Notas iniciais
Boa noite!! Cedo!! Feriado!!!

Bella

Boçal não dorme. Essa é a mais pura verdade. Não faz diferença em qual quarto ele vai ficar, por que ele simplesmente não dorme, ele rói coisas. Todas as coisas, de todo os tamanhos e formatos.

Pela manhã, quando nos sentamos para o café, meu pai e minha mãe trocam descarados sorrisos de deboche, não se importam com as nossas caras de sono. Eu, Vincenzo e Pietro nos olhamos. Boçal deitado ao pé da mesa. Resplandecente em sua tarefa de devorar os sapatos de Vincenzo.

─Vamos dar um viva a minha irmã que trouxe um roedor para casa? – Vincenzo resmunga e ganha uma careta. – Como pode ver, Bella, isso não é um cachorro. Isso é um rato gigante.

─Isso é um irmão parâmetro que não vou convidar para ir ao shopping.

─Ele se acostuma. Cadê a Beatrice? – Mamãe pergunta. – Ela é boa com bichos.

Minha prima tem mesmo jeito e amor pelos animais. Tem uma gata branca que parece de pelúcia. A coisa mais resplandecente que existe. Morgana é muito educada. Se ela pode educar uma gata e os pôneis, eu acho que pode resolver as coisas com o Boçal.

─Ela não sabe que temos um cachorro ou já estaria aqui. – Vincenzo comenta virando o copo de leite com achocolatado.

─Fabrizio me contou agora! – Beatrice entra. Ela é mesmo linda. Parece tia Valentina, mas todos dizem que vai ficar mais alta. – Que lindo! – Ela ignora tudo e todos. Animais a fascinam e lá está ela sentada no chão aos beijos com boçal.

─Pai, quem leva a gente para o colégio? – Pietro pergunta. Isso é sempre tarefa do Fabrizio. Ele vai cedo para o escritório e leva todos os meninos.

─Fabrizio não vai agora. Está ajudando a Amália. – Mamãe conta sentando no colo do meu pai e envolvendo seu pescoço. – Tem que ser você, Tigrão.

─Eu levo e fico no escritório. Fabrizio vai levar o dia todo fazendo o que ela pediu e depois vai buscar o neto. – Olho para eles.

─Neto da Amália?

─Sim. Ele está enfrentando uns problemas, vem ficar uns dias aqui com ela.

─O que tem a minha idade?

─Sabe que é o único neto dela. – Pietro avisa ficando de pé e pegando a mochila.

─Só quis confirmar. – Vincenzo se ergue também.

─Vamos papai. Vou me atrasar para dormir na aula. – Meu pai sorri. Beija minha mãe e fica de pé. Dá uma saudade dos tempos do colégio. Eu, Fabrizio e Luigi indo juntos. Depois eu e Luigi e por fim, também fui para faculdade.

Época de muita saudade. Passava a semana na casa do tio Enzo e vinha nos fins de semana. Na verdade, eu ia e vinha muito mais do que ficava lá. Toda semana dava jeito de vir dormir em casa pelo menos dois dias. Papai mandava o helicóptero e eu corria dormir na minha cama e partir cedo de volta no helicóptero. Deve ter custado uma pequena fortuna, mas essa é minha terra e sinto falta do cheiro e de todo o resto.

─Vou correr o vinhedo. – Aviso a todos. Amo quando papai pode fazer isso comigo. Só nós dois caminhando lado a lado como no tempo que ele me ensinava tudo sobre a terra e as videiras.

Quando cheguei a faculdade as coisas não foram muito fáceis, eu já tinha recebido um prêmio pelo vinho Vincenzo. O curso era mais uma formalidade. Recebia alguns olhares invejosos, outros se aproximavam de mim em busca de vantagens e mesmo os professores era de algum modo diferentes no modo de me tratar.

Mesmo assim, reuni meia dúzia de bons amigos, nos divertimos muito e tive sempre Fabrizio por perto. Protetor e bom comigo. Nos formamos no mesmo ano, por que o curso dele foi mais longo que o meu. Tem um ano que estamos aqui. Trabalhando onde sempre sonhamos em estar.

