Notas iniciais
Boa noite ou madrugada.

Leonel

Não pretendia assustar a menina. Ela até caiu. Ficou toda sem graça. Bella, vó Amália falava dela sempre. Dos outros também, mas dela em especial. Garota bonita. Olhos suaves, cheios de coisas boas. Alegria. Mesmo com vergonha. Confusa. Mesmo assim ela tinha olhos de alegria e paz.

Meu oposto. Natural, se tivesse crescido num lugar como esse, com todo esse ar puro e tanta gente preocupada em proteger e cuidar eu também seria diferente.

A casa está silenciosa. Minha avó já se recolheu, ela dorme cedo, pelo visto, todos por aqui dormem cedo. A Vila está silenciosa. São dez horas agora.

Caminho pela pequena sala, essa hora estaria saindo de casa em busca de alguma coisa para apagar o tédio, a solidão. Ando até a janela. Lá, aqui. É tudo solidão e silencio. Essa é a verdade. A solidão e o silencio me engolem numa pequena vila ou numa grande cidade.

Bella. A garota bonita me volta a mente. Ela tem mãos pequenas e delicadas. É toda pequena e delicada, mas as mãos, essas são bonitas. Vi o anel brilhar em seu dedo quando limpava as mãos sujas de barro e pensei em Perlo. Ele tem razão sobre o tanto de coisas valiosas que eles devem ter por aqui. Aquele anel deve custar uma fortuna.

Não que me importe com isso. Conviver com minha mãe e sua mania de grandeza me ensinou sobre como isso é uma grande bobagem, mas entendo o Perlo. Ele tem uma realidade oposta a minha e principalmente a dela. Perlo nasceu e viveu uma vida de dificuldade. Já eu, cresci com uma vida financeira boa. Estudei em boas escolas, fiz viagens pelo mundo.

Nada disso me fez sentir especial ou importante, era sempre briga, reclamação, sempre um problema, nunca era rir e aproveitar. Por isso essas coisas não enchem meus olhos, de todo modo, nunca cruzaria essa linha. Nunca. Perlo errou ao pensar que eu faria.

Minha boca fica seca, meus olhos ardem, sinto vontade de sair, ao mesmo tempo sinto um pouco de medo, fico cheio de agonia. Emergência. Apenas para uma emergência.

Vou até a porta do quarto de vó Amália. Está entreaberta e ela dorme tranquila.

─Dá vontade de acorda-la. – Deixo o corredor e volto para sala.

Dormir é melhor. Tudo isso passa. Faz umas horas. Eu consegui chegar aqui. Consegui falar com minha avó, passar um tempo com ela. Até comi um pouco. Funcionou sair para uma volta. Encontrar com Bella, minha mente desviou dos pensamentos ruins e eu esqueci.

Devia ter coragem de pegar aquela porcaria e atirar no vaso. Só pensar nisso já deixa meu corpo tenso. Não vou conseguir dormir. Meus músculos enrijecem só de pensar nisso.

Um pouquinho. Só uma vez, só para conseguir aguentar essa primeira noite.

Assim que entro no quarto já sinto alivio. Tem quantidade o bastante para muitos dias. Depois eu posso conseguir mais. Eu sou isso. Ninguém se importa. Ela nem vai perceber. Minha avó tem sua vidinha tranquila. Não devia ter vindo.

Quando tudo está pronto e aspiro o pó branco me sinto relaxar. Tudo some, tudo volta para o lugar e me atiro na cama. Agora sinto vontade de fazer alguma coisa. Penso no tanto de vinho que deve ter por aí.

Talvez na cozinha da minha avó. Deixo a cama. Abro armários. Encontro uma garrafa pela metade na geladeira. Levo comigo para o quarto. Coloco fones de ouvido.

─Desculpe vó. Não vou ficar tempo demais para te atrapalhar.

Acordo com a garrafa caindo da minha mão pela manhã. A luz entrando no quarto e o celular pendurado pelo fio do fone de ouvido agora silencioso, acabou a bateria.

