Famous Friend
40 New life.
Notas iniciais
Pov. Mallory Scotcher.
Olhei estática para as mulheres a minha frente. O silêncio na loja foi amedrontador. E durou por poucos segundos.
- MEU SOBRINHO VAI NASCER! CARALHO! — Samy gritou esbaforida e se ajoelhou perto de mim, as outras começaram a se desesperar. Andavam de um lado para o outro resmungando coisas desconexas.
- Alguém tem que ligar para o Brian!! — Leana disse repentinamente. — Ah meu deus!
- Ok. Não se preocupem comigo. Não sinto contração nenhuma ainda. — disse calma, tentando não apavorá-las.
- NÂO MINTA PRA MIM, MALLORY. NÃO MINTA. — Valary me repreendeu com os olhos perdidos. Ela andava de um lado para o outro com o celular em mãos. — Esse Matt não atende também, caralho. — Suspirei vendo Kate e Gena me encarar sem reações.
- Samy, Val, Leana, Gena, Kate e Soph olhem para mim. Não vamos perder a calma, ok? Alguém tem que ir buscar a mala com as coisas para levar pro hospital. Alguém tem que ligar para o Brian e alguém tem que ligar para a minha obstreta. Simples. — falei compassadamente, tentando demonstrar a tranquilidade que felizmente eu ainda tinha.
- SIMPLES O CARALHO! — Val reclamou. Bufei impaciente e me recostei no sofá.
- Ela está certa gente. Eu vou ligar para a obstreta, avisar que a bolsa rompeu, assim ela estará preparada para quando chegármos a clínica. — Soph esclareceu já pegando o telefone e se afastando.
- Eu vou buscar as coisas, eu sei onde está. — disse Kate.
- Eu te levo. — falou uma funcionária da loja que se ofereceu educadamente para levá-la já que estávamos sem carro aqui no shopping.
- Ai finalmente filho da puta, eu vou te matar caralho. Por que não atende essa porra desse celular James? — Leana rosnava contra o aparelho. — O que aconteceu? O QUE ACONTECEU? Passa essa porra pro Syn. — ela vociferou de olhos vidrados. — PASSA AGORA SULLIVAN. — ela gritou. Comecei a rir de suas caretas.
- Ah... Deixa eu falar com o Brian. — pedi controlando a risada. Se eu deixasse essas loucas falar com ele, ele só ficaria ainda mais apavorado e é perigoso até achar que já estava nascendo num banheiro público, caindo na privada e etc. Podia parecer estranho da minha parte, eu estar tão calma depois de ter feito tanto drama com relação a esse dia. Mas a verdade é, não está sendo tão ruim quanto eu imaginava. Eu idealizava algo muito pior. Sem contar que além de eu não estar sózinha, eu não estou sentindo dor nenhuma. Ainda.
Leana passou o telefone para mim. Eu ouvia muito barulho, um murmurar contido e enfim a voz mais bonita do mundo.
- Oi?
- Brian?
- Mell, desculpa a gente não atender, é que o estádio está lotado e o barulho está do caralho aqui. Nem escutamos o celular tocar. Não vai me dizer que já acabou o chá de bebê? — ele disse humorado.
- Não, Bri. Eu preciso que você venha pra cá, porque a bolsa rompeu...
- O QUE?
- Não se desespera, por favor, eu estou bem.
- ESPERA AI, COMO ASSIM? PUTA MERDA, EU TO CHEGANDO!... NÂO SAIA DAÌ, NÃO SE MOVA! FICA DEITADINHA AI. — ouvi ele dizendo nervoso e revirei os olhos. — AI CARALHO JAMES MINHA FILHA TA NASCENDO. — então eu não ouvi mais nada. Uma gritaria se sucedeu e eu julguei ser por causa do jogo. E a ligação caiu.
- Ok, papai ta vindo. — sussurrei para mim mesma alisando a barriga.
- Temos que ver se já tem dilatação! — Valary se pronunciou me fazendo arregalar os olhos.
- Ninguém vai cutucar minha vagina, não! Deixa isso para a médic... aahh — gemi automaticamente quando senti uma pontada leve em meu ventre. Parecia uma cólica menstrual irritante.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH — Elas gritaram quando virão minha careta. — TÁ DOENDO?... MAS É CLARO QUE ESTÁ! — Samy já estava com lágrimas nos olhos.
