Fascínio

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Notas iniciais
Não postei antes porque não estava em casa para isso. Sou suspeita, mas este capítulo ficou muito bom. Adoro explorar bastante o mundo vampiro! Obrigada à leitora Garota Vampira por favoritar! Cap. para você! Boa leitura pessoas e tenham um ótimo 2014 já que 2013 não foi um dos melhores anos...

Eu caio e pela primeira vez não me importo com o medo que eu tenho de altura (que aparentemente desapareceu), nem com os pedaços de vidro cravados na minha pele, e nem que caio com tudo no chão podendo quebrar todos os meus ossos. Eu me importo com o sol que assim que toca meu rosto começa a fritar levantando bolhas e fumaça negra.

Assim que cai no chão cobri meu rosto com o capuz. Não me quebrei e nem nada, cai de pé como uma gata pronta para correr o mais rápido possível. Olhei para trás, por impulso. A janela que havia me atirado estava destruída, as cortinas balançavam do lado de fora. No escuro, bem afastado da janela e do sol eu sabia que o conde me encarava com raiva. Também sabia que aquelas vadias vampiras que viviam com ele estavam somente esperando o sol desaparecer, ou pegando uma capa como a que eu usava para correr atrás de mim.

– Adeus Kate. – Lembrei-me de dizer antes de correr para fora daquele jardim, para a floresta ou o pântano onde havia sombras, para qualquer direção longe daquele lugar detestável.

Nunca senti tanta raiva na vida. Não de Vlad, mas de mim mesma por reagir daquela forma a ele. Ainda assim consegui ser forte o bastante para escapar. Diferente da minha mãe não havia me tornado uma escrava e aproveitaria esta vantagem ao máximo.

– // -

Eu andava apressada no meio da multidão que havia tomado a praça na frente da igreja. Já era noite e por isso puxei o capuz revelando meu rosto já curado das queimaduras do sol e meus cabelos soltos. Estava todo mundo tão bêbado por causa do carnaval que ninguém me reconheceria. Plano: não ficar parada durante a noite, encontrar um lugar para me esconder do sol e na noite seguinte sair da cidade se possível. Não daria para sair esta noite, havia muita gente por causa do Mardi Gras, e as vampiras do conde iriam imediatamente me procurar no cais ou em qualquer outro lugar que me permitisse saída dali.

Também não iria para o cemitério, óbvio demais. Pensei na igreja, mas temia que quando o padre me visse tentasse cravar uma estaca no meu peito.

E Finn? Será que ele tentaria me matar quando me visse? Bem, ele um dia foi meu amigo, tenho certeza que ao menos ele hesitaria – assim espero.

Já havia tomado a decisão de procurar Finnick quando vi Lanore com seus cabelos lisos e loiros deslumbrantes. Ela olhava diretamente para mim. Sua imagem desaparecia e reaparecia na multidão conforme pessoas passassem cobrindo minha visão, até que teve uma hora que ela desapareceu de vez, num piscar de olhos.

Virei-me para correr longe dali. Havia tanta gente à minha volta, o cheiro de sangue estava me deixando tonta. Quando me virei dei de cara com uma morena vestindo vermelho, cabelos cacheados e olhos verdes como de cobra.

– Achei você queridinha. – Ilona agarrou meu braço. – Agora iremos para casa, sem escândalo. – Sua voz era sempre calma, porém firme e ameaçadora. Reparei que muitos homens (na maioria bêbados) quando passavam ficavam encarando Ilona como cachorros famintos, só faltavam babar (espera! Aquele lá babou...).

– Me solta! Eu estou avisando...

Ilona riu e mais duas risadas se uniram à dela. Lanore e a morena de cabelos lisos e olhos negros, Dábria, também estavam presentes.

– Vejam que atrevidinha... – Ilona sacudiu meu braço, machucando. – Sabe, pensando melhor, acho que gosto de você. Você me diverte.

Ela enroscou nossos braços como se fossemos amigas intimas simplesmente passeando, e começamos a andar. Dábria e Lanore nos seguiam de perto.

– Vamos fingir que nada disso aconteceu. Nosso senhor lhe aplicará um castigo, você aprenderá a lição e isso nunca mais vai se repetir.

– Tenho a impressão de que vocês já passaram por isso. Por que não tentam fugir agora?

