Fascínio

24 Não é um sonho


Notas iniciais
A mãe dela morreu e ela indo à noite na casa do macho kkkkk Espero que goste deste!

Uma garota idiota me encarava com olhos arregalados. Nós duas sabíamos a verdade, mas nenhuma de nós queria acreditar. Aquela garota havia cometido erros terríveis e nem para se arrepender prestava. Mas espera, aquela garota era eu e estava arrependida!

Saí da frente do espelho e me sentei na cama. Eu não deveria ter aceitado fugir. Faltavam seis dias para o meu casamento, cinco para o Mardi Gras. A casa estava cheia, e eu não tinha disposição nem de sair do meu quarto, quem dirá receber visitas.

Alguém bateu duas vezes na porta do meu quarto antes de entrar. Era Kate com seu sorriso meigo e tímido. Ela sentou-se ao meu lado.

– Oi. Está tudo bem com você? – Ela disse.

– Sim. Como está lá embaixo?

Kate sorriu.

– Alicia está agindo como se fosse a dona da casa.

Sorri também. Ali nunca iria mudar aquele jeitinho dela. Era estranho, mas não sentia mais raiva dela por ter me abandonado no cais aquele dia. Lembrando agora, até que foi engraçado.

– Você... – Kate queria me perguntar alguma coisa séria, mas tinha receio.

– Fala logo Kate.

– Você se sente mesmo bem?

Uni minhas sobrancelhas. Sentia-me um pouco fraca, e meu reflexo no espelho estava mais pálido do que o comum, mais frágil... Suspirei.

– Eu não sei. – Admiti.

– Você... Não está doente, certo? – A voz de Kate falhou. – A tia Lilian... Estamos finalmente bem, entende? E logo você se casará, será um dia tão feliz... – Kate começou a chorar fazendo-me piorar. Meu coração nunca doeu tanto.

– Ei. – Sorri e a abracei. – Eu vou ficar bem. Não diga nada a ninguém, certo? Não quero que fiquem preocupados à toa.

– Você promete que vai ficar bem?

Sequei uma lágrima de Kate com as costas da minha mão enquanto olhava para ela.

– Eu prometo. – Sorri decidida a cumprir a promessa. Eu faria de tudo para não ficar doente, começando por agora. Eu não me trancaria no meu quarto como uma velha insana, nem ficaria remoendo a culpa crescendo no meu peito. Distração era do que eu precisava.

Levantei-me pegando a mão de Kate e a puxando para ficar de pé também.

– Vamos lá para baixo?

Kate riu. – Sim, vamos.

Havia muita gente lá embaixo, muitos convidados do meu casamento que dormiriam aquela semana na casa conosco.

Alicia era um encanto. Conversava com todos os entretendo com suas histórias e piadas. Como Kate dissera, parecia a dona da casa, a atração principal. Ela sempre fora a queridinha da família, até hoje não compreendia como não havia arranjado um noivo ainda. Talvez já tivessem lhe feito propostas de casamento e ela rejeitara.

Que inveja, gostaria de poder rejeitar propostas de casamento também. Que lindo! Estavam todos lá! Rindo da minha infelicidade! Tia Edna e tio Freud. Vovó Luna, meus primos insuportáveis Rick e Dalas, e claro... Não podiam faltar Alan e seu irmão Luís.

Lá estava Alan, anunciando que haveria uma festa na sua casa na noite seguinte e todos estavam convidados. Era mais um jantar, para apresentar as duas famílias já antes do casamento.

Casamento! Odiava aquela palavra. Todos agiam de forma tão espontânea... Como se fosse um evento bendito e alegre. Mas para mim não era. Estava mais para uma tragédia insuperável na minha vida. Alan era uma boa pessoa, mas não era para mim. Por que ele não se casa com Alicia? Os dois seriam perfeitos!

Durante o almoço me mantive neutra, sorrindo e respondendo somente quando solicitada. Sentei ao lado de Kate, bem longe de Alan. Vantagens de ter a família ali é que eles ficam disputando lugares para ver quem fica mais próximo do dono da casa e no caso, do noivo. Como ninguém gostava de mim mesmo, só estavam fingindo estarem felizes por mim quando na verdade estavam agradecendo à Deus por se livrarem, me deixaram em paz.

