Notas iniciais
Boa noite. Vamos conhecer Leo? Garoto problema!!!

Leonel

Não consigo levantar da cama. Tudo que tem em mim dói. Meus olhos não abrem e uma náusea me domina antes mesmo de me mexer. O som das batidas na porta parecem prestes a estourar meus tímpanos. A voz dela soa estridente.

─Abre essa maldita porta, Leonel, eu não aguento mais. – Nem eu. Também não suporto mais. Só quero que ela pare de bater, só quero que me esqueça aqui como eu sei que ela quer fazer. – Leonel, eu devia chamar a policia para arrombar essa maldita porta!

Devia, seria um bom jeito de terminar com isso. Uma volta pelo quarto e eu acabaria na cadeira pelos próximos anos. Os dois estariam livres. Ela estaria livre. Ele já deu no pé tem um tempo. Arrumou uma garota jovem e bonito e foi embora.

Carola, loira, olhos azuis, vinte e cinco anos. Eu bem me lembro da última vez que o vi. Ele parecia um tolo, babando cada movimento dela. Cheio de sorrisos. A idiota nem deve saber soletrar o próprio nome.

─Leonel, eu vou ligar para ele. Ouviu? – Se pudesse mover qualquer parte minha, eu riria. Ela vai ligar para ele, como se ele se importasse, como se não fosse a melhor desculpa que ela tem para continuar suas brigas via satélite.

Catarina Bianchi não se conforma que o casamento acabou, não aceita que foi trocada por uma mais jovem. Que ele não está mais sob seu controle.

Nem consigo condena-lo realmente. Quem suporta tanta pressão? Tudo do jeito dela, tudo sob seu domínio. A casa, a família, a profissão dele, a minha, com quem falamos, onde vamos, tudo, tudo na droga da nossa vida sob seu absoluto controle.

Me forço a sair da cama, nem sei se sou eu, talvez eu seja agora como um desses mortos vivos das séries de televisão. Me arrasto até o banheiro, a mente está confusa, a visão embaralhada.

Não consigo me lembrar que dia é hoje ou como cheguei em minha cama. A água gelada no rosto é como um choque bom. Me trás um pouco de volta a realidade. Me enfio no chuveiro, deixo a água cair uns minutos.

Tinha jurado que era a última vez, que era só para não mergulhar nessa angustia toda. Que eu compraria e voltaria para casa e nem me lembro direito quando foi isso. Ontem? Dois dias? Três?

Visto jeans, tênis. Eu tinha um bom par de tênis novo, mas troquei... imbecil. Eu troquei um par de tênis por um pouco de esquecimento. Por umas horas de paz.

A camiseta está amaçada. Passo a mão pelos cabelos úmidos. Encaro o espelho. “Você parece um garotinho” “Não acredito que tem vinte e um anos, parece quinze” “Leonel vai comprar, ele tem carinha de menino de família. Ninguém desconfia” não era melhor quando eu tinha quinze. Não era droga nenhuma melhor e nunca vai ser.

A chave não está na porta, ando pelo quarto. Por que diabos eu tranquei isso e onde enfiei a merda da chave?

Esbarro numa velha garrafa de vinho De Martino. Vó Amália mandou para meu pai tem três anos. Ficou guardada até eu precisar desesperadamente de qualquer coisa que me fizesse sentir vivo e roubei, melhor vinho que já tomei na vida. Não que entenda disso. Nunca vou entender disso, nem paladar devo ter mais.

─Para de pensar, Leonel, para. – Odeio quando essa maldita voz crítica me toma a consciência e eu só quero parar de ouvir. – Achei! – A chave está em baixo dos fios da caixa de som do computador. Hoje são só as caixas de som. Não tem mais computador. Destranco a porta e deixo o quarto.

Uma lufada de ar limpo me invade as narinas numa refrescante sensação. Ar puro, sinto falta de ar e luz. Passo pelo corredor elegante e bem decorado e começo a descer as escadas.

