Far Away... So Close

13 Um grande amor não vai morrer assim


Notas iniciais
Sim, eu citei "Detalhes", do Rei Roberto Carlos. Nossa, eu amo essa música, para mim, ela é uma das melhores canções de amor que existem... e cabe direitinho nesse contexto de FASC, né? Penúltimo capítulo, fortes emoções, espero que gostem, amo vcs, tds as reviews... ENJOY!

“Querido diário,

É com o coração em pedaços que deixo a Inglaterra. Todas as lembranças lindas que tive deste país foram apagadas quando eu soube que... ai, meu Deus... ainda não aceito. Ainda acho tão irreal, tão doloroso, tão difícil de aceitar que o Finn seja o Mr. H! Por que ele nunca me disse? Por que se aproximou de mim, por que quis fazer tudo por mim e escondeu sua identidade? Eu não consigo entender. Já não durmo, não vivo, não reparo em nada ao redor... apenas a dor de ter sido enganada atravessa meu peito como um punhal”.

– Rachel... Rachel... – Quinn sussurrou. – Acorde.

Rachel dormira durante uma boa parte do primeiro dia de viagem. Puck e Quinn estavam sentados e de mãos dadas, uma expressão serena no rosto, sorrindo um para o outro.

Tudo aquilo doía em Rachel, mas ela sabia que estava sendo egoísta em se sentir mal pela felicidade dos outros. Eles mereciam aquele momento de ternura e calma depois da fuga da casa dos avós de Quinn no meio da madrugada. Os três fizeram rapidamente sua bagagem e pediram que o cocheiro os levasse rumo à Londres. Lá, ao meio-dia, embarcaram para Nova York no primeiro navio disponível. Quinn estava apreensiva pelo o que sua família faria, mas Rachel nunca a havia visto mais feliz também.

–Tudo vai ficar bem, você vai ver... – disse Puck, colocando gentilmente a mão sobre a barriga de Quinn.

– Meu querido, nós vamos morar onde? – ela perguntou.

– No meu apartamento. Quer dizer, eu vou procurar um lugar maior e melhor, porque você e o bebê merecem.

Ela o olhou profundamente:

– Meu amor, você vai poder? Você ficou todo esse tempo sem trabalhar.

–Confie me mim, Quinn. – ele encostou sua testa na dela. – Tudo será maravilhoso, você vai ver.

[...]

A criada foi chamar as moças para o café e foi o instante em que perceberam que elas haviam fugido. Finn foi chamado, e ele teve que dizer que seu amigo Noah havia as levado embora. O motivo? Ele e Quinn eram namorados e a garota estava decidida a viver com ele, que na verdade, não era conde, e sim um simples peixeiro judeu de Nova York. Além disso, o relacionamento deles vinha de muito mais tempo, resultando em uma gravidez, daí a necessidade da fuga.

O cataclismo que atingiu a casa dos Fabray teve foi intenso, para se dizer o mínimo. Os avós choravam, a mãe dela chorava, lamentava, praguejava e chorava de novo. O pai de Quinn prometeu vingança contra o “judeu bastardo que tinha ultrajado a honra de sua filha”, e, paradoxalmente, bradava irado que não tinha mais filha.

Finn fora acusado de vil, traidor da família Fabray por aproximar aquela cobra ao seio da família amiga da sua há gerações, mas o rapaz não estava dando a mínima. Desde que Rachel tinha ido embora extremamente magoada ao descobrir da pior forma possível que ele era o Mr. H, os seus sentimentos estavam amortecidos à qualquer coisa que fosse, exceto pelo fato de que queria trucidar Jesse St. James assim que o visse.

Quando ele estava voltando para a sua casa de campo a cavalo, viu o próprio objeto de seu mais apurado ódio cruzar a mesma estrada que ele. Sem pensar em mais nada, Finn colocou o cavalo atravessado, impedindo a passagem. O cocheiro parou, assustado, e Jesse pôs a cabeça para fora, irritado pela parada brusca:

– O que foi isso?

