Encurralados

- Ah, mas que mulherzinha irritante! – Matako resmungava. – É “Shinsuke-sama” pra cá, “Shinsuke-sama” pra lá... Que saco!! E eu aqui parecendo cão de guarda...!

- Ciúmes, é? – Henpeita perguntou.

Matako apontou um dos revólveres pra cabeça do companheiro de Kiheitai:

- Repete isso que eu te meto a bala!

Evidentemente, o outro não se atreveu a repetir. Pelo contrário, ficou de boca fechada, pois prezava pela sua vida.

- Vocês não acham que podem chamar a atenção dos outros com esses gritos? – Bansai disse calmamente.

- Danem-se os outros! – a loira respondeu.

- Você sabe que não pode subestimar aquele bando... E nem mesmo o Shinsengumi. Eles são bem o tipo que costuma dar trabalho.

A jovem fez bico, mas sabia que ele tinha razão. Aquela gente costumava dar trabalho para eles. Principalmente os ex-companheiros de Takasugi.

*

- Yamazaki – Hijikata falava pelo rádio. – Você está por perto?

- Estou, sim, Vice-Comandante! E já descobri onde eles estão... E o que planejam contra o shogunato!

- E o que eles planejam?

- De alguma forma, eles conseguiram se infiltrar e colocar uma bomba-relógio no Shinsengumi!

- O quê...? – Hijikata estacou. – No... No Shinsengumi...?

- Sim, eu estou indo pra lá agora pra localizar a bomba e desarmar.

- Shinpachi, Kagura – Gintoki os chamou. – Procurem o velho lá, o Gengai! Ele é inventor e deve saber como desarmar uma bomba!

- Gin-san... – Shinpachi o questionou. – Você vai ficar bem?

- Não se preocupe, Shinpachi-kun. – Gintoki disse confiante. – Vou sair vivo dessa.

- Toushi – Kondo disse. – Vou com os garotos. Você e o Sougo dão apoio aqui.

- Kondo-san...? – Hijikata tentou questionar. – E o Shinsengumi?

- Toushi, eu sou o Comandante, e estou te dando uma ordem. E meu dever é proteger o Shinsengumi!

Hijikata não teve argumentos contra seu superior e falou pelo rádio:

- Yamazaki... Você ainda tá aí?

- Estou.

- Kondo-san e os companheiros do Yorozuya estão indo encontrar com você no Shinsengumi. Nós seguimos aqui para pegar a assassina.

- Entendido. Já estou indo ao quartel.

Yamazaki desligou e Hijikata guardou o rádio no casaco. Kondo, Shinpachi e Kagura tomaram o caminho inverso, rumo ao Shinsengumi.

- Elizabeth, vá também dar apoio. – Katsura disse. – A gente se vira aqui.

Com uma placa, Elizabeth disse: “Entendido!” e assim o grupo se dividiu.

*

Yamazaki alcançou a viatura que deixara a alguns metros de onde estava espionando o local onde Takasugi e seu bando estavam. Após passar as coordenadas para Hijikata e Okita, já dentro do carro, deu a ignição e acelerou, seguindo rumo ao QG do Shinsengumi. Não tinha muito tempo a perder.

Passou em frente à oficina do inventor Gengai, onde encontrou Shinpachi, Kagura, Kondo e Elizabeth. Em seguida, ao chegarem ao QG, Yamazaki reuniu todos os presentes.

- Atenção, Shinsengumi! – Kondo impôs sua voz. – Estou aqui para avisar de que há aqui uma bomba-relógio. Peço para que evacuem a área com calma e ordem, ficando apenas o esquadrão antibombas!

Houve reação imediata. Todos os integrantes do Shinsengumi se debandaram, amontoando-se em todas as saídas existentes do QG e deixando-o completamente vazio. E, pra piorar, até mesmo o mencionado “esquadrão antibombas” havia vazado. Praticamente todos, à exceção de Yamazaki, haviam abandonado seu Comandante.

- Er... Gorila-san... – Kagura disse. – Olhe pelo lado bom, pelo menos se a bomba explodir ninguém vai se ferir.

