Fascínio

29 Parte IV - Por água abaixo.


Notas iniciais
Toda a quarta parte é do Finn, espero que gostem. Vai começar a partir do momento que Anne deixou ele e Caroline perto do poço. Boa leitura!

FINNICK CARTER

Finnick pensava no estado de Anne enquanto a observava ir embora. Ele não podia permitir que ela se tornasse um monstro. Preferia ver ela morta a que como vampira. Caroline estava atrás dele, e Finn só se lembrou dela quando ela falou:

– O que estava acontecendo? – Sua voz era sempre muito baixa e tímida, era como se ela tivesse medo de falar.

Ele se virou para encará-la. Era amigo da Carol desde criança, sempre soube que ela gostava dele, e só a pediu em casamento porque finalmente havia entendido que jamais teria Anne. Não tinha jeito.

– Estávamos conversando. – Ele respondeu.

– Sobre o quê?

– Alguns problemas... Nada com que tenha que se preocupar.

– Você prometeu que não falaria mais com ela.

– Eu sei, mas... Isto realmente era necessário.

Caroline olhou para os pés, pensava em algo que tinha medo de dizer.

– Pode falar Carol. – Pediu Finn percebendo sua hesitação.

– Ela está esperando um filho seu?

Finn arregalou os olhos. Caroline havia mesmo concluído aquilo? O coração de Finn acelerou somente com o pensamento de que Anne poderia estar grávida, ainda mais de um filho dele.

– Não... – Ele respondeu. – Claro que não.

– Se fosse você me contaria?

– Por que não? – Finn respirou fundo. – Olha, Anne e eu nunca... Nós nunca fizemos... Entende?

Carol assentiu, mas ainda estava desconfiada.

– Eu tenho que voltar ao trabalho. – Finn beijou a testa dela. – E você também.

Carol sorriu timidamente antes de ir embora. Finn pegou a caixa cheia de arma contra vampiros agradecendo por Carol não tê-la notado. Como ele explicaria aquilo para ela? Arrumou as coisas, desceu até o fundo do poço onde a guardou e voltou direto para o jardim.

Tinha muito o que ser feito. As moitas no jardim precisavam ser podadas e também algumas árvores. Mesmo Lilian estando morta, a estufa era mantida com flores perfeitas. Alguns cavalos precisavam ser lavados e a porta do estábulo concertada, ela estava torta e por isso não fechava direito.

Enquanto trabalhava pensava numa forma de salvar Anne. Ele podia ir à casa do conde e enfrentá-lo, podia matá-lo. Pensando se sentia confiante o bastante. Ou ele poderia ficar de plantão a noite inteira caso Anne saísse novamente, ele a impediria. Pensou em fazer isso duas vezes, mas não deu certo, sempre quando avistava Anne já era tarde e ela estava longe.

Esperava que a estaca que havia dado a ela a ajudasse quando o vampiro do mal resolvesse entrar em seu quarto. Finn não era ingênuo... Sabia as coisas que aquele desgraçado devia ter feito com ela e sentia muita raiva por causa disso. Ele amava Anne e a perdoava por todas as coisas ruins que ela havia dito para ele, sabia que ela estava sob influência daquele vampiro.

À tarde ele podou os arbustos no jardim, aproveitou para observá-la no estúdio do segundo andar enquanto tocava piano. O estúdio tinha a parede inteira de vidro e assim se podia ver tudo do lado de dentro. A luz laranja do fim de tarde refletia no vidro e dificultava um pouco a visão, mas já era o bastante.

Desde que Finn havia visto Anne pela primeira vez passara a nutrir aquele sentimento de superproteção. Ela tinha aquela aparência miúda e meiga – que não combinava nadinha com sua personalidade. – Então ela cresceu tornando-se uma bela mulher. Os olhos verdes ainda mais questionadores, os lábios sedutores e o corpo naqueles vestidos despertavam a imaginação de qualquer marmanjo. O sentimento de amizade de Finn tornou-se amor e desejo, e estava a um ponto que ele quase não conseguia suportar.

Decidido a não perdê-la, quando caiu a noite e seus companheiros dormiram ele saiu para a entrada do sítio. Pegou na caixa do poço uma estaca, e no estábulo um machado. Ficaria de guarda atrás de uma árvore para não ser visto. Não demorou muito até que ele escutou os portões sendo movidos. Ele observou quem o fazia, não era Anne, era... O senhor Foster?

Henry Foster abria os portões para que um puro sangue inglês completamente preto passasse por ele. O homem que estava montado naquele cavalo usava uma capa preta, um chapéu que sombreava seus olhos, deixando apenas o sorriso presunçoso à mostra.

Aquele era o conde, tinha que ser ele.