– Sou eu, St. James! Desça daí agora e brigue como homem, patife!

–Pare de criancices, Hudson. – o rapaz disse com desdém. – Deixe-me passar.

– Onde você pretendia ir?

– À casa dos Fabray, cortejar a linda Miss Berry, que, a esta hora, já deve ter se desiludido de você.

Aquela última provocação fora a gota d’água para Finn. Ele se aproximou da janela do coche e puxou Jesse pela gola, arrastando-o pela terra da estrada.

– Você está louco? Solte-me! – Jesse exigia.

– Você é um covarde, um pústula! – Finn berrou, descontrolado, desferindo golpes em Jesse, que não tinha como se defender, apanhando e sendo jogado de um lado para o outro como um boneco de pano.

O cocheiro desceu como máximo de velocidade que seu reumatismo permitia, e jogou-se sobre Finn para que parasse de bater em seu patrão:

– Senhor! Pelo amor de Deus, pare!

Finn jogou Jesse no chão, a roupa rasgada em alguns pontos sujando-se na terra da estrada. O rosto do rico e arrogante rapaz estava ensanguentado e ele tinha um olho inchado, mas ele ainda teve forças para dizer:

– Do jeito que ela ficou, duvido que ainda o queira! Eu odeio você, sempre odiei, Hudson, e espero que ela nunca mais queira vê-lo!

Finn avançou sobre ele de novo, com raiva redobrada, mas o pobre cocheiro o deteu e suplicou que não matasse Jesse.

– Você é a pessoa mais ordinária que eu conheço. Espero que sua vida seja tão infeliz quanto a minha se Rachel não me aceitar de volta. — Finn disse, entredentes, cuspindo em Jesse e o deixando ali, naquele estado deplorável.

{...}

–Você vai voltar para a escola sim! – Mrs. Conrad intimava Rachel.

– Foi o que já disse para ela milhões de vezes, senhora.- Quinn comentou, exasperada.

– Era o que Finn mais queria. – completou Puck.

–Parem de me mandar de volta para a escola! Eu não vou! Nunca mais usufruirei de nada que venha de Finn! – Rachel esbravejou.

A diretora do Ray of Hope olhou cansada para o casal. Soubera do ocorrido na Inglaterra e fora ver Rachel na casa que Puck havia alugado para morar com Quinn. Eles se casaram assim que chegaram em Nova York, e agora, ela era Mrs. Puckerman.

–Rachel, minha querida. – Mrs. Conrad aproximou-se da garota. – Eu entendo a sua dor. Eu mesma já previa que tudo isso iria acontecer, porque eu a conheço. Mas, escute: ele já pagou tudo. Você precisa voltar lá. Precisa ter um diploma e ser alguém, e não importa se o Finn pensou em tudo isso antes, mas você vai pegar suas coisas e ter um diploma, para ser alguém na vida. Você pode nunca ser rica, pode ser órfã e quase não ter família, mas você nunca irá depender de alguém para nada, porque poderá sustentar-se.

Rachel chorava baixo e tremia, mas ouviu a tudo resignada, sem dizer nada. Mrs. Conrad tinha razão, ela nunca conseguiria subir na vida e proporcionar-se melhores condições e uma profissão se não voltasse à St.Sophie e terminasse seus estudos.

A mulher mais velha suspirou e abraçou-a, fazendo a garota arrebentar em um choro convulsivo:

– Vai ficar tudo bem, minha menina. – Mrs. Conrad disse, beijando o cabelo de Rachel.

Assim, apesar de todos os sentimentos embaralhados, da mágoa e de todas as lembranças que remetiam à escola, Rachel se arrumou e preparou suas coisas para voltar ao seu último ano na St. Sophie.

Nada na rotina da escola conseguiu empolgá-la, mas ela estudava com afinco renovado, como se quisesse provar para Finn que o investimento dele não fora em vão. Em todos os finais de semana ela conseguira autorização para passar na casa do primo e de Quinn, e às vezes, até Santana ia junto.