- Mell, vamos só dar uma olhadinha pra exclarecer o estado pra obstreta. — Val sussurrou.
- Olhadinha o caralho suas taradas, saiam de perto de mim. Quero minha médica. — choraminguei um pouco angústiada. Elas queriam ver se tinha dilatação. Ótimo, vou abrir as pernas pra elas verem minha vagina dentro de uma loja. Tão racional.
Depois de alguns minutos eu não estava mais tão calminha. Começou uma cólica super chata e nada dos meninos chegarem.
- Ai porra vou ligar pra eles denovo! — Leana disse angústiada.
- Não se apavorem, mas agora estou começando a sentir contrações. — disse depois de um tempo. Esperei a reação delas, mas antes que alguém pudesse gritar denovo como antes, os garotos chegaram. O alívio que senti quando Brian entrou trupicando quase caindo dentro da loja, foi inexplicável.
- COMO ASSIM PORRA, VOCÊS AINDA ESTÃO AQUI! — foi a primeira coisa que ele disse quando me viu.
- "Como assim" o caralho, você me mandou ficar quieta só te esperando, agora não me venha com essa de... — fui interrompida por seus lábios, que depositaram um beijo leve sobre os meus.
- Vamos sair daqui. — ele disse se preparando para me pegar no colo. Desde este momento, eu não consegui tirar os olhos dele. Nem para reparar que os garotos, meu pai e Papa Gates estavam ali também.
Mesmo que as contrações estivessem começando a me incomodar muito mais do que eu pudesse imaginar, eu não conseguia desviar o olhar de seu rosto levemente úmido, nem de seu olhar fixo na direção em que ele caminhava.
- Ok, dêem licença! Tem uma grávida passando. — escutei alguém falando, mas não fiz questão de ver quem. Tudo bem, tudo daria certo. Brian está aqui.
Quando chegamos nos carros, depois de atravessar uma multidão curiosa no shopping, esse pensamento não me fazia mais sentido. A dor era agúda. Parecia que tinha algo se partindo.
Eu tentava ao máximo não ser escândalosa e assustá-los, mas agora realmente eu estava fodida.
- Brian, coloca ela com cuidado!
- Não, coloca ela no banco da frente...
- Óbvio que não, deita ela no seu colo. — começou a chover conselhos até de como eu deveria respirar. Eu percebi que Brian parecia perturbado com isso.
- Hey, eu dirijo. — Matt disse assim que eu deitei no banco, trancando a respiração por um instante para não soltar um resmungo de dor.
- Eu vou junto. — Zacky disse tentando se aproximar da porta.
- Não! Eu vou junto! — Samy interferiu.
- Nada disso, eu sou o avô. — meu pai resmungou, tentando empurrar os outros.
- Eu também sou o avô, eu vou junto também. — Papa Gates resmungou.
- É, mas eu sou o pai da afiliada deles. Eu vou. — Jimmy protestou autoritário.
- AH, VÃO SE FODER! EU VOU PARIR DENTRO DESSE CARRO! VAMOS LOGO. — gritei enraivecida. Muito bonito a situação, eu me contorcendo de dor, enquanto eles discutem quem vai junto conosco. Como se todos não fosse de qualquer jeito para o hospital.
- Calma, vai dar tempo. — Brian a todo momento sussurrava coisas reconfortantes, tentando me acalmar. Mas isso de nada adiantava. Acabaram por decidir que Jimmy iria junto, enquanto os outros entravam nos carros.
Matt começou a dirigir um tanto aflito com os meus resmungos. Eu comecei a suar frio, mesmo me sentindo quente e incomodada. Parecia que até a mão do Brian sobre minha testa, me incomodava.
- Matt pisa nesse acelerador aí, cara. — Jimmy dizia com um certo desespero na voz.
- Se eu pisar mais, meu pé vai encostar no asfalto, porra. Fica calmo. — ele o repreendeu.
- Aaaaaah. — choraminguei.
- AAAAAAAAAH — eles gritaram assustados.