Ilona gargalhou alto chamando a atenção de todo mundo. Olhei para o chão tentando esconder o meu rosto o máximo possível das pessoas que encaravam.

– Por que fugiríamos? Ele é o vampiro mais belo e poderoso que existe. Ao lado dele viveremos eternamente, pois temos proteção e muita diversão. – Ela sorriu maliciosamente. – Você está sendo tola de não se dobrar a ele, saiba que é apenas perca de tempo.

– Você o ama? – Perguntei sem pensar.

Ilona não respondeu o que eu gostaria, ao invés disso alargou ainda mais seu sorriso maldoso.

– Está com ciúmes?

– Não... Mas talvez você esteja.

Então seu sorriso desapareceu para surgir o meu. Ela não o amava, o idolatrava como eu suspeitava e este era o seu ponto fraco. Diferente de Lanore e Dábria que eu tenho a sensação de que já estiveram no meu lugar tentando fugir, ela estava com ele por vontade própria. Era pior que uma cadela de estimação. Sabendo que eu havia matado a charada ela começou a falar mentiras, o que não adiantaria. Ela o amava, não restava dúvidas:

– Eu casei com ele antes mesmo dele trocar sua alma com Lilith pela mortalidade. Eu fui sua segunda esposa. Eu merecia ser rainha tanto quanto ele é rei, e ao invés disso ele me submete a perseguir pirralhas estúpidas somente porque compartilha a mesma alma que a vadia de Isabela Bizáur. Então, querida, eu não tenho ciúmes daquele idiota, somente raiva. Mas sou esperta o bastante para esperar o momento certo de agir.

– Talvez seja este o momento. – Vi uma oportunidade de convencer Lanore e Dábria que até agora só escutavam. – Nós podemos fugir agora mesmo.

Ilona voltou a rir.

– Você é patética. Se disser uma só palavra a ele do que acabei de lhe dizer, o próximo que verá na mansão sendo nosso cãozinho será o seu precioso pai. O que acha disso? O velho está morrendo mesmo, uma dose de imortalidade até que não lhe cairia mal.

– Do que está falando? Meu pai está bem!

– Afe querida. – Ela revirou os olhos. – Você não juntou mesmo os pingos nos “Is”? Por que acha que o barão queria tanto que você se casasse com o duque?

Eu tentei associar uma possível doença que meu pai tenha com o meu casamento e ainda não havia entendido. O que tinha a ver? Absolutamente nada. Sacudi a cabeça tentando afastar esta linha de pensamentos. Era mentira! Ilona estava tentando me distrair enquanto me levava de volta e eu não permitiria isso.

O que tem no Mardi Gras? Na outra rua passavam carros com pessoas atirando cordões para tudo que é lado. Onde estávamos era vazio agora, nos distanciávamos cada vez mais da multidão. Havia um homem solitário com uma vassoura varrendo a rua. Ele parecia não ligar para o que se passava na rua ao lado, estava preocupado em somente limpar a fachada da sua taberna.

Quando passamos pelo o homem puxei dele a vassoura. Ele me encarou surpreso e arregalou ainda mais os olhos quando viu o que eu fiz a seguir.

Foi tudo em questão de um único segundo: enquanto pegava a vassoura puxava meu braço de Ilona, quebrava o cabo ao meio e cravava um pedaço no peito de Ilona e outro no de Dábria – Como foi rápido demais não tive precisão o bastante, não acertei os corações delas o que significava que não morreriam.

O homem começou a gritar, achando que eu havia matado as duas por causa da quantidade de sangue que saíam delas. Ilona e Dábria estavam no chão tentando puxar as estacas improvisadas de seus corpos. Lanore havia me puxado pelos cabelos quando tentei correr e fez uma chave de braço no meu pescoço.

Ela era mais forte do que eu, mas eu estava desesperada para escapar antes que Ilona e Dábria se recuperassem. Quando estamos desesperados ou com raiva ficamos muito fortes, é incrível isso. E quando sentimos as duas coisas juntas então... Sai da frente!

O homem desesperado havia se agachado ao lado de Ilona para ajudá-la. Assim que ele puxou a estaca do peito dela, a morena o puxou pelo colarinho e começou a sugar seu sangue – merda! Ela está se fortalecendo!

Sem pensar muito joguei minha cabeça para trás batendo com força no nariz de Lanore. Assim que a loira me soltou eu corri.