─Andrea, ele é seu filho! – Escuto minha mãe dizer e me sento nos degraus, quero ouvir mais uma conversa deles. O empurra, empurra de quem vai ficar com Leonel. – Está aí em Paris. Com sua jovem esposa e eu aqui. Com ele.

Ela sempre o acusa e ele sempre a culpa, deve estar nesse instante dizendo que foi ela que acabou com o casamento. Sendo tão possessiva e controladora.

─Com a pensão que me dá? Não consigo pagar uma clínica com o que recebo. Sabe disso. – Como poderia ser o bastante? Essa casa gigante e cara para duas pessoas, os pratos refinados de todas as refeições, chá beneficentes com convites caros que ela não deixa de frequentar e as amigas do salão de beleza. – Eu sei que ele tem vinte um anos.

E já devia ter me mandado daqui. Só não sei onde ir, como ir. Minha cabeça lateja. Preciso dar um jeito nisso. Sair dessa e cuidar de mim.

─Largou a faculdade, faltava um semestre. Como vai arranjar emprego? – Quem vai dar emprego para um restaurador de obras de arte que não tem mais firmeza na mão e vive fora de si? – Mandaram ele embora. Foi trabalhar drogado, bêbado, eu não sei. Demitiram tem dois meses e desde então tudo degringolou.

Foi antes mãe. Foi quando eu nasci. Encosto a cabeça nos joelhos. Posso ficar sem tudo isso, posso ir embora e não fazer mais nenhuma tolice. Posso conseguir. Só preciso ter foco.

─Quer que ele trabalhe de que afinal? Não me venha com essa de começar de baixo. Decidimos viver em Florença por que você concordava comigo que na empresa De Martino começaria de baixo. Conseguiu uma boa vaga aqui. – Ela acha isso tudo tão importante. O que vão dizer. É tão hipócrita. Melhor seria dizerem que trabalho de modo descente, mas o que dizem é que sou um viciado. É isso que as amigas dizem pelas suas costas, mas ela gosta disso, de dizer que tem um filho rebelde.

Não sei onde essa conversa deles vai terminar, só sei que não vai terminar bem e me coloco de pé.

─Você está em Paris, com a vida tranquila. Minha irmã me convidou para ir com ela a Nova York, ela conseguiu um papel na Broadway, eu podia ficar vivendo dois meses lá com ela. Ajudando. Como posso ir? Quando voltar não vai ter restado nada.

Dói ouvir, ainda que seja possivelmente verdade. Desço mais alguns degraus, no fim é só sobre como se livrar de mim e não como me ajudar.

─Amália? Acha... acha que sua mãe ficaria com ele lá? – Minha avó. Tem tempo que não nos vemos. Passei a infância implorando para visita-la. Quando ela vinha, nem podia ficar aqui, ficava num hotel e vinha me ver umas horas no domingo, agora querem me atirar em seus braços, se livrar de mim do jeito mais sórdido, jogando a responsabilidade para ela. – Levar ele? Eu? Sabe que não nos entendemos.

─Eu vou. – Ela para de falar. Me encara um momento. – Se ela quiser me receber, eu vou. – Digo a ela.

─Leonel está dizendo que vai. – Ela fica ouvindo enquanto ele fala, mas os olhos estão sobre mim. – Eu compro a passagem, coloco ele no ônibus. Me envia o dinheiro. Amanhã? Espero sua resposta amanhã então. Andrea, você precisa resolver isso. Entendeu? Ou recebe ele aí, eu preciso desse tempo. Preciso fazer essa viagem.

─Já disse que vou, se ela não quiser me receber eu me viro, deixo a sua casa, você tranca e vai para onde quiser. – Sei que no fundo ela tem razão, mas eu me sinto agredido e só quero mesmo devolver na mesma moeda.