- NÃO GRITA! EU TO DIRIGINDO! — Matt chingou deus e o mundo depois do escândalo de Brian e Jimmy, que quase fez Matt bater em outro carro. Eu já não sentia meus dedos, tamanha força que eu aplicava em apertá-los no banco do carro.
- Shh, estamos chegando. — Brian beijou minha testa carinhosamente.
- BRIAN, SAI DE PERTO! — esbravejei alterada.
- O que eu fiz? — ele balbuciou surpreso.
- Você está me tocando! Me pegando! Eu to morrendo! Então saia... de perto. — expliquei angústiada. Ele me fitou atônito, não sabendo o que falar, mas não relou em mim. Logo Matt estacionava em frente ao hospital para o meu completo alívio. Com o incômodo e a dor que eu sentia, eu podia jurar que nasceria no trânsito.
A todo momento ele estava do meu lado. Desde o instante em que me tiraram do carro, até o momento em que me levaram para o quarto e me prepararam para o parto. A dor aumentava significantemente agora, e eu não pensava em outra coisa a não ser "tirem ela logo de mim ou me matem".
Brian parecia assustado comigo. Eu também ficaria se estivesse no lugar dele.
Logo depois a médica chegou.
- Minha nossa senhora, todas essas pessoas na sala de espera, são familiares? — ela arqueeou uma sombrancelha, parecendo incrédula.
- Sim. — Brian disse apenas.
- Ok, o senhor vai ficar para assistir, né papai? — a médica perguntou com um sorriso, enquanto eu trincava os dentes, sentindo a contração me destruir por dentro.
- Sim, acho que não. — ele disse aflito. Ok, não entendi.
- Sim ou não? — a médica reforçou a pergunta, parecendo divertida com o embaraço dele.
- Uhm. — ele acentiu inseguro.
- Ok, deixa eu ver como está a nossa situação. — puta merda, quando eles iam parar de me tocar? Olhei assustada para Brian que parecia querer desviar o olhar. Filho da puta, covarde. — Hmm, era o que eu pensava. Está na hora, mamãe. — ela sorriu para mim. Quase mandei ela ir pro inferno com aquele sorriso. — Você sabe o que tem que fazer. Respira fundo e empurra. — ela disse séria.
- EMPURRA COMO, CARALHO? — perguntei angústiada.
- Calma, apenas respire e faça força. Seu corpo já está preparado para isso, tudo irá ocorrer bem. — ela disse calma.
- Vai Mell, pela nossa filha...
- BRIAN, CALA A BOCA! FOI VOCÊ QUE FEZ ISSO COMIGO! ISSO É TUDO CULPA SUA LAZARENTO! — gritei raivosa, sentindo todos os meus músculos tremerem.
- Mas...
- Tudo bem, é normal que ela esteje alterada, Sr.Haner. Agora preciso que você me obedeça e faça força, Mallory. — a médica continuou a insistir enquanto eu praticamente implorava para voltar no tempo e ter usado camisinha. Eu poderia adotar depois, tudo menos sentir uma melancia rasgando minha vagina. Ah porra.
Suor escorria por meu rosto, fazendo com que meu cabelo grudasse em minha testa. Respirei fundo e tentei arranjar força até do inferno para que nascesse logo. Eu estava fazendo errado.
- Eu... não... consigo. — resmunguei aturdida. Eu já podia sentir lágrimas se formando no canto do meu olho.
- Olha pra mim, Mell. É claro que você consegue. Não fale isso. Essa dor já vai passar e... — Brian tentou me consolar em vão.
- Ah, é claro que va-aai. Eu devia de ter engravidado você pra ver se ficaria calmo desse jeito. — bufei. Ele engoliu em seco e ficou quieto, apenas segurando em minha mão. — Bria-aan, escuta... — gemi dolorida. — você.. nunca mais vai tocar em mim... ok? Chega de sexo... é bom que você lembre da última vez que transamos, porque foi a última... filho da puta. — grunhi desesperada. Ele apenas suspirou parecendo mais assustado.
- Vamos lá, estamos conseguindo, continua assim. — a médica incentivava. Empurrei mais uma vez, sentindo-me exausta. Agora sim eu estava desesperada. Parecia ter se passado um século e nada dessa dor passar.
- Aaaargh. — grunhi irritada.
