Revendo mais gente inconveniente

O trio Yorozuya se deteve diante de dois homens, um dos quais Naru abraçava.

– Por que será que não me surpreende ver vocês juntos pela primeira vez? – Gintoki murmurou. – Será porque eu pressentia que isso aconteceria?

– Quem sabe, não é, Gintoki...? – um dos homens respondeu. – Apesar de ser um idiota, você deduziu bem.

– Eu o conheço há bastante tempo para poder deduzir isso. Qualquer idiota é capaz de fazer algo do tipo quando se tem anos de convivência com certas pessoas. Você sabe disso tanto quanto eu, não é mesmo... Takasugi...? – o nome foi praticamente cuspido pelo ex-samurai.

Takasugi Shinsuke apenas sorriu diante do que seu ex-companheiro de guerra dissera. Como sempre, julgava Gintoki como apenas um ex-samurai patético que não entendia os seus verdadeiros objetivos revolucionários, assim como Katsura. Ambos não entendiam a sua mente revolucionária para acabar com os invasores Amanto que infestavam Edo e destruíam a sua cultura. E, para ele, Gintoki era um retrato vivo da destruição da cultura pelos alienígenas.

Eles e Sakamoto Tatsuma, em sua opinião, eram um trio de samurais idiotas. Idiotas demais pra entender suas idéias, e estúpidos demais por combatê-las. Por que não entendiam que a melhor forma de salvar as tradições era cortar o mal pela raiz e destruir toda Edo com todos os Amanto dentro?

Eram bonzinhos demais. Achavam que era possível a coexistência pacífica. Mas nunca houve isso. E nem haveria. Era bobagem e ingenuidade pensar nisso.

– Você é um tolo, Gintoki... Você, o Sakamoto e o Zura.

– Não é Zura, é Katsura. Não pense que vai conseguir levar adiante seu plano, Takasugi!

– E quem vai nos impedir? O “terrorista revolucionário” que é capaz de jogar seus ideais fora para se aliar aos cães do shogunato?

– Hoje é apenas uma “trégua”, Takasugi. – Katsura respondeu sem titubear. – Ao contrário de você, quero derrubar o shogunato, mas sem ferir mais ninguém. Nunca concordei com esse seu radicalismo!

– Pois em breve você irá concordar. Afinal, vejo que o Shinsengumi é incapaz de me desafiar.

– Não tô nem aí pro que vocês dizem! – Gintoki esbravejou. – Eu apenas quero que parem de me perseguir, ou a qualquer pessoa que conheço! Tô pouco me lixando pras picuinhas políticas de vocês!

– Bem que me disseram que você é realmente falastrão... – disse o outro homem.

– Ei, você é o irmão da Kagura, certo?

– Ora essa, quem eu vejo além desse falastrão... Kagura-chan...!

– Kamui... – Kagura disse sem emoção alguma.

Shinpachi estava com medo. Na verdade, estava com muito medo. Era o único “normal” ali em meio a “monstros”, e isso o assustava a ponto de não ter como esboçar reação alguma. Pressentia algum ataque e, por isso, segurava a espada firmemente, apesar das mãos trêmulas.

Porém, a um sinal de Takasugi, Kijima Matako, Takechi Henpeita e Kawakami Bansai deixaram de cercar o trio do Shinsengumi e se retiraram, junto com o líder do Kiheitai, o jovem Yato e Naru.

Gintoki e os demais apenas puderam observar o grupo se retirar, sem poderem reagir. Porém, o Yorozuya ouviu de Takasugi:

– Não pense que a sua sorte vai durar muito, Gintoki... Dizem que tudo o que é bom acaba durando pouco.

Assim, o grupo se foi por entre a penumbra da noite, pela deserta rua principal do Distrito Kabuki.

– Maldição...! – Hijikata murmurou. – Nosso tiro saiu pela culatra!

– Enquanto vocês ficam aí se lamentando feito um bando de “emos-chorões”, eu vou acabar logo com isso!

– Essa é a coisa mais estúpida que já ouvi de você, Yorozuya... E olha que você é o campeão em matéria de abrir a boca pra falar coisas estúpidas!

– Que culpa eu tenho de ser um samurai estúpido? – Gintoki ironizou e seguiu em frente.

Com ar determinado e ignorando a crítica do vice-comandante do Shinsengumi, o albino avançou rumo à penumbra que estava à frente. Iria acabar com aquela perseguição a ele de qualquer forma... Nem que fosse necessário fazê-lo sozinho... Somente ele e a espada de madeira.

Afinal, anos atrás era o temido Shiroyasha dos campos de batalha. Ainda não perdera suas habilidades daquela época, só tinha preguiça de usá-las. Melhor dizendo, não queria usá-las, pois preferia apenas o rótulo de “Yorozuya preguiçoso e encrenqueiro”.

Mas, desta vez, estava determinado a fazer um grande estrago no Kiheitai e no Harusame... Para poder continuar vivo e sossegado.

Só que, após avançar alguns metros, olhou para trás e percebeu que não iria sozinho atrás de Takasugi e companhia. Shinpachi e Kagura foram os primeiros a segui-lo. Em seguida, apareceram Katsura, Elizabeth e Tsukuyo. Por fim, Hijikata, Kondo e Okita também se juntaram ao grupo, para surpresa do Yorozuya.

– Ora, ora... – ele disse. – O que faz vocês do Shinsengumi quererem entrar no meio disso?

– Vamos dizer que estamos sentindo falta de alguma ação aqui. – Okita disse com seu típico sorriso sádico.

– Estamos atrás de uma assassina em série e não vamos abandonar as investigações. – Hijikata completou.

– Toushi está certo. – Kondo disse. – Eu, como comandante do Shinsengumi, não posso deixar que uma assassina em série continue à solta.

E acrescentou com voz quase inaudível:

– A Otae-chan vai me querer depois dessa...!

“Kondo-san, encare os fatos...”, Shinpachi pensou, ao ouvir o murmúrio do comandante do Shinsengumi. “Minha irmã nunca vai te querer...”

E assim, todos adentraram na escuridão de uma rua deserta.

Notas finais
Continua...