Minha avó está me olhando de pé. Já sei que vem cena, escândalo. Agora é a hora que ela se arrepende de ter me trazido até aqui. Liga para meu pai e me põe no próximo ônibus.

─Bom dia. – Bom dia? E sorrindo? Até me sento. – Não está acostumado com bom vinho, menino. Aposto que bebeu demais.

Ela se abaixa e pega a garrafa vazia. Fico olhando para o rosto dela, procurando algum sinal de rancor. De raiva, nada. Só o rosto suave de sempre.

─Toma um banho frio para despertar, eu vou fazer um bom café da manhã. Depois você sai para umas voltas, está precisando de ar puro e sol.

Sol? Ar puro? Do que ela está falando? Café da manhã.

─Não tenho fome. – Olho para a gaveta da cômoda. Não o tipo de fome que ela espera de mim.

─Então arrume. Vai menino. Eu tenho que trabalhar. Está pensando que a Gabriela vive sem mim? Sou assistente de administração da Vila De Martino. Resolvemos muitas coisas eu e ela.

─ Um nome diferente para a empregada da casa. – Me arrependo no mesmo segundo. Até me dói um pouco o peito. Isso foi a voz da minha mãe ecoando por meu cérebro. – Desculpe, vó. Não penso isso. Não sou como ela.

─Eu sei. Aqueles dois deram um nó na sua cabecinha. Meu sonho era ter você aqui e acredite meu filho, nós vamos sair dessa que se enfiou.

Tanta esperança. Eu espero ela sair do quarto. Fico imóvel e calado até ela deixar o quarto e antes mesmo do banho eu abro a gaveta. Nem sei mais se é tanto assim. Nem sei mais se dura o tempo que tenho. Não acho que consigo mais. Não sem dinheiro. Preciso arranjar o que fazer. Ligar para meu pai e pedir dinheiro quem sabe?

Aquela comida toda diante de mim me causa certa agonia. Mastigo um pouco e tomo uns goles do café só para agrada-la.

─Aproveite o dia. Se precisar é só ir até a mansão. Quer ir comigo agora conhecer os meninos? Vai gostar deles. Sempre sonhei com você aqui. Teriam sido muito amigos. Vem?

─Depois vó. Eles devem estar ocupados. Vou ficar aqui. Ler um pouco. – Mentir muito. – Ela deixa a casa meia hora depois e simplesmente fico agoniado.

Não quero abrir aquela gaveta de novo e depois de tentar achar o que fazer e não encontrar nada eu sigo para a saída. Quem sabe ir a capela que fui na infância e se é mesmo parecido com o que me lembro.

Abro a porta e dou de cara com a figura alta e forte de um homem de olhos firmes. Engulo em seco. Vasculho na mente se fiz algo errado. Algo que tenha criado algum problema e não encontro nada demais. Por enquanto. Eu sei que em algum momento ponho tudo a perder. Como se tivesse restado algo a ser perdido.

─Bom dia. – O homem diz me estendendo a mão. – Sou Vittorio.

─Bom dia. Senhor De Martino. – Aperto a mão dele. Solto rápido. As minhas estão frias. Ele parece bem decidido. Eu olho em torno. Mordo o lábio, quero ir de volta ao quarto abrir aquela cômoda.

─Bem-vindo, Leonel. Sua avó queria muito e a muito tempo que viesse.

─Eu sei. – Coço a cabeça, me afasto um pouco. Ele não vai perceber nada.

─Está gostando? Conheceu minha filha ontem, meu sobrinho.

─É. Conheci. – Esfrego o nariz e respiro. – Tudo bem. Vou ficar por aqui e só... daqui uns dias eu vou embora.

─Essa é a casa da sua avó. Fique o quanto precisar ou quiser. Gostamos muito dela.

─Ela criou todo mundo. Eu sei. Ajudou. Ajudou, eles tem pais e não são... – Como eu, me calo antes de terminar.

─Bom, meus irmãos estão todos vindo para a Vila. Adiantaram a visita. Meu sobrinho vai passar uns dias em Florença, os outros estão voltando para faculdade... enfim. Vamos ter um almoço em família amanhã. Vim convida-lo. Vai ser bom conhecer todos. Amália é parte da família. Então... você está em casa.

