para mim seguir na estrada sozinha e sombria, principalmente na parte onde aquele cachorro havia quase me matado, agora não teria o conde para me salvar, mas segui mesmo assim. Naquele dia estava me sentindo corajosa e não queria ficar em casa. Queria sair à noite e respirar o sereno.
O cemitério estava fechado como previsto. Prendi as rédeas do meu cavalo na grade negra e grande, e procurei uma forma de entrar. Quando eu era criança, minhas primas e eu brincávamos de coisas perigosas sempre. Uma delas era subir em árvores.
Encontrei uma árvore perto da cerca e, ignorando a saia do vestido, subi nela. – Ah se meu pai me visse agora...
Já dentro do cemitério procurei pelo Jazigo da família. O lampião que segurava não iluminava muito à minha frente. Enquanto caminhava por aquele lugar habitado pela morte aproximava a luz das lápides para ler o que havia nelas. Fiquei espantada em como as pessoas morriam jovens, a maioria mulheres e datas recentes.
O jazigo da minha família era como uma pequena casinha de um material forte e cinza. Havia uma porta de metal com alguns detalhes nela. Olhando a casinha você pensa que cabe apenas uma pessoa de pé, mas não é ali que as pessoas ficam. Logo que abre a porta uma escada vai para baixo da terra. Lá embaixo é grande e tem várias gavetas e altares onde ficam os caixões dos que morreram recentemente.
Abri aquela porta imensa e pesada, desci as escadas. Lá dentro a escuridão era temível. Nas gavetas ficavam as cinzas ou as carcaças dos corpos que davam lugar à outros sobre os altares. Havia gente morta ali desde que a cidade fora fundada. A história da minha família era legal, ou não – dependendo do ponto de vista. – Tratava-se de ingleses tendo que dividir terras com franceses – que era a maioria.
Havia dez altares por toda a sala subterrânea. Eram como camas de cimento e sobre elas haviam caixões com algumas escrituras sobre eles. Encontrei o da minha mãe com facilidade. Estava fechado e nele estava escrito: Lilian Foster, 42 anos. A melhor esposa e mãe que já habitou este mundo.
Passei a mão sobre os detalhes daquelas letras grafadas no metal.
- Sinto sua falta mãe. – Sussurrei.
A luz no lampião começou a tremular, mas não poderia apagar agora, eu a recém o... Então ele apagou.
A escuridão me deixou com medo. Sei que era bobagem ficar com medo de um bando de mortos, mas, tente se pôr no meu lugar.
Então a luz se ascendeu, devagar, e diante de mim olhos refletiam a luz das chamas e um sorriso gelava meu sangue.
Minha mãe estava de pé na minha frente.
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