- Por favor, continua. — Brian implorou perto de mim. Ele estava mais suado e vermelho do que eu. Reuni todas as minhas forças e me concentrei em apenas espelir aquilo que no momento estava me machucando.
- Isso! Isso! Se concentra, está quase lá. — mordi a mão do Brian que estava entrelaçada com a minha. Eu precisava descontar em algo.
- Mell, amor, tudo bem, grita, me ameaça, mas não me morda!!! — minha respiração se tornou ainda mais descompassada quando ouvi a palavra "amor" saindo da boca do Brian e se referindo a mim. Ele nunca tinha me chamado assim antes. Não que eu esteja reclamando, mas ele nunca se referiu a mim de um jeito carinhoso, própriamente dizendo.
Senti um calor ainda maior envolver meu peito. Uma força brotando de algum lugar desconhecido, quando realmente me toquei que todos esperavam mais de mim. Usei toda essa força a meu favor. Uma, duas, três, quatro, cinco vezes.
Eu gritei. Lágrimas caíram geladas. Quando eu estava perdendo as esperanças a dor sumiu, como se nem ao menos tivesse existido. O choro estridente invadiu o cômodo. Pisquei atônita. Ela chorava alto, desesperada, forte. Eu jurava que poderia escuta-la a quilômetros de distância apartir deste instante.
Minha visão se turvou com as lágrimas insistentes. Ela estava ali. Enorme e suja, mas ainda sim, era a coisa mais bela que eu ja tinha visto. Não tinha cara de joelho, não tinha nenhuma imperfeição. E acima de tudo, era minha.
Eu senti uma extrema vontade de tocá-la, provar que ela é real. Sentir o calor do corpo pequeno em meus braços, aproveitar a sensação de ser mãe.
- Você... conseguiu. — senti Brian distribuir beijos por todo o meu rosto, me tirando de meus devaneios. Sorri fraco para ele. Meus olhos estavam nela, somente nela. Minha filha. Eu sentia meu coração aumentar para dar espaço ao ser mais encantador que eu já vi. Era como se todo o meu amor se voltasse para ela, ali, sendo enrolada numa manta branca.
- Viu. Ela é linda e saudável. — a médica colocou em meus braços que tremiam agora.
O choro cessou quando ela se aninhou em meu colo. Brian sorriu para mim, ele parecia emocionado.
Ela parecia ser tão sensível, que me dava medo de machucá-la. Ela resmungava contra o pano que a enrolava, parecendo estar impaciente e isso me fez rir.
- Ela vai ter o seu gênio. — Brian sorriu parecendo estar tão encantado quanto eu.
- E a sua beleza. — acrescentei. Ele ponderou por instantes e acentiu concordando.
- É, isso é verdade. — dsse sorrindo. Semicerrei os olhos indignada.
- Brian, essa é a hora em que você fala "Oh, não, ela terá a sua beleza, Mallory". — comentei com irônia.
- Não, você é linda Mell, sério. Mas ela realmente parece comigo, olha só. — apontou distraído.
- Mas não dá para perceber isso ainda...
- Não, mas eu sinto que é. — encerrou decidido. Bufei incomodada. Talvez ciúmes materno. É, talvez.
Logo a médica a tirou de meu colo, dizendo que depois a traria para a sua primeira amamentação. Senti como se toda aquela alegria momentânea se dissipasse. Eu queria pegá-la denovo. Como pode, carreguei ela por 9 mêses e quando finalmente realmente a conheço, eles tiram ela de mim em menos de 2 minutos.
Logo também me tiraram dessa sala, me levaram para um quarto. Vesti uma roupa confortável, mesmo me sentindo estranha. Eu queria tomar um banho, mas no momento eu não tinha forças.
Uma moça veio me dar um remédio, dizendo que era um relaxante múscular. E com ele, eu me sentiria mais confortável. E realmente funcionou. Meu corpo até estava mais leve.
Escutei uma batida leve na porta e logo depois ela se abriu revelando toda a tropa que eu tanto amo.
- Olha quem é a nova mamãe da cidade!! — Val entrou saltitante, correndo até mim para me abraçar. — Awn cara, a gente passou no berçario e ela é simplismente linda! — comentou animada. Acenti concordando, ela realmente era encantadora.
