Era um dia como outro qualquer na vida daquela jovem. Seu humor estava ótimo, sua vida não podia ser melhor, ou seja, tudo estava bem. Quero dizer, quase tudo.

– Alexandra Karolina, que bagunça é essa no quarto?! Já não lhe disse para arrumar essas tralhas? – a mãe gritou com a jovem.

"De novo, Alex?" alguém falou no ouvido de Alex.

A jovem estava conversando com alguns amigos por áudio no computador, do outro lado da casa.

"A culpa não é minha se ela se mete no meu quarto sem eu deixar. Vou lá pessoal. Até mais!"

Poucos minutos após de despedir dos amigos, Alex simplesmente saiu de casa, ignorando os gritos histéricos da mãe. Fora em direção à praça que ficava duas quadras de sua casa e ficou lá, olhando as crianças que brincavam ali, por muitas dezenas de minutos até que uma mulher se aproximou da senhora que estava sentada ao seu lado, lhe chamando a atenção.

– Com licença, poderia me informar onde posso encontrar... Alexandra Karolina Mounro?

Alex, ouvindo isso, virou-se para a mulher e apresentou-se:

– Sou eu. – Alex estendeu-lhe a mão. – O que deseja comigo?

A mulher lhe apertou a mão e, com um brilho no olhar, pediu para que a jovem a acompanhasse para o outro lado da praça onde estava mais calmo e poderiam conversar.

– Sei que isso deve ser estranho... Mas há anos eu procuro por você.

– Procura por mim? Como assim procura por mim? O que quer comigo? Eu, por acaso, te conheço?

– Igualzinha... – sussurrou, mas logo voltou a falar normal. – Bem, primeiro acho que devo me apresentar... Sou Alexia Kyos e moro do outro lado da cidade.

– Peraí! Se você é do outro lado da cidade, por que está há anos me procurando?!

– Caramba! Eu não imaginei que fosse tão igual assim.

– Igual a quem? – a jovem reclamou, começando a se estressar.

– A mim. – a outra respondeu rindo.

– Como assim sou igual a você? Explique-se!

– Bem... Há alguns anos meu pai resolveu me contar sobre minha mãe. Eu nunca a havia conhecido e nem ouvido falar dela, mesmo insistindo muito quando criança.

– Passa logo pra parte onde você quer saber de mim. Não tenho o dia todo!

– Aí... Quando meu pai disse que eu tinha uma irmã, eu procurei na lista telefônica durante dois anos o sobrenome do nosso pai e depois o da nossa mãe, mas estava demorando porque eu estava trabalhando e tudo mais... Depois disso contratei um investigador para fazer o trabalho por mim, sem meu pai saber. E então encontrei minha irmã. – Alexia concluiu sorrindo e feliz.

Alexandra estava pasma e prestes a desmaiar após ouvir aquele relato todo. A garota sempre achara que seu pai era um crápula, pois sempre ouvira (nas noites em que a casa ficava totalmente silenciosa e a menina não conseguia dormir) sua mãe falando que o ex-marido não prestava como pai e que fora bom terem se separado. Mas nunca mencionara que havia tido outra filha.

– Ei! Você tá legal? – Alexia preocupou-se ao notar a palidez que a outra ficara.

– Tô... Tô... É só que... Eu não esperava...

– Quer comer um sorvete? Assim você se acostuma comigo. – disse feliz, Alexia.

– Então... – Alex começou, depois que tinham comprado seus sorvetes em um vendedor na praça. – Nós somos irmãs... E eu nunca fiquei sabendo disso...

– Pelo o que eu sei, eles não queriam mais ficar juntos e ao se separarem, nos dividiram.

– E você falou que trabalha... Você tem quantos anos, Alexia?

– Tenho vinte e um... – Alexia não conseguiu terminar de falar.

– Tem certeza que somos irmãs?

– Pelo o que meu pai disse, sim. Por quê?

– Porque eu tenho a mesma idade...