O conde virou o rosto para o lado subitamente, na direção de Finn como se farejasse algo no ar. Finn se encolheu ainda mais atrás da árvore, praguejando, rezando para que o infeliz não tivesse o visto. Segurava firme o seu machado já planejando toda a ação quando o vampiro maldito se aproximasse.

– Henry – A voz do conde era forte e autoritária, porém baixa e tranquila. – Vá na frente. Procure a cópia da chave do quarto dela.

O senhor Foster assentiu e saiu imediatamente. Finn escutou quando o conde desceu do cavalo.

– Pobre criatura... – Dizia o conde. – Acredita mesmo que pode lutar contra mim? Revele-se Finnick.

Finn respirou fundo antes de sair do seu esconderijo. Não se espantou quando o conde disse seu nome e já não adiantava mais se esconder. Finn ainda segurava com força o machado, com as duas mãos, de forma que a lâmina ficava a altura do seu rosto. Ele encarou com determinação o vampiro, que ainda usava um chapéu mostrando apenas os lábios com um sorriso macabro.

– O que eu farei com você meu caro?

– Eu não sei você, mas eu lhe farei em pedaços.

O conde riu, parecia que havia escutado a melhor piada da sua vida.

– Eu não vou perder meu tempo contigo e nem beber seu sangue desgostoso porque pretendo me saciar com coisa melhor. Então ande logo com isso.

Finn não pode segurar uma careta de raiva. A coisa melhor era Anne? Claro que era e ele não permitiria.

Por impulso ergueu seu machado e correu na direção do conde que se manteve imóvel e com um sorriso no rosto. Quando Finn golpeou o vampiro e tinha certeza de que acertaria seu pescoço ele perdeu o equilíbrio quase caindo, passando a lâmina pelo ar. Num piscar de olhos o conde havia sumido e reaparecido atrás de Finn.

O conde socou o centro das costas do rapaz, bem na espinha tão forte que Finn caiu de joelhos, a dor era insuportável, parecia que havia sido partido ao meio. Quando Finn iria tombar para o lado e bater com a cabeça no chão o conde agarrou seus cabelos, o mantendo de joelhos. Caminhou para ficar na frente do jardineiro, ainda puxando seus cabelos, se agachou ficando assim cara a cara com ele.

– Eu admiro sua coragem e sua paixão. Mas não pode mudar o que vai acontecer. – Disse o conde antes de se levantar e bater o rosto de Finn em cheio no seu joelho.

Finn apagou.

– // -

Finn sentiu que estava sendo cutucado por um cabo de vassoura e quando abriu os olhos uma luz forte quase o cegou.

Ele levantou a cabeça devagar, escutando vozes ao redor, se sentou sentindo uma dor terrível nas costas e no nariz.

Quando lembrou o que havia acontecido abriu os olhos. Estava ainda na entrada do sítio, o sol já havia nascido, seu nariz estava sujo com sangue seco por causa da pancada do conde e alguns dos empregados o cercavam tentando ver se estava tudo bem.

– Caramba cara, pensei que estivesse morto. – Disse um homem com uma vassoura na mão, provavelmente aquele que havia o cutucado. – O que aconteceu?

Finn não respondeu. Levantou-se e cambaleou alguns passos por causa da tontura, só não caiu porque o homem com a vassoura na mão o segurou.

– Preciso ir até ela. – Finn sussurrou para si.

– Ela? Quem?

Finn não respondeu mais uma vez. Quando a tontura passou ele começou a correr na direção da casa de Anne. Precisava sabe se ela estava bem. Aquele maldito vampiro era muito mais poderoso do que Lilian. Finn sentia-se tão confiante depois de ter matado Lilian que pensou que seria tão fácil quanto, mas se enganara feio. Agora precisava ser rápido, talvez Anne tivesse alguma chance.

Finn ignorou os olhares de todos ao passar por eles. Ele não poderia entrar na casa, seria expulso a pontapés, mas podia subir na árvore ao lado da janela do quarto de Anne, somente para vê-la. Sentia-se tão imprestável por não ter conseguido deter o conde, quase chorava de frustração.

Subiu a árvore quando a encontrou. O coração a 1000 enquanto pensava no que poderia ver do lado de dentro. Deus queira que ela esteja dormindo, respirando e viva!

O silêncio na casa e ao redor era ainda mais agoniante do que o tempo que ele estava levando para subir no galho mais próximo da janela.

Quando finalmente chegou quase desabou lá de cima. – Ele havia visto Henry chorando ao lado da cama da filha.

Marianne estava morta assim como sua esposa Lilian.

Notas finais
Será que Anne volta como vampira? E como ela será? Beijos e obrigada por lerem!