Ninguém mais é tão apaixonado pela vila do que nós dois. Não acho que qualquer outro primo vá se interessar tanto. Talvez Pietro. Ele gosta da terra, de plantar, de colher uvas, o vinho não chama sua atenção, mas o plantio sim.

Depois de correr os vinhedos vou encontrar tio Conan e começamos nosso trabalho. Nunca vi enólogo mais folgado. Ele me manda fazer tudo que não gosta de fazer. Fabrizio reclama do mesmo com meu pai, os dois parece que combinaram.

No fim da tarde deixamos o galpão, meu tio vai para sua casa e o acompanho para buscar o Boçal. Beatrice está na sala com ele e a gata Morgana, ela é mesmo um luxo de gata.

─Bella, ele é tão inteligente. – Beatrice sorri. Me sento com ela e o cachorro pula em meu colo. Afago os pelos negros e brilhantes. – Acho que ele vai ficar gigante, tido um Dog Alemão.

─Que acha de guardar segredo sobre isso? Mamãe me mata se eu tiver feito isso.

─Pode apostar que fez. – Ela diz rindo. Morgana lambe a pata dianteira, toco os pelos macios, ela me encara cheia de seu desprezo habitual, volta a sua tarefa de lamber a pata e faço uma careta. – Pietro aprendeu uns truques, disse a ele para procurar mais na internet. Está cheio de tutoriais.

─Um que ele não coma o trabalho de ciências. – Ela afirma.

─Ele disse, está te esperando para ajuda-lo.

─Eu e minhas promessas. Melhor eu ir.

─Não vai ficar para jantar, pequena ardilosa? – Tio Conan brinca. Ainda temos as mesmas brincadeiras de quando eu era criança.

─Não, tio. Vou ajudar meu irmão no trabalho da escola.

Eu beijo o rosto de Beatrice. Quando fico de pé, Boçal faz o mesmo e para ao meu lado. Sinto um nó se formar em minha garganta. Sem pedir, convidar ou ensinar, como foi com Baby e Rosso. Ele sabe a quem pertence. Sabe que somos companheiros e que é hora de partir.

─Até mais.

─Tchau, Bella. Também vou fazer meu dever. Papai, você me ajuda?

─Agora mesmo. Tchau Bella.

─Tchau, tio Conan.

─Kevin. – Ele e Beatrice dizem juntos e rio enquanto caminho para casa.

Ajudo Pietro com o trabalho, uma chatice de planetas e sistema solar. Eu fiz esse trabalho, todo mundo que tem dez anos fez. O meu ficou horrível, mamãe me ajudou e nos demos muito mal.

Fabrizio entra na hora que nos reunimos para jantar, puxa uma cadeira e pega um prato.

─Deixei o menino agora. Leonel. – Ele avisa se servindo de uma taça de vinho.

─Ele é bonito? – Ganho todos os pares de olhos. – Só curiosidade. – Aviso.

─Normal, parece que tem quinze. Igual você. – Fabrizio me provoca. Ele sempre diz que tenho cara de criança.

─Então eles combinam. – Pietro diz entre uma garfada e outra.

─Olha o Pietro já shippando. – Mamãe comenta.

─Melhor parar de shippar. – Fabrizio diz de cara amarrada, depois me olha. – O garoto é problema, Bella.

─Falou o cara que só arruma namorada complicada.

─Terminei com ela. – Ele avisa.

─Vocês trocam tanto de namoradas! – Eu nunca nem beijei e eles vivem cheios em rodizio. Até a Manoela tem namorado. Sou mesmo um desastre emocional. – E cada namorada que terminam eu perco uma amiga. Quando começam a namorar eu já sei. Adeus melhor amiga.

─Sei como é isso. Está cheio de Fiorina no mundo! – Mamãe comenta e meu pai revira os olhos. Eles têm essa coisa com a cliente do papai. Fiorella teve qualquer coisa no passado com o papai. Foi muito antes da mamãe, mas ela não deixa de provoca-lo com isso.