- Brian insiste em dizer que se parece com ele. Porém eu acho que se parece comigo. — Johnny brincou, nos fazendo rir em coro.
- A maior benção que você podia me dar. — meu pai se aproximou, beijando minha testa. — Eu nem acredito que sou avô! Eu sou tão novo, quem diria, mh? — sorri para a impolgação do Sr.John. Ele nunca tinha revelado que queria ter netos, mas o brilho em seu olhar entregava tudo. Ele estava feliz com a nova membra da familia. Isso me fez pensar em minha mãe. Será que ela ficaria feliz em ser avó? Mesmo depois de tudo aquilo em que passamos? É, acho que a resposta é não.
Ela nem ao menos se importa comigo. Foi para o Canadá, e nem se interessa em saber se sua neta já nasceu, ou se eu estou bem e feliz.
- Eu também sou muito novo para ser avô, ainda me lembro daquele ensaio de fotos pra revista Rolling Stones. Eu estava tão jovial. — Papa Gates comentou fazendo pose.
- Ah sim pai, isso foi em 1998. Você ERA jovem. Pois é, estamos em 2008. — Brian o retrucou, cético. Recebendo uma careta em resposta.
Sorri inconformada com a loucura deles.
- Ei, como foi la dentro? — Kate perguntou, abraçada ao Pét.
- Extremamente cansativo. Eu decidi que não quero mais ter filhos, uma está de bom tamanho. — Suspirei dramaticamente. Jimmy revirou os olhos.
- Na primeira premiere que tiver do Avenged, vocês vão estar se comendo denovo. — Jimmy comentou. Corei. Não, na verdade acho que levei uma chinelada na cara. Brian começou a gargalhar como uma hiena esguelada, sendo acompanhado por Matt e Valary que também sabiam do ocorrido, enquanto os outros nos olhavam confusosos.
- Pera aí, eu não entendi. — Zacky semicerrou os olhos para nós.
- Ai, é muito pesado para o horário, vamos deixar essas revelações para depois. — Jimmy esganiçou, aparentando divertimento. Ha-ha, muito divertido zoar com a minha cara na frente do meu pai e meu futuro sogro.
- Hey. Olha quem chegou! — a médica entrou na sala com um montinho de panos em seu braço. Era minha filha, porém não dava para vê-la.
- Oh, eu quero pegar! — Soph foi a primeira que se prontificou. A mulher passou para seu colo, que pegou com toda a delicadeza possível. Grunhi enciumada. Quando eu teria direito de apreciá-la também?
Depois de Sophia, Samy a pegou. E depois Gena, Zacky (que parecia encomodado com a criança no colo), Matt, Val, Johnny, Papa Gates, Pét, Kate, meu pai e só então, ela chegou em mim.
Eu aposto que ela devia estar zonza com aquela transferência de mãos em mãos.
Olhei para seu pequeno rosto, agora sereno, e sorri. Sua pele era práticamente translúcida e seus olhos eram castanhos, exatamente iguais aos do Brian. Sua pele era tão sensível e macia, que me dava vontade de envolvê-la em uma moldura para não estragar.
Ela tinha cílios grandes para um bebê. E o pouco cabelo que tinha, era negro como a noite. Contrastando com a cor da pele.
- Eu preciso do nome dela para por na pulseirinha de indêntificação. — finalmente desviei minha atenção dela para olhar a médica em pé ao nosso lado.
- Melanie.
- Morgana. — Brian disse no mesmo instante que eu. O fitei desafiadoramente.
- Melanie! M-E-L-A-N-I-E.
- M-O-R-G-A-N-A. E... Haner. — ele insistiu. Bufei impaciente. Estava prestes a revidar quando a médica me interrompeu.
- Ótimo nome! Melanie Morgana Haner. Ok, vou preencher os papéis e trazer a indentificação. — ela disse breve e se retirou da sala nos deixando em silêncio.
- Mas... — Brian suspirou.
- Eu gostei desse nome. Melanie Morgana Haner. É diferente e... bonito. — Papa Gates sorriu, tentando me confortar. Os outros concordaram que o nome era especial e combinava com ela. Resolvi não dizer mais nada, já que eu era a única que discordava, aparentemente.
O que importa é que ela estava bem. Saudável. E que todos os que eu amo, estão aqui para comemorar isso.