─Se der eu apareço. – Por que ele não vai embora logo. Giro a maçaneta da porta. Ele acompanha minha mão. Me afasto da porta, enfio as mãos nos bolsos e ele se demora um momento me analisando.

─Vai dar. – Vittorio De Martino não é rico e importante à toa. Seu tom é determinado e não dá espaço para uma recusa. – Nós vamos dar esse prazer a sua avó. Além disso, não acho que até amanhã algo inadiável vá surgir. Te vejo por aí.

─Amanhã. – Engulo em seco. Ele dá um sorriso. Toca meu ombro. Me olha nos olhos. Não demora. Eu desvio. Não consigo encara-lo sem medo de me denunciar.

─Amanhã. – Ele confirma. Depois acena e deixa minha porta ou dele. Pelo que sei tudo pertence a ele por aqui.

Espero que suma pela alameda e depois pego o mesmo caminho. A capela está vazia quando entro. É bem menor do que imaginei. Me faz pensar em como eu era pequeno.

As imagens em bronze e gesso são bonitas. Não estão tão bem cuidadas como poderiam. Tem algumas bem danificadas pelo tempo. O afresco está também desaparecendo.

Madeira de lei nos bancos. Vitrais com arte sacara em todo conjunto de janelas laterais. Toco alguns. Sei exatamente como retocar e trazer de volta a vida desse lugar.

As imagens em bronze e principalmente as de gesso precisam de cuidados. Levaria muitas semanas para cuidar de tudo isso. Não. Eu não consigo me concentrar e nem quero nada disso. Me afasto e quando caminho para saída Bella está de pé na porta. Ela sorri.

─Todo domingo eu arranjo um jeito de fugir da missa lá pelo meio. Padre Mariano sempre me puxa as orelhas no final. – Ela diz quando me aproximo dela. – Não realmente é uma...

─Figura de linguagem. – Completo e ela afirma.

─Meus pais casaram aqui e todo o resto da família. Ah! Sabia que sua avó também casou aqui? Ela contou uma vez. Disse que foi bem desconcertante. Bonito eu quero dizer. Bem bonito.

─Não sabia. Eu acho. Pode ser que ela tenha dito alguma vez. – Ela continua imóvel na porta da igreja. Caminho até ela. – Vai entrar? – Ela nega.

─Nem pensar. Vai que o padre está por aí escondido e me pega distraída. – Bella abre um largo sorriso. Queria ser como ela. – Tenho que trabalhar. Meu tio Conan me espera.

─Conan? O bárbaro. Lembrei do filme. Não conheço ninguém que tenha esse nome. Engraçado. Os pais deviam ser fãs.

─Não. Ele se chama Kevin. Só eu o chamo assim e meu tio Filippo.

─Familia grande. Faz o que?

─Enóloga. – Claro. O que mais seria.

─Parei a faculdade.

─Eu sei. É um pouco artista. Sua avó...

─Claro. Ela contou. – Paramos frente a frente. – Está indo para lá? – Aponto o galpão. Ela afirma. – Vamos, vou voltar para casa. – Bella não se move e começo a achar que ela tem problema.

─Pode ir eu me lembrei que tenho... tenho... pode ir. – sei lá. Ela é legal, mas parece meio esquisita. Parece que tem medo de andar ao meu lado.

─Tchau, Bella. Sabe como posso chegar ao vilarejo? – Pergunto e ela aponta em direção aos portões. – O ônibus passa duas vezes por dia. As onze da manhã e cinco da tarde. São uns vinte minutos. A pé leva umas duas horas. É o que dizem, mas toda hora alguém está indo. Pegue uma carona. Dirige? Tem carros na garagem, se for importante pode...

─Não eu só... obrigado. Tchau.

Bella fica imóvel e caminho para casa. A luz do dia ela é ainda mais bonita e os olhos tem ainda mais alegria. Do tipo de dá inveja e vontade de ficar perto.