Agora é Fabrizio quem trata de tudo com ela. Pelo que sei é uma senhora, mas o tio e o papai sempre dizem que ela adora um cara mais jovem e provocam Fabrizio com isso. Parece que de quando papai e mamãe casaram ela já está no terceiro marido. Sempre é tempo de tentar, papai diz. E tio Conan brinca que Fabrizio tem que tomar cuidado para não ser o próximo, mas claro que isso é sempre longe da mamãe.

─Ele é legal? – Pergunto a Fabrizio. Não consigo evitar a curiosidade.

─Calado. Bem calado. Não parece nada bem. Fraco, silencioso, não sei, realmente ele não parece nada bem.

Sinto pena, mesmo sem conhece-lo, sinto pena pela história difícil. Pela vida ruim que ele deve ter tido. Amália contava às vezes. Os pais se separaram. O pai Andrea foi embora para outro pais com a nova esposa, ele ficou com a mãe que parece que é bem mandona e nunca podia vir e a avó não tinha muito tempo para ficar com ele.

Acontece todo dia. As histórias infelizes sempre se parecem um pouco. Deixo meu garfo sobre o prato e me encosto na cadeira. É bom demais estar em casa.

─Bom. Tenho que ir. Vim só contar que trouxe o menino, acabei jantando. Vou dizer a minha mãe que me obrigaram e fiquei com vergonha de dizer não. – Fabrizio se põe de pé. – Ou finjo que não jantei e como de novo.

─Esfomeado! – Digo rindo quando ele se curva para beijar meu rosto.

─Eu malho.

─Argh! Malhar é aquisição de boçal. – Ele ri.

─Malhar é ótimo, preguiçosa. Boa noite, família.

Hora de lavar a louça. Mamãe distribui as tarefas que incluem meu pai e todos nós, menos ela.

─Vocês têm uma administradora de rico, deviam ficar felizes. Vou lá ficar um pouco com Vó Pietra. Agora que ela pegou essa mania de dizer que velho janta cedo. Nunca mais se sentou à mesa conosco.

A família se dispersa e decido caminhar um pouco. A noite está bonita. Boçal vai gostar de uma volta antes de dormir. Assim faz suas necessidades fisiológicas e não preciso limpar nada em casa.

Ele sai na frente saltitante, o focinho grudado ao chão, vai desengonçado cheirando tudo e vou só acompanhando. Será que ele vai saber se direcionar no meio do vinhedo? Baby e Rosso sempre sabiam voltar, mesmo quando eu me perdia um pouco era só dizer, “vamos para casa” e eles me guiavam de volta.

Boçal segue pela alameda florida, dizem que foi enfeitada assim para o casamento de tio Conan e tia Valentina e depois decidiram manter as tulipas por todo caminho até a capela e além.

Ele muda seu percurso e entra pelas videiras. A noite está clara. Essa é minha terra. Meu espaço e conheço cada cantinho desse lugar, não me assusta caminhar por entre as videiras mesmo na escuridão.

─Quer água? – Pergunto a ela quando chegamos a uma das mil esquinas. Tem tonéis de água espalhados por toda a extensão da plantação. Com copos de aluminou ou barro para quando ficamos perdidos no trabalho de plantar, cultivar, colher.

Destampo o tonel, encho uma caneca de barro que deixa sempre a água mais saborosa e coloco sobre o chão de terra para Boçal se deliciar.

─Bom garoto. – Caminho de volta para fechar o tonel. É bom ter de novo uma companhia para os passeios pelo vinhedo. – Melhor voltamos, Boçal.

Dou meia dúzia de passos e quando ergo meus olhos o vulto humano surge. Assusto por um segundo, me desequilibro e caio de joelhos. Apoio as mãos no chão para proteger meu corpo da queda. Um segundo ridículo de desequilibro e vexame. É ele. O neto de Amália. Sabia mesmo antes de assustar. Nem sei por que me atrapalhei assim. Sinto sua mão tocar meu braço um segundo depois.

─Eu te ajudo. – Ele me ampara e fico de pé. – Desculpe.

Nos olhamos. Eu o acho bonito. Triste talvez, cansado com toda certeza e muito ansioso, mas bonito.