Depois coloquei-a cuidadosamente no colo do Brian que parecia relutânte e emocionado. Mas logo depois de uns minutos ela começou a chorar desesperada o deixando apavorado. Não só a ele, como todos os outros presentes que aparentavam preocupação.
- Por que ela está chorando?
- Brian, você pegou ela errado!!
- Eu não fiz nada! — ele tentou se defender.
- Ai gente! Ela só deve estar com fome, ué. — Leana interveio para o meu alívio. Logo depois disso eles resolveram me deixar a sós com a médica. Ela tirou várias dúvidas minhas, desde quando devo começar a fazer os exames regulares até questões de como seria meu corpo daqui pra frente, quais eram os cuidados que eu devia tomar e etc.
E então chegou a hora de amamentar. Ela parecia ansiosa para esta parte, já que ficava choramingando em meu colo. E dói. Tipo, dói mesmo. Mas quando você sabe o quão isso é importante, você percebe que vale muito a pena.
Depois de checar tudo o que precisava, depois de todo o sistema burocrático e depois de ter ficado o dia inteiro no hospital, fomos para casa.
Eu tinha tudo agora, tudo. E eu estava mais feliz do que nunca.
(...)
3 semanas depois.
Eu nunca imaginei que seria tão difícil criar um filho. E cansativo. Muito cansativo.
Eu tinha que trocar fraldas, amamentar, embalar e por pra dormir umas 10 vezes ao dia, praticamente. Eu estava começando a me assustar com a minha nova rotina.
Quando eu me sentava no sofá para respirar, ela começava a chorar denovo e eu tinha que refazer todo o processo de conferir se ela estava suja, com fome, cólica ou algo assim.
Brian tentava ajudar como podia, e ele até se saia bem. Mas ele sempre se esquivava quando o assunto era "trocar fraldas". Sempre sobrava para mim.
Sophia e meu pai estavam todos os dias aqui, auxiliando e mimando a Melanie. Pétrick se atrapalhava em suas tentativas de colocá-la para dormir. Ele até arriscava umas canções de ninar, mas sempre começavamos a rir dele antes dele acabar de cantar a primeira frase. Sem falar no fato de que agora, mais do que nunca, ele e Brian se tornaram inseparáveis. As vezes, Brian até arrumava uma desculpa de que tinha que sair com o Pét, quando eu pedia para ele me ajudar a fazer algo. Eu acabava que permitia que ele fugisse de suas obrigações, até porque, eu estava gostando de agir como mãe. Era... glorioso.
Jimmy estava todo impolgado. Quando ele e Leana nos visitavam, eles traziam os gêmeos e os colocavam junto de Melanie, dizendo que eles precisavam socializar. Eu já tinha desistido de por algo naquela cabeça oca.
Os outros também gostavam de vir aqui, a noite. Nos tornamos muito ligados. Muito mesmo. Se é que isso pode ser possível.
Brian as vezes ficava estranho com relação a mim. As vezes, quando estávamos sózinhos, ele me abraçava, fazia carinho, beijava e derrepente, parecia se arrepender e saia, aparentando chateação. Eu ficava tipo "Que porra eu fiz de errado?"
Eu não sabia o que falar ou fazer. Não sabia nem o que pensar. Na verdade, eu evitava pensar muito nisso. Como sou paranóica, é provável que eu comece a pensar que ele está enjoando de mim ou algo assim. Que ele descobriu que não serve para essa vida de "ser pai de família" e etc.
Ele só saia, quando tinha que ir no estúdio, quando ia para a sua casa, buscar algo ou conferir se estava tudo ok, quando combinava noites de jogos com os garotos ou comprar seus cigarros. Porém, eu via o quão sensível ele era quando estáva com Melanie.
Eu até cogitei, no início, que essa confusão dele estáva relacionada com aquele assunto de "não ser suficiente para sua filha". Porém descartei essa idéia quando ele começou a brigar com os meninos por pouca coisa. Tipo o Zacky ter brincado com ele, dizendo que ele estava ficando mais afeminado. Ele pratícamente o socou, mandando Zacky repetir. Parecia um leão bravo. Neste momento, Papa Gates ficou bravo e o puxou para um canto para dar sermão.