─Entendi Andrea. Amanhã mesmo. Ele está aqui me dizendo que vai. Não, eu compro a passagem. Ele vai fazer outra coisa com o dinheiro. Quer falar com ele? Perguntar onde foi parar o computador, as roupas boas que ele tinha, os tênis, o dinheiro da rescisão contratual, o aparelho celular? – Ela fica enumerando tudo enquanto me encara e apesar de ser verdade eu só quero esquecer.

─Eu não sei o que ganha me humilhando assim, mas vou estar pronto. Não tem muito para levar não é mesmo? – Volto para o quarto.

Bato a porta e me sento na cama. Uma raiva me toma. Chuto coisas espalhadas pelo chão, depois me deito encarando o teto.

Ficar um tempo isolado. Eu consigo, eu posso conseguir. Não preciso de nada disso. Minha avó sempre foi bem carinhosa, ela vai dizer sim, eu fico por lá, saio desse lugar, de perto dessas pessoas e quando voltar, se voltar, vai ser diferente.

Dois meses longe de tudo isso. Lá não tem esse tipo de coisa. É meio de lugar nenhum é o que minha mãe diz. Não deve ter nenhum bar, nenhum lugar onde posso conseguir nada que me acalme. Eu vou ficar preso lá. Se bater o desespero eu vou estar lá e não vou ter como conseguir o que eu quero.

Meu corpo formiga com a ideia. Mordo o lábio, meu nariz coça, arde e esfrego. Eu posso ficar sem. Me sento, olho em torno, nada, não sobrou nada. Eu podia levar alguma coisa, só guardar, para o caso de uma crise, só por isso. Não pretendo usar nada, só quero me resguardar.

Ando pelo quarto, abro gavetas, portas, o anjo de bronze, presente da minha avó no meu primeiro dia de aula na faculdade, não... ele é lindo, delicado, vale muito dinheiro, mas... devolvo na gaveta. O anjo de bronze não.

Fico imaginando as terras, tentando me lembrar como era e só lembro da construção de pedra, da pequena capela. Foi ali, naquela capela, entre aquelas imagens cheias de beleza que eu decidi que seria qualquer coisa que trabalhasse com isso.

Quando cresci escolhi restauração. A faculdade de conservação e restauro foi minha escolha, faltava seis meses, mas eu tinha ido longe demais com minha vida para continuar. Eu nem conseguia sair da cama para assistir as aulas.

Era o único lugar que eu gostava de estar e mesmo assim eu não conseguia ir. Sei como é a sensação de precisar daquilo e não ter. Da agonia. Do ódio. Olho para a gaveta. Era uma estrada sem fim para chegar lá. Não tinha nada em torno, tudo parecia tão gigantesco e distante. Videiras a se perder de vista. Eu não vou conseguir nada se estiver lá.

Volto até a gaveta, pego o anjo e coloco no bolso. É uma emergência. É apenas para me garantir, não vou usar, vai ficar no fundo da mochila.

Bato a porta e ainda escuto ela gritar meu nome. Que se dane. Nova York a espera. Atravesso a rua, pelo a primeira alameda arboriza, depois viro a esquina, entro no ônibus e salto meia hora depois. É engraçado assistir a paisagem ir mudando das casas luxuosas para um conjunto habitacional simples que recebe os trabalhadores da indústria.

Caminho apressado em direção a casa de Pirlo. Ele vai conseguir vender. Conhece quem conhece, é assim que funcionam as coisas por aqui. Ele me encara confuso.

─Já de volta? – Diz abrindo passagem. – Saiu daqui ontem de madrugada.

Tiro o objeto do bolso e estendo a ele. O anjo de dez centímetros brilha em sua mão.

─Vou ficar um tempo fora. Quero me garantir. Consegue alguma coisa com isso? Meio a meio.

─Isso vale alguma coisa? Você é o artista.

─Uma boa grana. É bronze.

─Roubou isso?

─Sabe que não faço isso. Nunca fiz. Nunca peguei nada que não fosse meu. Nem mesmo dentro da minha casa.

─Calma. Só perguntei. Tenho uma boa quantia aqui. Confio em você. Deixa isso comigo e leva o que precisa. Vai para onde, está encrencado?