─Eu estou bem. Eu... eu só...não me assustei, quer dizer, sim, mas não...

Me calo. Não sei por que estou nervosa e envergonhada. Muito envergonhada. Claro que eu faria algo assim na frente dele. Cair é algo que já me acostumei a fazem em público e normalmente é só me por de pé, limpar a poeira e seguir em frente de cabeça erguida.

─Estava só caminhando. Não pretendia assustar você. Eu sou...

─Leonel, filho do Andrea, filho da Amália. – Digo atrapalhada.

─Toda a dinastia. – Ele comenta, acho que numa brincadeira irônica. No momento eu não sei dizer.

─Ou neto da Amália, mais resumidamente. – Estou com as mãos todas sujas de terra, imóvel diante dele. Imóvel por muitas razões. Entre elas, o fato que ele vai me ver caminhar com dificuldade e não quero. – Machucou? Deixa eu ver. – Ele pega meus pulsos. As mãos estão cheias de terras. – Espera. – Leonel anda até o tonel e volta com uma caneca cheia de água. Joga sobre minhas mãos enquanto ele mesmo esfrega para tirar a terra e fico olhando como ele é com detalhes, realmente eu o acho bonito. Bonito de um jeito triste. Ele ergue os olhos, pretendia desviar os meus, mas não consigo e acabo me prendendo ao seu olhar. Ele é o primeiro a desfazer o contato. – Mais água. – Diz me deixando e voltando com mais água que joga sobre minhas mãos enquanto limpa. – Pronto.

Ele observa minhas mãos. Se move Bella, diz algo ou faz algo. Não fica feito uma tonta. Eu quero fazer alguma coisa. Só não consigo.

─Pisei numa pedra. Pedra parâmetro! – Ele junta as sobrancelhas. – Bobagem. – Aviso. Nem todo mundo entende meu vocabulário. Antes, na infância, era como entendia as palavras, agora é só meu jeito, uma brincadeira familiar que as vezes escapa em outros ambientes e me faz passar vergonha. Sou a rainha de passar vergonha em público. – Estou bem. Pode ir.

─Vai ficar aí parada? – Ele diz ainda confuso. Dou de ombros.

─Pode ir, eu vou... esperar meu cachorro. O Boçal. – Ele faz uma careta. – É um bom nome.

Boçal se põe a caminhar, cachorro traidor. Isso é hora.

─Acho que ele que não vai te esperar.

─Boçal. Volta aqui! – Nada. O focinho está de novo grudado ao chão.

─Melhor ir atrás dele. É um filhote, pelo visto vai se embrenhar nessas terras e nunca mais sair. É bem grande. Sabe voltar?

─Sim. Eu sei tudo sobre esse lugar. – Que arrogante Bella. Mordo o lábios. – Por que eu venho sempre, só isso. Não... – Me calo.

─Bom, então eu vou indo. – Ele diz olhando tudo em torno.

─Direita, esquerda e sempre em frente. – Aviso, ele me observa. Usa jeans velho, tênias, camiseta amassada, cabelos bagunçados, parece não se preocupar muito com a aparência. Fase difícil é o que dizem sobre ele.

─Posso me guiar pelas estrelas. – Ele aponta o céu. Sorte dele. Não tenho a menor ideia do que elas querem dizer. O que me guia aqui são meus instintos, eu acho. – Tchau, Bella.

─Como sabe?

─Bella De Martino, filha de Vittorio De Martino, Filho de Lorenzo De Martino, Filho de Pietra De Martino. Parece que sei mais sobre você que você sobre mim. Conheço toda a árvore genealógica. – Sorrio. Me lembro tanto de ficar inconformada com essa coisa de árvore genealógica não ser sobre plantas. – Minha avó também falava sobre todos vocês.

─Eu a amo! – Bella cala a boca. Que tipo de declaração é essa? Do nada. O que quero com isso? – Amália é... é... legal, me criou com a mamãe e eu...

─Já sei. Pelo visto ela tem muito por aqui. Nem sei por que me espanto.

Ele segue caminhando e desaparece. Suspiro. Não foi apenas ele que sumiu. Boçal também.