Eu fiquei completamente confusa.
Melanie praticamente me fez chorar, quando deu sua primeira risada. Estáva na cozinha com Kate e Sophia um dia. E começou a tocar uma música antiga no som. Eu comecei a dançar distraída enquanto ajudava as meninas a fazer uma torta. E Melanie estava sentada em seu carrinho, ao lado da bancada. Parecia distraída com uns brinquedinhos que eu tinha deixado lá. Ela os observava atenta. Eu continuei dançando, até ouvir aquela típica gargalhada gostosa de criança novinha.
Me virei para olha-la, eu estava catatônica. Kate e Soph também pareciam surpresas.
Ela desmanchou o sorriso quando eu parei de dançar.
- Mallory, ela gosta de te ver dançando!! — Kate incentivou. Comecei a dançar desastrosamente, denovo. E sua risada me acompanhou. Meus olhos se inundarão em lágrimas neste instante. Era meio difícil acreditar que eu contribuí para que essa perfeição existisse.
Depois desse acontecimento, todos também queriam dançar apenas para vê-la sorrir. Um monte de bobocas babões. Inclusive Brian que estava indignado por ter perdido esta cena. Então, ele fez questão de no mesmo dia comprar uma câmera para registrar tudo.
Nem imaginamos que essa câmera seria muito mais do que útil, num futuro não muito distante.
(...)
Eu estava no quarto. Já devia ser umas 9 horas da noite e a casa estava um completo silêncio. Eu já tinha amamentado, trocado, cantado para ela mas ela ainda não tinha dormido. Ficava resmungando e tentando morder o cobertor invés de dormir.
Suspirei. Eu estava super cansada também. Quando ela dormisse, eu me jogaria na cama e entraria em coma.
- Ela dormiu? — Brian se escorou na porta, me observando.
- Mh. — neguei, desviando o olhar dele.
Silêncio.
Ele se aproximou, e beijou o rosto de Melanie. E depois se voltou para mim.
- Quer que eu faça isso? Você parece cansada. — sussurrou ainda sem me olhar.
- Não estou. — menti vêemente. Ele estalou a língua e suspirou logo em seguida.
- Ok. — disse apenas e se afastou. Ele estava diferente. Era notório. Eu o segui para fora do quarto, fechando a porta atrás de mim logo em seguida.
- Brian? — chamei baixo, ele se virou para me encarar. — Vai sair a essa hora? — cruzei os braços sobre o colo, sentindo a brisa fria vinda da sacada me atingir.
- Só vou... comprar cigarros. — balbuciou com um meio sorriso. Acenti, olhando para meus pés. Por que parecia que não era verdade?
- Hm, ok. Se cuida e... não volta muito tarde. — disse apenas. Ele concordou em silêncio e voltou a caminhar. Mordi o lábio inconciêntemente e bufei. — Bri? — chamei novamente.
- Sim? — ele parou para me olhar. Me aproximei dele e o abracei. Ele estava quente. E pareceu confuso, mas retríbuiu meu abraço.
- Acho que estava com saudades de te abraçar. — confessei, arrancando-lhe um sorriso.
- Eu também estava. — respondeu. Depois disso, ele depositou um beijo em minha testa e saiu. Simplismente saiu.
Baguncei meus cabelos sentindo um leve desespero. Nossa relação estava tão no início e já estava neste estado de desgaste?
Abri a porta do quarto denovo, notando que ela finalmente tinha pegado num sono leve. Ao contrário de mim, que achava que iria capotar na cama. Eu não conseguia dormir pelo simples fato de ficar tentando entender o que Brian tinha.
Quando eu desisti, resolvi descer as escadas para beber uma água. Acabei trombando com Kate, que vestia apenas uma camiseta do Pét. Ela corou instântaneamente e olhou para o chão.
- Mell... eu achei que estava dormindo... Eu só vim pegar um pouco de água e... — ela disse confusa e ok, já entendi tudo.
- Tudo bem, Kate. Não precisa se explicar, eu vim fazer o mesmo. — disse apenas.
- Brian? — ela disse com uma sombrancelha arqueada.
- Como assim?