─Casa da minha avó.

─No tal vinhedo? Naquela mansão? – Os olhos dele cintilam. – Sabe que podemos tirar o pé da miséria? Vai estar lá e tenho certeza que deve ter coisa de muito valor. Joias? Ricos adoram joias.

─Apenas pare! – Digo me colocando de pé. – Não. Ouviu, não.

─Se mudar de ideia...

─Não vou mudar de ideia.

─Quanto tempo?

─Me dá o produto e fica com o anjo. – Não sou isso, ao menos ainda não sou e posso sair disso, é só uma garantia. Evitar a dor, os tremores e paranoias, pelo menos nos primeiros dias. Só isso. Vou ser inteligente.

─Aqui. – Ele me entrega um pequeno pacote.

─Só isso? Esse anjo vai te render uma boa grana.

─Pegar ou largar. – Ele não deixa margem para discussão. Olho o pacote e depois o anjo. Sinto a angustia me tomar. Eu acho que posso conseguir. Eu vou conseguir. Enfio o pacote na cintura. Ele sorri vitorioso.

─Vou indo.

─Tenho um pouco aqui. Quer? Do mesmo pó que está levando.

Perlo me olha rindo. Assiste minha luta interna. Eu sei dizer não. Eu consigo. Comecei com isso num momento de desespero e posso sair sozinho. Posso dizer não a hora que eu quiser.

─Eu passo. – Apresso meu passo para a porta e saio antes que ele diga qualquer coisa. Desço as escadas apressado. Caminho pelas ruas fingindo despreocupação. Uma ronda policial passa por mim. Movo a cabeça em cumprimento ao policial. Eu sou o garoto com cara de bom menino. Eu sou o que anda com a droga para não chamar atenção. Eu sou o grande idiota.

Quando chego em casa minha mãe está com Marco. Seu namorado novo, ela não teve sorte como papai. Seus romances não duram muito. Os dois tomam uísque.

─Onde estava? – Ela grita assim que entro. – Se drogando?

─Sério? Com esse copo na mão?

─Um drink civilizado!

─Para o inferno. – Caminho para o quarto, bato a porta que volta impedida de fechar por sua mão. Ela pega a chave presa a porta.

─Não vai se trancar. Tudo está arranjado. Vai amanhã cedo. Antes do próximo anoitecer vai estar com sua avó.

─Ótimo!

─Ótimo! – Ela grita de volta. – Arrume tudo. Uma mala. Fica dois meses.

Eu não respondo. Espero que me de as costas. Encosto a porta. Tico o pacote da cintura. Só um pouco. Só para suportar essa noite.

Enfio tudo no fundo da mala. Jogo minhas roupas por cima e dois livros do curso de arte. Tolice pensar que posso reorganizar minha vida.

─Não é tolice, não é!

Não durmo. Fico andando pelo quarto. Tomo banho, me troco, tento ir a sala, mas o casal está lá entre beijos e volto para o quarto. A madrugada chega com o bater da porta do carro. O motor ligando e o namorado partindo. Eu me sento na sala. Não tenho fome. Nunca tenho fome.

Olho o uísque. Uma dose bem que ajudaria. Começo a ficar com a cabeça boa e não gosto disso.

Minha avó Amália me espera e ela não precisa ter logo de cara uma apresentação de como eu sou.

Escuto o chuveiro, depois barulho na cozinha.

─Café Leonel.

─Não. – Escuto seus passos no corredor.

─Não vai levar dinheiro, come agora ou só na casa da sua avó.

─Minha avó. É engraçado, se lembra que sempre se referia a ela como Amália?

─Eu não tenho vergonha de querer mais para minha família. Tinha outros planos para o seu futuro, ficar enfiado no meio do nada, sem nada além do trabalho no vinhedo como futuro não era o que tinha em mente, nem para você e nem para o seu pai. Andrea me ouviu e está bem. É um dos diretores de uma multinacional, com chances de ser o presidente em uns anos.

