Fantasias Perigosas
9 Eles estavam certos
Notas iniciais
Não me olhem com essas caras ai! Eu sei q demorei eras. Mas eu já disse pra Hana e repito aqui agora: não termino Janeiro sem ter essa fic finalizada e PONTO.
Bom, eu gostaria de dizer que o cap é grande para compensar a espera, mas é mentira. O cap é pequeno, mas necessário...Espero q gostem!
Lá fora a noite já caíra quando ele acordou. Respirou fundo antes de abrir os olhos e se deu conta de que estava sozinho. Teria sonhado?
Analisou o cômodo e percebeu que estava realmente no quarto de Ikki. Sentou-se rapidamente e encarou o guarda-roupa...Vazio. Caminhou até o próprio quarto, procurou uma cueca e uma bermuda e as vestiu. Pegou um suco da geladeira e sentou-se sozinho na mesa da cozinha pensativo.
Quantas vezes havia tomado café da manhã, almoçado e jantado naquela mesa com Ikki? E com Hyoga? Como ele havia chegado naquela situação bizarra nem ele sabia. A ausência doía demais, corroía seu peito, e nem as lágrimas lhe confortavam mais. Aqueles dias foram loucos, insanos e psicologicamente exaustivos. Ele não queria pensar que também havia sido fisicamente exaustivo ou começaria a lembrar com detalhes do que havia feito com os dois.
Suspirou ainda sem beber nenhum gole do suco à sua frente. Girava o copo nas mãos, com seu olhar fixo no líquido laranja. Sentia um nó na garganta, mas estava tão confuso com toda a situação em que se encontrava que não sabia se queria ou deveria chorar. Suas lágrimas não os trariam de volta. Seus gritos de desespero não fariam o tempo voltar novamente. Estava tudo acabado.
Incrível como há algumas semanas tudo estava muito bem. Ele tinha um namorado maravilhoso e atencioso que ele amava. Um irmão que sempre esteve presente, que era cuidadoso, protetor, e tudo era simples – tirando as caras feias e alfinetadas. Agora ele estava sentado em uma mesa vazia e em um apartamento vazio. Seu namorado já não queria olhar na sua cara e o irmão provavelmente demoraria meses para voltar. Se voltasse.
Pegou o copo e se dirigiu à sala devagar. Passando pela estante pegou seu celular e sentou-se na poltrona cinza no canto direito do cômodo. Olhou o visor do aparelho por um segundo antes de desbloqueá-lo e digitar o número de Hyoga.
Devia explicações. O loiro não merecia toda essa situação, e não o tinha ouvido. Ele entendia perfeitamente o motivo de sua revolta quando, naquele dia, o russo descobriu o que ele e Ikki haviam feito. Quer dizer, ele não havia conseguido contar exatamente o que ele e o irmão haviam feito, pois Hyoga estava zangado demais para deixa-lo dizer qualquer coisa. Isso não significava que Shun poderia simplesmente deixa-lo pensar o que quisesse. Não havia conseguido falar com o loiro desde então. Achava que Hyoga precisava de um tempo para se acalmar, mas conforme os dias foram passando, Shun se sentia mais envergonhado por não tê-lo procurado, e principalmente por não ter parado sua curiosidade sobre o que Ikki queria naquela noite.
Ele amava Hyoga, é claro que amava! A cada segundo sentia mais falta dele e se viu um idiota por querer que ele simplesmente entendesse e o perdoasse, ainda que fosse o que ele mais desejava no momento: ser perdoado. Mesmo que ligasse para Hyoga, o que diria? Que Ikki foi embora e agora eles poderiam se acertar? Hyoga não era uma espécie de estepe, um apoio nos momentos em que se sentia solitário. Ele era seu namorado. Ia ficar parecendo que se o irmão voltasse tudo aquilo se repetiria, e o pior de tudo, é que ele gostaria que tudo aquilo acontecesse novamente. Tirando o fato da ideia ser absurda e da dor de cabeça causada pela situação, ele sabia que não conseguiria dizer não se o irmão o quisesse em sua cama novamente.
“Ótimo caráter o seu, Shun. O que você se tornou? Ninfomaníaco?” se repreendeu em pensamento jogando o celular no sofá tomando um gole do suco que se encontrava em sua outra mão. O que ele faria afinal? Era clichê, mas ele não conseguia simplesmente se decidir entre os dois. Ele os queria ... E por querer a ambos, ficou sem nenhum.
Ele amava os dois. Claro que sentia falta deles, mas o que ele poderia fazer? Eles estavam certos em se afastar, afinal aquela situação não era normal e nem poderia ter acontecido.
Terminou o suco e colocou o copo na mesa de centro. Jogou os pés para cima do apoio da poltrona e ficou olhando para o teto por alguns minutos, passando os olhos pelas fotos espalhadas pela estante, na qual se dividia entre Ikki e Hyoga na maioria delas e se deixou ficar ali, se martirizando por tudo sem nunca chegar a uma conclusão.
Levantou-se deprimido e caminhou até o banheiro. Tomou um banho quente e demorado, chorando em silêncio, e colocou o pijama em seguida. Não conseguiu comer mais nada. Decidiu que aquela noite dormiria na cama do irmão, deixando seu cheiro substituir sua presença que tanto lhe fazia falta.
Precisava fazer algo, mas repetiu mentalmente, como um mantra, que deveria deixar que o destino cuidasse de seu futuro. Mas será que esperar é uma decisão sábia? Não deveria ele voltar atrás e pedir perdão? O tempo corre, afinal, a vida é tão curta que não sabemos em que outras oportunidades teremos nova chance.
Mas ele já havia feito o que poderia fazer. Não havia expulsado seu namorado de casa, muito menos havia lhe dito palavras duras. Ele precisava do tempo que fosse necessário. Já seu irmão, sempre sumira, mas nunca deixara de estar presente nos momentos mais difíceis. De que adiantava ficar pensando e repensando em tudo? Não se arrependeu de nenhuma atitude tomada até ali, apenas de ter magoado aqueles que mais amava. Agora, só lhe restava esperar o quanto fosse preciso. Pelo quê, ele não sabia.
- Deixa rolar... Se é meu, vai voltar...
E com o travesseiro molhado de lágrimas, adormeceu lentamente.
Notas finais
Obrigada por acompanhar!
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