- Você está com uma cara de enterro Mallory, é diferente da sua cara de cansada, ou entediada. Parece... triste. E o Brian tem tudo a ver com isso. Anda, pode começar. — ela comentou. Porra, por que eu tinha que trombar com alguém exclusivamente observador numa hora dessas?
- Ok. — enchi um copo de água e caminhei até a sala, me sentando de frente para ela. — Ele está diferente. — disse breve. Ela acentiu e fez um gesto para que eu continuasse. — E... não sei, cara. Ele está estranho comigo e com os amigos, sempre de mal-humor... Eu não sei se o erro sou eu ou...
- Eu não acredito que você ainda não se tocou! — ela gargalhou. Eu paralisei. Fiquei com cara de paçoca.
- Não me toquei no quê, mulher? — franzi o cenho confusa. Se eu soubesse o motivo, eu já tinha dado um jeito de resolver, sei lá.
Ela suspirou, segurando a risada.
- Ok. Preste atenção nos sintomas! Brian está um belo de um cuzão ultimamente. E ele evita a sua companhia, para não ser assim com você também... — me mandou um olhar sugestivo, mas eu realmente estava perdida no assunto. — Pelo amor de Merlin, todos perceberam, menos você!
- Eu ainda não entendi. — balbuciei me sentindo muito idiota, já que ela agia como se fosse evidente.
- Tá, me diga quando foi a última vez que vocês tiveram um contato mais íntimo. — ela disse cética, me fitando. Dei de ombros.
- Antes da turnê, por quê? — retruquei ainda mais confusa.
- Isso faz mais ou menos quanto tempo? — perguntou com um sorriso fraco.
- Uns 10 mesês... — sussurrei começando a pegar a linha do pensamento.
- E então...
- Você está me dizendo que isso tudo é por causa de falta de sexo? — fiz uma careta. Ela acentiu ligeiramente. Bufei. — Sério? — insisti, me sentindo bem idiota agora.
- Homens são assim, Mell. — ela sorriu cúmplice para mim. Eu não consegui sorrir de volta.
- Mas então... por que diabos ele está fugindo de mim? Quando a gente começa a se animar, ele sai. Não faz sentido... — comentei fitando o vazio.
- Deve ser que ele acha que você não está afim, sei lá. — ela deu de ombros.
- Quem não está afim? E de quê? — olhei para a porta, vendo Brian entrar com uma careta. Olhei depressa para a Kate que sorriu para ele.
- A Mallory. — ela disse brevemente. Olhei para ela gesticulando para que mentisse. — Não está afim de nomear Pétrick, a padrinho da Melanie, sabe. Eu disse para ele que tem os amigos de vocês e tudo mais, que isso não é só uma escolha da Mell. Ele fica se questionando, as vezes. — ela disse parecendo convicção.
- A gente nem pensou nisso ainda. — Brian disse com um meio sorriso. — Er, ... estou cansado e vou pra cama, você vem? — gesticulou para mim, que no momento continuava encarando o vazio. Kate me cutucou, me tirando do transe.
- Ahh... er, já eu vou. — sorri idiota.
- Ok. — ele me deu um beijo na testa e depois, na Kate. — Boa noite, K. — ele se referiu a ela.
- Boa noite, Bri. — ela retribuíu. Ele então subiu as escadas, sumindo de vista.
Fitei Kate. Ela me fitou. Nos fitamos.
Silêncio. Até que Kate deu um pulo no sofá me assustando.
- Eu tive uma idéia, mas você vai ter que confiar em mim. — ela sorriu impolgada.
- Ok. — mordi o lábio, curiosa.
- Primeiro, temos que ligar para o Jimmy...
Notas finais
Realmente desculpa se ficou ruim, é que estou perdendo a inspiração. Não vou prometer que vou postar o próximo rápido, pq sempre que eu prometo da merda, o nyah entra em manutenção, eu perco o capitulo e etc, como aconteceu nessa última vez.
Bjos e se cuidem. E COMENTEM PORRA, talvez minha inspiração volte com a ajuda de vocês. E ah, é mesmo, o que vocês acham que vai acontecer no próximo suas viada? diz ai nessa caixinha logo aqui em baixo.
Quem lê as outras fics minhas, sabe que eu estou devendo mt né. E na lost souls, vão nos mps cobrar a Priih e a LittleGirl. bjos.
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