─De que adiantou? Onde ele está agora?

─Se não vai comer vamos embora.

Eu fico de pé com a mochila. Seguimos em silencio até a rodoviária, ela anota todos os passos até a cidade onde um carro vai me pegar no fim da tarde. Deixa o telefone da mansão onde minha avó mora.

─Eu não queria que fosse assim. – Ela diz na frente do ônibus. Olho minha mãe, nem eu queria. Devo ser como eles. Sem capacidade de ser feliz. Incapaz de viver sem mergulhar em problemas. – Tomara que isso te ajude. Se precisar de qualquer coisa liga para o seu pai. – Até sorrio. Liga para ele, não para mim. Vou estar em Nova York tentando fingir que você não existe.

─Não vou precisar de nada. – Ela me abraça. Não levamos muito jeito para isso. Mesmo assim eu tento.

─Te criei como um príncipe. – Ela diz antes de me dar as costas e talvez tenha mesmo feito isso e eu é que estraguei tudo. Me metendo em todo tipo de confusão.

Me sento no último banco. A viagem é feita entre o meu desejo de abrir a mochila e fazer o tempo sumir e a vontade de estar em boa condição para ver minha avó.

O ônibus para uma vez, fico no lugar. Angustiado, mas determinado. Depois é só mais uma hora e salto na entrada de San Gimignano. A arquitetura, as ruas onde carros não podem passar, tudo é de uma beleza sem fim.

─Leonel? – Me volto e um cara está me olhando diante de uma caminhonete preta.

─Sim.

─Fabrizio. – Ele me estende a mão. – Estava a sua espera. É o neto da Amália?

─Sou.

─Vamos. Ela está ansiosa. – Ele indica o carro e me sento ao seu lado com a mochila na mão. – Amália não fala de outra coisa desde ontem. – Ele sorri. – Está limpando e limpando seu quarto. Carreguei móveis de um lado para outro a tarde toda.

─Ela é mesmo... especial.

O cara parece gostar dela. Ficou carregando coisas para ela. Tem esse carrão, deve ter um cargo importante.

─Muito. Ajudou minha mãe a me criar. Não foi fácil, somos muitos na Vila. Eramos terríveis na infância.

─Estive lá uma vez.

─Ela conta isso toda hora.

Não tenho vontade de conversar e fico olhando a paisagem verde ganhar espaço e crescer pelas colinas além da cidade. É noite quando o carro estaciona em frente a uma ruela de casa iguais.

Minha avó está na porta de uma delas. Os olhos cheios de lágrimas. Um sorriso no rosto.

─Que linda. Vai lá. Nos vemos por ai. – Ele diz e salto do carro. Fecho a porta e o carro arranca em direção a mansão talvez. Vó Amalia caminha para mim. Me abraça apertado. Beijo seu rosto.

─Meu menino. Esperei tanto por esse dia. Vem conhecer a casa. – Ela me puxa para dentro. É uma casa simples, uma sala pequena, cozinha, um banheiro e dois quartos pequenos. – Vai ficar no quarto que foi do seu pai. Ajeitei tudo. Os meninos me ajudaram. São uns amores. Quem sabe faz amizade. Está tudo novinho. Outro dia Gabriela veio tomar um café, viu as paredes descascadas e ficou muito brava, no outro dia estavam pintando e reformando. Olha o quarto. – Ela abre a porta. Uma cama, escrivaninha e um guarda-roupa duas portas. – O que acha?

─Para mim está bom.

─Com fome? Sono? Cansado?

─Eu só...

─Tem toalhas limpas. Tome um banho, vou aquecer o jantar. – Ela me beija o rosto e depois me deixa. Fecha a porta ao sair e olho em torno. Vou até a janela. Deixo a mochila sobre a cama. É noite e não tem nada além da escuridão. Um céu estrelado e silencio. O mesmo silencio que sinto dentro de mim. Um silencio que grita.

Notas finais
Beijosssssssssssssssssssssssssssssss