– Ah é... Eu não falei essa parte... Como pude ser esquecida... Papai disse que somos gêmeas.

Alexandra não aguentou e desmaiou de surpresa.

– Alex! Alex! Acorda! Acorda! Não faz isso comigo!

Aos poucos, Alexandra Karolina retornou a consciência. Foram dois longos minutos para Alexia Kyos ficar preocupada com a outra.

– Eu tenho uma irmã gêmea, muito mais bonita e inteligente do que eu?

– Para de brincar. Mas sim, você tem.

– Então era por isso que você falou o tempo todo em como eu era parecida com você? – Alex estava tentando entender direito enquanto Alexia estava sorridente todo o tempo.

– Sim. Isso mesmo. – e olhando o relógio, completou. – Acho melhor eu voltar para casa. Papai vai ficar preocupado se eu demorar demais.

– Vamos nos ver de novo?

– Quando quiser. É só me ligar. – Alexia estendeu um cartão com seu número de celular e algumas outras informações para Alexandra, que o pegou e guardou no bolso.

– Vou ligar, pode ter certeza.

As irmãs se despediram e foram para suas respectivas casas.

As jovens Mounro se comunicaram por vários dias através de mensagens de texto até que Alexia soube de um furo em seu horário que poderia passar com Alexandra.

– Onde você vai?! – a mãe de Alex a perguntou, quando esta já estava na porta saindo.

– Vou ao shopping passear. Ou agora tenho que ficar enfurnada nesta casa?

Sem esperar por uma resposta, Alex seguiu para o local marcado.

Ao chegar na entrada do shopping, Alex avistou sua irmã ao lado de um rapaz forte e de sua altura.

– Alex! Este é meu namorado. James, está é minha irmã.

Os três se cumprimentaram e adentraram o local.

– Vocês realmente se parecem. – disse James em um momento no meio da caminhada à praça de alimentação.

– Somos gêmeas idiota! Claro que nos parecemos! – Alexia respondeu o namorado, batendo no mesmo.

– Aonde vamos? – Alex questionou, sentindo-se fora de contexto.

– Ao cinema e depois vamos comer alguma coisa. Ah, e não se preocupe com dinheiro. Eu pago.

Alex não se sentia confortável com Alexia pagando-lhe tudo, mas pelo fato de não ter para pagar o seu, manteu-se calada.

Como Alexia havia dito, foram ao cinema e depois comeram algo. James, que estava de carro, levara Alex para casa e depois seguira para casa de Alexia. Era mais de meia noite quando chegou.

Alex foi direto para o quarto e encontrou em cima de sua cama duas cartas endereçadas à si. Sentou-se e abriu-as, descobrindo uma ser de seu pai (que nunca quisera procurá-la) e a outra, anônima.

Leu primeiro a anônima, que dizia algo como uma declaração de amor. Sabendo exatamente quem mandara a carta anônima, passou a ler a carta de seu pai, que dizia:

"Boa tarde minha filha,

Eu sei que nunca havia lhe procurado antes, mas foi apenas por medo de sua mãe me expulsar de sua vida. Quando nos separamos, dividimos nossas filhas, ou seja, você e Alexia, jurando que nunca mais íamos procurar o outro. Enquanto via Alexia crescendo, imaginava como você devia ser e como devia ter sido criada.

Quando vocês fizeram 2 anos, comecei a fazer uma poupança para vocês terem algum dinheiro aos 18 anos. A sua está intacta e continua recebendo todos os meses, assim como a de Alexia.

Com 18 anos, Alexia me fez contar-lhe tudo sobre a mãe dela e acabei contando sobre você. Imagino que ela já a tenha encontrado, pois seu humor mudou na última semana e estava difícil fazê-la melhorar de humor desde que estava tentando encontrar você.

Não falo com sua mãe desde que nos separamos e pretendo continuar sem falar com ela. Mas quero participar de sua vida, mesmo tendo perdido boa parte dela. No envelope está meu endereço, se e quando quiser pode vir me visitar. Estarei esperando feliz por sua visita.