Ela tira um pouco meu foco. Parece que não penso em nada perto dela. Além de ser mesmo bonita. Muito bonita. Um rosto delicado. Mãos pequenas e sorriso grande.

Resolvo ir até o vilarejo conhecer. Provável que o almoço de amanhã seja o fim da minha estadia nesse lugar. Aposto que essa gente vai aconselhar minha avó a mandar o garoto encrenca de volta.

Estou quase no portão quando escuto um carro e uma buzina.

─Leonel? – Encaro Fabrizio dentro da caminhonete. – Carona?

─Quero. – Me acomodo no carro. Ele liga o som e para minha surpresa é um rock alto e ritmado. – Que bom. Pelo menos a música é boa.

─Claro que é. O que pensou que eu ouvia?

─Sei lá. Música do campo, música típica. Tarantela. – Ele solta uma longa risada.

─Quanto preconceito, garoto. – Pegamos a estrada. – Desculpa, não é bem um garoto, mas eu falei para a Bella que parece um menino de quinze e ela também parece uma menina.

─Conheci sua prima. É só prima?

─Só prima? Claro que não. – Ele me olha um rápido momento. – Irmã. Praticamente. Eu amo a Bella.

─Falam muito de amor. – Comento meio chocado. Ele me olha. – Não. Ela disse que amava minha avó. – Me explico. – Meio do nada. Como você agora se declarando.

─Não é uma declaração. É um alerta. Ela tem o coração mais doce que conheço. Adora salvar pessoas. Foi Bella que me trouxe para essa família. Indiretamente. Me fez escolher meus pais e começou com isso. Somos muito ligados.

Encaro a estrada. Como se uma garota como ela fosse se interessar por mim. Como se um alerta idiota fosse me parar se ela disse sim. Eu nem sei de onde veio essa ideia. Tolice.

─Está longe? – O carro me sufoca. Me remexo no banco.

─Dez minutos. Minha moto está na revisão. Esse é o carro do meu pai. Na verdade, o que ele usa quando estamos todos juntos. Ele também prefere moto.

Depois silencio. A música tocando alto. Quando me trouxe ontem estava ouvindo isso, eu é que estava meio limpo demais para me tocar.

Ele estaciona em frente a uma praça. Aponta um prédio elegante com a marca De Martino na faixada.

─Se quiser carona, saio umas seis horas. É só entrar ou me esperar aqui na porta.

─Valeu. – Salto e vejo o carro dar a volta na praça e entrar no prédio. Foi uma grande burrice ter vindo. Descubro depois de meia hora de passeio e já ter conhecido todo vilarejo duas vezes. Entro num bar. Peço uma cerveja e o cara pede meu documento.

─Eu posso pagar!

─Quero saber se tem idade.

─Não trouxe nenhum documento.

─Então cai fora, garoto!

─Quer me dar a droga da cerveja! – Me altero. Meu humor nunca foi muito controlado.

─No meu bar, não. Vá embora antes que atire você do lado de fora.

─Problemas? – Dois homens que ocupam a mesa perguntam me cercando.

─Vá para o inferno, babaca. – Caminho para saída. Bato a porta com força e tomo o rumo da praça. Me sento e fico ali. Perdido em pensamento. Duas horas de caminhada. Que bela burrice.

Vejo Bella caminhando ao lado de um grandalhão. Ela tem mesmo o melhor sorriso do mundo. O cara é bem grande. Muito mais velho para ser um tipo de envolvimento amoroso. Os dois se despedem em frente a porta da empresa. Ele entra e ela continua a caminhar. Vem distraída em minha direção pelo centro da praça.

Uns garotos jogam bola na grama. Três caras de uns dezesseis anos. Ela apressa o passo quando vai cruzar o campo imaginário dos caras. Vejo quando tropeça e cai. A bolsa rola para o lado e os garotos riem alto.

Idiotas. Me ponho de pé e caminho para ajuda-la. Ela me vê quando está ficando de pé. O rosto dela fica vermelho. Ela baixa os olhos, dá uns passos até a bolsa. Se abaixa para apanha-la no momento que chego até ela.