- NÃO DIGA ASNEIRAS, KAGURA!! – Shinpachi berrou. – SE ESSA BOMBA EXPLODIR, NÓS É QUE VAMOS PELOS ARES TAMBÉM!

“Muita calma nessa hora!”, Elizabeth disse por uma placa. E finalizou com outra: “Precisamos botar a cabeça no lugar e achar a tal bomba pra desarmar.”

- É, eu concordo. – Yamazaki disse. – Vamos procurar essa bomba logo, antes que a gente vá pelos ares!

*

- Tem certeza de que é por aqui? – Gintoki perguntou.

- Tenho. Yamazaki me passou essa localização. – Hijikata disse.

Gintoki, Hijikata, Katsura, Okita e Tsukuyo prosseguiram na caminhada cautelosa que faziam à procura do esconderijo de Takasugi. E não foi preciso seguir à risca as coordenadas dadas por Yamazaki. Bastou ouvir apenas os gritos que Kijima Matako dera ao conversar com Takechi Henpeita, ao ameaçar baleá-lo.

- Garota escandalosa essa, hein...? – Tsukuyo comentou. – Depois esse tipo de gente não sabe por que acabam os descobrindo...

O grupo se embrenhou em algumas moitas próximas à residência que servia de esconderijo. O quinteto se amontoou assim que ouviram uma movimentação. E como estavam apertados em um único arbusto, Katsura, que estava quase para fora, pisou em um galho seco, gerando um barulho que chamou a atenção de um dos “sentinelas” do lugar.

- Maravilha, Zura... – Gintoki resmungou. – Você entregou a nossa posição!

- Não é Zura, é Katsura. Eu nem vi o galho! Tava atrás de mim!

O “sentinela”, chamando mais dois reforços, aproximou-se da moita. Mas não chegaram a descobrir o que estava por trás, pois suas testas foram atingidas por uma kunai cada uma.

- Pronto. – Tsukuyo disse. – Se for pra gente se infiltrar lá, já podemos fazer isso sem maiores inconvenientes.

- Cada pessoa estranha que você conhece, hein, Yorozuya...? – Hijikata murmurou.

O Vice-Comandante tomou a frente, andando de fininho pra entrar no local sem ninguém perceber. O grupo começou a andar em fila, mas Gintoki tropeçou em uma pedra, derrubando Hijikata junto.

- SEU IMBECIL!! POR QUE NÃO PRESTA ATENÇÃO POR ONDE ANDA?? – berrou com uma veia estufando em seu rosto.

Gintoki agarrou Hijikata pela gola e respondeu também aos berros:

- EU TENHO CULPA DE QUE TENHA UMA PEDRA BEM NO MEU CAMINHO? E PRECISAVA FAZER TANTO ESCÂNDALO POR UMA QUEDA??

- QUEM TÁ FAZENDO ESCÂNDALO AQUI É VOCÊ, ESTÚPIDO!!

- QUEM COMEÇOU A BERRAR FOI VOCÊ, MAYORA IDIOTA!!

A discussão dos dois foi interrompida pelo som de espadas sendo desembainhadas. Até pensaram que seriam Okita e Katsura fazendo isso, mas se enganaram. O quinteto estava acuado, com vários inimigos ao seu redor. E todos eles estavam com as katanas em punho, apontando para o grupo.

- Sougo, seu incompetente! – Hijikata esbravejou. – Por que não avisou que estávamos encurralados?

- E perder o Chefe Yorozuya te enchendo de porrada?

- Lembre-me de te matar caso saiamos vivos dessa! Vou te matar e depois matar essa aberração do açúcar!

- Eu poderia acabar com essa discussão agora, mas precisamos sair daqui. – Tsukuyo disse, já com algumas kunais nas mãos.

- Já que não temos o “elemento-surpresa”, vamos assim mesmo! – Katsura concluiu.

Os homens do grupo sacaram suas espadas e se posicionaram. Era o momento de se lançarem a um ataque suicida contra dezenas de adversários.

Era hora de arriscar tudo e correr contra o tempo.

Notas finais
Continua...
P.S.: Mereço reviews?