Fantasynn - O Estrangeiro

2 Capítulo 2 - A caminho de Ravena


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“Xiu xiu xiu!”, o barulho naquela manhã era conhecido, mas nem por isso deixou de ser irritante. Era como um despertador, embora fosse um pouco mais gordinho e verde.

–Você me acordou – dizia baixinho enquanto abria os olhos e via o pequeno shiu deitado ao seu lado com a barriga pra cima.

–Na verdade foi você quem acordou ele – respondia Ury sentado sobre a grama da margem do rio.

Já Henry se sentia confuso, tanto por não entender Ury como por não sonhar, mas algo mais o incomodava.

Uma asa fina estava prensada por baixo de sua cabeça mantendo seu despertador particular ligado e preso ali gritando desesperado para sair.

–Como essa inconha foi parar aqui?

–Não sei o que é “inconha”, mas a noite toda você não parou de rolar, mais parecia uma cobra sendo morta a pauladas que um humano dormindo. Deve ter sido aí – respondia Ury com um sorriso no rosto.

Henry com os olhos encolhidos.

–Vai amanhecer logo – respondia o elfo olhando pro horizonte sem nem mesmo piscar.

Henry ao arremessar o bicho, sorrindo como um demônio ao aprontar alguma arte.

Mas logo aquela expressão de felicidade se tornou uma expressão séria.

–Quem é você? — perguntou ele ao ver uma criança com os cabelos negros e encharcados sobre a água do rio, seu brilho era como o de uma lâmpada.

–Uma fada? — perguntava Ury ainda sentado, tranquilo até demais.

–Não seja rídiculo Ury, fadas não existem – respondia Henry querendo se livrar do bicho o mais rápido possível, mas o shiu com frio não queria ficar com ela porque morria de medo de água. E ainda que não entendesse quase nada do que se passava quase implorava com os olhos arregalados para Henry , que ria muito da situação do bicho.

–Mesmo?! Posso mesmo?!

–Claro – dizia o garoto rindo ainda mais do pobre shiu, que morria de medo de voltar pra água.

–Nossa. Eu vou cuidar dele muito bem, vou dar comida pra ele e fazer uma casa na beira do rio – foi naquele momento que o shiu voltou a se acalmar e até bateu as asinhas de felicidade.

“Bicho falso, só porque ouviu falar de comida” — pensava Henry muito feliz por se livrar do bicho, já Ury ria da situação, mas no fundo sentia uma certa pena de perder o companheiro chato de viagem que alegrava sua madrugada com suas atitudes idiotas

–Vou levar ele agora para a nova casinha dele – dizia a garota toda contente com o bicho nas mãos todo ensopado e pingando, mas feliz pensando na comida.

E logo ela desapareceu da vista dos dois e Ury deixou uma lágrima escorrer mas permaneceu com a cara séria. Já Henry que ria maleficamente, teve de ir do início do rio Zimu a Ravena consolando o garoto, até prometer a ele que lhe daria um outro bicho tão idiota quanto o último. Mas elfos são inteligentes e mesmo Ury que era só uma criança sabia que o garoto estava falando aquilo apenas pra consolá-lo. Então fez com que ele prometesse com uma estranha planta no dedo que lhe daria o tal bicho. A planta era uma Fid, uma planta que nasce perto da água desse mesmo rio com pétulas brancas, uma espécie de símbolo físico para lembrar da promessa.

–Ravena! Aquela é Ravena não é?

–É, deve ser! — respondia Ury com a mesma animação, sorrindo como nossa famosa traça na seda.