A única coisa que eu notei e me preocupou foram os olhares acusatórios de Alan. Aquilo me perturbava até agora.

À noite estava quase pegando no sono quando ouvi algo bater na minha janela. De primeira tentei ignorar jogando a culpa no vento, mas logo fui obrigada a me levantar. Vi que havia alguém lá fora e abri a janela para mandar, quem quer que fosse, se catar ou tomar banho, ou ir direto para o inferno!

– Ei! Tem gente tentando dormir aqui! – Sussurrei com medo de acordar alguém.

Era Finn lá embaixo. Revirei os olhos.

– Precisamos conversar. – Ele sussurrou de volta.

– Estamos sempre precisando conversar. – Resmunguei.

– O quê? – Ele levou uma mão ao ouvido como se isso fosse o ajudar escutar melhor.

– Já estou descendo! – Sussurrei e me afastei da janela.

Estávamos caminhando para o seleiro agora. Estava irritada por ele ter me feito sair da cama uma hora dessas, por isso andava com os braços cruzados e a cara amarrada.

– Tem umas coisas muita estranhas acontecendo na cidade nas últimas semanas.

– Tipo o quê?

– Ataques incomuns. Está certo que Nova Orleans não é o lugar mais seguro para se viver... Mas ainda, isso é fora de série.

– Me chamou aqui para me contar isso?

– Anne. Eu não consigo tirar da cabeça que a chegada do conde, suas saídas, e esses... Assassinatos brutais, estão relacionados.

Olhei para ele, sua expressão parecia realmente sincera.

– Eu me preocupo com você. Anda saindo sozinha à noite quando um animal assassino está à solta... Para onde você vai?

– Me fale mais sobre estes assassinatos. Eu não ouvi nada sobre isso ainda.

Ele bufou reparando que eu estava mudando o foco da conversa de propósito. Nem tão de propósito assim, eu realmente estava interessada.

– Dizem que... As pessoas desaparecem e são encontradas no dia seguinte, mortinhas, e com o sangue completamente drenado apesar de não ter marcas de cortes, ou furos...

Aquilo me fez pensar na minha mãe. Quando ela morreu, eu me lembrava de ter visto marcas estranhas no seu pescoço, mas de um dia para o outro, as marcas haviam sumido.

– E pior e mais assustador. – Continuou Finn. – É que alguns alegam ter visto seus parentes mortos, andando à noite como fantasmas. Se fosse ao menos um ou dois dizendo uma coisa dessas... Mas são vários! Eu tenho minhas teorias, mas...

Meu coração estava a mil. Minha mãe estava morta e eu também a via, como um fantasma ou um demônio devorador de vivos! Será que aquilo era uma doença contagiosa e eu havia contraído! Deus queira que não!

– Eu... – Comecei a gaguejar. – Preciso voltar para o meu quarto. A casa está cheia e se alguém me ver aqui fora contigo...

– Anne. – Ele me segurou pelo pulso, me impedindo de voltar para casa. – Espera, a gente ainda não falamos sobre o que eu gostaria.

– Eu não posso mais falar com você Finn! – Encarei ele expressando toda minha ira no olhar. – Eu. Não quero mais. Ver você. Compreende? – Disse bem devagar. Puxei meu pulso das suas mãos enquanto a ficha dele caia e comecei a caminhar para casa a passos largos.

Eu não sabia das mortes que estavam ocorrendo na região. Estava apavorada, já que tinham tanto em comum com a da minha mãe. E se...

Minha mãe estava ali, na minha frente, em sua forma demoníaca com olhos completamente vermelhos sangue, caninos pontudos, e veias escuras pulsando na pele pálida como a lua.

Eu paralisei. Aquilo não podia estar acontecendo. Não era real!

– Olá querida. – Ela deixou a cabeça cair para o lado, como faziam os pássaros curiosos e sorriu. O sorriso mais horripilante do universo. – Sentiu minha falta?

De repente senti como se ela soubesse todos os meus segredos. As imagens de mim nua na cama do conde inundaram meus pensamentos. Era isso que ela via? Era ela que estava me mostrando isso? Ela respondeu à própria pergunta que havia feito para mim após me mostrar tais lembranças:

– Eu acho que não.

Notas finais
Beijo!