─Para de rir, Pablo, não tá vendo que ela é deficiente. – Um dos idiotas diz certo de que está sendo muito legal. – Desculpa moça.

─Se machucou? – Minha vontade é trocar socos com os idiotas, mas me contenho. Ela balança a cabeça negando. Aperta a bolsa contra o corpo.

─Eu... eu...eu tenho um probleminha. Não importa. Sou igual todo mundo. Eu não ligo. – Liga, se não ligasse não estaria com os olhos marejados. – É só... quando eu ando, eu...

─Bella, eu não estou vendo nada de errado com você. Esse negócio de probleminha deve ser coisa da sua cabeça. Vocês garotas tem isso de perfeição.

─Viu quando eu caí?

─Vi. Estava vindo com o grandão. Se despediram e você veio em minha direção.

─Da para sair do meio do campo? – O idiota desistiu de querer parecer legal e decidiu provar que é um idiota.

─Por que não vão para o inferno seus idiotas! É uma praça pública! – Grito com o babaca, ele fica surpreso. Todos eles ficam. Um deles pega a bola na mão e eles partem. – Babacas! – Grito quando eles estão deixando a praça. Volto meus olhos para ela.

─O grandão é o meu tio Conan.

─Devia ter pensado nisso. Vai a algum lugar?

─Comprar umas coisas no shopping e depois... eu tinha que ir para a empresa, mas sujei minha roupa. Ralei o joelho. Vou para casa.

─Ótimo. Assim me dá uma carona. Não tem droga nenhuma para fazer nesse lugar. – Ela continua parada.

─Me viu vindo?

─Se não me engano, eu respondi isso tem uns minutos. Esse é o seu probleminha? Memória?

─Não. – Ela sorri. Os olhos que estavam marejados quase sorriem, mas tem alguma triste que passa por eles. – Quando eu ando, manco um pouco.

─Ah, isso. Eu sei. Vamos? – Ela ainda está abraçada a bolsa quando começamos a andar e ela me aponta um carro bonito na entrada da empresa.

─Pode dirigir. – Ela me pede quando chegamos ao carro. Faço que sim e ela se senta no banco do passageiro. A calça rasgou. Tem um pouco de sangue no joelho. – Cai bem em cima de uma pedra. Fazia tempo que não caia.

Olho para ela, sim. Definitivamente o probleminha é memória.

─Ontem não conta. – Ela me diz quando pego a rua para circular a praça e pegar a estrada de volta. – A culpa foi sua de me assustar.

─Disse que eu não tive culpa. Mudou de ideia?

─Mudei. É sempre bom culpar alguém quando tudo fica perplexo.

Memória e qualquer coisa cognitiva. De resto ela parece bem normal.

─É só seguir pela estrada? Não me lembro bem. – Ela afirma. Pega o celular na bolsa.

─Tio Conan. Estou indo para casa. Eu caí na rua e ralei o joelho. ─ Gosto da voz suave dela. — Não, já estou indo. Encontrei o Leonel e ele está dirigindo. – Ela sorri. – Claro que não, tio. Tchau.

─Dói?

─Não. Quer ir comigo até San Gimignano? Só pegar uns papeis. – Não. Se tivesse trazido apenas um pouco. – Leva só mais uma hora.

─Melhor você ir tratar do joelho. Pode infeccionar. – Não aguento. Não é boa ideia. Aperto o volante. Estou indo para casa. Ela está aqui comigo. Precisava tentar. Precisava mesmo ficar trancado na droga de um lugar por uns dias até tudo isso deixar meu corpo. Aí eu acho que podia tentar.

─Tem razão.

─Te acompanho mais tarde se quiser. Depois de tratar seu joelho.

─Legal. Assim conhece a cidade e mostro a igreja a você e o museu. Vai gostar. – Olho para ela. Bonita e muito especial. Não mereço nem estar tão perto. Mesmo assim não resisto. Eu não sou bom em resistir. A ideia me toma. Não vou conseguir parar com nada disso. Vou me meter em encrenca e leva-la comigo. Melhor ficar longe.

– Quem sabe depois do almoço?

Notas finais
Beijossssssssssssssssss
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!