Corri até chegar à floresta que cerca o cemitério. Ela é enorme tornando-se um pântano à medida que se aproxima do rio da cidade. Lanore e Ilona estavam na minha cola. Sabia que Dábria também não estava longe.

Eu podia ouvi-las tão bem, assim como enxergava com perfeição mesmo naquela completa escuridão, e meus reflexos eram surpreendentes. Desviava de árvores e galhos, saltava por cima de raízes e pedras com precisão. E estava rápida como o vento. Talvez ser uma vampira não fosse de todo ruim – exceto pelo fato de que ficar no meio de tanta gente minutos atrás havia me deixado com mais vontade de beber sangue. Lembrar-me de minha prima e do conde castigava ainda mais minha garganta.

De repente o chão faltou-me aos pés. Eu fui engolida por um buraco que realmente me pegou de surpresa. Rolei até que finalmente parei numa espécie de caverna feita com grossas raízes de uma árvore – que devia estar acima de mim.

Só torcia para que Ilona e as outras não caíssem no buraco também. Encolhi-me no canto mais afastado da boca do buraco na esperança de me camuflar no escuro, mesmo sabendo que elas enxergavam tão bem no escuro quanto à luz, até melhor.

Escutei passos ligeiros de vampira passando próximo ao buraco – passando, ainda bem.

Menos uma. Logo em seguida escutei vozes. Identifiquei como sendo a de Ilona.

– Aonde foi aquela puta...? – Perguntava para si mesma. – Eu a sinto perto...

– Ilona! – Era a voz fraca de Dábria. Ela havia sido ferida e, ao contrário de Ilona, não havia bebido sangue para se fortalecer. – O sol vai nascer em um hora! Temos que voltar agora!

– Chame Lanore. – Ilona ordenou. Escutei os passos de Dábria se afastando e outros se aproximando com cuidado do buraco.

Não veja o buraco... Não veja o buraco... – Torcia.

Eu vi seus pés que calçavam botas belíssimas pararem ao lado do buraco. Se ela virasse para o lado encarando o chão... Ou desse um passo para o lado me encontraria.

– Não acredito que ela escapou! – Lanore chegou com Dábria. – O mestre vai nos matar!

– O deixem comigo. – Assegurou Ilona com sua voz aveludada e confiante. Podia jurar que ela estava sorrindo apesar de estar fula comigo. – Vamos voltar logo meninas, não temos muito tempo.

Elas foram embora para o meu alívio. Só então percebi que segurara a respiração todo aquele tempo.

Sentei-me. Tudo havia dado certo! Ainda não... Precisava sair da cidade! O mais rápido possível, mas como? Como entrar num navio ou barco sem dinheiro? Eu ainda não sei hipnose... Usaria se soubesse. E amanhã elas estarão esperando por mim, cobrindo a cidade para que eu não escape por nenhum lado em terra.

Vou precisar de ajuda, da de Finn. Eu também precisava que ele me contasse o que aconteceu enquanto estive apagada. Se meu pai estava bem, desconfiava que podia ser verdade o que Ilona havia dito.

Algumas horas haviam se passado, eu havia adormecido – não sei se era correto dizer assim, vampiros dormem? Depois que a luz do sol havia nascido eu me senti tão pesada que passei a considerar um possível “sim”.

Quando abri os olhos alguns feixes de luz passavam pelo buraco iluminando bem a toca em que eu estava. Tive uma vontade estrema de esticar o braço, descobrir minha mão escondida pelas longas mangas da capa que eu usava e aproximar ela lentamente da luz.

Assim que as pontas dos meus dedos tocaram o sol me queimei. A dor foi terrível. Enquanto praguejava observava meus dedos se curando quase que instantaneamente das queimaduras. Pele nova cobria as queimaduras, o processo de cicatrização um milhão de vezes mais rápido. Logo eles retornaram a serem rosadinhos e perfeitos, como se nada houvesse ocorrido.

Bem que eu gostaria de acreditar nisso... Nada aconteceu! O único problema era que muita coisa havia acontecido e eu não podia ignorá-las.

Notas finais
Comente! Tem tanta gente acompanhando, mas pouquíssimos comentários :( , gente, isso é importante sabiam? Sabe quanta gente deixa as fics pela metade por causa da pouca motivação dos leitores? Não custa nada falar se gostou ou não de alguma coisa... Beijos!