─Boçal! Boçal! – Cachorro parâmetro. – Já aqui!

Dez minutos caçando o cachorro e nada. Saio dos vinhedo chorando. Vou ter que organizar uma força tarefa no meio da noite para achar o pequeno.

Leonel está afagando o cachorro deitado no chã, com a barriga para cima se contorcendo de alegria. Não acredito nisso. Leonel ergue os olhos quando me vê. No mesmo instante paro de andar e nem sei a quem quero enganar. Por que diabos quero feito uma boba impressiona-lo.

─Ele sabe sair sozinho. Cães tem um super olfato. – Ele diz se afastando do cachorro. – Tchau, Bella.

Fico ali, imóvel assistindo ele caminhar bem devagar, com as mãos nos bolsos em direção a colônia. Quando a noite o engole eu me ponho em movimento.

Ele lavou minhas mãos. Me ajudou a ficar de pé. Não rio do meu tombo e cuidou das minhas mãos, todo preocupado. Um sorriso se forma em meu rosto.

─Vamos dormir, Boçal.

Leonel. A vó dele o chama de Leo. Será que um dia seremos amigos e eu vou quem sabe chama-lo assim?

─Leo! – Digo em voz alta só para ver como soa quando entro em casa. Dou de cara com papai. O sorriso se desfaz. Noite dos sustos.

─Mudou o nome do cachorro?

─Ah! Não eu só... só...testei. Vou dormir papai. Que acha de ir me dar boa noite? – Beijo seu rosto.

─Vou já. – Ele sorri. – Assim que pegar água.

Ponho meu pijama de rica. Sorrio com a ideia. É como mamãe chama e ela tem umas manias tão divertidas. Afasto as cobertas e me deito. Levou muitos anos para eu decidir que era melhor deitar na cama e não no colo do papai. Mesmo assim, toda noite ele vem ficar um pouco comigo. Ou quase toda. Se senta na beira da cama e conversamos um minuto, depois ele me beija a testa e vai dormir. As vezes, pego no sono com ele ali e são as melhores noites de sono. Por que parece que ele está ali. Velando meu descanso.

Papai entra sem bater, a porta está aberta a sua espera. Se senta na beira da cama e ajeita as cobertas sobre mim. Beija minha testa.

─Me acha resplandecente? – Brinco fazendo ele sorrir.

─Até excêntrica. – Ele brinca. – Tudo bem?

─Sim. Conheci o Leonel.

─Foi lá?

─Cruzei com ele lá fora. Acho que ele estava dando uma volta noturna.

─O que achou? – Dou de ombros.

─Normal.

─Amanhã vou conhece-lo. Pensei em ir hoje, mas quis dar um tempo ao rapaz, para ele se adaptar e ficar com a avó. Se vai viver aqui, perto dos meus filhos e sobrinhos, quero saber quem ele é.

Acho que papai tem razão. Eu me preocuparia também. É natural. Vivemos todos soltos pela Vila De Martino. Portas abertas. Crianças a correr pelos jardins.

─Sabe qual é o problema dele? Por que ele tem algum problema, não é? Por isso veio ficar com a avó.

─Não. Amália, como é uma avó amorosa, acha apenas que é rebeldia, coisa à toa, não sei, quero decidir isso sozinho. Espero que não seja mesmo nada.

─Se não for? Vai manda-lo embora? – Papai me da um sorriso preocupado. Beija minha testa.

─Cuidado com esse coração inocente. Boa noite.

─Boa noite, papai. – Não me defendo. Não consigo engana-lo e acho que eu fiquei mesmo um pouco impressionada com ele. Leonel. Penso fechando meus olhos quando papai deixa o quarto e Boçal se ajeita em sua cama no chão, ao lado da minha. – Boa noite, Boçal.

Notas finais
Os irmãos Stefanos estão na Amazon.Nick está chegando também. https://www.amazon.com.br/dp/B075R1P5RX/ref=sr_1_2?s=mobile-apps&ie=UTF8&qid=1505876886&sr=8-2&keywords=Adrenalina+do+amor Conto com vocês.