Um abraço do seu pai, Kayan Truks."

Após ler a carta Alex ficou estupefata e não conseguiu mais pensar em nada. Não sabia se devia acreditar em tudo o que a mãe já havia lhe dito sobre o pai, se devia contar sobre a carta a ela ou se devia encontrar seu pai.

"Alexia, qual é o número do seu pai?" Essa foi a primeira mensagem que Alex mandou para a irmã naquela manhã.

Depois de muito tempo, Alexia respondeu-lhe dizendo o número e perguntando o porque. Ignorando a pergunta, Alex agradeceu e logo ligou para Kayan.

– Quem deseja? – Truks atendeu a ligação.

– P-pai?

– Alexia? Que telefone é esse minha filha?

– Não sou a Alexia...

– Alexandra?! É você minha filha? É você mesma?

– Sim... Quando posso te encontrar?

– Se quiser, agora. Eu esperei isso por tanto tempo...

– Eu... Er... Não tem problema eu ir agora?

– Não. Claro que não querida. Quer que eu mande um taxi te buscar?

Uma hora depois, Alex estava na porta da enorme casa de Kayan Truks, seu pai. Essa palavra não era tão comum em seu vocabulário.

Entrando na casa, foi logo recebida por um senhor de meia idade forte e com um ar mais juvenil do que o corpo demonstrava. Depois de ser cumprimentada e abraçada fortemente, pode então ouvir a voz de seu anfitrião.

– Seja bem vinda à sua casa, minha filha. – o senhor disse-lhe em meio ao abraço.

– Você é Kayan Truks? – Alex perguntou rindo.

– Sim. Sou seu pai. Por que está rindo? – Kayan estava sorrindo de lado, talvez por timidez.

– É que te imaginava um baixinho pançudo.

– E deixar essas belezuras aqui de lado? – Truks mostrou seus bícepes enquanto os beijava e sorria.

A visita de Alex à casa do pai não poderia ter sido melhor. Passou praticamente o dia inteiro com ele. Conversaram bastante e puderam se conhecer melhor. Quando voltou para casa, sua mãe pareceu não se importar onde a filha estivera o dia inteiro. Alex seguiu para o quarto e, pensativa, começou a imaginar o porque de seus pais terem se separado. Não foi a coisa mais difícil de se imaginar e o motivo estava claro: sua mãe nunca fora a mulher mais atenciosa ou amorosa da face da terra. Mas por que haviam separado as irmãs?

Essa questão ficou na cabeça de Alex durante meses. Nesses meses, a jovem continuou a se encontrar com seu pai e sua irmã. Depois de certo tempo, Alexandra já estava quase morando com o pai quando sua mãe descobriu que mantinha contato com ele.

– O que você pensa que faz, indo se encontrar com aquele crápula? Ele nos abandonou!

– Ele não abandonou! Você que não merece tê-lo ao seu lado! MEU PAI É UM ÓTIMO HOMEM! E ELE NÃO MERECE UMA MULHER COMO VOCÊ NA VIDA DELE!

– Você brigou mesmo com ela? E o que ela fez?

– Nada. Peguei umas roupas e vim pra cá.

As irmãs estavam na sala de estar conversando sobre o motivo de Alex ter aparecido lá de repente.

– Você sabe que não vai poder voltar para lá, certo? Sua mãe vai quebrar tudo o que for seu e vai agir como se você nunca tivesse morado lá. — Kayan falou, aproximando-se das duas.

– Eu sabia desse risco.

– Assim você não vai ter porque voltar. Fica aqui morando conosco... Irmã...

Para Alex, ainda era um pouco estranho ser chamada de irmã. Mas logo se acostumaria.

Assim, Alexandra Karolina Mounro Truks viveu o resto de sua vida, morando com seu pai e sua irmã, empregada e feliz com a verdade.

Pena que ela não sabe o passado de seu namorado. Mas bem... Isso é assunto para outra história.