A barriga de Quinn crescia, mas ela permanecia muito ativa e animada. Puck e ela abriram uma mercearia no andar de baixo, e a moça loira descobrira que era uma ótima comerciante, e logo fez amizade com todos da vizinhança. Rachel estranhou o fato de eles terem capital suficiente para abrir um negócio, mas nada perguntou, porque tinha uma suspeita de onde o dinheiro viera.

A suspeita se transformou em confirmação quando Quinn lhe ligara muito contente ( do telefone emprestado de um senhor abastado e idoso das redondezas) dizendo que seu pai finalmente havia ido visitá-los e aceitado seu casamento com Puck, apesar de todo o escândalo, graças à intervenção de Finn.

Finn. Há meses eles não se falavam. Ela sentiu seu corpo tremer só ao ouvir o nome dele.

– Eu não vejo motivo para você ter tanta raiva assim do gesto dele. – Santana refletia. — Ele só queria seu bem! Que mal há nisso?

– Ele mentiu deslavadamente, Santana! – Rachel redarguia.

– Mas e daí?! Há mentiras que nós precisamos relevar, minha cara.

O nono mês de gravidez de Quinn finalmente chegara. Ela estava enorme, com os pés inchados, irritadiça, mas para Puck, ela continuava sendo a mulher mais bela do mundo. Era um sábado à tarde quando Quinn começou a sentir as primeiras contrações; Rachel ajudou a amiga e o primo em tudo, auxiliando a parteira, providenciando comida feita, atendendo na mercearia.

Quinn passou a noite e entrou a madrugada gemendo de dor, arfando, chorando e xingando. Puck saiu desesperado, impotente, mas voltou a tempo do nascimento de sua filha: domingo de manhã, ainda com as brumas cobrindo o sol, nascera Beth Puckerman, uma linda menina de quase três quilos e meio, loura e rosada, chorando a plenos pulmões.

A felicidade irradiava do casal. Puck beijava Quinn e a filha ao mesmo tempo, em lágrimas, enquanto Rachel os observava, emocionada, feliz por eles, mas sem saber se um dia viveria tal sentimento, pois o único homem que amara a tinha enganado e agora ela e ele não estavam mais juntos.

Graças ao fato de que precisava ficar para ajudar Quinn por mais alguns dias, Rachel conseguira licença para perder alguns dias de aula. E, foi em um dia em que ela estava fazendo uma sopa para a amiga que ela foi surpreendida por Finn, ali, na casa dos Puckerman.

–Vo... você? – ele fraquejou ao vê-la. – Pensei que estivesse na escola.

–Fiquei para ajudar Quinn, por enquanto. – ela respondeu com a voz tremida.

Após alguns instantes de silêncio, ele disse:

– Trouxe presentes para Beth. Ela será minha afilhada, sabia? – ele deu um sorriso singelo.

–Generoso como sempre.- Rachel comentou ao observar que ele trouxera pacotes e mais pacotes com brinquedos, bichinhos de pelúcia e roupinhas para a garotinha.

– Espero que isto não seja em tom irônico, Miss Berry.

Ela respirou fundo, desolada:

– Não, não foi. – ela disse, retirando o avental que usava para cozinhar e praticamente fugindo pela porta dos fundos.

Finn correu atrás dela; Rachel já escapulia por uma pequena rua, mas ele conseguiu alcançá-la.

–Você precisa parar de sair correndo e nós precisamos conversar. – ele a segurou energicamente pela cintura e ela o olhou de forma altiva e impetuosa:

– Ah, é? E por quê? – ela o desafiou, mas havia um perceptível frêmito em sua voz devido aquela proximidade do homem por quem ainda era perdidamente apaixonada.

– Porquê um grande amor não acaba assim.- Finn respondeu, enlaçando-a com paixão e lhe dando um beijo quente e ardoroso.

Notas finais
Reviews???