Fascínio

25 A verdade


Notas iniciais
É um capítulo bem direto já que a minha irmã está aqui em casa e por causa dela quase não mexi no Not hoje. Espero que goste. Boa leitura!

Eu dei um passo para trás involuntariamente. Ela estava ali, para onde eu correria? Em um piscar de olhos ela havia desaparecido. Ainda incrédula, mantive-me no lugar, com medo até de mover o olhar. Então seu hálito fresco soou atrás da minha orelha esquerda.

– Não tema querida.

Eu me virei para encará-la e me afastei alguns passos cautelosamente. Eu morreria de enfarte, estava quase certa disso.

– Eu serei rápida. Você nem sentirá. – Seu rosto se contorceu num rosnado sem som. Os demônios deveriam ter tal aparência, se não, bem próxima.

Ela avançou na minha direção, mas eu não corri. De quê adiantaria? Ela era mais rápida, já provara isso várias vezes. Eu estava morta, era inevitável. Fechei os olhos esperando pelo momento em que eu deixaria de sentir o universo ao meu redor.

Ouvi um baque, como se algo batesse com força no chão diante dos meus pés. Abri os olhos e levei minhas mãos a boca não podendo reprimir um grito quando vi uma cabeça rolando até tocar meus pés.

Era a cabeça da minha mãe, o corpo estava caído há um metro de mim. E havia um homem em cima do corpo, segurando um machado ensanguentado numa mão, e com a outra cravando uma estaca de madeira no peito do corpo.

Finn olhou para mim com expressão madura. As luzes da minha casa atrás de mim acenderam iluminando seus olhos negros.

– Rápido! – Ele se levantou. – Me ajude a tirá-la daqui.

Eu não compreendi uma palavra que ele disse. Não compreendia nada. Havia vozes atrás de mim, a cabeça da minha mãe... Senti que alguém me segurava pelos ombros e me sacudia violentamente. Era Finn.

– Temos que tirá-la daqui antes que os outros a veja. Ajude-me Anne.

Assenti. Era uma atitude sensata, esquecendo todo o resto.

Ele tirou sua blusa branca, mas desta vez não prestei atenção no seu corpo. Aceitei a camisa e envolvi a cabeça do monstro/mãe com ela. Logo a blusa ficou pingando sangue. Finn pegou o corpo e o machado.

– E o sangue no chão? – Olhei para trás, havia ficado uma mancha enorme no gramado, e já vinha gente da casa correndo com seus lampiões.

– Não temos tempo Anne. Não podem nos ver aqui fora, muito menos segurando o que estamos segurando.

Eu assenti e me juntei a ele. Juntos seguimos para a parte norte do sítio, para onde ficava a cabana dos empregados.

Enterramos o corpo de minha mãe fora do sítio. Fiquei observando o corpo decapitado enquanto Finn cavava um buraco no meio da floresta. Demorou bastante até ele cavar fundo o bastante. Não voltamos para o sítio de imediato. Quando Finn terminou de enterrá-la ele ficou me encarando, com o queixo apoiado no cabo da pá. Ele não parecia contente.

– Vampiros. – Ele disse.

– Como é? – Arregalei os olhos. Ele não falava nada com nada.

– Me conta Anne. Aonde você anda indo à noite?

Agora eu entendi o que ele disse. Aquilo me deixou irritada. Tantos problemas e ele com suas crises de ciúmes.

– Isso não é da sua conta.

– Eu acho que é.

– Escuta, está frio, acho melhor voltarmos...

– Não antes de você me contar tudo.

Ele largou a pá em algum canto e veio até mim. Segurando meus ombros me empurrou para trás até eu bater com as pernas em uma raiz exposta e imensa. Nós dois nos sentamos ali.

– Anne. Você precisa se livrar da hipnose. Você é mais forte do que isso. – Ele olhava fundo nos meus olhos. Eu ainda não entendia o que ele falava. – Ele está bloqueando a sua mente, para que você não acredite. Mas é real. Sua mãe foi transformada em vampira.

Eu ri.

– Vampiros não existem!

– Ah não? Você acabou de ver um que quase te matou. Você anda visitando um todas as noites.

– Não diga besteira Finnick!

– É o conde, certo? Desde que ele surgiu...

– Finn, pare! – Ei comecei a gritar.

– Me diga agora! – Finn falou ainda mais alto do que eu.

– Sim! Caramba! É ele sim... – E quando disse as palavras tudo fez sentido. Foi como se meus olhos estivessem vendados até agora.

Eu me lembrei dos furos no pescoço da minha mãe, eram furos causados por dentes pontudos. Eu me lembrei da festa que participei na casa do conde, todos aquelas pessoas tão estranhas, com sorrisos de dentes pontudos e olhos brilhantes. O gosto estranho do vinho... Lembrei-me da primeira vez que peguei a mão dele, tão fria. E pior, eu vi! Nossa primeira noite, eu o vi segurando meus pulsos com uma mão e agarrando meus cabelos de forma que meu pescoço ficou exposto a ele. Eu me lembro da sensação de seus dentes me penetrando a pele, a dor é insuportável. E me lembrei do gosto do sangue dele quando ele fez um corte no próprio peito e forçou minha boca contra o ferimento, de forma que eu fui obrigada a engolir para respirar.

Eu levei as duas mãos na cabeça. As lembranças eram dolorosas, e reais.

Vampiros existem! E eu estava sendo transformada em uma, assim como minha mãe. Mas por quê? O que eu tenho de especial? O que nós duas tínhamos?

Senti Finn alisando minhas costas, só então escutei meus próprios soluços. Eu estava chorando. Vlad havia me hipnotizado a ponto de me fazer acreditar que eu odiava Finnick, que eu nunca o amara, apenas fantasiava isto.

Como eu pude ser tão tola!

– Eu sabia que era ele... – Finn sussurrou, tentando me confortar.

Levantei-me, me afastando dele. Se eu contasse a ele que sim, o que aconteceria depois? O conde era mau, ele machucara minha mãe e despedaçara meu coração, mas havia outras coisas! Momentos, lembranças de outra vida. Eu não queria que nada de ruim acontecesse com ele – antes eu precisava de respostas. O que eram aquelas lembranças e os sentimentos que permaneciam mesmo após eu ter me tocado da hipnose.

– Não. – Menti.

– Qual é Anne... O que está havendo com você? Diga-me logo a verdade! – Finnick se levantou exigindo enquanto avançava na minha direção.

– É a verdade! Agora me deixa em paz e vá cuidar da sua noiva fedelha!

Dei as costas a ele enfrentando a escuridão da floresta sozinha.

Quando cheguei em casa encontrei meu pai ainda acordado, do lado de fora da casa, procurando por mim.

– Onde você estava? – Ele pareceu preocupado no início e depois irritado. – O que houve? Foi você que deu aquele grito?

Passei por ele sem dizer uma palavra. Amanhã ele exigiria explicações e eu teria as respostas.

Já havia tomado minha decisão e parecia ser a certa. Se aquelas coisas de fato existiam... Se eu estava mesmo passando por tudo aquilo, então que fosse proveitoso. Eu tinha sonhos e pesadelos desde que era criança! Eu finalmente estava perto de ter minhas perguntas respondidas.

Talvez aquele fosse o meu destino.

Notas finais
Obrigada por ler! Beijão!!!